Endoscopia digestiva alta (EDA): o que é, como é feita e preparo


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Revisado e atualizado em abril 2, 2026
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O que é endoscopia digestiva alta?

A endoscopia digestiva alta (EDA) é um exame cujo objetivo é visualizar diretamente a parte superior do trato gastrointestinal, composta pelo esôfago, estômago e o duodeno (primeira porção do intestino delgado).

A endoscopia também pode ser chamada de esofagogastroduodenoscopia, pois é um exame endoscópico que permite a visualização direta do interior do esôfago, estômago e duodeno.

A EDA é um procedimento habitualmente feito pelo médico gastroenterologista e pode ser usada tanto como meio diagnóstico quanto para tratamento de diversos problemas do sistema digestivo alto.

Como é o aparelho de endoscopia digestiva?

O exame é feito através de um aparelho chamado endoscópio, um longo e fino tubo flexível que possui uma câmera na sua extremidade, permitindo que o interior dos órgãos digestivos seja filmado. Os endoscópios atuais têm alta definição de imagem e podem filmar em HDTV.

Os endoscópios modernos têm cerca de 1 metro de comprimento e 8 a 11 milímetros (0,8 a 1,1 cm) de diâmetro. Já existem endoscópios ultrafinos que possuem apenas 0,5 cm de diâmetro.

Endoscopia digestiva
Endoscopia

O endoscópio possui uma câmera de alta resolução e uma fonte de luz própria, que serve para iluminar o interior dos órgãos. O aparelho também é capaz de aspirar e injetar água para limpar secreções que possam estar atrapalhando a visualização direta da mucosa do esôfago, estômago ou duodeno.

A endoscopia digestiva não serve somente para ver e filmar o interior do esôfago, estômago e duodeno, ela também pode ser usada para realização de biópsias e tratamento de alguns problemas, como úlceras ou varizes sangrantes.

Através do endoscópio é possível introduzir uma série de ferramentas, como pinças de biópsia, laços, agulhas, sondas para escleroterapia ou eletrocautério, balão para dilatação, redes e cestos. Deste modo, uma variedade de procedimentos pode ser realizada durante a endoscopia digestiva alta.

Indicações

A endoscopia digestiva alta é um procedimento habitualmente indicado nas seguintes situações:

  • Investigação de quadros de dor ou desconforto inexplicável no abdômen superior.
  • Avaliação da gravidade da doença do refluxo gastroesofágico, que não responde ao tratamento clínico inicial.
  • Exame de rastreio de câncer em pacientes com diagnóstico prévio de esôfago de Barrett.
  • Investigação de quadro de náuseas e vômitos persistentes.
  • Avaliação e possível tratamento para quadros de sangramentos do trato gastrointestinal superior (como vômitos com sangue ou sinais de sangue digerido nas fezes, sugerindo o estômago como causa).
  • Investigação de varizes de esôfago em pacientes com cirrose e/ou hipertensão portal.
  • Investigação de quadros de anemia por carência de ferro sem causa definida.
  • Investigação de quadros de dificuldade de engolir alimentos ou sensação de comida entalada no esôfago.
  • Remoção de corpo estranho acidentalmente engolido.
  • Avaliar a gravidade da lesão do esôfago em pacientes que ingeriram soda cáustica, água sanitária ou qualquer outra substância corrosiva.
  • Avaliar a cura ou evolução de pólipos, tumores ou úlceras encontrados em endoscopias anteriores.

A endoscopia digestiva alta também pode ser usada para diagnosticar infecções pela bactéria H.pylori, apesar de já existirem outros métodos diagnósticos menos invasivos que podem ser usados em substituição à endoscopia.

Preparação

Para maximizar os resultados e diminuir os riscos de complicações, todo paciente que será submetido a uma endoscopia digestiva deve realizar uma preparação para o exame.

O paciente que tem uma endoscopia digestiva alta programada não deve se alimentar nas 4 a 8 horas que antecedem o exame. O tempo certo será decidido pelo gastroenterologista, de acordo com a situação clínica do paciente.

