Resumo rápido sobre disidrose
A disidrose, também chamada eczema disidrótico, é uma doença de pele que provoca pequenas bolhas profundas, muito pruriginosas, geralmente nas palmas das mãos, nas laterais dos dedos e, em alguns casos, nas plantas dos pés. As lesões costumam aparecer em crises, durar algumas semanas e depois evoluir com descamação, ressecamento e fissuras.
A disidrose não é contagiosa. Calor, suor excessivo, estresse, contato frequente com água ou produtos irritantes, alergia a metais como níquel e cobalto e outras formas de eczema podem favorecer o surgimento ou a piora das crises.
O tratamento depende da intensidade dos sintomas e costuma incluir hidratação da pele, proteção contra irritantes e medicamentos prescritos pelo dermatologista. Quando as bolhas são extensas, muito dolorosas, recorrentes ou dificultam o uso das mãos e dos pés, é importante procurar avaliação médica.
O que é a disidrose?
A disidrose, também conhecida como eczema disidrótico, é uma doença de pele caracterizada por uma erupção em forma de vesículas (pequenas bolhas com líquido no interior), que coçam bastante e costumam se localizar nas mãos, principalmente nas palmas, e nas plantas dos pés.
Essas pequenas vesículas duram cerca de três a quatro semanas. Quando secam, a pele fica ressecada, podendo descamar e apresentar fissuras.
O eczema disidrótico afeta adolescentes e adultos, com pico de incidência entre 20 e 40 anos. Crianças pequenas e idosos são raramente afetados.
A doença é mais comum nas épocas de calor e pode ser aguda, recorrente ou crônica, conforme veremos mais adiante.
Causas
Durante muito tempo, achava-se que a doença estava relacionada às glândulas sudoríparas, tanto que o termo de origem grega “disidrótico” significa algo como “dificuldade para suar”.
Atualmente, nós não acreditamos mais que as glândulas produtoras de suor tenham qualquer relação com o aparecimento das vesículas, apesar de ainda não sabermos exatamente por que a disidrose surge.
Embora, na maioria dos casos, um fator causador ou predisponente não possa ser apontado, vários fatores de risco já foram identificados. Os mais comuns são:
- História pessoal ou familiar de dermatite atópica.
- História pessoal ou familiar de alergias, como dermatite de contato, asma ou rinite alérgica.
- Exposição a tipos de metais que costumam causar alergia, como níquel ou cobalto.
- Exposição a agentes irritantes.
- Infecção da pele por fungos, mesmo que distantes das mãos e pés, como micose de virilha.
- Uso de imunoglobulina por via intravenosa.
- Hiperidrose (suor excessivo).
- Tabagismo.
- Exposição à radiação ultravioleta.
- Estresse físico ou emocional.
- Predisposição genética.
- Infecção pelo HIV.
Sintomas
Os episódios de eczema disidrótico começam geralmente com coceira nas mãos, seguida por súbito aparecimento de vesículas nas palmas, dedos e região lateral das mãos, ou nas solas dos pés, que podem ser pruriginosas ou dolorosas.

Em 70 a 80% dos pacientes, somente as mãos estão envolvidas. Nos casos mais leves, as vesículas podem surgir apenas na face lateral dos dedos das mãos, ocupando uma região bem limitada.
Somente 10% dos pacientes com desidrose apresentam lesões exclusivamente nos pés, poupando as mãos.
As vesículas são tipicamente pequenas e agrupadas, muitas vezes formando o chamado aspecto em “tapioca”. As pequenas bolhas podem se juntar e formar bolhas maiores. Em alguns pacientes, as lesões são tão pruriginosas que atrapalham as suas atividades do dia a dia.
Habitualmente, as vesículas persistem por 3 a 4 semanas, depois desidratam e desaparecem, provocando descamação da pele.
Os episódios de disidrose podem ser recorrentes, com recaídas todos os meses, ou esporádicos, surgindo não mais do que uma vez por ano.
