Principais informações sobre Mounjaro® (tirzepatida)
O Mounjaro® é um medicamento injetável de uso semanal que contém tirzepatida. Ele é indicado para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e, conforme a aprovação regulatória de cada país, também para o controle crônico do peso em adultos com obesidade ou com excesso de peso associado a comorbidades.
O tratamento começa habitualmente com 2,5 mg uma vez por semana. Após 4 semanas, a dose costuma ser aumentada para 5 mg e, se necessário, pode ser elevada gradualmente até 15 mg, de acordo com a resposta clínica e a tolerância do paciente.
Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais, sobretudo náuseas, diarreia, vômitos, constipação e desconforto abdominal, principalmente nas fases de aumento da dose. Como as apresentações, o preço e algumas orientações regulatórias podem variar entre Brasil e Portugal, essas informações devem ser interpretadas de acordo com o país do leitor.
O que é a tirzepatida?
A tirzepatida, comercializada sob o nome Mounjaro®, representa a inovação mais recente na linha de medicamentos destinados ao tratamento do diabetes mellitus tipo 2, destacando-se por seus resultados significativos também no manejo da obesidade e do sobrepeso. Este fármaco junta-se a outros como a liraglutida (Saxenda®), dulaglutida (Trulicity®) e semaglutida (Ozempic®, Wegovy® e Rybelsus®), que já têm demonstrado excelentes resultados nestas áreas.
Diferentemente dos medicamentos mencionados, classificados como agonistas dos receptores do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), a tirzepatida possui um mecanismo de ação dual, atuando não só como um agonista dos receptores do GLP-1, mas também dos polipeptídios insulinotrópicos dependentes de glicose (também chamado de polipeptídio inibitório gástrico [GIP]). Essa dupla ação é responsável por um desempenho superior da tirzepatida nos estudos clínicos.
Até o momento, as indicações aprovadas para a tirzepatida variam conforme o país e, em alguns locais, também conforme a marca comercial.
- No Brasil, o Mounjaro® é aprovado para diabetes tipo 2, para controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso com comorbidades e também para o tratamento da apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade.
- Na União Europeia, o Mounjaro® é aprovado para diabetes tipo 2 em adultos, adolescentes e crianças com 10 anos ou mais, e também para controle de peso em adultos com obesidade ou excesso de peso associado a comorbidades.
- Nos Estados Unidos, a tirzepatida é aprovada como Mounjaro® para diabetes tipo 2 e como Zepbound® para controle crônico do peso; o Zepbound® também tem indicação para o tratamento da apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade.
Para que serve a tirzepatida?
A tirzepatida é indicada para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e, conforme a aprovação regulatória de cada país, também pode ser utilizada para o controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades.
Em alguns mercados, há ainda aprovação específica para apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade.
Como as indicações e a disponibilidade variam entre países e ao longo do tempo, o ideal é confirmar sempre a bula ou o folheto informativo local antes de usar o medicamento dentro ou fora das indicações aprovadas.
Diabetes tipo 2
Assim como no caso dos GLP-1, a tirzepatida pode ser utilizada como segundo medicamento para pacientes com diabetes tipo 2 que não conseguem controlar a glicemia apenas com metformina, ou como primeira opção de tratamento nos pacientes que não podem tomar metformina.
Um estudo de 2021 publicado no New England Journal of Medicine, com 40 semanas de tratamento, comparou a tirzepatida com a semaglutida em 1.878 participantes com diabetes tipo 2. A tirzepatida mostrou-se superior à semaglutida tanto no controle da hemoglobina glicada quanto na redução do peso corporal.
Diabéticos com doença cardiovascular ou renal
Nos diabéticos com doença cardiovascular estabelecida, já existem dados robustos de segurança cardiovascular: num grande ensaio de desfechos cardiovasculares, a tirzepatida demonstrou não ser inferior à dulaglutida para eventos cardiovasculares maiores (o que apoia segurança), mas não confirmou superioridade.
Na prática, isso significa que a tirzepatida pode ser considerada uma alternativa válida, mas a escolha do fármaco “preferencial” ainda deve levar em conta o conjunto de evidências, o perfil do doente, a experiência clínica e as recomendações locais.
Quanto ao rim, há sinais favoráveis em análises de desfechos renais em estudos com diabéticos de maior risco, com menor ocorrência de um desfecho renal composto* em comparação com a insulina basal.
