Coqueluche: o que é, transmissão, sintomas e tratamento


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Revisado e atualizado em dezembro 11, 2025
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O que é coqueluche?

A coqueluche, também chamada de pertússis ou tosse convulsa, é uma infecção respiratória bacteriana altamente contagiosa, causada pela bactéria Bordetella pertussis. A doença provoca crises intensas e prolongadas de tosse, que podem durar semanas ou até meses, afetando principalmente bebês e crianças pequenas, mas também podendo atingir adolescentes e adultos.

Antes da introdução da vacina, na década de 1940, a coqueluche era uma das principais causas de mortalidade infantil em todo o mundo. Com a ampliação da cobertura vacinal, especialmente em países desenvolvidos, a incidência caiu drasticamente, tornando-se uma condição relativamente rara nessas regiões. Ainda assim, a doença não foi erradicada.

Atualmente, a coqueluche continua sendo um problema de saúde pública global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que cerca de 24 milhões de pessoas ainda sejam infectadas todos os anos, especialmente em regiões com baixa cobertura vacinal, como a África e o Sudeste Asiático.

No Brasil, o número de casos notificados de coqueluche varia bastante de um ano para outro, com períodos de baixa circulação intercalados com anos epidêmicos, em que são registrados vários milhares de casos, segundo o Ministério da Saúde. A maior parte dos casos graves e dos surtos ocorre em crianças não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto.

Nas últimas duas décadas, observou-se um ressurgimento da coqueluche em vários países, inclusive nos Estados Unidos e na Europa. Embora as causas exatas ainda não sejam totalmente compreendidas, especialistas acreditam que esse aumento esteja relacionado a uma combinação de fatores:

  • Perda gradual da imunidade em adultos que foram vacinados na infância, sem reforços posteriores.
  • Uso de vacinas acelulares (aP) em alguns países, que oferecem menor duração da proteção em comparação com as vacinas de célula inteira (wP) — Explicarei melhor mais adiante.
  • Campanhas antivacina e hesitação vacinal, que comprometem a imunização infantil adequada (são necessárias ao menos três doses iniciais para proteção efetiva).
  • Melhor capacidade de diagnóstico, devido ao maior acesso a exames laboratoriais específicos.

Mesmo em locais com alta cobertura vacinal, surtos localizados ocorrem a cada 2 a 5 anos, o que reforça o fato de que a vacinação é extremamente eficaz em prevenir formas graves da doença, mas não impede completamente a circulação da bactéria.

Sempre que há um número crescente de pessoas susceptíveis à infecção — seja por falta de vacinação, esquema vacinal incompleto ou queda na imunidade ao longo do tempo —, a coqueluche tende a reaparecer pontualmente em forma de surtos.

Como a coqueluche é transmitida?

A coqueluche é uma doença altamente contagiosa, transmitida exclusivamente entre seres humanosBordetella pertussis não infecta animais nem sobrevive por longos períodos fora do corpo humano.

A transmissão da Bordetella pertussis ocorre principalmente por via aérea, através da inalação de gotículas e aerossóis expelidos por pessoas infectadas ao tossir, espirrar ou até falar. Essas partículas microscópicas podem permanecer suspensas no ar por algum tempo, especialmente em ambientes fechados e mal ventilados.

A transmissão é mais provável em contato próximo e prolongado, especialmente em ambientes fechados e mal ventilados, já que as gotículas respiratórias se espalham a curta distância a partir da pessoa infectada.

O período de maior contagiosidade coincide com a fase inicial da doença, chamada de estágio catarral — justamente quando os sintomas ainda se parecem com os de um resfriado comum e o diagnóstico pode passar despercebido.

Embora o contato com superfícies contaminadas (fômites) ou as mãos sujas com secreções respiratórias também possa contribuir para a transmissão, essa via é considerada muito menos relevante do que a via aérea. Ainda assim, hábitos de higiene, como lavar as mãos com frequência e evitar levar as mãos à boca, nariz ou olhos, são importantes medidas preventivas, sobretudo em locais com circulação do patógeno (leitura sugerida: Por que lavar as mãos é importante para a saúde?).

Quem tem maior risco de transmitir a doença?

