O que é o carcinoma basocelular?
O carcinoma basocelular (CBC) é o tipo mais comum de câncer de pele e também o que apresenta maior taxa de cura. Estima-se que cerca de 75% dos tumores cutâneos malignos diagnosticados sejam CBC. Embora seja um câncer de pele, o CBC possui comportamento geralmente menos agressivo do que outros tipos, como o melanoma.
O carcinoma basocelular se desenvolve a partir das células basais da epiderme e costuma crescer lentamente, raramente provocando metástases. No entanto, se não for tratado, pode invadir tecidos vizinhos, causando lesões extensas e desfigurantes.
A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, o carcinoma basocelular tem índice de cura próximo de 100% com o tratamento adequado.
Se você está à procura de informações sobre o melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele, o seu texto é esse: Melanoma | Câncer de pele.
Como o carcinoma basocelular se desenvolve
A pele é o maior órgão do corpo humano e é composta por três camadas principais:
- Epiderme: a mais superficial, responsável pela proteção contra agentes externos.
- Derme: camada intermediária, rica em vasos sanguíneos e fibras elásticas.
- Hipoderme (ou tecido subcutâneo): a camada mais profunda, composta por gordura e tecidos de suporte.
O carcinoma basocelular se origina na epiderme, mais especificamente nas chamadas células basais, localizadas na sua camada mais profunda da epiderme. Essas células têm a função de produzir novas células da pele, substituindo aquelas que envelhecem e se descamam naturalmente.

As células basais estão constantemente se multiplicando, gerando células de pele novas, que vão empurrando as antigas para cima, de forma a renovar constantemente a epiderme. Conforme as células velhas se desprendem e descamam, as células mais novas que estão subindo vão ocupando o seu lugar.
Com o passar do tempo, a exposição crônica à radiação ultravioleta (UV) — principalmente proveniente do sol — pode danificar o DNA das células basais. Esse dano genético, quando não corrigido pelo organismo, pode levar a mutações que desregulam o ciclo de multiplicação celular. Assim, as células passam a se dividir de forma descontrolada, dando origem ao tumor.
Apesar de ser um câncer de pele com baixo risco de metástase — ou seja, raramente se espalha para outros órgãos —, o carcinoma basocelular pode crescer localmente de forma agressiva, invadindo tecidos próximos, como cartilagem, músculos e, em casos mais avançados, ossos. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoces são essenciais para evitar complicações e preservar a estética e a função da região afetada.
Principais características do carcinoma basocelular:
- Origem nas células basais da epiderme.
- Crescimento lento e progressivo.
- Invasão local com potencial destrutivo.
- Baixíssimo risco de metástase (menos de 1% dos casos).
- Altíssima taxa de cura quando tratado precocemente.
O que aumenta o risco de ter carcinoma basocelular?
A principal causa do carcinoma basocelular é a exposição crônica à radiação ultravioleta (UV), principalmente do tipo UVB, presente na luz solar. Ao contrário do melanoma, que costuma estar associado a episódios isolados e intensos de queimadura solar, o carcinoma basocelular se relaciona mais com a exposição frequente e cumulativa ao sol ao longo da vida. Esse risco se torna maior quando a exposição começa na infância e se mantém por décadas.
Pessoas de pele muito clara, que se queimam facilmente e bronzeiam com dificuldade, têm risco significativamente maior. Isso inclui indivíduos com olhos azuis ou verdes, cabelos loiros ou ruivos e sardas naturais. Viver em regiões tropicais, como grande parte do Brasil, onde a radiação solar é intensa durante todo o ano, também eleva o risco.
Outros fatores importantes são a idade avançada — especialmente acima dos 50 anos — e o histórico pessoal de câncer de pele. Quem já teve um carcinoma basocelular anteriormente tem cerca de 40% mais chance de desenvolver um novo tumor nos anos seguintes. Além disso, o histórico familiar de câncer de pele em parentes de primeiro grau pode indicar uma predisposição genética.
A exposição ao sol não é o único fator de risco. O uso frequente de câmaras de bronzeamento artificial, que emitem radiação UV em concentrações elevadas, aumenta o risco de todos os tipos de câncer de pele, incluindo o carcinoma basocelular.