* Desfecho renal composto é um indicador usado em pesquisas que agrupa vários eventos renais relevantes num único resultado, como queda sustentada da taxa de filtração glomerular (TFG), progressão para insuficiência renal avançada/necessidade de diálise ou transplante e, em alguns estudos, morte por causa renal.
Apesar de esses resultados serem promissores, eles ainda não são suficientes para afirmar com certeza que a tirzepatida “protege os rins” da mesma forma que alguns outros medicamentos já comprovadamente o fazem. Por isso, na hora de escolher o tratamento, o médico também leva em conta fatores que influenciam diretamente a saúde dos rins, como o controle da pressão arterial, a presença de proteína na urina (albuminúria), os exames que avaliam a função renal e, quando indicado, o uso de remédios que já têm benefício renal bem demonstrado, como os inibidores de SGLT2.
Perda de peso
Diversos estudos clínicos demonstram que a tirzepatida é superior aos tradicionais agonistas dos receptores do GLP-1 em relação à perda de peso, nos pacientes com e sem diabetes. Em um dos estudos, a perda de peso com o uso da tirzepatida chegou a ser, em média, de 23 quilos após 18 meses de uso contínuo do fármaco. Outros estudos apontam para perdas entre 15 e 16 kg. Esses resultados são superiores aos obtidos com a semaglutida, o GLP-1 com melhor desempenho nos estudos em relação à perda de peso.
Apresentações
O Mounjaro, atualmente a única marca comercial da tirzepatida, deve ser administrado por via subcutânea. Para facilitar sua administração, o fabricante fornece canetas pré-cheias, já com a dose correta para aplicação.
As apresentações disponíveis do Mounjaro são:
- Mounjaro 2,5 mg: A caneta pré-cheia contém 2,5 mg de tirzepatida em 0,5 ml de solução (5 mg/ml).
- Mounjaro 5 mg: A caneta pré-cheia contém 5 mg de tirzepatida em 0,5 ml de solução (10 mg/ml).
- Mounjaro 7,5 mg: A caneta pré-cheia contém 7,5 mg de tirzepatida em 0,5 ml de solução (15 mg/ml).
- Mounjaro 10 mg: A caneta pré-cheia contém 10 mg de tirzepatida em 0,5 ml de solução (20 mg/ml).
- Mounjaro 12,5 mg: A caneta pré-cheia contém 12,5 mg de tirzepatida em 0,5 ml de solução (25 mg/ml).
- Mounjaro 15 mg: A caneta pré-cheia contém 15 mg de tirzepatida em 0,5 ml de solução (30 mg/ml).

Existem também a opção de caneta pré-cheia (KwikPen), multidose:
- Mounjaro 2,5 mg/dose KwikPen solução injetável em caneta pré-cheia: cada dose contém 2,5 mg de tirzepatida em 0,6 ml de solução. Cada caneta pré-cheia multidose contém 10 mg de tirzepatida em 2,4 ml (4,17 mg/ml). Cada caneta fornece 4 doses de 2,5 mg.
- Mounjaro 5 mg/dose KwikPen solução injetável em caneta pré-cheia: cada dose contém 5 mg de tirzepatida em 0,6 ml de solução. Cada caneta pré-cheia multidose contém 20 mg de tirzepatida em 2,4 ml (8,33 mg/ml). Cada caneta fornece 4 doses de 5 mg.
- Mounjaro 7,5 mg/dose KwikPen solução injetável em caneta pré-cheia: cada dose contém 7,5 mg de tirzepatida em 0,6 ml de solução. Cada caneta pré-cheia multidose contém 30 mg de tirzepatida em 2,4 ml (12,5 mg/ml). Cada caneta fornece 4 doses de 7,5 mg.
- Mounjaro 10 mg/dose KwikPen solução injetável em caneta pré-cheia: cada dose contém 10 mg de tirzepatida em 0,6 ml de solução. Cada caneta pré-cheia multidose contém 40 mg de tirzepatida em 2,4 ml (16,7 mg/ml). Cada caneta fornece 4 doses de 10 mg.
- Mounjaro 12,5 mg/dose KwikPen solução injetável em caneta pré-cheia: cada dose contém 12,5 mg de tirzepatida em 0,6 ml de solução. Cada caneta pré-cheia multidose contém 50 mg de tirzepatida em 2,4 ml (20,8 mg/ml). Cada caneta fornece 4 doses de 12,5 mg.
