Como lavar as mãos corretamente e quando usar álcool em gel


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Revisado e atualizado em abril 8, 2026
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Resumo rápido sobre lavar as mãos

Lavar as mãos corretamente é uma das medidas mais simples, baratas e eficazes para prevenir infecções. Ao longo do dia, as mãos entram em contato com superfícies, secreções, alimentos, objetos de uso coletivo e outras fontes de microrganismos, funcionando como um importante veículo de transmissão de vírus, bactérias e parasitas. Por isso, a higiene das mãos ajuda a reduzir o risco de doenças respiratórias, gastrointestinais e diversas outras infecções do dia a dia.

A lavagem das mãos deve ser feita especialmente antes de comer, cozinhar ou manipular alimentos, após usar o banheiro, depois de tossir, espirrar ou assoar o nariz, após trocar fraldas, mexer no lixo, tocar em animais, cuidar de feridas ou ter contato com pessoas doentes.

Para que a limpeza seja eficaz, não basta apenas passar água rapidamente: é preciso usar água e sabão e esfregar bem todas as regiões das mãos, incluindo palmas, dorso, entre os dedos, pontas dos dedos, unhas, polegares e punhos, por pelo menos 20 segundos.

Quando não houver água e sabão disponíveis, o álcool em gel pode ser usado, desde que as mãos não estejam visivelmente sujas.

Como lavar as mãos de forma correta?

Lavar as mãos de forma correta não significa apenas passar água e sabão rapidamente. Para que a higiene seja realmente eficaz, é preciso esfregar todas as áreas das mãos por tempo suficiente, removendo a sujeira e reduzindo a quantidade de microrganismos presentes na pele.

O passo a passo recomendado é simples:

  1. Molhe as mãos com água corrente.
  2. Aplique sabão suficiente para cobrir toda a superfície das mãos.
  3. Esfregue bem as palmas.
  4. Esfregue o dorso das mãos.
  5. Limpe os espaços entre os dedos.
  6. Esfregue as pontas dos dedos e a região sob as unhas.
  7. Lave os polegares.
  8. Esfregue os punhos.
  9. Mantenha a fricção por pelo menos 20 segundos.
  10. Enxágue em água corrente.
  11. Seque as mãos com toalha limpa, papel-toalha ou secador de ar.
Como lavar as mãos corretamente segundo a OMS.
Fonte: Organização Mundial de Saúde

O mais importante não é apenas o uso do sabão, mas a combinação de fricção adequada, tempo suficiente e limpeza de todas as áreas da mão. Uma lavagem apressada, que ignora pontas dos dedos, unhas, polegares ou espaços entre os dedos, pode ser menos eficaz mesmo quando há água e sabão disponíveis.

O processo de lavagem das mãos precisa durar pelo menos 20 segundos. Estudos mostram que, se você demora menos de 10 segundos lavando as mãos, uma grande quantidade de germes ainda permanece viável. E se você não gasta nem 5 segundos nesse processo, o resultado final é praticamente nulo, como se você não tivesse lavado as mãos.

Sempre que possível, as mãos devem ser secas logo após a lavagem, porque a umidade residual facilita a transferência de microrganismos para objetos e superfícies. Em locais públicos, se houver papel-toalha, ele pode também ser usado para fechar a torneira depois da lavagem, evitando novo contato com uma superfície potencialmente contaminada.

Nota: em orientações voltadas para o público geral, costuma-se recomendar que as mãos sejam esfregadas por pelo menos 20 segundos. Porém, em materiais técnicos e protocolos de higiene das mãos usados em serviços de saúde, a duração total da técnica completa com água e sabão costuma ser descrita como de 40 a 60 segundos. Essa diferença não representa uma contradição: os 20 segundos se referem à fricção mínima recomendada para uma lavagem eficaz no dia a dia, enquanto os 40 a 60 segundos correspondem ao tempo total do procedimento quando todas as etapas são executadas de forma padronizada e detalhada, como em protocolos hospitalares.

Quando lavar as mãos

Lavar as mãos não precisa ser um gesto automático a cada pequeno contato do dia, mas há situações em que a higiene das mãos deve ser considerada obrigatória. De modo geral, os momentos mais importantes são aqueles em que as mãos podem levar microrganismos para a boca, para o nariz, para os olhos, para os alimentos, para feridas ou para outras pessoas.