Pessoas que passaram por tratamentos com radioterapia, ou que realizaram exames repetidos com radiação ionizante, como tomografias e radiografias em grandes quantidades, também apresentam maior vulnerabilidade. Outro grupo de risco são os imunossuprimidos — seja por doenças (como HIV) ou pelo uso de medicamentos imunossupressores, especialmente em pacientes transplantados.
Há ainda fatores ocupacionais e ambientais. Indivíduos que trabalham ao ar livre — como agricultores, pescadores, operários da construção civil e carteiros — estão continuamente expostos ao sol e, portanto, têm risco aumentado. A exposição prolongada a substâncias químicas carcinogênicas, como o arsênico (presente em algumas águas contaminadas e pesticidas), também pode favorecer o aparecimento desse tipo de câncer.
Em casos raros, doenças genéticas hereditárias aumentam drasticamente o risco. É o caso do xeroderma pigmentoso, condição em que o organismo é incapaz de reparar os danos causados pela radiação UV, e da síndrome de Gorlin-Goltz, uma doença hereditária que pode levar ao surgimento de múltiplos carcinomas basocelulares desde a adolescência.
Embora seja mais comum em pessoas de pele clara, vale reforçar que o carcinoma basocelular também pode afetar indivíduos de pele escura, principalmente se houver exposição solar prolongada e fatores de risco adicionais. Por isso, a fotoproteção é fundamental para todos os tipos de pele, independentemente da cor (leitura sugerida: Protetor solar: quais são as melhores opções?).
Resumindo, os principais fatores de risco para o carcinoma basocelular são:
- Ter pele muito clara.
- Ter olhos claros.
- Ser ruivo ou naturalmente loiro.
- Ter tido muitos episódios de queimadura solar ao longo da vida.
- Ter mais de 50 anos (o dano ao DNA surge na juventude, mas o câncer só aparece décadas depois).
- Fazer bronzeamento artificial.
- Viver em áreas tropicais e com alta exposição solar ao longo de todo o ano.
- Ter familiares próximos com história de câncer de pele.
- Já ter tido um carcinoma basocelular anteriormente.
- Exposição excessiva à radiação, como radiografias ou tomografias computadorizadas.
- Imunossupressão (por doença ou por uso de drogas imunossupressoras).
- Exposição a arsênico.
- Algumas raras doenças genéticas facilitam o aparecimento do CBC, como a síndrome de Goltz ou xeroderma pigmentoso.
Sintomas – Como identificar um carcinoma basocelular?
O carcinoma basocelular geralmente se manifesta como uma lesão de pele que cresce lentamente e que não cicatriza. Por afetar principalmente áreas da pele mais expostas ao sol, os locais mais comuns são o rosto (nariz, bochechas, testa e orelhas), orelhas, pescoço, couro cabeludo e, com menor frequência, o tronco. Em casos mais raros, pode surgir em regiões que normalmente ficam cobertas, como os órgãos genitais ou a região perianal.
A apresentação clínica do CBC pode variar de pessoa para pessoa. A forma mais comum é a nodular, caracterizada por um nódulo pequeno, elevado, geralmente da cor da pele, com brilho perolado ou aspecto translúcido. Essa lesão pode ter pequenos vasos sanguíneos visíveis na superfície (chamados telangiectasias) e, com o tempo, pode ulcerar e formar uma crosta no centro. Mesmo após a crosta cair, a ferida tende a retornar, o que é um sinal de alerta. Essa forma representa cerca de 60% dos casos e costuma aparecer na face.

Outro tipo frequente é o carcinoma basocelular superficial, mais comum em pessoas mais jovens. Ele aparece como uma mancha avermelhada, plana e ligeiramente descamativa, que lembra uma lesão de psoríase ou uma micose. Essa forma é mais comum no tronco e representa cerca de 30% dos casos.

Existem ainda formas mais raras, como o carcinoma basocelular pigmentado, que pode se apresentar como uma lesão escura, semelhante a uma pinta (nevo) ou até a um melanoma, dificultando o diagnóstico clínico.
Outra variante é o carcinoma basocelular esclerodermiforme (ou morfeiforme), que surge como uma área endurecida, esbranquiçada, com bordas pouco definidas, semelhante a uma cicatriz. Essa forma costuma ser mais invasiva e pode crescer por baixo da pele, tornando o diagnóstico mais difícil.
