Unha inflamada (paroníquia)


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Revisado e atualizado em abril 8, 2026
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O que é paroníquia?

A paroníquia (ou paroníquia ungueal), conhecida popularmente como panarício ou unheiro, é uma inflamação que acomete a pele ao redor da unha, geralmente acompanhada de dor, inchaço, pus e vermelhidão.

Essa inflamação do canto da unha pode ser causada por infecções bacterianas, fúngicas ou processos irritativos não infecciosos, e costuma ocorrer após algum tipo de ferimento ou lesão na região periungueal (ao redor da unha).

A paroníquia é uma das infecções de pele mais comuns relacionadas às mãos e pés. Ela pode afetar tanto os dedos das mãos quanto os dedos dos pés, sendo mais frequente nos primeiros devido à maior exposição a traumas, maior facilidade de roer as unhas, mais contato com umidade e com agentes irritantes.

Clinicamente, a paroníquia é classificada em duas formas principais:

  • Paroníquia aguda: evolui rapidamente, em horas ou poucos dias, geralmente após um trauma ou lesão recente na pele ao redor da unha. Tem como causa mais comum a infecção bacteriana, frequentemente pelo Staphylococcus aureus.
  • Paroníquia crônica: caracteriza-se por inflamação persistente ou recorrente que dura semanas ou até meses, geralmente associada à exposição contínua à água, produtos químicos irritantes ou alergênicos. Pode haver infecção secundária por bactérias ou fungos, especialmente pelo Candida albicans, mas a inflamação não infecciosa (eczema periungueal) é a base do quadro.

Como surge a inflamação da unha

A paroníquia se desenvolve quando a pele ao redor da unha sofre uma lesão ou fragilização, permitindo a entrada de bactérias, fungos ou agentes irritantes que desencadeiam um processo inflamatório.

Mecanismo básico

A pele ao redor da unha atua como uma barreira protetora natural contra microrganismos presentes no ambiente. Quando essa barreira é rompida, mesmo por pequenas fissuras quase imperceptíveis, germes que normalmente vivem na pele de forma inofensiva, como a bactéria Staphylococcus aureus, podem penetrar em camadas mais profundas, provocando infecção localizada.

No caso das formas não infecciosas (crônicas), a inflamação resulta de irritação contínua ou alergia de contato, que danifica a pele periungueal e facilita infecções secundárias.

Principais causas

A paroníquia pode surgir em qualquer pessoa, mas certas situações aumentam bastante o risco. Entre os gatilhos mais frequentes estão:

  1. Pequenos traumas nas unhas ou cutículas
    • Cortar as unhas de forma muito curta ou irregular.
    • Retirar cutículas de maneira agressiva.
    • Lesões acidentais com ferramentas de manicure ou pedicure (“tirar um bife”).
  2. Hábitos nocivos
    • Roer as unhas (onicofagia) ou morder a pele ao redor delas.
    • Chupar o dedo, hábito mais comum em crianças.
  3. Fatores ocupacionais e ambientais
    • Trabalhos que exigem contato constante com água (ex.: lavadeiras, cozinheiros, profissionais da saúde).
    • Manipulação frequente de produtos químicos irritantes sem uso de luvas adequadas (ex.: detergentes, desinfectantes).
    • Profissões que envolvem jardinagem, devido ao contato direto com solo contaminado e pequenos espinhos ou farpas.
  4. Fatores anatômicos e mecânicos
    • Uso de calçados apertados que traumatizam repetidamente as unhas dos pés.
    • Topadas ou pancadas em dedos dos pés (especialmente no hálux).
  5. Condições médicas associadas
    • Diabetes mellitus, por alterar a circulação e a resposta imunológica.
    • Problemas vasculares periféricos, que dificultam a cicatrização.
    • Imunossupressão (HIV, uso de corticoides ou quimioterapia).

Quais germes provocam a unha inflamada?

A paroníquia é causada por microrganismos que penetram na pele ao redor da unha quando a barreira cutânea está comprometida. Os agentes variam conforme o tipo de paroníquia (aguda ou crônica) e a forma de contaminação.

Paroníquia aguda: bactérias

Na forma aguda, a infecção geralmente é bacteriana e de evolução rápida.

  • Staphylococcus aureus: é o germe mais comum. Vive normalmente na pele e, quando penetra por pequenas fissuras, provoca inflamação, dor intensa e formação de pus.
  • Streptococcus pyogenes: pode causar uma inflamação mais difusa, com inchaço e vermelhidão mais extensos, frequentemente sem abscesso evidente.
  • Pseudomonas aeruginosa: embora menos frequente, pode ocorrer em pessoas com exposição prolongada à água. Um sinal característico é a descoloração esverdeada na área inflamada, causada por pigmentos produzidos pela bactéria.

