Mesotelioma e asbestose: doenças causadas pelo amianto (asbesto)


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Revisado e atualizado em julho 17, 2025
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O que é o amianto (asbesto)?

O asbesto (nome de origem grega) ou amianto (nome de origem latina) é uma fibra de origem natural, muito usada pela indústria devido a sua elevada resistência ao calor (até 1000ºC), aos químicos e à tração, grande flexibilidade, durabilidade, isolamento sonoro e pelo seu baixo custo.

O amianto é usado em várias áreas, como na mineração, construção civil, construção de navios, construção de ferroviária, indústria química, indústria automobilística, encanamentos, revestimentos à prova de fogo, isolamento acústico, fabricação de telhas de fibrocimento e mais de 2500 outros produtos.

Entre os profissionais com maior risco de exposição ao amianto encontram-se:

  • Encanadores.
  • Soldadores.
  • Zeladores.
  • Eletricistas.
  • Carpinteiros.
  • Trabalhadores da construção civil e naval.
  • Mineradores.
  • Pessoas que trabalham com materiais isolantes.

O amianto foi uma das principais matérias-primas durante o processo de industrialização mundial no final do século XIX e primeira metade do século XX, período em que as doenças associadas ao contato com o pó de asbesto e as fibras microscópicas começaram a ser identificadas. Deste então, o asbesto passou a ser conhecido como a poeira assassina.

Os materiais à base de amianto foram proibidos em toda União Europeia e Austrália, porém, apesar de todo conhecimento dos riscos à exposição do asbesto, interesses econômicos ainda mantêm a produção de asbesto elevada em alguns países, principalmente Rússia, China, Cazaquistão, Canadá e Brasil, os cinco maiores produtores do mundo.

No Brasil, o amianto foi banido apenas parcialmente. A crisotila (amianto branco) ainda é explorada em vários estados do país. Somente Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul aboliram todas as formas de amianto.

A exploração do amianto do tipo crisotila sofre grande defesa no Senado e na Câmara dos Deputados pela chamada “bancada do amianto”. Este grupo alega que não existem dados científicos que comprovem que esta forma de amianto (crisotila) seja nociva à saúde e, portanto, sua proibição prejudicaria uma indústria que movimenta algo em torno de 2,5 bilhões de reais por ano.

Realmente, o amianto crisotila é menos nocivo, porém, de modo algum, é inofensivo. O grande problema é que as doenças causadas pelo asbesto atingem anualmente uma parcela muito pequena da população, enquanto os lucros que esta atividade gera são exorbitantes.

Asbestose

A asbestose é uma doença pulmonar causada pela aspiração de pó de asbesto. O mineral, quando inalado e absorvido pelos pulmões, desencadeia uma reação inflamatória que, em última análise, leva à fibrose do pulmão, substituindo o tecido pulmonar saudável e funcionante por cicatrizes.

Os sintomas da asbestose só costumam aparecer após 2 ou 3 décadas da sua exposição, o que faz com que em alguns países a sua incidência esteja aumentando, dado que os pacientes estão manifestando hoje sintomas de uma doença que se iniciou nas décadas de 1970 e 1980, período em que ainda não havia um grande controle sob a exploração do asbesto.

O desenvolvimento da asbestose depende do tempo de exposição, do tipo de asbesto exposto e da quantidade de pó inalada. Todos os tipos de amianto podem causar asbestose.

Sintomas da asbestose

Os primeiros sintomas da asbestose são a falta de ar e a intolerância aos esforços, causados pela fibrose pulmonar. Com a progressão da doença, surgem a tosse seca e dor torácica ao respirar. A falta de ar tende a piorar com o tempo, e em fases avançadas, está presente mesmo quando o paciente encontra-se em repouso.

O surgimento de baqueteamento digital (dedos em forma de baquetas) é um sinal de doença pulmonar e má oxigenação crônica (leia: Falta de ar | Causas e tratamento).

O aparecimento de placas nas pleuras e o derrame pleural são outras manifestações comuns da asbestose.