Em alguns pacientes, os surtos podem estar associados a estresse emocional ou físico, mas, na maioria das vezes, eles ocorrem na ausência de um gatilho identificável.

Quando o paciente tem episódios muito frequentes, ele pode desenvolver dermatite crônica das mãos ou pés, caracterizada por placas avermelhadas, espessamento da pele, lesões descamativas e fissuras.
As feridas favorecem a infecção da pele por bactérias, principalmente quadros de celulite provocados por Staphylococcus aureus.
Episódios recorrentes também podem afetar as unhas, provocando alterações na sua forma e coloração.


Para ver mais imagens das lesões provocadas pelo eczema disidrótico, acesse: Fotos de disidrose (eczema disidrótico).
Quando a disidrose pode ser grave
A severidade do quadro de disidrose é habitualmente avaliada conforme a intensidade das vesículas e os sintomas do paciente.
Consideramos o eczema disidrótico leve a moderado quando ele apresenta as seguintes características:
- Não envolve toda a superfície palmar ou plantar.
- Apresenta-se apenas com algumas vesículas agrupadas ou dispersas.
- A vermelhidão é pequena.
- O paciente não se queixa de prurido intolerável, queimação ou dor.
Consideramos o eczema disidrótico grave quando ele se apresenta do seguinte modo:
- Envolvimento de toda a superfície palmar ou plantar.
- Vesículas ou bolhas grandes, que são incapacitantes, impedindo o paciente de andar ou utilizar as mãos para seus afazeres.
- Dor ou comichão muito intensas.
Diagnóstico
Na imensa maioria dos casos, o diagnóstico é feito através da história clínica e do exame físico, não havendo necessidade de exames complementares.
É comum que o paciente tenha mais de um tipo de eczema simultaneamente, como, por exemplo, disidrose e eczema atópico. Também é possível haver infecção fúngica associada às lesões disidróticas, como pé-de-atleta.
Nesses casos, a aparência das lesões pode não ser muito típica, e exames complementares, como raspagem ou biópsia da pele, podem ajudar a estabelecer os diagnósticos corretos.
Tratamento
O eczema disidrótico é uma doença recorrente e os pacientes, em geral, sofrem ataques frequentes por muitos anos.
Com o envelhecimento, os episódios tendem a ocorrer com menos frequência e uma boa parte dos pacientes acaba ficando livre da doença de forma espontânea em algum momento da vida.
O tratamento da disidrose está indicado nos casos mais graves, com sintomas intensos, principalmente coceira ou dor, ou quando a doença ocorre de forma muito frequente.
Medidas gerais para todos os casos
Identificar e evitar substâncias irritantes e fatores exacerbantes é benéfico para a maioria dos pacientes com eczema disidrótico.
As medidas gerais de cuidados com a pele destinadas a reduzir a irritação da pele e restaurar a barreira da pele incluem:
- Utilizar água morna e produtos de limpeza sem sabão para lavar as mãos.
- Secar bem as mãos após a lavagem.
- Aplicar cremes hidratantes imediatamente após a secagem das mãos ou dos pés.
- Usar luvas de vinil com forro interno de algodão ou outras luvas que não sejam de látex para realizar tarefas domésticas com água.
- Remover anéis, relógios e pulseiras antes de molhar as mãos.
- Usar luvas de proteção em clima frio.
- Usar luvas específicas para tarefas em que haja atrito (por exemplo, jardinagem ou carpintaria).
- Evitar contato com substâncias irritantes (por exemplo, detergentes, solventes, corantes capilares ou alimentos ácidos).
- Evitar bijuteria feita com níquel ou cobalto.
Disidrose leve a moderada
Os pacientes com eczema disidrótico leve a moderado que não apresentam melhora relevante apenas com as medidas gerais listadas acima podem ser tratados com corticosteroides tópicos (cremes, gel ou pomadas) de alta potência. Os mais prescritos são: Betametasona, Mometasona, Clobetasol, Triancinolona ou Fluticasona.