Paroníquia associada a contato com a boca

Quando a infecção ocorre após roer unhas, chupar dedos ou sofrer mordidas, microrganismos da flora oral podem invadir a pele. Exemplos:

  • Eikenella corrodens.
  • Fusobacterium (anaeróbio).
  • Peptostreptococcus.
  • Prevotella e Porphyromonas.

Esse tipo de paroníquia pode evoluir de forma mais grave, pois envolve germes menos comuns na pele que podem requerer antibióticos específicos de amplo espectro.

Paroníquia crônica: fungos e inflamação não infecciosa

Nas formas crônicas (duração > 6 semanas), além de irritação química ou alergia de contato, é comum a colonização por:

  • Candida albicans: fungo oportunista que prospera em ambientes úmidos. Sua presença mantém a inflamação e dificulta a cicatrização da pele periungueal.

Importante: nem toda paroníquia crônica é infecciosa. Muitas vezes trata-se de uma dermatite eczematosa (inflamação alérgica ou irritativa) sem microrganismos envolvidos inicialmente, mas que se torna colonizada secundariamente por bactérias ou fungos.

Infecções mistas

É frequente encontrar infecções mistas em paroníquia crônica: pele inflamada inicialmente por irritação química ou alergia é posteriormente colonizada por Candida e bactérias cutâneas, perpetuando o quadro e dificultando a cura.

Sintomas da paroníquia

Os sintomas da paroníquia variam conforme o tipo (aguda ou crônica) e a gravidade da inflamação. Reconhecer essas diferenças é fundamental para o diagnóstico correto e para definir o tratamento mais adequado.

Sintomas da paroníquia aguda

A paroníquia aguda é caracterizada por uma inflamação rápida e dolorosa, geralmente limitada a um único dedo.

Principais sinais e sintomas:

  • Dor intensa e localizada, que piora ao tocar ou pressionar o dedo.
  • Inchaço (edema) e vermelhidão ao redor da unha (hiperemia periungueal).
  • Calor local na região inflamada.
  • Formação de pus (abscesso): comum nos cantos da unha, visível como uma mancha esbranquiçada ou amarelada sob a pele.
  • Dificuldade para mexer o dedo devido à dor.
  • Evolução rápida: geralmente atinge o pico entre 24 e 48 horas após a lesão inicial.

Febre não é comum. Quando presente, pode indicar que a infecção está se espalhando para tecidos adjacentes, evoluindo para erisipela ou celulite, especialmente em pessoas com imunidade comprometida.

Sintomas da paroníquia crônica

A paroníquia crônica tem evolução mais lenta e persistente, com sintomas menos intensos, mas que duram semanas ou meses.

Principais características:

  • Inflamação leve a moderada ao redor da unha, sem pus evidente.
  • Inchaço persistente nas pontas dos dedos (aspecto de dedo inchado).
  • Dor discreta ou apenas desconforto, especialmente ao pressionar a área.
  • Alterações na unha: deformidades, ondulações, estrias ou descolamento parcial da unha (onicólise) ao longo do tempo.
  • Pode afetar vários dedos ao mesmo tempo, geralmente nas mãos.
  • Agravamento após contato com água, produtos químicos ou traumas repetidos.

Nos casos associados à infecção fúngica (Candida), a inflamação é mais discreta, mas persistente, com sinais de descamação ou pele esbranquiçada devido à maceração.

Imegens de inflamação da unha

Paroníquia - inchaço, vermelhidão e pus
Paroníquia – inchaço, vermelhidão e pus
Paroníquia
Inflamação e pus sob a pele ao lado da unha
Paroníquia
Inflamação e pus no canto da unha
Paroníquia no dedo da mão
Paroníquia evoluindo para erisipela do dedo.

