Clonazepam (Rivotril): para que serve e efeitos adversos


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Revisado e atualizado em fevereiro 23, 2025
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O que é o Clonazepam?

O clonazepam, mais conhecido pelo nome comercial Rivotril, é um medicamento que pertence à classe das benzodiazepinas, a mesma da qual também fazem parte diazepam, alprazolam, bromazepam, lorazepam, midazolam e vários outros.

O clonazepam é frequentemente usado no tratamento da síndrome do pânico, no controle da crise convulsiva, na doença bipolar e na síndrome das pernas inquietas.

Atenção: esse texto não visa reproduzir a bula completa do clonazepam. O que faremos é uma revisão crítica do fármaco em linguagem mais acessível ao público leigo, eliminando as partes da bula que contêm linguagem mais técnica e ressaltando as informações que são realmente relevantes para os pacientes que desejam tomar o medicamento.

Para que serve

Assim como qualquer benzodiazepínico, o clonazepam é um ansiolítico, ou seja, uma droga que age diretamente no sistema nervoso central, deprimindo a sua atividade e reduzindo a ansiedade.

Vamos a uma rápida explicação do mecanismo de ação do Rivotril para podermos entender a sua utilidade em doenças como a síndrome do pânico.

O nosso sistema nervoso central possui neurotransmissores que são estimulantes e neurotransmissores que são depressores (desestimulantes). O equilíbrio entre esses dois tipos de neurotransmissores é o que nos mantém alerta e emocionalmente/psicologicamente estáveis.

Um dos principais neurotransmissores depressores é o GABA (ácido gama-aminobutírico). A ação inibitória do GABA sobre os neurônios provoca, entre outras ações, aumento da sonolência, redução da excitação, diminuição do tônus muscular e letargia. Os benzodiazepínicos, como o Rivotril, são fármacos que potencializam a ação do neurotransmissor GABA, provocando, portanto, aumento dos seus efeitos inibitórios sobre os neurônios.

Esse aumento da ação do GABA torna o Rivotril, e outros benzodiazepínicos, muito úteis no tratamento dos distúrbios de ansiedade, pois ele age diminuindo a ansiedade, reduzindo a frequência das crises e inibindo o sentimento de medo. A ação inibitória do GABA nos neurônios do córtex motor também torna o clonazepam uma excelente opção para o controle da crise convulsiva.

De todos os benzodiazepínicos disponíveis no mercado, o clonazepam é atualmente o mais indicado para o tratamento da síndrome do pânico. Além de ter um tempo de ação maior, o que reduz o número de vezes que o paciente precisa tomar comprimidos ao longo dia, o Rivotril também provoca menos “escapes” do efeito ansiolítico, isto é, quando começa a chegar na hora de tomar um novo comprimido, o Rivotril ainda consegue manter o paciente calmo. Não há, portanto, perda importante do efeito do comprimido entre as suas doses.

Outras indicações do clonazepam incluem:

Nomes comerciais

O clonazepam pode ser encontrado na sua forma genérica ou através dos diversos nomes comerciais disponíveis no mercado, entre os quais destacamos:

  • Clonasun.
  • Clonotril.
  • Clopam.
  • Epileptil.
  • Navotrax.
  • Rivotril (medicamento de referência).
  • Uni Clonazepax.
  • Zilepam.

O clonazepam genérico e o Rivotril são vendidos em comprimidos ou gotas. As dosagens existentes são:

  • Comprimido sublingual 0,25 mg.
  • Comprimido 0,5 mg.
  • Comprimido 2,0 mg.
  • Solução oral (gotas) 2,5 mg/ml.

Como tomar

Síndrome do pânico

Rivotril comprimidos: a dose inicial do clonazepam para o distúrbio do pânico é 0,25 mg, duas vezes por dia (dose diária total de 0,5 mg). A dose pode ser aumentada com acréscimos de 0,25 a 0,5 mg/dia a cada três dias até que o distúrbio do pânico esteja controlado ou até que os efeitos colaterais impeçam novos aumentos.

Em geral, são necessárias doses de 1,0 a 2,0 mg por dia para o controle dos sintomas. Alguns pacientes podem precisar de doses mais elevadas, contudo, sugere-se não ultrapassar a dose total de 4,0 mg por dia.