Água pode ser ingerida até 2 horas antes do procedimento. É importante que o estômago esteja vazio para não haver risco do paciente vomitar durante o exame e para que o médico possa visualizar todo o interior sem ser atrapalhado por restos de alimentos.

A maioria dos medicamentos pode ser mantida até o momento da endoscopia, devendo apenas se ter o cuidado de tomá-los com pequenos goles de água para não chegar na hora do exame com o estômago cheio.

Alguns remédios podem necessitar de ajustes na dose, tais como medicamentos para a diabetes, devido ao jejum que deve ser feito por até 8 horas antes da endoscopia.

A decisão de suspender medicamentos antiplaquetários (ex: clopidogrel ou ticlopidina) ou anticoagulantes (ex: heparina ou varfarina) deve ser individualizada, tendo em conta o risco de hemorragia durante a endoscopia. Os pacientes que usam aspirina em dose baixa geralmente não precisam suspendê-la antes do procedimento.

Não é preciso tomar antibióticos antes de se fazer uma endoscopia digestiva, mesmo nos pacientes com risco de endocardite infecciosa.

Obviamente, se a endoscopia for indicada de urgência, como nos pacientes com sangramento digestivo ativo, o exame acaba sendo realizado sem preparo algum.

Sedação e anestesia

A endoscopia digestiva alta pode ser feita com ou sem sedação. Na maioria dos casos, o exame é feito com o paciente acordado, apenas com uma leve sedação e um analgésico opioide (da família da morfina). Um spray anestésico também costuma ser usado na garganta para o paciente tolerar melhor a passagem do endoscópio.

Muitos pacientes acabam dormindo durante o exame e outros encontram-se tão relaxados que quase não se incomodam com o procedimento.

Os endoscópios ultrafinos podem ser introduzidos através do nariz e não necessitam de sedação, pois causam mínimo desconforto.

Ao final da endoscopia, o paciente permanece sendo observado por um curto período, geralmente inferior a uma hora, enquanto o efeito da medicação sedativa desaparece.

Alguns dos medicamentos usados podem causar alguma sensação temporária de cansaço ou dificuldade de concentração. O paciente costuma ser instruído a não dirigir e não voltar a trabalhar até o dia seguinte.

O desconforto mais comum após o exame é uma sensação de distensão abdominal, que ocorre como resultado do ar introduzido durante o exame. Esse incômodo geralmente se resolve rapidamente.

Algumas pessoas podem se queixar de uma leve dor de garganta após o exame. A maioria dos pacientes é capaz de comer logo após chegar em casa.

Como é feita a endoscopia digestiva alta?

A endoscopia é um exame relativamente rápido, com duração total de 15 a 30 minutos. Não é preciso internação hospitalar, e o paciente pode voltar para casa logo após o final do exame.

Para realizar a endoscopia digestiva, o paciente é colocado de lado e uma veia do braço é puncionada para a administração de medicamentos sedativos e analgésicos. Um protetor bucal de plástico costuma ser colocado entre a boca e o endoscópio para impedir o paciente de mordê-lo.

O exame inicia-se com a introdução do endoscópio pela boca, sendo empurrado lentamente através da orofaringe, esôfago, estômago e duodeno. Enquanto avança ao longo do sistema digestivo, o gastroenterologista vai avaliando o estado da mucosa e procurando por lesões. O endoscópio é introduzido somente no trato digestivo, não havendo nenhuma interferência no trato respiratório; o paciente não sente dificuldade alguma em respirar.

Caso encontre lesões suspeitas, o médico pode realizar biópsias, retirando pequenos pedaços da mucosa para posterior avaliação por um médico patologista. A biópsia é um procedimento indolor. Se o médico encontrar pólipos, eles podem ser retirados. No caso de lesões sangrantes, o gastroenterologista pode cauterizar a lesão, estancando a perda de sangue. O endoscópio também serve para dilatar constrições do esôfago ou para retirar objetos estranhos que tenham sido engolidos.

Complicações

A endoscopia digestiva é um procedimento bastante seguro, com baixo risco de complicações na maioria dos pacientes. A atual taxa de complicações é de 0,0002% nas endoscopias apenas diagnósticas e 0,15% nas endoscopias em que uma intervenção é realizada. O risco de perfuração do esôfago ou estômago é menor que 0,03%.

