Pterígio e pinguécula (“carne no olho”): o que é, sintomas e cirurgia


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Revisado e atualizado em outubro 30, 2025
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O que é pterígio?

Damos o nome de pterígio a uma fina membrana fibrovascular do tecido da conjuntiva, em formato triangular, que surge na parte branca do olho, geralmente na região lateral mais próxima do nariz, e pode se estender até a córnea (mais abaixo explicaremos as estruturas anatômicas dos olhos com ilustrações e fotos).

Pterígio é um termo de origem grega, da palavra pterygion, que significa “asa”. A aparência triangular da lesão costuma lembrar as asas de insetos, motivo pelo qual a doença recebeu esse nome.

Embora benigno no sentido de que a lesão nada tem a ver com câncer, o pterígio pode ter efeitos adversos importantes na visão, principalmente se a proliferação se aproximar ou atingir a córnea.

O que é pinguécula?

Pinguécula é o nome dado a uma pequena elevação amarelada, às vezes com alguns vasos sanguíneos, localizada habitualmente na mesma região do pterígio. A pinguécula é um depósito de cálcio, gordura e proteínas na conjuntiva, que se expande, mas não costuma atingir a região da córnea. Ao contrário do pterígio, que costuma ficar restrito à porção nasal dos olhos, a pinguécula pode surgir na porção nasal, temporal ou em ambos os lados.

Explicação com imagens

Se você acha que os termos estão confusos, observe a ilustração e as fotos abaixo.

A parte branca dos olhos é a esclera. Por cima dela há uma fina camada de tecido chamada conjuntiva. A parte colorida dos olhos chama-se íris. Por cima da íris fica a córnea, uma estrutura de formato elíptico que, junto com o cristalino, tem a função de focar a luz através da pupila para a retina.

Anatomia do olho
Anatomia do olho

Como já dissemos, tanto o pterígio como a pinguécula surgem na região da esclera. Repare na imagem abaixo como as lesões costumam ser diferentes. À esquerda, a pinguécula é uma lesão que pode nascer na porção temporal do olho (mais próximo da têmpora), é amarelada, mais elevada e não invade a região da córnea. À direita, vemos o pterígio, uma lesão mais plana, vascularizada, que nasce quase sempre na porção nasal do olho (mais próximo do nariz) e frequentemente invade a região da córnea, podendo afetar a visão.

Diferenças entre pterígio e pinguécula
Diferença entre pterígio e pinguécula

Causas

A causa exata do pterígio e da pinguécula ainda não é conhecida. Uma das hipóteses mais prováveis é que a exposição excessiva à luz ultravioleta (raios UV) possa levar a esses crescimentos. Ambas as lesões ocorrem com mais frequência em pessoas que vivem em climas tropicais e passam muito tempo ao ar livre em ambientes ensolarados ou ventosos. Homens com mais de 30 anos são os mais afetados.

Pessoas cujos olhos são expostos a certos elementos regularmente também apresentam maior risco de desenvolver essas condições. Esses elementos incluem:

  • Pólen.
  • Poeira.
  • Areia.
  • Fumaça.
  • Vento.

Sintomas

Pterígio

Os sintomas mais comuns provocados ​​pelo pterígio são: vermelhidão, irritação e sensação de corpo estranho no olho afetado. Lacrimejamento, fotofobia e dificuldade para usar lentes de contato também podem ocorrer. Alguns pacientes não relatam sintomas, mas conseguem notar uma alteração na aparência da esclera do olho ao se olharem no espelho.

Embora comuns, a vermelhidão e a irritação associadas ao pterígio são geralmente leves. A maioria dos pacientes não procura atendimento médico inicialmente, à espera de melhora espontânea da lesão. A avaliação por um oftalmologista só costuma ser feita quando os sintomas ficam mais intensos ou quando a lesão se torna esteticamente relevante.