Rivotril gotas: a solução oral do rivotril é de 2,5 mg/ml, o que significa aproximadamente 0,1 mg por gota. Portanto: 5 gotas = 0,5 mg; 10 gotas = 1,0 mg. A dose inicial do clonazepam em gotas é de 2 a 3 gotas (0,2 mg a 0,3 mg) tomadas duas vezes por dia. Pode-se aumentar 1 a 2 gotas em cada tomada a cada três dias, até atingir a dose alvo diária de 1,0 a 2,0 mg por dia.

Epilepsia

Nos pacientes que têm epilepsia com síndrome convulsiva, a dose inicial é de 0,5 mg, 3 vezes por dia (dose diária total de 1,5 mg). A cada 3 dias, a dose diária pode ser aumentada em 0,5 a 1,0 mg, até que as crises estejam controladas. A dose máxima recomendada para epilepsia é de 20 mg/dia.

Como ansiolítico em geral

Dose total diária: 0,25 mg a 4,0 mg. A dose total pode ser dividida em 2 ou 3 administrações por dia.

Fobia social

Dose total diária: 0,25 mg a 6,0 mg. A dose total pode ser dividida em 2 ou 3 administrações por dia.

Transtorno afetivo bipolar (tratamento da mania)

Dose total diária: 1,5 mg a 8,0 mg. A dose total pode ser dividida em 2 a 4 administrações por dia.

Acatisia

Dose total diária: 0,5 mg a 4,5 mg. A dose total pode ser dividida em 2 ou 3 administrações por dia.

Síndrome das pernas inquietas:

Dose total diária: 0,25 mg a 2,0 mg. Dose única diária tomada 30 minutos antes de dormir.

Vertigem e distúrbios do equilíbrio:

Dose total diária: 0,5 mg a 1,0 mg. A dose total pode ser dividida em 2 administrações por dia.

Síndrome da boca ardente:

Dose total diária: 0,25 mg a 3,0 mg. A dose total pode ser dividida em 2 ou 3 administrações por dia.

Tremor essencial

Dose total diária: 0,5 mg a 6,0 mg. Dose única diária tomada 30 minutos antes de dormir.

Efeitos colaterais

Os principais efeitos colaterais do clonazepam estão habitualmente associados à depressão do sistema nervoso. Alguns efeitos são transitórios e desaparecem espontaneamente no decorrer do tratamento. Em muitos casos, a redução da dose é suficiente para controlar os efeitos adversos. A elevação lenta e progressiva da dose no início do tratamento ajuda a amenizar e a reduzir a incidência das reações indesejadas.

Os principais efeitos colaterais do Rivotril são a sonolência, cansaço, diminuição da coordenação motora, diminuição da capacidade de concentração e amnésia para eventos recentes. Outros efeitos comuns são a tontura, aumento da salivação, dor muscular, distúrbios do sono, aumento da frequência urinária e visão borrada. O uso do Clonazepam pode provocar em algumas pessoas pensamentos suicidas, principalmente se o paciente já tiver depressão grave.

Um efeito adverso curioso das benzodiazepinas é a chamada reação paradoxal. Em vez do medicamento causar inibição do sistema nervoso, ele provoca um efeito contrário, deixando o paciente hiperativo e, às vezes, agressivo. Esse efeito é mais comum em pessoas jovens e em pacientes psiquiátricos.

Pacientes que usam benzodiazepínicos por muitos meses podem criar dependência, sofrendo efeitos de abstinência quando suspendem a droga. O clonazepam também pode provocar esses efeitos, mas eles costumam ser menos intensos do que em outros benzodiazepínicos, como alprazolam, lorazepam e oxazepam.

Cuidados e contraindicações

Devido à sonolência e à redução dos reflexos motores, os pacientes que tomam Rivotril não devem manusear máquinas pesadas nem dirigir carros sob o efeito da droga.

A droga também deve ser administrada com cautela em pacientes com doenças do fígado, em pessoas com depressão grave, com histórico de abuso de drogas ou álcool, ou em idosos com elevado risco de sofrer quedas.

O clonazepam não deve ser usado na gravidez e durante o aleitamento materno.

