Vitaminas: mitos, carência e superdosagem


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Revisado e atualizado em outubro 17, 2025
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O que são as vitaminas?

Chamamos de vitaminas o grupo de compostos químicos orgânicos que são essenciais à vida, mas que o nosso organismo não consegue sintetizar em quantidades suficientes, sendo necessária a sua obtenção através de alimentos, de origem animal ou vegetal.

As vitaminas são necessárias em pequenas quantidades para o metabolismo normal do corpo. Tanto a carência de vitaminas quanto o seu excesso costumam ser prejudiciais à nossa saúde.

O que é considerado vitamina para algumas espécies pode não ser para outras. Por exemplo, répteis e algumas aves conseguem produzir todo o ácido ascórbico (vitamina C) que precisam a partir dos rins, não sendo esse composto, portanto, considerado uma vitamina para essas espécies.

Nos mamíferos, o gene responsável pela produção de ácido ascórbico sofreu mutações ao longo do processo evolutivo e perdeu essa capacidade. Porque nós não produzimos a vitamina C, mas precisamos ir buscá-la nos alimentos para sobreviver, ela é considerada uma vitamina.

Como os seres humanos não sintetizam vitaminas (exceto alguma quantidade de vitamina D e vitamina B7), nós dependemos exclusivamente da alimentação para conseguir os níveis necessários.

Quais são as vitaminas?

Cada vitamina tem estrutura e função diferentes no organismo. São 13 as vitaminas:

  • A – Retinol.
  • B1 – Tiamina.
  • B2 – Riboflavina.
  • B3 – Niacina.
  • B5 – Ácido pantotênico.
  • B6 – Piridoxina.
  • B7 – Biotina.
  • B9 – Ácido fólico.
  • B12 – Cianocobalamina.
  • C – Ácido ascórbico.
  • D – Calciferol.
  • E – Tocoferol.
  • K – Filoquinona.

Vitaminas hidrossolúveis e lipossolúveis

As vitaminas são divididas em dois grupos: hidrossolúveis e lipossolúveis.

As lipossolúveis são armazenadas no tecido gorduroso (adiposo) para que o organismo possa usá-las quando necessitar. Praticamente não há excreção dessas vitaminas, tudo que é ingerido e não aproveitado no momento, é estocado para momentos de escassez.

São vitaminas lipossolúveis as A, D, E e K.

As hidrossolúveis como o próprio nome indica, diluem-se na água e são facilmente excretadas na urina. Praticamente não há armazenamento destas no organismo e todo o excesso é eliminado.

São vitaminas hidrossolúveis a família da vitamina B e a vitamina C.

Se por um lado as vitaminas lipossolúveis têm a vantagem de poderem ser armazenadas, por outro, como não são eliminadas pela urina, uma ingestão em excesso pode levar a um quadro de hipervitaminose, que é um tipo de intoxicação que pode até levar à morte.

A deficiência de vitaminas pode ocorrer por falta de ingestão adequada ou por algum distúrbio que impeça a sua absorção e utilização, ocasionando sua eliminação nas fezes.

Vitamina A

Fontes: encontrada em cenouras, ovos, leite, peixes, frutas amarelas, brócolis, espinafre e fígado.

Deficiência: causa cegueira, lesões de pele e alterações no crescimento ósseo.

Intoxicação: provoca náuseas, vômitos, distúrbios neurológicos, hepatite, queda de cabelo.

Suplementação excessiva de vitamina A parece estar relacionada ao aumento da incidência de alguns cânceres, como o de pulmão em fumantes.

Recomendações: não há indicações para suplementação de vitamina A a não ser que haja evidências de sua deficiência ou doenças que predisponham a mesma, como fibrose cística, doença de Crohn, insuficiência pancreática e doença celíaca.

Vitamina D

Fontes: Peixes, leite, ovos, fígado e através da exposição ao sol.

Deficiência: provoca osteomalácia (ossos fracos) nos adultos e raquitismo nas crianças.

Intoxicação: causa excesso de cálcio sanguíneo, lesão renal, lesão óssea.

Recomendações: Como a principal fonte de vitamina D é a produção pela pele através do estímulo da luz solar, é comum que idosos e pessoas com pouca exposição solar apresentam deficiência de vitamina D.