Diferença para outras doenças das unhas

É importante diferenciar a paroníquia de outras condições que afetam unhas e dedos, como:

  • Onicomicose (micose da unha): infecção fúngica da lâmina ungueal que causa espessamento, fragilidade e alteração da cor da unha, mas não provoca inflamação aguda da pele ao redor dela.
  • Felon (panarício profundo): infecção bacteriana da polpa digital, mais profunda e dolorosa, que se diferencia da paroníquia por não estar restrita à região periungueal.
  • Dermatites de contato: inflamações irritativas ou alérgicas da pele ao redor da unha, desencadeadas por produtos químicos ou alergênicos, sem presença de microrganismos infecciosos.
  • Unha encravada (onicocriptose): ocorre quando a borda da unha penetra na pele adjacente, provocando dor, vermelhidão e, em casos mais graves, infecção secundária semelhante à paroníquia. Diferencia-se porque o trauma é mecânico e localizado, relacionado ao crescimento anormal da unha ou ao uso de calçados apertados.

Tratamento da paroníquia

O tratamento da paroníquia depende do tipo (aguda ou crônica), da gravidade dos sintomas e da presença ou não de infecção bacteriana ou fúngica. Em ambos os casos, medidas locais simples e cuidados preventivos têm papel central na recuperação.

Tratamento da paroníquia aguda

A paroníquia aguda, geralmente causada por bactérias, costuma responder bem a medidas locais. Compressas mornas aplicadas de três a quatro vezes por dia ajudam a reduzir a inflamação, aliviar a dor e favorecer a drenagem espontânea de pequenas coleções de pus. A higienização adequada da área é fundamental para evitar a progressão da infecção.

Quando há presença de pus visível ou formação de abscesso, muitas vezes é necessário realizar a drenagem. Em casos leves, a imersão do dedo em água morna seguida de massagem suave pode ser suficiente para facilitar a saída do conteúdo purulento. Entretanto, quando o abscesso é volumoso ou a dor é intensa, a drenagem deve ser feita por um profissional de saúde, em ambiente adequado e com técnica estéril, para evitar complicações.

Na maior parte dos casos, antibióticos não são necessários. Porém, se houver sinais de agravamento, como expansão da vermelhidão, dor progressiva ou febre, o uso de antibióticos orais pode ser indicado para conter a disseminação da infecção.

Os mais utilizados incluem cefalexina, amoxicilina associada ao clavulanato e, em casos de alergia ou resistência, clindamicina. Em situações específicas, como infecções relacionadas a mordidas humanas, antibióticos com cobertura para flora oral são recomendados.

Pacientes com diabetes, imunossupressão ou doenças vasculares periféricas exigem atenção especial, já que apresentam risco maior de complicações e podem precisar de avaliação médica precoce.

Tratamento da paroníquia crônica

O manejo da paroníquia crônica requer mais paciência, pois o objetivo principal é interromper o ciclo de inflamação e exposição irritativa. Evitar a umidade e reduzir o contato com produtos químicos são as medidas mais eficazes para permitir a regeneração da pele e da cutícula. O uso de luvas protetoras, preferencialmente de vinil com forro de algodão, é indicado para pessoas que lidam frequentemente com água ou substâncias irritantes.

Além das medidas de proteção, pomadas contendo corticoides de média a alta potência, como betametasona, ajudam a controlar a inflamação quando não há sinais de infecção ativa. Em casos em que há colonização por fungos, pomadas antifúngicas contendo cetoconazol ou terbinafina podem ser utilizadas. Se a infecção fúngica for extensa ou refratária ao tratamento tópico, antifúngicos orais como itraconazol ou fluconazol podem ser prescritos.

Nos últimos anos, medicamentos como o tacrolimo tópico têm se mostrado eficazes para reduzir a inflamação crônica em casos de dermatite periungueal sem infecção associada, sendo uma alternativa útil para pacientes que precisam evitar corticoides por uso prolongado.

A recuperação completa da paroníquia crônica pode levar várias semanas ou meses. Durante esse período, manter a pele seca, hidratada e protegida é essencial para evitar recaídas.

Prevenção e cuidados gerais

Medidas preventivas são tão importantes quanto o tratamento, especialmente para evitar recorrências. Manter a pele das mãos hidratada, evitar remoção agressiva das cutículas e não roer unhas são cuidados simples, mas eficazes. Em contextos ocupacionais, o uso consistente de luvas apropriadas ajuda a proteger contra irritantes químicos e umidade prolongada. Para quem frequenta manicures, é fundamental garantir que os instrumentos sejam esterilizados e que as cutículas não sejam retiradas de forma excessiva.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Sandro

    Boa noite dr. Meu filho machucou o dedo.. levantou a unha com a batida da porta a duas semanas e nada resolve.. a unha caiu mas continua a unha nová com pus estou passando Trok N o q mais posso fazer?

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Tem que levá-lo ao médico. Se ainda há coleção de pus, talvez tenha que drenar e/ou fazer antibiótico.

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