Nem sempre essas lesões causam dor. Na verdade, muitas vezes são assintomáticas, o que pode fazer com que o paciente demore a procurar avaliação médica. Por isso, é fundamental estar atento a alguns sinais de alerta:
- Uma ferida que não cicatriza após semanas ou que volta repetidamente no mesmo local;
- Uma mancha vermelha nova que persiste sem motivo aparente;
- Um nódulo brilhante ou translúcido, com ou sem vasos sanguíneos visíveis;
- Uma lesão escura ou com pigmentação irregular, que muda de forma ou cor;
- Uma área endurecida, esbranquiçada ou amarelada, com aparência de cicatriz.
Em todos esses casos, é recomendável procurar um dermatologista, que poderá realizar uma avaliação clínica e, se necessário, solicitar uma biópsia de pele, que é o exame responsável por confirmar o diagnóstico.
Quanto mais cedo o carcinoma basocelular for detectado, mais simples e eficaz será o tratamento, e menores os riscos de complicações estéticas ou funcionais, especialmente em áreas nobres como o nariz, olhos e lábios.
Como é feito o diagnóstico do carcinoma basocelular?
O diagnóstico do carcinoma basocelular (CBC) é feito, na maioria dos casos, de forma clínica, ou seja, baseado na observação direta da lesão pelo médico dermatologista. Como esse tipo de câncer de pele possui características visuais típicas, profissionais experientes geralmente conseguem levantar a suspeita com bastante precisão apenas pelo exame físico.
Um recurso que auxilia bastante o médico nessa avaliação é a dermatoscopia, uma técnica que utiliza um aparelho chamado dermatoscópio, semelhante a uma lupa com luz. Esse equipamento permite observar detalhes internos da lesão que não são visíveis a olho nu, como a presença de vasos sanguíneos dilatados, áreas de pigmentação, estruturas arboriformes ou padrões característicos de crescimento tumoral.
A dermatoscopia melhora significativamente a acurácia do diagnóstico e, em alguns casos, pode até evitar a necessidade de biópsia imediata.
Apesar disso, o diagnóstico definitivo do carcinoma basocelular só pode ser feito por meio de um exame histopatológico, que analisa as células da lesão ao microscópio. Para isso, é necessário realizar uma biópsia de pele, um procedimento simples e geralmente realizado com anestesia local no próprio consultório dermatológico.
A biópsia pode ser de dois tipos principais:
- Biópsia incisional: apenas um fragmento da lesão é removido para análise, geralmente usada em lesões maiores.
- Biópsia excisional: a lesão inteira é retirada, o que já pode servir como tratamento curativo nos casos de tumores pequenos e bem delimitados.
Após a retirada do material, o tecido é enviado ao laboratório de anatomia patológica, onde será analisado por um médico patologista. O laudo traz informações essenciais para o planejamento do tratamento, como:
- Confirmação do tipo de tumor (basocelular);
- Subtipo histológico (nodular, superficial, infiltrativo, pigmentado, entre outros);
- Presença ou ausência de invasão em camadas mais profundas da pele;
- Margens livres ou comprometidas (caso a lesão tenha sido removida completamente na biópsia).
Em casos mais raros, especialmente em tumores agressivos, muito grandes ou localizados em áreas difíceis de tratar, o médico pode solicitar exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, para avaliar a profundidade do comprometimento e o risco de envolvimento de estruturas vizinhas.
Tratamento do carcinoma basocelular
O carcinoma basocelular (CBC) tem tratamento e, quando diagnosticado precocemente, a taxa de cura pode chegar a quase 100%. O tipo de tratamento escolhido depende de vários fatores, como o tamanho da lesão, a localização, o subtipo histológico do tumor e o estado de saúde geral do paciente.
Cirurgia: o tratamento mais comum
A forma mais utilizada para tratar o CBC é a cirurgia com remoção completa da lesão tumoral, incluindo uma margem de segurança de pele saudável ao redor. Essa abordagem é simples, geralmente feita com anestesia local, e oferece altíssimas taxas de cura, especialmente quando a lesão é pequena e bem delimitada.