A lavagem das mãos é especialmente importante nas seguintes situações:

  • Antes e depois de preparar comidas.
  • Durante o preparo da comida, se manusear carne crua, ovos, peixe, frango ou outros alimentos que possam contaminar utensílios e superfícies.
  • Antes de começar a comer.
  • Antes e depois de tratar qualquer ferida ou machucado.
  • Antes e depois de entrar em contato com qualquer pessoa doente.
  • Depois de usar o banheiro.
  • Depois de trocar fraldas ou limpar alguma criança que tenha ido ao banheiro.
  • Depois de assoar o nariz, tossir, espirrar ou ter contato com qualquer tipo de secreção corporal.
  • Após contato com animais, ração, fezes ou outros resíduos de origem animal.
  • Depois de manusear lixo.
  • Após voltar da rua, especialmente depois de usar transporte público ou tocar em corrimãos, maçanetas, barras de apoio, dinheiro e outras superfícies de uso coletivo.

Também é recomendável higienizar as mãos sempre que elas estiverem visivelmente sujas e antes de tocar no rosto, principalmente boca, nariz e olhos. Quando não houver água e sabão disponíveis, o álcool em gel pode ser usado como alternativa, desde que as mãos não estejam claramente sujas ou engorduradas.

O que é melhor: sabão comum ou álcool em gel?

De forma geral, água e sabão são a melhor opção para higienizar as mãos no dia a dia. A lavagem com água corrente e sabão remove sujeira, gordura, secreções e reduz de forma eficaz a quantidade de microrganismos presentes na pele.

O álcool em gel é uma alternativa prática quando não há pia disponível, desde que as mãos não estejam visivelmente sujas ou engorduradas. Nessa situação, ele ajuda a reduzir a quantidade de germes e pode ser útil fora de casa, no trabalho, na escola, em transportes públicos e em outros ambientes onde não seja possível lavar as mãos imediatamente.

Para funcionar bem, o produto deve conter pelo menos 60% de álcool e ser aplicado em quantidade suficiente para cobrir toda a superfície das mãos. Depois, é preciso esfregar palmas, dorso, entre os dedos, polegares, pontas dos dedos e unhas até que o produto seque completamente.

Na prática, a orientação mais útil é simples: quando houver água e sabão disponíveis, eles costumam ser a primeira escolha; quando não houver, o álcool em gel é uma boa alternativa, desde que as mãos não estejam claramente sujas.

Os profissionais de saúde podem utilizar o álcool em gel em substituição à lavagem das mãos, mas devem ficar atentos ao fato de que o álcool em gel não é tão eficaz como o sabão contra a bactéria Clostridium difficile (Clostridioides difficile), que é uma importante causa de diarreia em pacientes hospitalizados.

O que é melhor: sabão comum ou sabão antibacteriano?

Para a higiene rotineira das mãos, o sabão comum costuma ser suficiente. No uso doméstico e no dia a dia, não há evidência consistente de que os sabonetes antibacterianos vendidos ao público sejam mais eficazes do que o sabão comum para prevenir doenças.

Isso acontece porque a principal função da lavagem das mãos não é “esterilizar” a pele, e sim remover sujeira, oleosidade e microrganismos por meio da fricção e do enxágue. Quando a técnica é feita corretamente e por tempo suficiente, o sabão comum já cumpre esse papel muito bem.

Por isso, para a maior parte das pessoas, a escolha entre sabão comum e antibacteriano tem pouca relevância prática. Mais importante do que o tipo de sabão é lavar as mãos de forma correta, por tempo suficiente e nos momentos certos.

Apesar de haver muita publicidade dos sabões antimicrobianos, reforçando o senso comum de que esse tipo de sabonete é mais eficiente, o fato é que ele não é melhor que o sabão comum e ainda pode fazer mal.