Os corticoides tópicos devem ser aplicados duas vezes ao dia por duas a quatro semanas.
Compressas, banhos de permanganato de potássio ou água boricada a 2%, de duas a três vezes ao dia, podem ser utilizados antes da aplicação do corticoide, principalmente nos pacientes com múltiplas e grandes bolhas.
Apesar da boa resposta, o uso a longo prazo de corticosteroides tópicos deve ser evitado devido aos seus efeitos colaterais, que incluem atrofia da pele, estrias e telangiectasias. Nesses casos, a alternativa é o uso de pomadas ou cremes contendo Tacrolimos 0,1% ou Pimecrolimos 1%.
Disidrose grave
Nas formas graves, o tratamento deve ser feito com corticoides por via oral. Prednisona 40 a 60 mg por dia por 7 dias, seguido de Prednisona 20 a 30 mg por dia por mais 7 dias, é o esquema mais indicado.
Doença refratária
Os pacientes com crises frequentes de eczema disidrótico podem ser tratados com fototerapia com luz ultravioleta A (PUVA).
Dieta
Em alguns pacientes, os quadros de disidrose recorrente podem ser desencadeados pelo consumo de alimentos ricos em cobalto ou níquel.
Portanto, sugere-se que o paciente faça um teste por 3 a 4 semanas, reduzindo o consumo dos alimentos listados abaixo.
Alimentos ricos em níquel:
- Comida enlatada.
- Alimentos cozidos com utensílios niquelados.
- Arenque.
- Frutos do mar.
- Aspargos.
- Feijão.
- Cogumelos.
- Cebola.
- Milho.
- Espinafre.
- Tomate.
- Ervilha.
- Farinha de grão integral.
- Pera.
- Chocolate.
- Fermento em pó.
Alimentos ricos em cobalto:
- Damasco.
- Feijão.
- Cerveja.
- Beterraba.
- Couve.
- Chocolate.
- Café.
- Fígado.
- Nozes.
- Vieiras.
- Farinha de trigo integral.
Como é muito difícil restringir o níquel e o cobalto da alimentação, pois eles estão presentes em diversos alimentos, a taxa de sucesso da dieta acaba sendo baixa, já que poucos são os pacientes que realmente conseguem reduzir o consumo desses metais.
Perguntas frequentes sobre disidrose (FAQ)
Disidrose é contagiosa?
Não. A disidrose é uma inflamação da pele e não passa de uma pessoa para outra pelo contato.
Disidrose tem cura?
A disidrose costuma ser uma doença recorrente, com crises que podem se repetir ao longo do tempo. Em muitos pacientes, os surtos ficam menos frequentes com os anos e podem até desaparecer espontaneamente, mas não existe um tratamento que garanta cura definitiva imediata para todos os casos.
Estresse pode desencadear crises de disidrose?
Sim. Em algumas pessoas, os surtos podem surgir ou piorar em períodos de estresse físico ou emocional. Isso não significa que o estresse seja a única causa da doença, mas ele pode funcionar como fator desencadeante.
Como saber se é disidrose e não micose?
Nem sempre é possível diferenciar sozinho. Em alguns casos, a disidrose pode coexistir com infecção por fungos, e a aparência das lesões pode não ser típica. Quando há dúvida, o dermatologista pode confirmar o diagnóstico pelo exame clínico e, se necessário, por exames complementares, como raspagem da pele.
- Acute palmoplantar eczema (dyshidrotic eczema) – UpToDate.
- Acute and recurrent vesicular hand dermatitis – Dermatologic clinics of North America
- Dyshidrotic eczema – American Academy of Dermatology.
- Dyshidrotic Eczema (Pompholyx) – Medscape.
- Wolff K, et al. Eczema/Dermatitis. In: Fitzpatrick’s Color Atlas and Synopsis of Clinical Dermatology. 8th ed. New York, N.Y.: McGraw-Hill Education; 2017
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
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