Tipos de anestesia (geral, local, raquidiana e peridural)


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Revisado e atualizado em junho 27, 2025
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O que é anestesia?

A anestesia é um procedimento médico que visa bloquear temporariamente a capacidade do cérebro de reconhecer um estímulo doloroso. Graças à anestesia, os médicos são capazes de realizar cirurgias e outros procedimentos invasivos sem que o paciente sinta dor.

A anestesia pode ter ação local, regional ou geral.

Para entendermos como funcionam as anestesias, vale a pena uma rápida explicação sobre o que é a dor.

Sensação de dor

A dor é um dos mecanismos de defesa mais importantes do nosso organismo, sendo ativada toda vez que um tecido nosso esteja sofrendo algum tipo de estresse ou injúria.

Inicialmente, pode parecer estranho pensar que um mecanismo que serve para nos proteger provoque uma sensação tão ruim quanto a dor. Mas, pense bem, se você encostar em uma superfície muito quente, o seu cérebro precisa lhe avisar para retirar a mão o mais depressa possível, antes que você sofra queimaduras graves. O melhor modo para que você responda imediatamente, sem pensar e sem questionar, é fazer-lhe sentir que aquela ação de encostar no calor seja algo extremamente desconfortável. Com a dor, você não só vai retirar a mão o mais rápido possível, como não irá querer pô-la de volta de modo algum.

Para podermos sentir dor, é preciso haver receptores para identificar lesões dos tecidos e nervos sensitivos especializados em transportar a sensação de dor. Nossa pele, por exemplo, é amplamente inervada por nervos sensitivos capazes de reconhecer eventos traumáticos mínimos. Quando sofremos um corte, uma queimadura, uma picada ou qualquer outra injúria do tecido da pele, esses nervos são ativados, enviando rapidamente sinais elétricos em direção à medula espinhal, que, por sua vez, transporta-os para o cérebro, onde a sensação de dor é reconhecida.

Portanto, se quisermos bloquear a sensação de dor, podemos agir em três pontos:

  1. No local exato onde a injúria está ocorrendo, através do bloqueio dos receptores da dor presentes na pele.
  2. Na medula espinhal, bloqueando um sinal doloroso vindo de um nervo periférico, impedindo que o mesmo continue seu trajeto e chegue ao cérebro.
  3. No cérebro, impedindo que o mesmo reconheça os sinais dolorosos que chegam a si.

Esses três modos de agir sobre a dor são os mecanismos básicos da anestesia local, regional e geral, respectivamente.

Objetivos

O objetivo principal de qualquer uma das três modalidades de anestesia é bloquear a sensação de dor.

Nos procedimentos simples, nos quais apenas uma anestesia local é necessária, o único objetivo do procedimento é mesmo cortar a dor.

Todavia, em casos de cirurgia, principalmente as de grande porte, não basta apenas retirar a dor. Nesses, o procedimento anestésico também tem outras funções, como bloquear a musculatura do paciente, impedindo que o mesmo se mexa durante a cirurgia, e provocar amnésia, fazendo com que o paciente se esqueça de boa parte dos acontecimentos durante a cirurgia, mesmo que ele permaneça acordado durante o ato cirúrgico.

Como já referido, existem basicamente três tipos de anestesia: geral, regional e local. Falemos resumidamente sobre cada uma delas.

Anestesia geral

A anestesia geral é a modalidade anestésica indicada para as cirurgias mais complexas e de grande porte. Indicamos a anestesia geral quando o procedimento cirúrgico é muito complexo, não sendo viável anestesiar somente uma região do corpo. É importante notar que o tipo de anestesia indicado para cortes na pele é completamente diferente da anestesia que precisa ser feita quando se vai cortar uma parte do intestino ou retirar um órgão do abdômen. Em cirurgias extensas, não é possível bloquear diferentes camadas e tecidos do organismo apenas com anestésicos locais.

Na anestesia geral, o paciente fica inconsciente, incapaz de se mover e, habitualmente, intubado e acoplado a um respirador artificial. Um dos motivos do paciente não sentir é pelo fato de o mesmo estar profundamente sedado, como se o cérebro estivesse parcialmente “desligado” (leia: O que é o coma induzido?).

Existe o mito de que a anestesia geral seja um procedimento anestésico perigoso. Não é verdade. Atualmente, a anestesia geral é um procedimento bastante seguro. Na maioria dos casos, quando o paciente submetido a uma cirurgia extensa apresenta complicações, o motivo não é a anestesia geral. As complicações são geralmente derivadas de doenças graves que o paciente já possuía, como problemas cardíacos, renais, hepáticos ou pulmonares em estágio avançado, ou ainda, por complicações da própria cirurgia, como hemorragias ou lesão/falência de órgãos vitais.

Em pacientes saudáveis, a taxa de complicação da anestesia geral é de somente 1,4 para cada 1 milhão de cirurgias. Portanto, problemas com anestesia geral são semelhantes a acidentes de avião: são raros, mas assustam, porque quando ocorrem, há intensa exposição na mídia, levando à falsa impressão de que são frequentes.