- Mounjaro 15 mg/dose KwikPen solução injetável em caneta pré-cheia: cada dose contém 15 mg de tirzepatida em 0,6 ml de solução. Cada caneta pré-cheia multidose contém 60 mg de tirzepatida em 2,4 ml (25 mg/ml). Cada caneta fornece 4 doses de 15 mg.
Preço do Mounjaro
Em Portugal, o Mounjaro (tirzepatida) permanece, até a última atualização deste artigo, sem comparticipação pelo Serviço Nacional de Saúde, ao contrário do que ocorre com Ozempic (semaglutida) e Trulicity (dulaglutida), que já dispõem de regimes de comparticipação para determinadas indicações.
Nas principais farmácias, observa-se para a caneta de 2,5 mg valores em torno de € 182,92 por embalagem, e para a caneta de 5 mg cerca de € 244,80, com variações discretas entre estabelecimentos. Para dosagens superiores (10 mg e 15 mg), quando disponíveis, os preços rondam aproximadamente € 337,63 e € 430,46, respectivamente.
No Brasil, os preços seguem elevados, mas variam bastante conforme a dose, o canal de compra e a participação em programas de desconto. No programa oficial da Lilly, os valores atuais para caixas com 4 canetas autoinjetoras vão, no e-commerce, de R$ 1.406,75 na dose de 2,5 mg até R$ 3.499,00 na dose de 15 mg. Nas lojas físicas participantes, os preços vão de R$ 1.506,76 a R$ 3.599,00, respectivamente. O preço máximo ao consumidor informado pela fabricante é de até R$ 3.811,36 por caixa, podendo variar conforme a carga tributária de cada estado.
Como tomar
O Mounjaro® é administrado por via subcutânea, uma vez por semana, e a titulação deve ser gradual para melhorar a tolerância gastrointestinal. O doente não deve improvisar doses ou adaptar canetas de forma “caseira” para atingir dosagens superiores às disponíveis na sua apresentação, porque isso aumenta o risco de erros de administração e de efeitos adversos. A dose e a apresentação devem ser as prescritas pelo médico, seguindo as instruções do folheto informativo do país.
A tirzepatida deve ser administrada de preferência no abdômen, na coxa ou na parte superior do braço, alternando os locais a cada administração. Se o paciente também usa injeções de insulina, o Mounjaro deve ser injetado em local diferente.
Se uma dose semanal for esquecida, ela deve ser administrada assim que possível dentro de 4 dias, ou 96 horas, após o esquecimento. Se já tiverem passado mais de 4 dias, a dose esquecida deve ser pulada, e o paciente deve retomar o esquema no dia habitual, sem aplicar dose dobrada. Se for necessário mudar o dia da semana da aplicação, o intervalo entre duas doses deve ser de pelo menos 3 dias, ou 72 horas.
O medicamento pode ser administrado a qualquer hora do dia, independentemente das refeições.
- A dose inicial de tirzepatida é de 2,5 mg uma vez por semana. Ao fim de 4 semanas, a dose deve ser aumentada para 5 mg uma vez por semana.
- Se necessário, a dose pode ser aumentada em incrementos de 2,5 mg após, pelo menos, 4 semanas com a mesma dose.
- As doses de manutenção recomendadas são de 5, 10 ou 15 mg.
- A dose máxima é de 15 mg uma vez por semana.
Uso da tirzepatida com outros fármacos antidiabéticos
Quando o paciente já toma metformina ou um inibidor do co-transportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), como a dapaglifozina ou a empaglifozina, a dose usual do medicamento pode ser mantida.
Por outro lado, quando tirzepatida é adicionada à terapêutica já existente com insulina ou com uma sulfonilureia (glibenclamida, glicazida, glipizida ou glimepirida), a redução da dose habitual desses fármacos deve ser considerada para reduzir o risco de hipoglicemia.
Explicamos quais são os antidiabéticos orais mais comuns no artigo: Antidiabéticos (remédios para diabetes tipo 2).
Dose da tirzepatida nos insuficientes renais
Não é necessário ajuste da dose da tirzepatida em pacientes com compromisso da função renal, incluindo aqueles com doença renal crônica em estágios avançados.