Abaixo, listamos os motivos pelos quais você deve usar sabão comum em vez de sabão antibacteriano ou antimicrobiano:

  1. Estudos demonstram que os sabões antimicrobianos não são superiores aos sabonetes comuns na prevenção da transmissão de doenças.
  2. Sabão comum é mais barato.
  3. O uso disseminado de sabão antimicrobiano pode levar ao desenvolvimento de bactérias resistentes.
  4. Estudos em animais mostram que o triclosan*, substância ativa utilizada nos sabões antibacterianos, pode causar problemas de saúde, tais como alteração no funcionamento da tireoide, infertilidade, puberdade precoce ou outras alterações endocrinológicas.
  5. Crianças expostas frequentemente ao triclosan têm maior risco de desenvolver quadros de alergia, incluindo alergia ao pólen, rinite alérgica e alergia ao amendoim.
  6. O sabonete antimicrobiano é mais agressivo ao meio ambiente que o sabão comum.

* Muitos sabonetes antibacterianos mais antigos continham triclosan, hoje amplamente restringido em vários países.

Como ensinar crianças a lavar as mãos corretamente

Ensinar crianças a lavar as mãos é um dos hábitos de higiene mais importantes que os pais e cuidadores podem transmitir. Estudos em escolas e creches mostram que programas de educação em higiene das mãos reduzem significativamente quadros de diarreia, infecções respiratórias e faltas escolares.

Quanto mais cedo a criança aprende a lavar as mãos de forma correta, maior a chance de esse comportamento se tornar um hábito automático na vida adulta.

Em casa, o exemplo dos adultos é essencial. As crianças observam e imitam: se elas veem os pais lavando as mãos antes de comer, depois de usar o banheiro ou ao chegar da rua, passam a encarar a lavagem das mãos como parte natural da rotina. Por isso, além de explicar, é importante “mostrar fazendo”.

Para facilitar o aprendizado, vale transformar a lavagem das mãos em algo divertido, e não em uma obrigação chata. Algumas estratégias que ajudam:

  • Usar músicas ou rimas que durem em torno de 20 segundos, tempo mínimo recomendado para esfregar as mãos com sabão. A clássica “Parabéns para você” cantada duas vezes é um exemplo simples, mas você pode criar uma música própria de “lavar as mãos” com seu filho.
  • Fazer brincadeiras, como fingir que os germes são “monstrinhos invisíveis” que só saem com bastante espuma e esfregação.
  • Oferecer sabonete líquido com cor ou cheiro que a criança goste, para deixá-la mais motivada.
  • Usar um banquinho ou apoio para que a criança alcance confortavelmente a pia, a torneira e a toalha.

Ao ensinar, é importante repetir sempre a mesma sequência de passos, até que ela se torne automática. Uma forma simples de explicar é dividir em cinco etapas:

  1. Molhar as mãos com água.
  2. Colocar sabão e esfregar bem até fazer bastante espuma.
  3. Esfregar todas as partes: palma, dorso, entre os dedos, polegares, ponta dos dedos e debaixo das unhas, por pelo menos 20 segundos.
  4. Enxaguar bem em água corrente, retirando todo o sabão.
  5. Secar completamente as mãos com toalha limpa ou papel descartável.

Em crianças pequenas, a supervisão de um adulto é indispensável. A maior parte dos pré-escolares ainda não consegue fazer todos os movimentos com atenção, nem manter o tempo adequado de esfregação. Nessa faixa etária, o adulto deve acompanhar de perto, orientar e, se necessário, completar a lavagem.

Quando não houver pia por perto, o álcool em gel com pelo menos 60% de álcool pode ser uma alternativa, desde que usado com cuidado. Em crianças menores de 6 anos, é fundamental supervisionar o uso para evitar ingestão acidental ou contato com os olhos.

Mesmo com o álcool em gel disponível, é importante reforçar que, sempre que as mãos estiverem visivelmente sujas ou engorduradas, a melhor opção continua sendo lavar com água e sabão.

Por que a higiene das mãos previne doenças

As mãos entram em contato com dezenas de superfícies ao longo do dia e, muitas vezes sem perceber, também tocam a boca, o nariz, os olhos, os alimentos e outras pessoas. Isso faz com que elas funcionem como um dos principais meios de transporte de vírus, bactérias e outros microrganismos entre o ambiente e o organismo.

A higiene das mãos ajuda a interromper esse processo. Quando a lavagem é feita com água e sabão, a combinação de sabão, fricção e enxágue remove sujeira, secreções, gordura e parte importante dos microrganismos presentes na pele. Com isso, reduz-se a chance de que esses agentes infecciosos cheguem às mucosas, contaminem alimentos, entrem em feridas ou sejam transmitidos para outras pessoas.

