86 medicamentos que podem causar disfunção erétil


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Revisado e atualizado em novembro 8, 2025
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Introdução

A disfunção erétil, também conhecida como impotência sexual masculina, é uma condição médica que afeta muitos homens em todo o mundo. Trata-se da incapacidade persistente de obter ou manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória.

Embora diversos fatores possam contribuir para essa condição, um dos aspectos menos discutidos, mas significativamente relevante, é a impotência sexual induzida por fármacos. Estima-se que até 25% dos casos de disfunção erétil sejam causadas por um ou mais medicamentos que o paciente toma. E não só isso, pelo menos 8 dos 12 medicamentos mais vendidos no mundo listam a impotência masculina como um dos seus possíveis efeitos adversos.

Vários medicamentos prescritos habitualmente para uma grande variedade de doenças, incluindo anti-hipertensivos, antidepressivos, ansiolíticos (calmantes), medicamentos para próstata ou para tratar a calvície, são causas comuns de disfunção erétil.

Tais medicamentos podem provocar impotência porque alteram o fluxo sanguíneo para o pênis, interferem nos neurotransmissores cerebrais, no sistema nervoso simpático ou afetam os níveis hormonais, todos estes, eventos cruciais para a função sexual normal. Em alguns casos, o efeito é temporário e desaparece quando o uso do medicamento é interrompido; em outros, os efeitos podem persistir por um período mais longo.

A seguir listamos os medicamentos e as substâncias mais associadas à impotência masculina.

Remédios que causam impotência

Anti-hipertensivos

Todos os anti-hipertensivos podem provocar disfunção erétil, porém, algumas classes apresentam mais riscos que outras.

Betabloqueadores e diuréticos são os fármacos para hipertensão mais associados à perda de potência sexual. Exemplos e medicamentos dessas classes são:

Betabloqueadores:

  • Atenolol.
  • Labetalol.
  • Metoprolol.
  • Propranolol.

Diuréticos:

  • Clortalidona.
  • Espironolactona.
  • Furosemida.
  • Hidroclorotiazida.
  • Indapamida.

Outros anti-hipertensivos também associados à impotência são:

  • Captopril.
  • Clonidina.
  • Enalapril.
  • Hidralazina.
  • Metildopa.
  • Nifedipina.
  • Reserpina.
  • Verapamil.

A verdadeira taxa de impotência sexual provocada pelos anti-hipertensivos é difícil de saber, pois alguns estudos falam em quase 40% de incidência, enquanto outros citam menos de 1%.

Curiosamente, sabe-se que pacientes informados sobre esse possível efeito colateral tendem a apresentar maiores taxas de disfunção erétil, o que pode indicar um componente psicogênico importante.

Antidepressivos

A maioria dos antidepressivos, em especial os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), está associada à disfunção erétil. A incidência é de cerca de 40% nos pacientes que tomam doses elevadas, e de 3 a 10% com doses baixas.

Impotência também pode ocorrer com outras classes de antidepressivos, incluindo inibidores da recaptação de serotonina-norepinefrina, antidepressivos tricíclicos e inibidores da monoamina oxidase; entretanto, os fármacos da classe dos ISRS são os com maior incidência.

Exemplos de antidepressivos que podem causar disfunção erétil são:

  • Fluoxetina.
  • Sertralina.
  • Paroxetina.
  • Citalopram.
  • Escitalopram.
  • Amitriptilina.
  • Clomipramina.
  • Desipramina.
  • Nortriptilina.
  • Fenelzina.
  • Buspirona.
  • Imipramina.
  • Doxepina.
  • Imipramina.

Em muitos casos, a redução da dose pode ser suficiente para contornar o problema.

Explicamos os antidepressivos da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina no artigo: Antidepressivos: escitalopram, fluoxetina, sertralina.

Ansiolíticos

Além dos antidepressivos, fármacos frequentemente utilizados para o tratamento da ansiedade, como os ansiolíticos, também podem provocar perda da potência sexual. Os mais comuns são:

  • Lorazepam.
  • Oxazepam.
  • Clordiazepóxido.
  • Clorazepato.
  • Diazepam.
  • Alprazolam.
  • Clonazepam.