O comprometimento visual não é comum, só ocorre se houver atingimento da córnea e costuma ser leve inicialmente. Um pterígio que se estende por mais de alguns milímetros na córnea pode prejudicar a visão porque provoca deformação corneana e consequente astigmatismo. O astigmatismo é um erro de refração no qual a superfície corneana deformada faz com que os raios de luz que entram nos olhos ao longo de planos diferentes sejam focalizados de maneira desigual (explicamos o astigmatismo com mais detalhes no artigo: Astigmatismo: causas, sintomas e tratamento).

Um pterígio que invade a córnea e cobre pelo menos 1/4 do diâmetro da pupila pode provocar grave astigmatismo e visão turva. Um pterígio que se estende mais centralmente pode afetar diretamente o eixo visual, com a opacidade resultante bloqueando a visão de forma relevante.

Pterígio grande, com atingimento importante da pupila
Pterígio grande com atingimento importante da pupila

A evolução do pterígio é bem lenta, ao longo de meses ou anos. No começo, a lesão é pequena e transparente, passando frequentemente despercebida. Com o tempo, o pterígio pode evoluir, tornando-se mais espesso e com vasos sanguíneos mais visíveis, criando claro contraste em relação ao branco da esclera. Em alguns pacientes, a lesão avança por meses pela esclera e só é identificada quando atinge a córnea, fazendo contraste com a cor da íris.

O pterígio pode ficar ativo ou inativo. Quando ativo, ele pode crescer por um período de vários meses a anos. A atividade é marcada clinicamente por vermelhidão e espessamento localizado, que provavelmente representam inflamação ativa. Quando inativo, o pterígio pode permanecer transparente e estático por décadas, sem aumento mensurável no tamanho ou significado clínico. Não está claro como o pterígio se transforma de ativo em inativo ou se pode ser reativado.

Pinguécula

A pinguécula apresenta sintomas muito semelhantes aos do pterígio, como irritação, vermelhidão, sensação de corpo estranho e incômodo ao usar lentes de contato. No entanto, a pinguécula não cresce através da córnea e, portanto, não é capaz de afetar a visão.

É importante destacar, porém, que alguns casos de pinguécula podem evoluir e se transformar em pterígio, podendo assim, provocar deformidades da córnea e alterações visuais.

Diagnóstico

O diagnóstico do pterígio deve ser feito através de uma consulta com um oftalmologista. O diagnóstico é fácil quando a lesão apresenta a aparência clássica triangular e vascularizada. No entanto, o pterígio nem sempre se manifesta em sua forma clássica, e outras condições podem ter uma aparência semelhante, incluindo lesões malignas.

Tratamento

Pacientes com pterígio pequeno devem ser tratados sintomaticamente para vermelhidão e irritação com lágrimas artificiais ou outros lubrificantes oculares.

O manejo de pacientes com lesões maiores que prejudicam a acuidade visual geralmente envolve a excisão cirúrgica do pterígio. A decisão de realizar a cirurgia deve levar em conta a taxa de crescimento documentada e o grau de astigmatismo induzido.

Exceto em situações mais graves, a cirurgia deve ser evitada apenas por razões estéticas, já que o pterígio pode reaparecer após a cirurgia e pode ter sintomas mais intensos que na primeira vez.

As indicações para correção cirúrgica do pterígio costumam ser:

  • Astigmatismo induzido que causa deficiência visual.
  • Opacidade atingindo a região da pupila.
  • Crescimento contínuo documentado que ameaça afetar a visão por meio de astigmatismo ou opacidade da córnea.
  • Restrição do movimento dos olhos.
  • Impacto cosmético significativo.
  • Irritação ocular que não responde ao tratamento com colírios.