  • Adultos e adolescentes que foram vacinados na infância, mas não receberam reforços, podem desenvolver formas leves ou atípicas da coqueluche — muitas vezes sem o típico som de “guincho” na tosse — e ainda assim transmitir a bactéria, sem saber que estão contaminados.
  • Bebês não vacinados ou com vacinação incompleta são os mais vulneráveis e, ao mesmo tempo, os mais propensos a desenvolver formas graves da doença.

Como prevenir a transmissão da coqueluche?

  • Higienizar as mãos com frequência, especialmente após contato com secreções respiratórias.
  • Evitar contato próximo e prolongado com pessoas que estejam tossindo intensamente, especialmente em ambientes fechados.
  • Manter a vacinação em dia, inclusive com as doses de reforço indicadas para adolescentes, adultos e gestantes.
  • Usar máscara em surtos ou ambientes de risco elevado, como hospitais e creches, especialmente ao cuidar de bebês pequenos.

Quais são os sintomas da coqueluche?

Os sintomas da coqueluche se desenvolvem em três fases distintas, que se desenrolam ao longo de várias semanas. O período de incubação — ou seja, o tempo entre a exposição à bactéria Bordetella pertussis e o aparecimento dos primeiros sintomas — costuma variar de 7 a 10 dias, mas pode chegar a 21 dias.

1. Estágio catarral (1 a 2 semanas)

Essa é a fase inicial da doença e também a mais contagiosa. Os sintomas se assemelham aos de um resfriado comum, o que pode dificultar o diagnóstico precoce.

Sintomas típicos:

  • Febre baixa (ou ausente).
  • Coriza (nariz escorrendo).
  • Espirros frequentes.
  • Mal-estar geral.
  • Conjuntivite leve.
  • Tosse seca e ocasional.

Como os sinais são inespecíficos, é comum que essa fase seja confundida com uma virose comum ou rinite alérgica.

2. Estágio paroxístico (2 a 6 semanas)

Nessa fase, a tosse se intensifica progressivamente, tornando-se o sintoma mais característico da coqueluche. O termo “paroxismo” se refere às crises súbitas e repetitivas de tosse violenta, que podem ser exaustivas para o paciente.

Características principais:

  • Crises intensas de tosse seca, sem produção de catarro.
  • Dificuldade para respirar durante os episódios.
  • Som agudo (“guincho” ou “assobio”) ao inspirar após a tosse.
  • Vômitos ao final das crises de tosse.
  • Exaustão após os episódios.
  • Piora noturna frequente.
  • Frequência de até 20–30 crises em 24 horas.

Esse estágio costuma durar de 3 a 6 semanas, sendo mais intenso nas duas primeiras. O “guincho” típico (ou whoop, em inglês) ocorre com mais frequência em crianças pequenas, mas pode estar ausente em adolescentes e adultos.

3. Estágio de convalescença (2 a 4 semanas ou mais)

Nesta fase, as crises de tosse se tornam menos frequentes e intensas, com melhora progressiva do quadro. No entanto, episódios residuais de tosse podem persistir por semanas ou até meses, especialmente após esforço físico ou nova infecção viral.

Importante: se o paciente for infectado por outro vírus respiratório nesse período, como o da gripe, as crises de tosse podem voltar temporariamente.

Como a coqueluche se manifesta em adultos?

Muitos adultos e adolescentes com coqueluche não apresentam os estágios clássicos descritos acima, especialmente se já foram vacinados. Nesses casos, o sintoma predominante costuma ser uma tosse seca persistente, que pode durar mais de 8 semanas e, às vezes, provocar vômitos. A ausência do “guincho” leva ao diagnóstico tardio ou incorreto (muitas vezes confundido com bronquite, asma ou refluxo).

Adultos infectados podem transmitir a doença sem saber, representando risco para bebês não vacinados.

Resumo: fases e sintomas da coqueluche

EstágioDuração estimadaSintomas principaisContagiosidade
Catarral1 a 2 semanasFebre baixa, coriza, tosse leve, espirros.Muito alta
Paroxístico2 a 6 semanasCrises de tosse intensas, guincho inspiratório, vômitos.Moderada
Convalescença2 a 4 semanasTosse residual, melhora gradual, crises ocasionais.Baixa

Complicações da coqueluche: quem corre mais risco?