Antiparkinsonianos

Alguns medicamentos utilizados no tratamento da doença de Parkinson também podem ter a disfunção erétil como efeito colateral, especialmente quando usados em doses elevadas. Os mais comuns são:

  • Benzatropina.
  • Biperideno.
  • Bromocriptina.
  • Levodopa.
  • Prociclidina.
  • Triexifenidil.

É importante destacar que a disfunção erétil é bastante comum nos pacientes com doença de Parkinson, ocorrendo em até 60% dos pacientes, independentemente dos efeitos adversos das medicações.

Anti-androgênicos

A terapia de privação de androgênio, utilizada no tratamento de alguns tipos de câncer de próstata, reduz os níveis séricos de testosterona do paciente a níveis semelhantes aos da castração.

Em razão da castração química, a impotência sexual é um efeito adverso comum dos seguintes fármacos:

  • Bicalutamida.
  • Flutamida.
  • Nilutamida.

Drogas recreativas (lícitas ou ilícitas)

Embora algumas drogas recreativas, como a cocaína e a heroína, possam inicialmente estimular a libido e a excitação sexual, a longo prazo, elas acabam exercendo um impacto negativo na capacidade de adquirir e manter a função erétil.

As drogas que, quando utilizadas de forma abusiva ou prolongada, podem causar disfunção erétil são:

  • Álcool.
  • Tabaco.
  • Anfetaminas.
  • Barbitúricos.
  • Cocaína.
  • Maconha.
  • Heroína e outros opioides (codeína, fentanil, hidromorfona, metadona, morfina e oxicodona).

Outros fármacos

Outros medicamentos que também já foram descritos como fatores de risco para impotência se utilizados de forma prolongada são:

  • Ácido aminocaproico.
  • Alcaçuz.
  • Anti-histamínicos.
  • Anti-inflamatórios não esteroides.
  • Atropina.
  • Cetoconazol.
  • Clofibrato.
  • Ciclobenzaprina.
  • Cimetidina.
  • Ciproterona.
  • Digoxina.
  • Disopiramida.
  • Dutasterida.
  • Finasterida.
  • Furazolidona.
  • Gabapentina.
  • Haloperidol.
  • Metoclopramida.
  • Orfenadrina.
  • Pregabalina.
  • Proclorperazina.
  • Pseudoefedrina.
  • Risperidona.
  • Sumatriptano.
  • Topiramato.
  • Valproato.

Além dos fármacos já mencionados, outras substâncias também vêm sendo associadas à disfunção erétil, ainda que com menor frequência ou com evidência inconclusiva. Entre elas, destacam-se anticonvulsivantes como carbamazepina e fenitoína; antipsicóticos atípicos como olanzapina, quetiapina e aripiprazol; estatinas (ex.: sinvastatina, atorvastatina); e até mesmo inibidores da bomba de prótons, como o omeprazol, quando usados cronicamente.

Além disso, formulações tópicas de finasterida ou dutasterida, usadas no tratamento da calvície, também foram implicadas em casos de disfunção sexual, mesmo com absorção sistêmica mínima. Embora nem todos esses casos sejam amplamente confirmados por estudos clínicos robustos, o monitoramento de sintomas é recomendado em pacientes que utilizam essas substâncias por períodos prolongados.

O que fazer se um medicamento provoca impotência sexual?

O manejo da disfunção erétil induzida por medicamentos pode ser um desafio. É comum que pacientes enfrentando este efeito colateral optem por interromper tratamentos essenciais, uma atitude que pode ser arriscada e, frequentemente, desnecessária.

Existem diversas estratégias disponíveis para tratar a disfunção erétil provocada por medicamentos. Uma possibilidade é colaborar com seu médico para ajustar a dosagem do medicamento em questão, experimentar um fármaco alternativo ou, caso a interrupção do tratamento não seja viável, considerar o uso de um medicamento específico para impotência, como o Viagra ou Cialis.

Ademais, é importante lembrar que a disfunção erétil frequentemente é um sintoma das condições de saúde que necessitam dos medicamentos em questão, as quais também podem ter a disfunção erétil como efeito colateral. Portanto, a simples interrupção do medicamento nem sempre é a solução para o problema.