Nos pacientes com deficiência de vitamina D indicam-se doses de até 800 UI dia. Através de análises de sangue, é possível monitorar os níveis e acertar a dose e o tempo de correção.

A vitamina D é produzida na pele, mas é ativada pelos rins. Pacientes com insuficiência renal grave necessitam de suplementos da forma ativada. A forma vendida nos multivitamínicos é a inativa e só funciona em pessoas com rins saudáveis.

Para saber detalhes sobre a vitamina D, leia: Vitamina D | Deficiência e suplementos.

Vitamina E

Fontes: óleos vegetais, nozes, castanha, avelã, espinafre, leite, arroz, pão, massas.

Deficiência: provoca alterações musculares, neurológicas e morte prematura dos glóbulos vermelhos (hemácias).

Intoxicação: não existe nenhuma síndrome bem caracterizada pela excesso de vitamina E. Porém, alguns trabalhos demonstraram uma maior mortalidade em pacientes que faziam complementação com vitamina E. Não há nenhuma causa específica de morte, nos estudos, as pessoas simplesmente viviam menos tempo que o grupo sem suplementação.

Recomendações: a vitamina E é uma das vitaminas mais facilmente encontradas em alimentos, por isso sua deficiência é rara. Só se indica suplementação naqueles com doenças que impedem a absorção da vitamina ingerida, tais como fibrose cística, doença de Crohn, insuficiência pancreática ou doença celíaca.

A vitamina E parece estimular a produção de espermatozoides e pode ser indicada no tratamento de infertilidade masculina.

Vitamina K

Fontes: folhas verdes, queijos, chocolate, frutas.

Deficiência: a vitamina K é um importante fator da cascata da coagulação e sua deficiência causa hematomas, equimoses e hemorragias. Excesso de vitamina A e E podem inativar a vitamina K.

Intoxicação: provoca lesão no fígado e anemia.

Recomendações: a deficiência de vitamina K em adultos é rara e está relacionada a longos cursos de antibióticos e às doenças que impedem a absorção das vitaminas lipossolúveis já descritas acima.

Pacientes anticoagulados com varfarina que apresentam sangramentos podem ser tratados com doses de vitamina K.

Vitamina C

A família das vitaminas B e a vitamina C são hidrossolúveis e não acumulam no organismo. Por isso, é muito raro quadros de intoxicação.

Como não são estocadas no corpo, precisamos sempre estar consumido esses tipos de vitamina. Porém, por estarem presentes em vários alimentos, sua deficiência é rara e ocorre principalmente em pessoas desnutridas, alcoólatras ou toxicodependentes.

A doença provocada pela carência de vitamina C chama-se escorbuto e foi muito comum na época dos descobrimentos, quando os viajantes passavam vários meses no mar.

O escorbuto manifesta-se com hemorragias gengivais, alterações na cicatrização, lesões de pele e dores articulares.

Nos pacientes com alimentação normal, não há risco de carência. A sua suplementação não está indicada e o consumo em excesso está associado a uma maior incidência de cálculos renais.

Não há comprovação científica de que a vitamina C previna gripes ou resfriados.

Falamos especificamente sobre a vitamina C em um artigo à parte: Vitamina C – Importância, efeitos e alimentos ricos.

Vitamina B

Antigamente, achávamos que a vitamina B fosse uma única substância. Porém, hoje sabemos que se trata de uma família de vitaminas, que podem estar presentes em vários alimentos.

As vitaminas do complexo B são:

  • B1 – Tiamina.
  • B2 – Riboflavina.
  • B3 – Niacina.
  • B5 – Ácido pantotênico.
  • B6 – Piridoxina.
  • B7 – Biotina.
  • B9 – Ácido fólico.
  • B12 – Cobalamina.

Doenças provocadas por carência de vitamina B

Mitos

Os benefícios das vitaminas são muito superestimados. Elas são necessárias para se ter saúde, mas doses acima do recomendado não trazem nenhum benefício, pelo contrário.

Os multivitamínicos costumam ter doses baixas de cada vitamina. No final, não fazem mal, mas também não trazem nenhum benefício. São praticamente placebos.

Uma dieta normal provê quantidades suficientes de vitaminas, com a vantagem de também proporcionar outros nutrientes como proteínas, carboidratos, fibras, etc.