As complicações da coqueluche ocorrem com mais frequência em bebês menores de 6 meses, especialmente aqueles que ainda não completaram o esquema vacinal. Nesse grupo, a doença pode evoluir rapidamente e levar a quadros graves, inclusive fatais.

Crianças pequenas não têm força muscular suficiente para tossir com eficácia, o que aumenta o risco de apneias (pausas respiratórias), broncoaspiração, desidratação e insuficiência respiratória. Além disso, como os ataques de tosse são muito intensos, podem gerar consequências mecânicas e neurológicas importantes.

Principais complicações da coqueluche

As complicações podem ser divididas em dois grandes grupos:

Complicações mecânicas (relacionadas ao esforço físico da tosse intensa):

  • Pneumotórax (colapso do pulmão).
  • Fratura de costelas.
  • Hérnias abdominais.
  • Distensões musculares.
  • Epistaxe (sangramento nasal).
  • Hemorragias subconjuntivais (nos olhos).

Complicações infecciosas ou neurológicas:

Por que os bebês são os mais vulneráveis

A maioria dos casos graves e dos óbitos por coqueluche ocorre em crianças com menos de 6 meses de idade, período em que o bebê ainda não recebeu todas as doses da vacina. A taxa de letalidade nesse grupo pode variar de 1% a 4%, dependendo da gravidade clínica e do acesso ao tratamento.

Quanto menor for a idade do bebê, maior será o risco de complicações graves. É por isso que a vacinação da gestante e a imunização de contatos próximos (estratégia de “capullo” ou cocooning) são tão importantes para proteger o recém-nascido.

E em adultos, há risco?

Em adultos e adolescentes, as complicações graves são raras, mas os paroxismos de tosse podem provocar:

Além disso, adultos podem sofrer com o impacto na qualidade de vida, pelo desconforto persistente, falta de sono, irritação das vias aéreas e perda de produtividade.

Resumo: quem tem maior risco de complicações

Grupo de riscoComplicações mais frequentesGravidade
Bebês < 6 mesesApneia, pneumonia, convulsões, morteAlta
Crianças parcialmente vacinadasTosse prolongada, pneumonia, distensão muscular.Moderada
Adultos e idososFraturas, hérnias, desmaios, fadiga crônica.Baixa

Tratamento da coqueluche

O tratamento da coqueluche depende da fase da doença, da idade do paciente e da gravidade dos sintomas. A abordagem combina suporte clínico (hidratação, oxigenação e nutrição adequada), isolamento respiratório e uso de antibióticos, que ajudam a reduzir a transmissibilidade.

Tratamento em crianças pequenas

Em bebês com menos de 1 ano, especialmente os menores de 6 meses, a hospitalização costuma ser necessária para:

  • Garantir hidratação adequada, já que a tosse intensa dificulta a alimentação;
  • Monitorar episódios de apneia (pausas respiratórias);
  • Fornecer suporte ventilatório, se necessário;
  • Reduzir o risco de complicações graves.

É importante destacar que os antitussígenos (remédios para tosse) são ineficazes contra a coqueluche e não são recomendados, especialmente em crianças.

Uso de antibióticos

Os antibióticos têm maior eficácia quando iniciados precocemente, preferencialmente ainda na fase catarral, antes do início dos paroxismos de tosse. Nessa fase, eles:

  • Reduzem a duração da doença;
  • Diminuem a carga bacteriana;
  • Cortam a cadeia de transmissão.

Mesmo nos casos em que o antibiótico é iniciado tardiamente (quando a bactéria já provocou dano ao tecido respiratório), o tratamento ainda é útil para impedir a propagação da doença.

Os antibióticos mais utilizados são:

  • Azitromicina.
  • Claritromicina.
  • Eritromicina (menos usada atualmente devido a efeitos colaterais gastrointestinais).

Após 5 dias de antibiótico adequado, o paciente deixa de ser considerado transmissor, podendo sair do isolamento respiratório.

Profilaxia para contatos próximos

A profilaxia com antibióticos é recomendada para contatos próximos de casos confirmados de coqueluche, especialmente familiares que vivem na mesma casa, gestantes, bebês, crianças pequenas e pessoas com maior risco de formas graves da doença, idealmente até 21 dias após o início da tosse do caso índice ou da última exposição.