Se você quiser saber mais detalhes sobre a anestesia geral, temos um artigo exclusivo sobre esse tipo de anestesia: Anestesia geral – Quais são os riscos?

Anestesia regional

A anestesia regional é um procedimento anestésico usado em cirurgias mais simples, onde o paciente pode permanecer acordado. Este tipo de anestesia bloqueia a dor em apenas uma determinada região do corpo, como um braço, uma perna ou toda a região inferior do corpo, abaixo do abdômen.

Os dois tipos de anestesia regional mais usados são:

  • Anestesia raquidiana (ou raquianestesia).
  • Anestesia peridural.

Anestesia raquidiana

Para realizar a anestesia raquidiana, uma agulha de pequeno calibre é inserida nas costas, de modo a atingir o espaço subaracnoide, dentro da coluna espinhal. Em seguida, um anestésico é injetado dentro do líquido espinhal (liquor), produzindo dormência temporária e relaxamento muscular.

A presença do anestésico dentro da coluna espinhal bloqueia os nervos que passam pela coluna lombar, fazendo com que estímulos dolorosos vindos dos membros inferiores e do abdômen não consigam chegar ao cérebro.

A raquianestesia é muito usada para procedimentos ortopédicos de membros inferiores e para cesarianas.

Raquianestesia e peridural.
Raquianestesia

Anestesia peridural

A anestesia peridural é muito semelhante à anestesia raquidiana, porém há algumas diferenças:

  1. Na anestesia peridural o anestésico é injetado na região peridural, que fica ao redor do canal espinhal, e não propriamente dentro, como no caso da raquianestesia.
  2. Na anestesia peridural, o anestésico é injeto por um cateter, que é implantado no espaço peridural. Enquanto na raquianestesia o anestésico é administrado por uma agulha uma única vez, na peridural o anestésico fica sendo administrado constantemente através do cateter.
  3. A anestesia peridural pode continuar a ser administrada no pós-operatório para controle da dor nas primeiras horas após a cirurgia. Basta manter a infusão de analgésicos pelo cateter.
  4. A quantidade de anestésicos administrados é bem menor na raquidiana.

A anestesia peridural é comumente usada durante o parto normal.

A complicação mais comum das anestesias raquidianas e peridurais é a dor de cabeça, que ocorre quando há extravasamento de liquor pelo furo feito pela agulha no canal espinhal. Essa perda de líquido provoca uma redução da pressão do liquor ao redor de todo o sistema nervoso central, sendo esta a causa da dor de cabeça. Para saber mais sobre a cefalia pós-ráqui, leia: Cefaleia pós-raqui ou punção lombar.

Anestesia local

A anestesia local é o procedimento anestésico mais comum, sendo usado para bloquear a dor em pequenas regiões do corpo, habitualmente na pele. Ao contrário das anestesias geral e regional, que devem ser administradas por um anestesiologista, a anestesia local é usada por quase todas as especialidades.

A anestesia local é habitualmente feita com a injeção de lidocaína na pele e nos tecidos subcutâneos. Ela serve para bloquear a dor em uma variedade de procedimentos médicos, como biópsias, punções de veias profundas, suturas da pele, punção lombar, punção de líquido ascítico ou de derrame pleural, etc.

A anestesia local também pode ser feita através de gel ou spray, como nos casos das endoscopias digestivas, onde o médico aplica um spray com anestésico local na faringe de modo a diminuir o incômodo pela passagem do endoscópio.

A anestesia local funciona bloqueando os receptores para dor na pele e os nervos mais superficiais, impedindo que os mesmos consigam enviar sinais dolorosos para o cérebro.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Adelino

    Um paciente necessita de cirurgia, entretanto tem insuficiencia renal. Quando em outra cirurgia teve sepse. Há ainda certa arritmia cardíaca. Todavia pode necessitar de cirurgia para retirada de hérnia na barriga. No caso qual a anestesia recomendável a fim de reduzir os riscos.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pode ser anestesia geral. Mas quem decide isso é o anestesista após consulta de risco cirúrgico.

  2. RITA DE CASSIA DIAS ALMEIDA

    perfeito explicação simples e direta,exatamente o que eu procurava

  3. Renata Carvalho

    Gostaria de cumprimentá-lo pelo texto objetivo e muito elucidativo.

  4. Anderson

    Quais tipos de anestesia são usadas numa operação Coronária ?

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se você estiver se referindo à cirurgia de revascularização do miocárdio, a anestesia é geral.

  5. Átila

    Bom Dia! Ás anestesias raquideana e peridural pode causar cefaleia e retenção urinária?

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Podem.

  6. Maria

    Parabéns pelo texto esclarecedor sobre os tipos de anestesia!

  7. Ritielli

    Adorei a página ,me ajudou muito nos meus trabalhos de clínica cirúrgica ??

  8. Marcela Nunes

    Muito interessante. Quando fiz a mastopexia correu tudo bem, tanto no momento da cirurgia plástica, como no pós-operatório. Fiz na Montenegro Cirurgia Plástica, pois sempre ouvi falar bem da clínica, e realmente eles são ótimos, gostei muito.

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