Se você começar a apresentar disfunção erétil após iniciar um novo medicamento, antes de tomar a decisão de interromper o tratamento, é essencial que converse com seu médico. Felizmente, existem muitas alternativas que você e seu médico podem explorar para garantir que você mantenha sua saúde física e sexual, sem a necessidade de sacrificar a medicação necessária para o seu bem-estar.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. José Pedro

    Tomo losartan + hidroclorotiazida 50 mg + 12,5 mg e Rosuvastatina + ezetimiba 20 mg + 10 mg. Diga se isso afeta a função erétil?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Desses que você citou, o fármaco mais associado à disfunção erétil é a hidroclorotiazida. Ainda assim, só uma minoria dos pacientes que tomam hidroclorotiazida apresenta impotência como efeito adverso.

  2. José Olegário

    Bom dia, tenho 77 anos e ainda tenho relações sexuais mas a cada dia que passa tenho mais dificuldade. Nenhum medicamento, digo Sidenafila, Tadalafila não fazem efeito. O testosterona está normal. Tenho chances de melhorar meu desempenho sem implantes?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Aos 77 anos, é natural haver uma diminuição progressiva da função erétil, mesmo com níveis normais de testosterona. Quando medicamentos como a Sildenafila ou Tadalafila deixam de funcionar, é importante investigar outras possíveis causas para a disfunção erétil, como:

    — Problemas vasculares (aterosclerose).
    — Diabetes.
    — Hipertensão.
    — Mau condicionamento cardiovascular.
    — Uso de certos medicamentos.
    — Ansiedade ou depressão.

    É possível que ainda haja chances de melhorar o desempenho sem recorrer a implantes penianos, mas para ter certeza é preciso uma avaliação completa por um urologista.

  3. Elcio

    Bom dia
    Apressolina 20 mg causa importencia?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim, pode causar.

  4. Antonio

    problema de coluna pode causar falta de libido ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Problema na coluna é um termo muito genérico. Pode ser aplicado desde coisas simples até condições graves. Que tipo específico de problema na coluna você está pensando?

  5. fernando

    Boa tarde, o medicamento Revia causa disfunção erétil?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pode causar redução da libido, o que é um fator que pode influenciar na potência sexual.

  6. Antônio Almeida

    Boa tarde dr. li sobre todos esses remédios que podem causar problemas de ereção e agora tô preocupado, porque tomo remédios pra ansiedade. Como sei se meu tratamento tá causando isso? Devo falar com meu médico ou só parar o remédio por conta própria para testar?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Antônio, sua dúvida é válida, mas, por favor, não interrompa o tratamento sem antes falar com o seu médico. Alguns medicamentos utilizados no tratamento da ansiedade têm o potencial de influenciar a função sexual, incluindo a possibilidade de provocar disfunção erétil. Isso não significa, porém, que todos que tomam esses medicamentos experimentarão esses efeitos colaterais.

    A interrupção abrupta do seu tratamento pode levar ao ressurgimento ou agravamento dos sintomas de ansiedade. Em vez disso, se você está preocupado com a possibilidade de seu medicamento estar contribuindo para a disfunção erétil, o melhor curso de ação é agendar uma consulta com seu psiquiatra. Ele pode avaliar sua situação específica, confirmar se o medicamento pode estar contribuindo para o problema e, se apropriado, ajustar seu regime de tratamento ou explorar alternativas terapêuticas que mantêm a eficácia no tratamento da ansiedade enquanto mitigam o efeito colateral em questão.

  7. cunga

    Não quero mais fazer sexo.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Você acha que essa perda de libido está relacionada a algum medicamento?

  8. Elinaldo Ribeiro nunes

    Boa tarde, eu tomo a noite 1 comprimido de pregabalina de 150 mg, sonic de 50, dois de clonezepar de 2 mg, pela manhã tomo Asert dr 100mg e pregabalina de 75 mg. Não estou conseguindo fazer sexo, não sinto vontade, pode ser dos medicamentos? me ajude por favor.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim, é bem provável que tenha relação com um ou mais dos medicamentos que você toma.

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