Interações medicamentos

O fato de existir interação não significa que as drogas não possam ser usadas concomitantemente, mas sim que o seu uso deve ser feito com cautela, tendo em mente que a ocorrência de efeitos colaterais pode ser maior.

Dezenas de medicamentos interagem com o clonazepam. A lista é muito longa e não vale a pena expô-la por completo aqui, uma vez que ela pode ser encontrada em qualquer bula do clonazepam. É importante destacar, porém, que qualquer substância que também provoque depressão do sistema nervoso não deve ser usada junto com o clonazepam, incluindo bebidas alcoólicas e anti-histamínicos.

Exemplo de drogas que não devem ser associadas ao Rivotril:

  • Zolpidem.
  • Erva de São João.
  • Metadona.
  • Olanzapina.
  • Talidomida.
  • Ácido fusídico.
  • Droperidol.

Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Valquiria Oliveira

    Minha médica receitou 3 a 4 gotas a noite, porém não sinto efeito e não consigo remarcar um retorno.
    Posso tomar 10 gotas? É direto na boca ou tem que diluir na água?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Valquiria, lamento, mas não posso alterar a posologia de um tratamento que não foi prescrito por mim, ainda mais para uma paciente que eu nem sequer conheço. Seria antiético e irresponsável.

  2. Mirian

    Tomo clonozepam há mais de 16 anos, corro risco de ter um infarto? Ainda me sinto nervosa, não consigo deixar de tomar o remédio. Estou tendo crise de ansiedade, fico com medo de pegar o metrô .tomo paroxetina, é normal depois de tanto tempo tomando remédio controlado, ainda ter crise?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    O remédio ajuda a controlar, mas ele não cura a ansiedade. É preciso também acompanhamento psicológico regular. Por que você está perguntando especificamente sobre infarto?

  3. Regivaldo da Silva

    Tomo clonazepan de 2mg como faço pra largar isso pois já tem 5 anos qual método pra se livrar

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Tem que ir reduzindo aos poucos, bem lentamente. Compra a versão em gotas e vai diminuindo a dose progressivamente ao longo de algumas semanas.

  4. Livia

    Comecei a tomar hj clonazepan, 5 gotas esperei e nada ,então tomei mais 8 e nada depois de uma hora então ,então tomei mais 10 , agora tô sentindo o efeito 🙌🏻posso continuar assim ??

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não é assim que se deve tomar o Clonazepam, você pode acabar tendo uma intoxicação. Qual foi a dose que o médico prescreveu?

  5. Millena

    pode tomar esse remédio sem precisar de receita médica?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não.

  6. Jose Carlos Rodrigues

    Quantas gotas de rivotril pode ser tomadas?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A dose máxima diária é 8 mg, o que dá 80 gotas da solução oral do rivotril de 2,5 mg/ml. Mas para quem está começando, o recomendado é 2 a 3 gotas por dia.

  7. Antônio Carlos

    Tem algum problema tomar uma gota diária de Rivotril para dormir?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Uma gota é subdose. Pouco provável que tenha algum efeito além do placebo.

  8. Beca

    Boa Noite Doutor. Sobre os sintomas de TAG, pânico, agorafobia eles causam um efeito real no corpo? tipo de repente me dá uma tontura isso me leva a achar q tô passando mal, aí já perco o controle de tudo. Quando passa a crise me sinto fraca, fico horrível o dia todo, muita tontura. Existe um nível tão severo da doença que pode me causar esse s sintomas por dias? Obrigada

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim, pode. E é bastante comum.

  9. Danilo Garcia gomes

    Eu tomo clonazepam e também tomo sertralina e outros remédios o clonazepam eu tomo à noite e sertralina eu faço uso de 50 mg 4 são 250 200 mg só que o clonazepam estou começando agora a usar ele tá dando muito sono e às vezes um pouco de tristeza

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Essa associação dá muito sono mesmo. É um dos efeitos adversos mais comuns do tratamento.

  10. Walker

    Boa noite Dr.

    Queria saber qual o efeito de tomar 60 comprimidos de clonazepam 2mg de uma vez.

    É morte na certa? Ou corre o resto de escapar?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Por que você está perguntando isso?

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