Muitas pessoas confundem os benefícios das vitaminas com os das proteínas, e acham que podem engordar ou ficar mais fortes aumentando o consumo das mesmas.

Na verdade, as vitaminas não funcionam para nenhuma das indicações abaixo:

  • Não dão “energia” ou “força”.
  • Não combatem o estresse.
  • Não previnem gripe.
  • Não estimulam o apetite sexual.
  • Não estimulam o cérebro.
  • Não combatem o colesterol.
  • Não melhoram cansaço físico ou mental.
  • Não previnem doenças além daquelas causadas pela sua carência.
  • Não melhoram o apetite.
  • Não substituem exercícios físicos.
  • Não engordam ou emagrecem.
  • Não substituem uma refeição.
  • Não melhoram a visão (a não ser que o problema visual seja provocado carência vitamínica).

Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Soraia

    Vi que a vitamina A pode aumentar o risco de câncer em fumantes. Isso é verdade? Mesmo comendo alimentos ricos em vitamina A ou só se tomar suplemento?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim, essa relação é verdadeira, mas vale esclarecer alguns pontos. Estudos clínicos mostraram que fumantes que usavam suplementos com altas doses de vitamina A ou betacaroteno tiveram um aumento na incidência de câncer de pulmão, especialmente quando a suplementação era prolongada. Esse risco não está associado ao consumo normal de alimentos ricos em vitamina A, como cenoura, espinafre ou manga, pois nesses casos a quantidade ingerida é muito menor e acompanhada de outros nutrientes naturais.

    O problema está no uso de suplementos isolados em doses elevadas, fora de qualquer recomendação médica. Por isso, fumantes e ex-fumantes devem evitar o uso de vitamina A suplementar sem orientação profissional, já que o excesso pode ser prejudicial.

  2. Jack Jones

    Se a vitamina D é produzida pela pele com o sol, por que tanta gente tem deficiência? Tomar sol no dia a dia já não seria suficiente para manter os níveis adequados?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Em teoria, sim — a exposição solar regular é suficiente para que a pele produza quantidades adequadas de vitamina D. No entanto, fatores como idade, cor da pele, uso de protetor solar, vestimentas, local de residência e tempo de exposição influenciam bastante essa produção. Por exemplo, idosos, pessoas que trabalham em ambientes fechados ou que vivem em locais com pouca incidência solar tendem a ter níveis baixos de vitamina D, mesmo com alguma exposição diária. Por isso, em muitos casos, a suplementação se torna necessária, mas deve ser feita com base em exames laboratoriais e orientação médica.

  3. Sabrina Goes

    Minha mãe sempre diz que tomar vitamina C todo dia ajuda a não pegar gripe. Isso é verdade mesmo? Vale a pena tomar suplemento de vitamina C no inverno para evitar ficar doente?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Essa é uma dúvida bastante comum. A vitamina C é importante para o sistema imunológico, mas não há evidências científicas sólidas de que sua suplementação previna gripes ou resfriados em pessoas saudáveis. A maioria dos estudos mostra que, em quem tem uma alimentação equilibrada, não há qualquer benefício em tomar suplementos de vitamina C como prevenção de infecções. Além disso, como é uma vitamina hidrossolúvel, o excesso é eliminado pela urina — ou seja, tomar além do necessário não aumenta a proteção e ainda pode favorecer o surgimento de cálculos renais em pessoas predispostas.

  4. Carlinhos

    Estou tomando um polivitamínico e notei que estou com mais apetite. Isso é normal? Vitaminas podem engordar ou aumentar a energia do corpo?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não, as vitaminas não engordam e não fornecem energia, pois não têm calorias. Também não aumentam o apetite, embora algumas pessoas possam perceber mudanças no bem-estar geral ao corrigirem uma deficiência vitamínica específica. A sensação de mais disposição às vezes está ligada ao efeito placebo, especialmente quando se inicia um suplemento esperando esse tipo de resultado. Os multivitamínicos vendidos sem prescrição médica costumam conter doses baixas e, na maioria dos casos, não causam benefício em quem tem alimentação equilibrada. Por isso, não devem ser usados com a expectativa de emagrecer, engordar, dar energia ou melhorar o apetite.

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