Tricomoníase: o que é, sintomas e tratamento


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Revisado e atualizado em outubro 16, 2025
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O que é tricomoníase?

Tricomoníase é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Ela é a doença sexualmente transmissível não-viral mais comum em todo o mundo, acometendo cerca de 170 milhões de pessoas.

Nas mulheres, a tricomoníase é uma das principais causas de vaginite (infecção da vagina), levando frequentemente a queixas como corrimento vaginal com mau cheiro, coceira genital e dor ao urinar. Por outro lado, nos homens, a infecção é, na maioria dos casos, assintomática.

Neste texto abordaremos os modos de transmissão, os sintomas, diagnóstico e tratamento do Trichomonas vaginalis.

Transmissão do Trichomonas vaginalis

A via sexual é virtualmente a única forma de transmissão do Trichomonas vaginalis, sendo incomum a contaminação através de roupas, toalhas ou outros fômites.

Curiosamente, a transmissão só se dá através do sexo entre mulher e homem ou entre mulher e mulher. A transmissão do T. vaginalis entre homens é pouco comum. Isso ocorre porque o parasito só infecta o pênis ou a vagina, sendo rara a contaminação de outras partes do corpo, tais como as mãos, a boca e o ânus.

O Trichomonas vaginalis é um parasito que só infecta o ser humano; costuma viver na vagina ou na uretra, mas pode também ser encontrado em outras partes do sistema geniturinário. O protozoário causa lesão do epitélio vaginal, levando à formação de úlceras microscópicas que aumentam o risco de contaminação por outras DST, nomeadamente o HIV, HPV, herpes genital, gonorreia e clamídia.

O período de incubação, isto é, o tempo entre a contaminação e o aparecimento dos sintomas, varia geralmente entre 4 a 28 dias. Todavia, muitas pessoas são carreadoras assintomáticas do parasito por longos períodos. Algumas mulheres possuem o T. vaginalis, por meses antes de surgirem sintomas, tornando muito difícil definir a data em que ocorreu a contaminação.

Mesmo quando não apresentam sintomas, as pessoas contaminadas podem transmitir o parasito.

Sintomas da tricomoníase

Tricomoníase no homem

No sexo masculino, a infecção pelo Trichomonas vaginalis costuma ser assintomática e transitória, melhorando espontaneamente em muitos casos. Porém, há casos de homens que permanecem sendo portadores assintomáticos do protozoário por vários meses, servido como fonte de contágio.

Quando há sintomas, o quadro mais comum é de uretrite (inflamação da uretra), com dor para urinar e corrimento uretral purulento. Uma complicação pouco comum, mas possível, é a infecção da próstata pelo T. vaginalis, levando à prostatite.

Tricomoníase na mulher

No sexo feminino a infecção pelo Trichomonas vaginalis também pode ser assintomática, mas pelo menos 2/3 das mulheres infectadas apresentam sintomas. O quadro mais comum é a vaginite, inflamação da vagina que cursa com corrimento amarelo-esverdeado de odor desagradável associado à disúria (dor para urinar), dispareunia (dor durante o ato sexual) e prurido (coceira) vaginal.

Sem tratamento, a infecção pode durar meses ou mesmo anos, tornando-se um fator de risco para infertilidade e câncer do colo do útero.

Grávidas

A infecção por T. vaginalis durante a gravidez está associada a complicações, incluindo ruptura prematura das membranas, parto prematuro e recém-nascido de baixo peso.

Diagnóstico

O quadro clínico das vaginites apenas sugerem a causa mais provável, não sendo possível estabelecer o diagnóstico sem exames complementares. Para se confirmar a presença do Trichomonas vaginalis o ginecologista realiza um exame ginecológico, que normalmente detecta uma vagina inflamada e com pequenas úlceras. Durante o exame, colhe-se uma amostra de secreção vaginal para ser estudada no microscópio. Em até 70% dos casos, é possível identificar o protozoário se movendo nas secreções.

Se o quadro clínico e o exame ginecológico forem muito sugestivos, mas o exame microscópico for negativo, é possível fazer uma cultura da secreção, que costuma dar o resultado entre 3 a 7 dias. O exame de PCR (pesquisa de DNA do protozoário) também pode ser usado. Esse exame é mais caro, porém apresenta resultados mais rapidamente e com mais segurança.