A destruição do tecido pulmonar pode levar à hipertensão pulmonar, que, por sua vez, leva ao cor pulmonale, que é a insuficiência cardíaca causada por doenças do pulmão.

Tratamento da asbestose

Não existe tratamento para curar asbestose. A fibrose que ocorre nos pulmões é irreversível e o tratamento se limita a descontinuar a exposição ao amianto, evitar o tabagismo — que acelera a destruição dos pulmões — e a administração de oxigênio naqueles com falta de ar importante.

Mesotelioma maligno

O mesotélio é um tipo de tecido que compõe as finas membranas que envolvem algum dos nossos órgãos, como o pericárdio com o coração, a pleura no caso dos pulmões e o peritônio, que envolve nossos órgãos intra-abdominais.

O mesotelioma é câncer que surge a partir destas células.

O mesotelioma pleural é a forma mais comum de mesotelioma maligno, seguido pelo mesotelioma peritonial, mesotelioma pericárdico e, por último, pelo mesotelioma testicular.

O mesotelioma é um tipo de câncer raro, cuja associação é praticamente exclusiva às pessoas expostas ao asbesto. Mais de 70% dos casos apresentam clara relação com o amianto. Boa parte destes 30% sem causa estabelecida, provavelmente também estão relacionados ao asbesto, porém, como o câncer costuma ocorrer décadas depois da exposição, nem sempre é possível estabelecer uma relação causal entre o amianto e o mesotelioma maligno.

Aproximadamente 8% dos trabalhadores que têm contato com o asbesto, irão desenvolver mesotelioma maligno.

Sintomas do mesotelioma maligno

Os sintomas do mesotelioma maligno dependem do mesotélio afetado. As duas formas mais comuns são o mesotelioma pleural e o mesotelioma peritonial. Seus sintomas mais comuns são:

Mesotelioma pleural: falta de ar, dor torácica pleurítica (que ocorre à respiração profunda), perda de peso, febre e suores noturnos são os principais sintomas. Na radiografia de tórax é comum encontrarmos derrame pleural no pulmão acometido.

Mesotelioma peritonial: Ascite, dor abdominal, náuseas, emagrecimento e, em casos avançados, sinais de obstrução intestinal.

Tratamento do mesotelioma maligno

Não há cura para o mesotelioma maligno e a sobrevida média desde o diagnóstico é de apenas 9 meses. Os tratamentos atuais visam o aumento da sobrevida e incluem a cirurgia para ressecção do tumor associado à quimioterapia e radioterapia.

Câncer de pulmão

Além do mesotelioma, um câncer típico e praticamente restrito àqueles com exposição ao asbesto, outros tipos de câncer também ocorrem com mais frequência devido ao amianto. O principal é o câncer de pulmão, cujo risco eleva-se até 60 vezes após exposição ao asbesto.

Outros cânceres provocados pelo amianto

Além do câncer de pulmão e do mesotelioma, a exposição ao amianto também pode causar câncer de laringe e ovário. As evidências atuais também sugerem que a exposição ao amianto pode causar câncer de faringe, estômago e colorretal.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Joaquim Gonçalves

    Revoltado com os “CROCODILOS”. Trabalhei 32,5 anos numa empresa de extrusão de alumínio, onde todo o tempo de trabalho comia-mos amianto das luvas com que trabalhava-mos e de outras fontes onde era aplicado. Em todo esse tempo eu e meus colegas com pouca formação literária e sobre este problema nada se sabia das consequencias. Da parte dos directores nada nos foi dito tal como da parte dos médicos de saúde da empresa nada x nada. Em 2005 ano em que deixei essa empresa, com mais tempo para ler e explorar algumas questões descobri então que mais tarde ou mais cedo seria atingido pelas causas do amianto. E aqui estou com várias idas aos hospitais (broncopneumonias) crises de falta de ar e o mais interessante, falo aos médicos incluindo médico de família e nada. ” Revoltado. Sinto que estou no meio do lago”.

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