Fissura anal: sintomas, causas e tratamento


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Revisado e atualizado em abril 5, 2026
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O que é a fissura anal?

A fissura anal é um pequeno rasgo na pele ao redor do ânus, que pode surgir após traumas, como a passagem de fezes duras e/ou grandes durante uma evacuação.

A fissura anal costuma ocorrer em pessoas de meia-idade, mas também é uma causa comum de sangramento retal em bebês.

Como surgem as fissuras anais?

A maioria das fissuras anais surge após um trauma, geralmente um esgarçamento do ânus. A causa mais comum são fezes volumosas e endurecidas, que provocam um estiramento além do limite da mucosa anal durante a evacuação.

Outras causas são o sexo anal ou introdução de objetos de grande diâmetro pelo ânus. Diarreia prolongada pode causar irritação e lesão da mucosa anal, facilitando o surgimento de fissuras.

Pacientes com antecedentes de outras lesões no ânus, como hemorroidas ou fístulas anais, também apresentam maior risco. Mulheres podem desenvolver fissuras após um parto normal.

A fissura anal ocorre habitualmente em pessoas sem outros problemas de saúde, mas pode ser também uma complicação de algumas doenças, como tuberculose anorretal, Doença de Crohn ou leucemia.

O grande problema da fissura anal é o fato de ela ser um processo de agressão cíclica.

A lesão da mucosa faz com que o esfíncter do ânus involuntariamente sofra um espasmo, impedindo que o mesmo relaxe. Essa contração do ânus provoca mais esgarçamento da fissura, dificultando a cicatrização da ferida.

O espasmo anal, associado à dor ao evacuar, agrava a prisão de ventre. Quando o paciente finalmente consegue evacuar, as fezes estão volumosas e ressecadas e precisam vencer a resistência de um ânus, que tem dificuldade em relaxar. Tudo isso provoca ainda mais lesão da mucosa e perpetuação da fissura no ânus.

Os pacientes que entram neste ciclo vicioso costumam desenvolver fissuras anais crônicas, pois o espasmo anal prolongado, além de facilitar o trauma repetitivo, ainda causa compressão dos vasos sanguíneos que irrigam a região do ânus, provocando uma isquemia desta região. As fissuras anais crônicas são aquelas que duram mais de 6 semanas e não cicatrizam sem tratamento médico.

Sintomas

As fissuras anais costumam surgir no tecido que reveste o ânus e o canal anal, uma mucosa chamada anoderma. Ao contrário da pele, o anoderma não tem pelos, glândulas sudoríparas nem glândulas sebáceas. Por outro lado, esta região é riquíssima em nervos responsáveis pela transmissão das sensações de tato e dor, o que explica por que as fissuras anais são tão dolorosas.

A fissura anal tem a aparência de um corte ou laceração na região do ânus. Se você imaginar o ânus como um relógio de ponteiros, com o paciente deitado de barriga para cima, as fissuras costumam ser uma laceração na direção vertical, que ocorre às 6h ou às 12h, como nas fotos abaixo. Fissuras fora desta localização costumam ser causadas por alguma outra doença.

Fissura anal
Fissura anal

O principal sintoma da fissura anal é a dor ao evacuar, que costuma ser muito intensa e pode durar por algumas horas após o fim da evacuação. A dor é tão forte que o paciente começa a ter medo de evacuar, o que pode piorar a constipação intestinal e tornar as fezes ainda mais duras e volumosas.

Em 70% dos casos, também ocorrem sangramentos após a evacuação, que costumam ser de pequena quantidade. Pode haver pequenas gotas de sangue no vaso sanitário, mas o mais comum é o sangramento apenas sujar o papel higiênico. A fissura anal também pode provocar coceira e sensação de irritação na região anal.

A fissura no ânus pode ter sintomas muito parecidos com os das hemorroidas, porém o sangramento da fissura costuma ser menor e a dor mais intensa. De qualquer modo, o especialista para ambas as lesões é o proctologista, que, através do exame da região anal, saberá facilmente diagnosticar a causa da sua dor. Na maioria dos casos não é preciso realizar toque retal para diagnosticar uma fissura anal.

Fissura anal e plicoma
Fissura anal e plicoma

Após a cicatrização, a fissura pode dar lugar a um plicoma, que é tipo uma saliência ou dobra de pele que pode surgir após um processo de inflamação do ânus.