Em locais do corpo mais sensíveis, como o rosto, ou quando se deseja preservar ao máximo o tecido saudável, pode-se utilizar a chamada cirurgia de Mohs, uma técnica mais precisa que analisa as margens da lesão em tempo real durante o procedimento. Esse método permite remover apenas o necessário, sendo ideal para tumores em áreas como nariz, pálpebras, orelhas e lábios.
Outros tratamentos locais
Em casos selecionados, principalmente em lesões pequenas, superficiais ou em pacientes que não podem passar por cirurgia, existem outras opções terapêuticas, como:
- Crioterapia: destruição do tumor com aplicação de nitrogênio líquido, que congela as células cancerosas.
- Curetagem com eletrocoagulação: raspa-se a lesão com uma cureta (instrumento semelhante a uma colher) e depois se aplica calor para cauterizar o local.
- Laserterapia: uso de feixes de luz para destruir o tecido tumoral, em alguns casos específicos.
- Radioterapia: geralmente reservada para pacientes que não podem ser operados ou quando o tumor está em local de difícil acesso cirúrgico.
Cremes e medicamentos tópicos
Algumas lesões superficiais podem ser tratadas com medicações em forma de creme, especialmente quando a cirurgia não é viável. Os mais utilizados são:
- Imiquimode: estimula o sistema imunológico local a destruir as células tumorais.
- 5-fluorouracil (5-FU): interfere na multiplicação das células cancerosas, promovendo sua destruição gradual.
Esses tratamentos tópicos costumam ser usados por algumas semanas, sob orientação médica, e podem causar vermelhidão, descamação e irritação temporária na pele.
Tratamentos sistêmicos (para casos avançados)
Em situações raras, quando o carcinoma basocelular atinge grandes proporções, infiltra tecidos profundos ou apresenta recidivas (volta após tratamento), pode ser necessário o uso de medicamentos orais chamados inibidores da via Hedgehog, como o vismodegibe ou o sonidegibe.
Essas medicações bloqueiam uma via de sinalização celular envolvida no crescimento do tumor e têm sido eficazes em casos localmente avançados ou metastáticos, embora esse tipo de evolução seja extremamente incomum no CBC.
E depois do tratamento?
Mesmo com a lesão tratada, é fundamental manter o acompanhamento dermatológico periódico, pois o risco de desenvolver um novo carcinoma basocelular é elevado. Além disso, pacientes que já tiveram câncer de pele devem adotar cuidados rigorosos com a proteção solar diária e a autoavaliação da pele em busca de novas lesões suspeitas.
Independentemente do tratamento escolhido, praticamente todos os casos de CBC conseguem ser curados. Todavia, a taxa de recorrência é alta, cerca de 10% após 5 anos.
Referências
- Basal Cell Skin Cancer – Clinical Practice Guidelines in Oncology (NCCN Guidelines®).
- Guidelines of care for the management of basal cell carcinoma – The Journal of the American Academy of Dermatology (JAAD).
- Diagnosis and treatment of basal cell carcinoma – European consensus-based interdisciplinary guideline for basal cell carcinoma.
- Basal cell carcinoma: Epidemiology, pathogenesis, clinical features, and diagnosis – UpToDate.
- Treatment and prognosis of basal cell carcinoma at low risk of recurrence – UpToDate.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Fiz a retirada do tumor e agora? Estou curada?
Tenho artrite psoriasica e faço uso de biologicos isso pode ter sido a causa?
Fiz uma biopsia e deu carcinoma basocelular micronodular e um cancer maligno? Ele é uma bolinha branca achatada
Tenho umas manchas avermelhado e coça e sai umas pelinhas eu queria saber se é câncer de pele
Um caroço estranho apareceu em meu rosto ficou enorme depois sumiu e agora apareceu novamente e se parece muito com uma foto de um carcinoma, tô morrendo de medo disso as vezes dói e outras vezes não sem contar q tenho me sentido fraca e muito enjoada ultimamente, gostaria de detalhes sobre sintomas
Fiz uma cirurgia para a retirada de CBC na asa do nariz.
O anátomo patológico veio positivo.
Conclusão: Carcinoma basocelular comprometendo margens laterais e profunda.
O que fazer neste caso?
Deve fazer a cirurgia novamente para uma retirada maior nas margens e internamente?