Por isso, lavar as mãos corretamente é uma medida simples, mas com grande impacto na prevenção de infecções respiratórias, gastrointestinais e diversas outras doenças transmissíveis.

Lavar as mãos - Mãos contaminadas
Mãos contaminadas

Só para ilustrar a enormidade de microrganismos que uma mão pode carregar, repare na imagem acima de duas placas de Petri, que são recipientes utilizados para cultivar micróbios em laboratório.

À esquerda, vemos o resultado após uma pessoa tossir diretamente contra a placa. À direita, é o resultado após uma criança de 8 anos encostar a mão contra a placa. Cada bolinha é uma colônia de micróbios que cresceu ao longo dos dias. Cada colônia dessas possui milhões de micróbios. Quanto maior for o diâmetro da colônia, maior é o número de microrganismos.

Como as mãos transmitem infecções

Grande parte das infecções comuns, como resfriado, gripe, intoxicação alimentar, hepatite A, parasitoses intestinais e muitas outras, são transmitidas habitualmente por mãos contaminadas. Mesmo as infecções respiratórias, que costumam ser transmitidas através da tosse, espirro ou perdigotos da fala, também podem ser transmitidas por mãos que estejam contaminadas por secreções das vias respiratórias.

A transmissão costuma acontecer de forma indireta. Uma pessoa toca uma superfície contaminada, secreções respiratórias, fezes, alimentos crus, lixo, feridas ou outros materiais com microrganismos e, em seguida, leva a mão ao rosto, manipula alimentos, toca em objetos de uso compartilhado ou entra em contato com outra pessoa.

Esse processo é favorecido porque muitas infecções se espalham por pequenas cadeias de contato do dia a dia. Um corrimão, uma maçaneta, um celular, um brinquedo, uma torneira ou um utensílio de cozinha podem servir como ponto intermediário, principalmente quando várias pessoas tocam neles em sequência.

Nem todo contato leva à doença, mas o risco aumenta quando as mãos não são higienizadas nos momentos certos. É por isso que a lavagem das mãos tem papel tão importante: ela reduz a chance de que os microrganismos circulem entre superfícies, alimentos, mucosas e pessoas.




Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Santos

    Lavar as mãos com água fria funciona ou precisa ser água quente para matar os germes?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim, lavar as mãos com água fria funciona perfeitamente quando se usa sabão. A temperatura da água tem pouca influência na eliminação de microrganismos. O mais importante é a ação mecânica de esfregar bem as mãos com sabão por pelo menos 20 segundos. Para a água estar quente o suficiente para matar germes, ela estará também quente o suficiente para queimar as suas mãos. Portanto, o foco deve estar na técnica e no uso correto do sabão, não na temperatura da água.

  2. Dario Pinho

    Dr. Pedro, o álcool em gel estraga com o tempo? Ele perde o efeito depois de aberto?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim, o álcool em gel pode perder sua eficácia ao longo do tempo, especialmente se for armazenado incorretamente ou estiver com o frasco mal fechado. A maioria dos produtos tem validade de 2 a 3 anos, mas, após aberto, o álcool pode evaporar gradualmente, reduzindo sua concentração abaixo dos 60% necessários para matar germes com eficácia. Além disso, exposição ao calor ou luz direta acelera esse processo. Sempre verifique a validade do álcool em gel e mantenha a embalagem bem fechada, longe de fontes de calor.

  3. Juliana

    Qual o melhor tipo de sabão para pessoas com pele sensível que precisam lavar as mãos com frequência?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Para quem tem pele sensível ou propensão a dermatite, o ideal é usar sabões líquidos suaves, com pH neutro e sem fragrâncias agressivas. Sabonetes hidratantes, que contêm glicerina ou óleos vegetais, ajudam a preservar a barreira natural da pele e evitam o ressecamento causado por lavagens frequentes. Também é recomendável aplicar hidratante nas mãos após a lavagem, especialmente em climas secos ou frios. Sabonetes antibacterianos devem ser evitados, pois podem irritar a pele sem oferecer benefício adicional.

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