Explicamos o plicoma anal no artigo: Plicoma anal (pele no ânus): o que é, riscos e tratamento.

Tratamento

O tratamento da fissura anal visa o controle da dor e a cicatrização da laceração. Nos casos de fissuras anais pequenas, a cura geralmente ocorre de modo espontâneo após alguns dias, mas o tratamento médico pode acelerar este processo além de aliviar a dor.

O tratamento inicial pode ser caseiro, com banhos de assento com água morna três vezes por dia, aumento da ingestão de fibras e uso de laxantes para diminuir a rigidez das fezes.

Existem algumas pomadas para fissura anal que podem ser usadas. Pomadas à base de nitroglicerina ou nifedipina ajudam a dilatar os vasos anais, aumentando o aporte de sangue e oxigênio para a região da fissura, o que favorece sua cicatrização.

A nitroglicerina também ajuda a relaxar o esfíncter anal, diminuindo o esgarçamento da fissura e facilitando o ato de evacuar. As aplicações de nitroglicerina podem causar dores de cabeça e tonturas como efeito colateral. Os pacientes devem evitar o uso de medicações para impotência, como viagra, durante o tratamento com nitroglicerina.

Pomadas com anestésicos também podem ser usadas antes de cada evacuação para reduzir a dor, mas estas, sozinhas, não ajudam na cicatrização.

Cerca de 90% das fissuras no ânus cicatrizam com medidas conservadoras, como as descritas acima.

Nos casos que não melhoram, pode-se tentar o uso da toxina botulínica (Botox), que ajuda a relaxar o esfíncter anal, reduzindo o estiramento da fissura. O Botox pode causar como efeito secundário a perda temporária da continência fecal, podendo haver pequenas perdas de fezes durante 2 ou 3 meses, tempo de ação da toxina.

Cirurgia

A cirurgia é geralmente reservada para pacientes com fissura anal que tentaram tratamento clínico por pelo menos um a três meses sem sucesso. O procedimento de escolha é chamado de esfincterotomia lateral interna, uma pequena incisão capaz de provocar o relaxamento do esfíncter anal. A cirurgia é bem simples e o paciente, na maioria das vezes, volta para casa no mesmo dia, podendo retornar às atividades normais dentro de uma semana.

A principal preocupação com a cirurgia é o desenvolvimento da incontinência anal, que pode incluir incapacidade de controlar a saída de gases intestinais, escape fecal leve ou mesmo perda de fezes sólidas. Algum grau de vazamento das fezes pode ocorrer em até 45% dos pacientes durante os primeiros dias de pós-operatório. No entanto, essa incontinência pós-cirúrgica raramente é permanente.


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Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Jose

    Quero saber se a introdução de objetos muito grossos no ânus pode afetar o coração ou outro órgão pela pressão do ar introduzido?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não, mas pode criar “vácuo” e fazer com que o objeto fique preso no reto.

  2. ILCA COTTS do AMARAL

    Dr Pedro parabéns por fazer parte do grupo de feras da UFRJ.

    Fissura pode estar por dentro do ânus e romper gerando sangramento no papel higiênico?

    Agradeço a informação desde já.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A fissura surge nas bordas do ânus. Lesões internas ocorrem no reto. A mais comum é a hemorroida.

  3. Poliane Batista

    O q é plicoma?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    É uma saliência de pele localizada na porção externa do ânus. É basicamente uma “pelezinha” a mais na região anal.

  4. Sasa

    Olá, Dr.
    Eu tô com uma bolinha no meu ânus fica bem na beirinha, eu não sei o que pode ser.
    Estou com muito medo, o que eu tenho que fazer?
    Sinto uma dor forte dentro do meu ânus.
    Me ajuda Pfv

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se você tem dor e uma lesão nova no ânus, o ideal é ser vista por um proctologista.

  5. Deovan chaves lopes

    Meu anus tem ressecamento e descama alguma vzs da umas bolhas e doi…e fica com a segunda pele embranquicada me encomoda..o que fazer?

  6. Tatiane

    Muito bom o texto, pesquisei em vários sites e ficava mais confusa. Esse disse tudo que eu queria saber.. Meus muito obrigada para o autor das informações!

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