Mecanismo de ação
A tirzepatida possui um mecanismo de ação dual, atuando como um agonista* de dois receptores importantes: o receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1) e o receptor do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose, também chamado de peptídeo inibidor gástrico (GIP).
* Um agonista é uma substância que se liga a um receptor celular e o ativa, produzindo uma resposta biológica. Em outras palavras, o agonista “imita” a ação de um hormônio ou de outra substância produzida pelo próprio organismo, desencadeando efeitos semelhantes quando se liga ao seu receptor. No caso dos medicamentos agonistas de GLP-1 e GIP, eles agem como se fossem os hormônios naturalmente produzidos pelo corpo.
Como agem os fármacos agonistas da GLP-1?
O GLP-1 é um hormônio produzido no intestino após as refeições. Ele faz parte do grupo das incretinas, que são hormônios intestinais capazes de aumentar a liberação de insulina de forma dependente da glicose, ajudando no controle da glicemia.
A principal função do GLP-1 é estimular o pâncreas a liberar insulina quando a glicose no sangue está elevada. Além disso, o GLP-1 também ajuda a controlar a glicemia por outros mecanismos:
- Reduzindo a produção/liberação de glicose pelo fígado.
- Diminuindo a secreção de glucagon quando a glicemia está alta.
- Retardando o esvaziamento gástrico, o que suaviza os picos de glicose após as refeições.
- Aumentando a saciedade, o que reduz a ingestão de alimentos.
Como a tirzepatida também age no receptor do GLP-1, ela reproduz grande parte desses efeitos, funcionando como um “GLP-1 sintético”.
Como agem os fármacos agonistas da GIP?
O GIP é outro hormônio produzido no intestino após a alimentação. Assim como o GLP-1, ele é uma incretina e participa do controle da glicose ao potencializar a secreção de insulina de forma dependente da glicose.
Após as refeições, o GIP é liberado junto com o GLP-1, e a ação conjunta dessas duas incretinas ajuda a aumentar a resposta do pâncreas, melhorando o controle glicêmico.
O agonismo do receptor de GIP pela tirzepatida pode contribuir para:
- Melhora da sensibilidade à insulina, potencializando a ação da insulina em tecidos como músculo e tecido adiposo.
- Efeito sobre o metabolismo das gorduras, o que pode favorecer a redução do tecido adiposo.
- O GIP também tem efeito inibitório sobre a secreção de ácido gástrico no estômago, o que pode influenciar, em menor grau, a digestão e a absorção de nutrientes.
Efeitos adversos
Os estudos pré-clínicos, de fase I, II e III, indicaram que a tirzepatida apresenta efeitos adversos semelhantes aos de outros agonistas do receptor de GLP-1. Esses efeitos ocorrem principalmente no trato gastrointestinal. Falemos brevemente dos principais.
É importante salientar que, excetuando os efeitos gastrointestinais, todos os outros efeitos adversos descritos a seguir são incomuns.
Efeitos adversos gastrointestinais
Os efeitos adversos mais frequentes da tirzepatida são gastrointestinais e incluem náuseas, diarreia, vômitos, obstipação e desconforto abdominal.
Estes sintomas são muito comuns, tendem a ser mais intensos durante a fase de aumento de dose e, na maioria dos casos, diminuem com o passar das semanas. Por isso, a titulação gradual (subir a dose com intervalos de pelo menos 4 semanas) é uma estratégia central para melhorar a tolerância.
Um ponto mais recente e relevante: como a tirzepatida atrasa o esvaziamento gástrico, há relatos de aspiração pulmonar em doentes que usavam agonistas de GLP-1 (e fármacos relacionados) submetidos a anestesia geral ou sedação profunda. Assim, o doente deve informar o anestesista e a equipe cirúrgica sobre o uso do medicamento antes de procedimentos, para que as medidas de segurança sejam planejadas adequadamente.
O risco de efeitos adversos gastrointestinais é maior com as doses de 10 e 15 mg do que com a dose de 5 mg.
Pancreatite
A tirzepatida não foi adequadamente estudada em pacientes com histórico de pancreatite e, por isso, deve ser usada com cautela nesses casos. Se houver suspeita de pancreatite aguda durante o tratamento, o medicamento deve ser suspenso imediatamente. Se o diagnóstico for confirmado, a tirzepatida não deve ser reiniciada.
A elevação isolada de amilase ou lipase, sem sintomas clínicos, não é suficiente para diagnosticar pancreatite nem para obrigar a interrupção do tratamento.