Isso inclui, principalmente:

  • Familiares e outras pessoas que moram na mesma casa do paciente.
  • Profissionais de saúde que tiveram contato próximo sem proteção adequada.
  • Cuidadores e qualquer pessoa que tenha contato direto e frequente com bebês ou outros indivíduos de alto risco.

Essa medida é fundamental para proteger os grupos de maior risco, como recém-nascidos.

Importante

  • O tratamento não elimina os sintomas imediatamente, já que a tosse é consequência das toxinas produzidas pela bactéria, que causam dano às vias respiratórias. A recuperação pode levar semanas, mesmo após a eliminação da bactéria.
  • O uso de corticoides, broncodilatadores ou xaropes expectorantes também não demonstrou benefício clínico significativo na coqueluche.

Vacina

A vacinação é a principal forma de prevenção contra a coqueluche. Embora nenhuma vacina ofereça proteção 100% permanente, o esquema vacinal completo é altamente eficaz para reduzir casos graves, hospitalizações e mortes, especialmente em bebês e crianças pequenas.

No Brasil, a vacina contra coqueluche faz parte da vacina tríplice bacteriana (DTP), que protege também contra difteria e tétano.

Esquema de vacinação infantil (Ministério da Saúde)

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) recomenda 5 doses da vacina DTPw (de célula inteira) para crianças:

Idade da criançaDose
2 meses1ª dose
4 meses2ª dose
6 meses3ª dose
15 meses1º reforço
4 anos2º reforço

A vacina utilizada nos postos de saúde é a DTPw (whole-cell), que contém a bactéria inativada inteira e promove uma resposta imune mais duradoura, embora com maior chance de efeitos adversos leves (como febre ou dor local).

Vacinas acelulares vs. vacinas de célula inteira: o que muda na proteção contra coqueluche?

Uma das hipóteses mais aceitas para o aumento recente de casos de coqueluche em países como os Estados Unidos, Canadá e parte da Europa está relacionada à substituição, a partir da década de 1990, da vacina de célula inteira (DTPw) pela versão acelular (DTPa).

A vacina DTPw (whole-cell pertussis) contém a bactéria Bordetella pertussis inativada, mas inteira, e é altamente imunogênica — ou seja, gera uma resposta imune robusta e duradoura. No entanto, esse tipo de vacina está associado a maior incidência de efeitos adversos, como febre e dor local, especialmente em crianças pequenas.

Já a vacina acelular (aP) utiliza apenas componentes purificados da bactéria, como toxinas e proteínas específicas. Essa versão é mais bem tolerada e tem menor risco de reações adversas, mas estudos demonstram que ela induz uma resposta imune menos duradoura, principalmente no que se refere à prevenção da colonização e transmissão.

Com o passar dos anos, pessoas vacinadas com a versão acelular tendem a perder a proteção mais rapidamente, o que aumenta o número de adultos e adolescentes suscetíveis, contribuindo para o ressurgimento de surtos.

No Brasil, o esquema vacinal infantil ainda utiliza majoritariamente a vacina de célula inteira (DTPw) nos postos de saúde, o que garante maior duração da imunidade na infância. No entanto, vacinas acelulares são usadas em reforços em algumas situações, como na gestação e em imunizações de reforço na rede privada.

Vacinação na gestação: proteção para o bebê desde o útero

Desde 2014, o Ministério da Saúde recomenda que todas as gestantes recebam uma dose da vacina dTpa (acelular) a cada gravidez, preferencialmente entre a 27ª e a 36ª semana de gestação. Isso permite a transferência de anticorpos da mãe para o feto, conferindo proteção nas primeiras semanas de vida — período de maior vulnerabilidade.

Essa medida tem comprovada eficácia na prevenção de casos graves e mortes por coqueluche em recém-nascidos.

Leitura sugerida: Vacinas na gravidez: indicações e contraindicações.