O exame de papanicolau pode também detectar o Trichomonas vaginalis, mas sua sensibilidade é baixa, deixando passar cerca de 50% dos casos, além de ter uma alta taxa de falso positivo.

Tratamento da tricomoníase

O Metronidazol e o Tinidazol são as duas opções de tratamento para a tricomoníase. A taxa de cura com esses antibióticos é superior a 90% e nenhuma outra droga apresenta tamanha eficácia. O esquema indicado consiste em 2 gramas de Metronidazol ou Tinidazol por via oral (4 comprimidos de 500 mg) em dose única.

Atenção, é estritamente proibido o consumo de álcool em quem está sendo tratado com uma das duas drogas. É preciso esperar no mínimo 3 dias devido ao risco grave de reação (leia: Interação do álcool com remédios e energéticos).

É importante evitar relações sexuais durante uma semana e o(a) parceiro(a) também deve ser tratado(a), mesmo que esteja assintomático(a) para evitar a reinfecção. Cerca de 70% dos parceiros de um paciente infectado também estão infectados pelo parasito.

Como a taxa de sucesso é muito alta, se os sintomas desaparecerem, não é preciso repetir exames para se confirmar a cura.

O metronidazol não trata as outras causas de vaginite, como gonorreia e candidíase. Portanto, se você tem um corrimento, evite a automedicação e procure seu ginecologista.

Prevenção

Para se reduzir o risco de contaminação pelo Trichomonas:

  • Use sempre camisinha durante as relações sexuais.
  • Evite ter múltiplos parceiros(as).
  • Evite relações com pessoas sabiamente contaminadas e ainda não tratadas.
  • Se você tem corrimento, evite relações sexuais até ser vista pelo seu ginecologista.

Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Janaína

    Amei seu site

  2. Ricardina da Conceição

    Sera que o Trichomonas vaginalis pode ser considerado um parasita vesical, assim como o Schistosoma haematobium?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não.

  3. Dély Novais

    Resultado do exame citopatologico

    Microbiologia: Trichomonas vaginalis.

    Como é feito o tratamento?

    Parabéns pelo site👣

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Dély, o texto explica o tratamento.

  4. Elen Cristina de Oliveira

    Dr. Essa doença por ser devido ao aumento da diabetes?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    O diabetes facilita a ocorrência de qualquer tipo de infecção.

  5. Andreina da s de oliveira

    Eu tomei secnidazol dois comprimido de 1000 MG tomei os dois de uma vez melhorou mais ainda coça e sai um corrimento branco e de noite me deu uma dor de cabeça muito muito forte e muita vontade de vomita nem aguentei jantar ontem

  6. Andreina da s de oliveira

    Ola
    Tomei secnidazol melhorou mais ainda coça e sai um corrimento branco

    Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde Autor

    Tem que voltar ao ginecologista, pois existe risco do tratamento não ter sido eficaz.

  7. Carol

    Dr. é certo que a tricomoniase na gravidez pode vim a gerar um deficit de inteligencia no bebê?

    Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde Autor

    Não, o risco geralmente é de parto prematuro.

  8. Nanana

    Eu estava com tricomoniase, eu não tomei nenhum remédio mais parou o corrimento e as dores, quer dizer que fui curada?

    Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde Autor

    O seu organismo pode ter controlado a infecção. Mas há uma grande chance de você ainda estar infectada e apenas com poucos sintomas. Sugiro que você vá ao ginecologista fazer um exame ginecológico para saber se ainda há sinais de infecção.

  9. Aluna de BIO

    Com licença, eu estou fazendo um trabalho sobre DSTs pra minha aula de BIO e gostaria de saber se eu poderia usar algumas das informações do seu site.

    Estou no 8° ano, e vou colocar na bibliografia.
    Obrigada desde já.

    Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde Autor

    Sim, claro.

  10. Moisés Teixeira Leite

    Quando uma mulher tem frequente esse problema existe um motivo par isso

    Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde Autor

    Geralmente, sim.

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