Doença das vias biliares
Apesar de pouco comum (menos de 1% dos pacientes), doença da vesícula biliar e doença do trato biliar, incluindo colelitíase, colecistite, colestase e colangite, já foram relatadas com agonistas do receptor do GLP-1, especialmente em tratamentos com doses altas e por mais de 26 semanas.
Insuficiência renal aguda
Quando náuseas e vômitos são importantes, pode haver desidratação, o que, em pessoas vulneráveis, como idosos, aumenta o risco de agravamento transitório da função renal. Nesses casos, reforçar a hidratação, ajustar a dieta e reavaliar a velocidade de titulação costuma ser mais útil do que “forçar” a dose.
Pacientes que já apresentam algum grau de doença renal crônica ou que também estejam medicados com diuréticos ou inibidores da ECA ou ARA2 apresentam maior risco de lesão renal aguda por desidratação.
Hipoglicemia
Como já referido, a associação da tirzepatida com uma sulfonilureia ou insulina eleva o risco de hipoglicemia. A redução da dose habitual desses medicamentos geralmente é suficiente para impedir esse efeito indesejado.
Carcinoma medular de tireoide
Nos estágios iniciais do desenvolvimento do medicamento, observou-se o desenvolvimento de tumores de células C da tireoide durante estudos com tirzepatida em ratos. Não se sabe se a tirzepatida causa tumores de células C da tireoide em humanos.
Cabe salientar que os seres humanos têm muito menos células C do que os roedores, e a expressão do receptor de GLP-1 nas células C humanas é muito baixa. É possível que esse risco maior de tumores da tireoide seja específico para roedores, dado que não foi observado em estudos com primatas.
De qualquer forma, até que tenhamos mais dados de segurança, pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou pacientes com síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN 2) devem evitar os medicamentos agonistas do receptor de GLP-1.
Contraindicações e precauções
A tirzepatida deve ser evitada nos pacientes com as seguintes condições:
- Alergia a qualquer um dos componentes do fármaco.
- Diabetes mellitus tipo 1.
- Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide.
- Síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN 2).
A tirzepatida deve ser usada com precaução nos pacientes com as seguintes condições:
- Retinopatia diabética.
- Histórico de pancreatite
- Pacientes com mais de 85 anos.
- Doença gastrointestinal grave — especialmente gastroparesia grave.
- Durante aleitamento materno.
Como a tirzepatida retarda o esvaziamento gástrico, o paciente deve informar o uso do medicamento antes de anestesia geral ou sedação profunda, devido ao risco de broncoaspiração.
Nas indicações relacionadas à perda de peso, a bula mais recente também orienta atenção para sinais de desnutrição e para surgimento ou piora de depressão, ideação suicida ou mudanças importantes de humor ou comportamento.
Interações medicamentosas
A tirzepatida atrasa o esvaziamento gástrico e, por isso, pode alterar a velocidade de absorção de alguns medicamentos orais. Apesar disso, os dados atuais indicam que, para a maioria dos medicamentos administrados por via oral, esse efeito não costuma ter relevância clínica suficiente para exigir ajuste rotineiro de dose. Ainda assim, recomenda-se maior atenção com fármacos de baixo índice terapêutico, como varfarina e digoxina, especialmente no início do tratamento e após aumentos de dose.
- Contraceptivos orais: após a primeira administração, pode haver redução transitória das concentrações máximas e da exposição de alguns contraceptivos orais. Em algumas bulas, isso é considerado sem impacto clínico relevante; noutras, recomenda-se, por precaução, trocar temporariamente para um método não oral ou associar método de barreira por algumas semanas após iniciar o tratamento e após aumentos de dose. Como as orientações variam entre países e marcas, a recomendação mais segura para a paciente é discutir com o médico o método contraceptivo mais adequado durante a fase de titulação.
- Paracetamol: após uma dose única de 5 mg de tirzepatida, a concentração plasmática máxima do paracetamol diminui cerca de 50%.
- Agonistas do receptor de GLP-1 (liraglutida, dulaglutida e semaglutida): aumentam o risco de duplicação do mecanismo de ação, o que pode aumentar efeitos adversos (sobretudo gastrointestinais) sem benefício proporcional.
- Varfarina: a tirzepatida pode interferir com os níveis sanguíneos de varfarina.
