Síndrome da fadiga crônica: o que é, sintomas e tratamento


Foto do autor
Revisado e atualizado em setembro 9, 2024
comments Created with Sketch Beta. 9 dúvidas respondidas

O que é a síndrome da fadiga crônica?

A síndrome da fadiga crônica (SFC), também chamada de encefalomielite miálgica ou doença sistêmica de intolerância ao esforço, é um quadro caracterizado por fadiga persistente, que não está relacionada com exercício físico e não melhora de forma relevante com repouso. A doença costuma vir acompanhada de outros sintomas e tem duração maior que seis meses.

A SFC é uma doença controversa e de difícil explicação, sendo muito frustrante de se lidar, não só para os pacientes como também para os médicos, pois ainda não se conseguiu estabelecer definitivamente suas causas, o diagnóstico é difícil de ser feito e o tratamento atual é pouco efetivo.

Apesar de não diminuir a expectativa de vida do paciente acometido, a síndrome da fadiga crônica pode ser considerada uma doença grave, devido à grande queda na qualidade de vida que a mesma pode causar.

É importante saber que existem diferenças entre possuir a síndrome da fadiga crônica e apresentar fadiga com frequência. Na verdade, apenas 10% dos pacientes que se queixam de cansaço crônico, efetivamente possuem critérios para o diagnóstico da síndrome da fadiga crônica.

Para ler sobre outras causas de cansaço prolongado: 11 Causas de cansaço persistente.

Sintomas

Além da fadiga crônica que dá o nome a doença, os pacientes com esta síndrome também costumam apresentar os seguintes sintomas:

1. Dificuldade de concentração e “memória fraca”.
2. Dor de garganta.
3. Dor muscular.
4. Dor articular.
5. Dor de cabeça.
6. Dificuldades em dormir.
7. Linfonodos discretamente aumentados e dolorosos.
8. Exaustão após esforço físico ou mental, mesmo após 24 horas de repouso.

Esses são os sintomas clássicos, porém, vários outros podem ocorrer como tonturas, diarreia, alergias, etc.

É importante destacar que o exame físico costuma ser normal. O paciente se queixa de dores, mas nenhuma lesão é encontrada, queixa-se de febre, mas o termômetro nunca a mostra, os linfonodos dolorosos são normais à biópsia e a eletroneuromiografia não consegue comprovar a fraqueza muscular.

Esta incapacidade em se documentar as queixas dos pacientes muitas vezes levam a uma errada interpretação de que estão fingindo ter uma doença. Porém, assim como na fibromialgia, a síndrome da fadiga crônica deve ser encarada como uma doença de verdade, evitando-se a estigmatização dos pacientes.

Causas

Apesar de todos os esforços, as causas da síndrome da fadiga crônica ainda não foram elucidadas. Algumas doenças e infecções, principalmente das vias respiratórias, parecem precipitar a doença, mas o mecanismo no qual isso ocorre e por que só acontece em algumas pessoas ainda é um mistério. Sabe-se, porém, que a doença é mais comum em pessoas jovens e adultos de meia-idade do que em crianças e idosos, e duas vezes mais comum em mulheres que em homens.

Entre as doenças que podem precipitar a síndrome da fadiga crônica, citamos:

Durante muitos anos acreditava-se que havia uma relação muito forte entre a mononucleose e a SFC, porém, as últimas evidências mostram que essa relação não é tão importante.

Covid-19

Alguns pacientes podem desenvolver um quadro de síndrome da fadiga crônica após infecção pelo SARS-CoV-2, independentemente da gravidade da doença. Esse quadro faz parte das diversas doenças que têm sido habitualmente classificadas como “long-COVID” ou “Covid de longo curso”.

A Covid-19 pode provocar a SFC, pode agravar a SFC em quem já tinha ou pode trazer a doença de volta em quem já tinha se recuperado.

Diagnóstico

A síndrome da fadiga crônica é um diagnóstico de exclusão, ou seja, é preciso ter certeza que o cansaço e os sintomas não são causados por nenhuma outra doença identificável. Doenças cardíacas, pulmonares, hepáticas e renais, além de dezenas de outros problemas, como obesidade mórbida, uso de drogas, apneia do sono, anorexia nervosa, etc., podem causar fadiga e devem ser descartadas sempre.

Mesmo que o paciente não tenha nenhuma causa identificável para o seu cansaço, para o diagnóstico da síndrome ainda é preciso que a fadiga tenha estado presente nos últimos seis meses e esteja associada a pelo menos 4 dos 8 sintomas descritos acima.

Tratamento

Não existe cura para a síndrome da fadiga crônica e o tratamento nem sempre é satisfatório. De todos os tratamentos já tentados, os que realmente fornecem melhora clínica são a psicoterapia e exercícios físicos regulares.

Este último pode ser muito difícil, uma vez que no início os sintomas parecem piorar. Porém, o exercício deve ser iniciado com cargas muito, mas muito leves, com lento e progressivo aumento conforme o paciente tolere. A longo prazo, a prática de exercícios melhora muito a qualidade de vida.

Não existe tratamento com drogas ou dieta específica que comprovadamente melhore os sintomas da síndrome da fadiga crônica.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Gabrielita da Silva

    Sinto dores no corpo, especificamente no lado direito abaixo do tórax. As dores pioraram depois de uma queda na banheira. Bati com o lado direito na borda. A dor n é forte,mas constante e tenho impressão de estar com febre. Qual especialista devo procurar?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pode ir primeiro num clínico geral.

  2. Hidalécio Bonanomi

    Um bom complexo de vitaminas, não resolve o problema?

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não, porque a doença não é provocada por carência de vitaminas.

  3. Hidalécio Bonanomi

    Tenho todos estes sintomas descrito para a síndrome de fadiga cronica! Não sou diabético, nem tenho qualquer oura doença, a não ser gripe e resfriados! Na matéria diz que não existe remédios, a não ser atividades fisícas.
    Pergunto: Não existe fortificantes, para músculos, nervos, cartilagens, etc.?

    Achei bem estranho, esta colocação!

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não existem fortificantes para músculos, nervos ou cartilagens. O que existe são suplementos que melhoram a performance nos treinos. Isso significa que você precisa fazer atividade física de qualquer maneira. Não basta tomar os produtos e achar que vai melhorar.

  4. Toney Fontes

    Oi Katia, eu tive isso a minha vida toda, desde meus 16 anos. A família só entende se acontece com eles, no mais, somos considerados como preguiçosos. Vária vzs já pensei em suicídio e só não fiz pq sou Cristão e acredito na vida eterna. Se quiser conversar mais sobre isso e como eu melhorei, me adiciona no Face: toneyfontes@gmail.com

Envie sua dúvida sobre este artigo

Escreva uma pergunta clara, objetiva e relacionada ao tema do texto. Dúvidas que também possam ajudar outros leitores têm prioridade. Perguntas sobre casos pessoais, pedidos de diagnóstico ou orientação médica individualizada podem não ser publicadas.