A cirurgia do pterígio deve ser feita em centro cirúrgico, com anestesia local, e dura em média 15 a 30 minutos. O paciente pode ir para casa no mesmo dia com curativo no olho. Nos primeiros dias, o olho fica bem avermelhado e irritado, mas com o uso dos colírios, ele vai voltando ao normal após algumas semanas.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Carla

    Aos 64 anos apareceram em cada um dos meus olhos, na parte branca e perto do nariz, bolinhas vascularizadas. Foi justamente quando comecei a tomar medicamentos para a pressão – Lercanidipine 10 mg e Irbesartan/hidrocloratiazida 150 mg. Dois meses depois para ser exata e numa situação normal para mim, que nasci na praia e sempre tomei sol. Essas bolinhas apareceram numa tarde em que passei umas três horas ao sol cortando as sebes que estavam altas.
    O senhor acha que alem do sol e a exposição as seivas dos vegetais, os medicamentos, especialmente a hidrocloratiazida tiveram influência maior no problema que atingiu meus olhos?
    Passei a usar gotas hidratantes e fiz óculos com proteção contra a luz solar, mas as vezes meus olhos ficam vermelhos e coçam. Também observei um maior acometimento de terçóis.
    Agradeço pela resposta.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pelo que você descreve, isso parece mesmo ser um pterígio ou uma pinguécula, que são lesões muito relacionadas a sol, vento, poeira e ressecamento ocular ao longo da vida. O fato de você ter nascido na praia, sempre tomar sol e ter ficado 3 horas ao sol no dia em que notou as lesões reforça bem essa causa.

    Os remédios para pressão que você usa (lercanidipina, irbesartana e hidroclorotiazida) não são conhecidos por causar pterígio ou pinguécula. A hidroclorotiazida tem relação com maior sensibilidade da pele ao sol e, em uso crônico, com risco de câncer de pele, mas não com pterígio. Portanto, é bem mais provável que a exposição solar crônica tenha sido o fator principal.

    Olhos vermelhos, coceira e terçóis mais frequentes podem estar ligados a ressecamento ocular e blefarite, que costumam andar junto com essas alterações. O ideal é consultar um oftalmologista para confirmar o diagnóstico, avaliar se há inflamação e indicar o tratamento: lubrificantes certos, colírios anti-inflamatórios quando necessário e, em casos mais avançados, até cirurgia. Continuar com óculos com proteção UV e evitar sol direto nos olhos é importante.

  2. Thaís

    Dr. Pedro, sou aluna de enfermagem. Você pode resumir qual é a diferença entre pterígio e pinguécula? Obrigada.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A pinguécula é uma lesão amarelada e mais superficial, que não invade a córnea e geralmente não afeta a visão. Já o pterígio tem forma triangular, é mais vascularizado e pode crescer até cobrir parte da córnea, podendo causar astigmatismo e embaçar a visão. Ambas surgem na parte branca do olho (esclera) e estão associadas à exposição solar, vento e poeira. A pinguécula pode, em alguns casos, evoluir para um pterígio se não for controlada.

  3. Antônio

    Pterígio precisa sempre de cirurgia?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Nem todos os casos precisam de cirurgia. Quando o pterígio é pequeno e não afeta a visão, o tratamento pode ser feito apenas com colírios lubrificantes para aliviar sintomas como irritação, vermelhidão e sensação de areia nos olhos. A cirurgia só é indicada quando a lesão está crescendo, causa astigmatismo, atinge a córnea ou prejudica a estética de forma significativa. Mesmo após a retirada cirúrgica, o pterígio pode voltar, especialmente se a pessoa continuar se expondo ao sol sem proteção.

  4. Sebastião

    Pterígio pode atrapalhar a visão?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim, o pterígio pode afetar a visão se crescer sobre a córnea e deformar sua superfície, provocando astigmatismo ou até obstruindo parcialmente a pupila. No início, a maioria das pessoas só sente desconforto e nota uma mudança na aparência do olho. Se o pterígio começar a cobrir a área central da visão, pode causar turvação e perda de nitidez visual. Nesses casos, a cirurgia é recomendada para preservar a visão.

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