Dúvidas comuns sobre o Mounjaro® (FAQ)
Como reduzir náuseas e diarreia durante o uso do Mounjaro®?
Porções menores, refeições com menos gordura, mastigação mais lenta, evitar álcool em excesso, manter boa hidratação e não “acelerar” aumentos de dose costumam ajudar. Se os sintomas forem persistentes, a estratégia mais comum é manter a mesma dose por mais tempo antes de subir, ou até reduzir temporariamente, sempre com orientação médica.
Em quanto tempo o Mounjaro® começa a fazer efeito?
A redução do apetite e a melhora das glicemias podem surgir nas primeiras semanas, mas a perda de peso e o melhor equilíbrio metabólico dependem da titulação e da tolerância. Não é um medicamento para “resultado rápido em poucos dias”; a lógica é construção gradual, dose a dose, com avaliação de eficácia e efeitos adversos.
Quantos quilos é possível emagrecer com Mounjaro®?
Em média, os estudos demonstram redução de peso relevante com tirzepatida, variando com a dose, o tempo de uso, o perfil do doente, adesão à dieta e atividade física.
Em pessoas sem diabetes em programas de controle de peso, as reduções podem chegar a valores próximos de 20% do peso corporal ao longo de cerca de 1 ano e meio; já em pessoas com diabetes, a perda costuma ser menor, embora ainda clinicamente importante.
O que acontece se eu parar de tomar o Mounjaro®?
A tendência é perder o efeito sobre apetite e glicemia, e parte do peso pode voltar ao longo dos meses, especialmente se não houver mudanças sustentadas no estilo de vida.
Para muita gente, obesidade é doença crônica; por isso, o tratamento costuma ser pensado como longo prazo, com reavaliações periódicas.
Posso mudar o dia da semana da aplicação?
Pode, se necessário. Em geral, recomenda-se manter pelo menos 3 dias entre duas doses. Se você está mudando por causa de viagem, agenda de trabalho ou efeitos colaterais, vale avisar o médico para ajustar a titulação com segurança.
A tirzepatida causa hipoglicemia?
Sozinha, o risco costuma ser baixo. O risco aumenta quando é usada junto com insulina ou sulfonilureias (como glibenclamida, glicazida, glimepirida). Nesses casos, muitas vezes é preciso reduzir doses dos outros remédios para evitar hipoglicemia.
Quem tem diabetes tipo 1 pode tomar Mounjaro®
Não. O Mounjaro® não é indicado para diabetes tipo 1 e não deve ser usado como substituto da insulina. No diabetes tipo 1, o organismo não produz insulina, e nenhum medicamento dessa classe consegue “trocar” a necessidade de insulinoterapia.
Além disso, não há evidência robusta de segurança/benefício para uso rotineiro no diabetes tipo 1, e o tratamento fora da indicação pode aumentar o risco de efeitos adversos (especialmente gastrointestinais) e de descontrole glicêmico se o paciente reduzir a insulina por conta própria.
A bula europeia do Mounjaro® descreve explicitamente que ele não deve ser usado no diabetes tipo 1
- Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity – New England Journal of Medicine.
- Tirzepatide versus Semaglutide Once Weekly in Patients with Type 2 Diabetes – New England Journal of Medicine.
- Tirzepatide once weekly for the treatment of obesity in people with type 2 diabetes (SURMOUNT-2): a double-blind, randomised, multicentre, placebo-controlled, phase 3 trial – The Lancet.
- Tirzepatide: A Novel, Once-weekly Dual GIP and GLP-1 Receptor Agonist for the Treatment of Type 2 Diabetes – TouchREVIEWS in endocrinology.
- Glucagon-like peptide 1-based therapies for the treatment of type 2 diabetes mellitus – UpToDate.
- Tirzepatide: Drug information – UpToDate.
- Tirzepatide – StatPearls – National Library of Medicine – NIH.
- Mounjaro, INN-tirzepatide – Bula do fabricante em Português – Agência Europeia de Medicamentos.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Dr. Pedro, obrigado pelas informações atualizadas.
O Mounjaro precisa de receita médica para comprar?
Chia e linhaça são o Mounjaro de pobre? Elas ajudam a emagrecer mesmo?
Quanto tempo demora para a tirzepatida começar a fazer efeito?
Dr. o mounjaro corta o efeito do anticoncepcional?