Outras recomendações e reforços

Com o aumento dos casos em adolescentes e adultos, muitas autoridades de saúde e sociedades médicas (como a SBIm e o CDC) recomendam reforços com a vacina dTpa em situações específicas:

  • Adolescentes: uma dose de reforço aos 11–12 anos.
  • Adultos que convivem com bebês: uma dose, se não vacinados nos últimos 10 anos.
  • Profissionais da saúde, cuidadores e professores: reforço a cada 10 anos.

Na rede privada, é possível encontrar vacinas combinadas mais modernas (como pentavalente ou hexavalente acelular), que protegem contra outras doenças com menos reações adversas.

A vacina é 100% eficaz?

Não. Como toda vacina, a imunização contra a coqueluche não impede totalmente a infecção, especialmente muitos anos após a última dose. No entanto, pessoas vacinadas:

  • Desenvolvem formas mais leves da doença;
  • Têm menor risco de complicações graves;
  • Transmitem menos a bactéria para outras pessoas.

Por isso, os reforços vacinais são essenciais, especialmente para quem convive com crianças pequenas.

Para saber mais sobre vacinas e o calendário de vacinação brasileiro, leia: Vacinas | Calendário, efeitos colaterais e contraindicações.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Vanessa

    Gostei muito texto. O mais completo que encontrei.
    Posso mandar meu filho com coqueluche para a escola se ele ainda estiver com aquela tosse comprida?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Do ponto de vista de transmissão, o maior risco de contagiar colegas ocorre no início da coqueluche, quando os sintomas parecem um resfriado comum. Após alguns dias de antibiótico adequado, a maioria dos pacientes deixa de ser considerada contagiosa, mesmo que ainda mantenha tosse prolongada. No entanto, se a criança continua com crises muito intensas de tosse convulsa, vômitos ou cansaço, o ideal é mantê-la em casa até estar clinicamente melhor, tanto para sua recuperação quanto para evitar a circulação da Bordetella pertussis em ambientes fechados. A liberação para voltar à escola deve ser discutida com o pediatra que acompanha o caso.

  2. Dora Santos

    Dr. Pedro obrigada pelo seu inestimável trabalho de informar e responder as pessoas.
    Tenho uma pergunta. É verdade que a coqueluche pode deixar sequela no pulmão ou causar asma depois?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Na maioria dos casos, a coqueluche não deixa sequelas permanentes nos pulmões, mesmo depois de várias semanas de tosse convulsa. No entanto, em bebês muito pequenos ou em pessoas que já tinham doença pulmonar prévia, os episódios graves podem levar a complicações como pneumonia ou necessidade de ventilação, o que aumenta o risco de algum dano residual. Também é comum ficar com uma tosse irritativa por semanas após a infecção, sem que isso signifique sequela definitiva. A coqueluche não “vira asma”, mas pode descompensar quadros de asma já existentes, exigindo acompanhamento com pneumologista ou pediatra.

  3. Roberto

    Quem já teve coqueluche uma vez pode pegar a doença de novo?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim, é possível ter coqueluche mais de uma vez ao longo da vida. Tanto a infecção natural pela bactéria Bordetella pertussis quanto a vacina da coqueluche produzem uma imunidade que não é permanente, ou seja, essa proteção vai diminuindo com o passar dos anos. Por isso, adolescentes e adultos podem voltar a ficar suscetíveis e apresentar tosse convulsa novamente, principalmente se nunca receberam reforços da vacina dTpa. A revacinação periódica é importante justamente para reduzir essas reinfecções e, principalmente, proteger bebês pequenos que convivem com esses adultos.

  4. Jussara Reis

    O que acontece se a gestante pegar coqueluche, isso pode prejudicar o bebê ainda na barriga?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Quando a gestante desenvolve coqueluche, o principal risco costuma ser para a própria mãe, que pode ter crises intensas de tosse, cansaço e dificuldade para dormir. Em geral, a bactéria não atravessa a placenta, mas o quadro respiratório grave, febre e queda do estado geral podem descompensar outras doenças e trazer riscos indiretos para o feto, como contrações uterinas ou piora da oxigenação. Além disso, se a mãe estiver com tosse convulsa perto do parto, o recém-nascido fica muito mais exposto à infecção logo após o nascimento. Por isso, é fundamental tratar a coqueluche na gravidez e manter a vacinação dTpa em dia.

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