Se os aparelhos forem devidamente esterilizados, seguindo protocolos internacionais, não há risco de contrair infecções, como hepatite ou HIV após uma endoscopia digestiva.

Perguntas frequentes sobre a endoscopia (FAQ)

Qual é a diferença entre endoscopia e colonoscopia?

Ambos são procedimentos endoscópicos do trato gastrointestinal. O que muda é a via de entrada e os órgãos investigados. Na endoscopia digestiva alta, o aparelho é introduzido pela boca, passa pelo esôfago, estômago e chega, no máximo, até o duodeno (porção inicial do intestino delgado). Na colonoscopia, o equipamento é introduzido pelo ânus, passando pelo reto e cólon, chegando, no máximo, até o íleo terminal (porção final do intestino delgado).

É possível fazer endoscopia e colonoscopia no mesmo dia?

Sim, não há nenhum problema em se fazer a endoscopia e a colonoscopia no mesmo dia. Em geral, ambos são feitos seguidamente, sendo necessário sedar o paciente somente uma vez.

Quanto tempo demora para sair o resultado da biópsia feita durante a endoscopia?

O resultado depende do serviço de patologia clínica. Em geral, 2 a 5 dias são suficientes.

Quanto tempo depois de fazer endoscopia posso dirigir?

O ideal é vir acompanhado de algum familiar ou amigo para que ele possa levá-lo de volta para casa, pois os sedativos causam redução da atenção e da coordenação motora. O ideal é esperar, pelo menos, 5 a 6 horas após o fim do procedimento para conduzir algum veículo.

Quanto tempo dura uma endoscopia digestiva alta?

Endoscopia digestiva leva entre 10 e 30 minutos, embora possa demorar mais dependendo dos achados encontrados.

A endoscopia digestiva é dolorosa?

A endoscopia geralmente não é dolorosa, mas pode ser desconfortável se a sedação não for adequada.

Qual é a probabilidade de morrer em uma endoscopia?

O risco de morte durante a endoscopia é inferior a 0,004%.

Como se administra a sedação na endoscopia?

A sedação endoscópica é administrada por via intravenosa através de uma veia do braço.


book Referências bibliográficas


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Ludmilla

    Eu mesma ontem realizei um EDA e não consegui falar no celular no medico. Pq estou com uma dor de garganta da realização do mesmo. Doendo bastante até com água. E como já havia feito outras anteriormente e não senti isso. Eu já ia lhe fazer a pergunta.
    Mas bastou ler nas perguntas anteriores que obtive a resposta.
    Mais uma vez; parabéns Dr pelo trabalho, paciencia e pelo site esclarecedor.

  2. Luciano

    Em pacientes diagnosticado com úlcera gástrica é obrigatório fazer biopsia?

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim.

  3. Regiane Sansalone

    Muito bom esse site. Foi o melhor que eu já li até hoje. Muito bem explicado. Otimo. O melhor. Obrigado Doutor. Excelente suas matérias sobre doenças do estômago e exame de endoscopia. Eu estou com sintomas de queimaçao e dor na boca do estômago e vou fazer endoscopia e seu site ajudou muito. Obrigado Doutor

    Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde Autor

    Obrigado, fico feliz de ter ajudado.

  4. Cleiton Farias

    DR, Fiz uma endoscopia ontem pela manhã e depois do exame fiquei sentindo muito dor em um lado e garganta, tem dois dias que eu tou com a garganta assim, se comer tbm dói… é normal?

    Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde Autor

    Pode ter havido alguma lesão pelo endoscópico. A tendência é melhorar com o passar dos dias, caso contrário, procure o seu médico.

  5. Ketlli Vieira

    Obrigada por as informações do site, são ótimas
    Uma dúvida: fiz uma endoscopia a 4 dias e hoje estou com tontura, ânsia de vômito, dor na garganta e gosto de sangue na boca. Será que tem algo a ver?

    Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde Autor

    Se os sintomas começaram dentro de 24 horas é possível. Se tudo apareceu somente 4 dias depois, o mais provável é que a endoscopia não seja a culpada.

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