Vacina da gripe (versão 2026): benefícios e indicações


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Revisado e atualizado em abril 2, 2026
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O que é gripe?

A gripe é uma infecção das vias respiratórias provocada por um vírus chamado Influenza, que provoca surtos praticamente todos os anos na época do inverno. Quanto mais frio é o inverno, mais comum costumam ser os surtos de gripe.

A gripe é uma doença benigna na imensa maioria dos casos, possuindo uma taxa de mortalidade abaixo de 1%. Porém, por ser altamente contagiosa, ela é capaz de infectar milhões de pessoas em relativamente pouco tempo, fazendo com que uma taxa próxima de 1% represente, em números absolutos, uma quantidade grande de vítimas. Por isso, a vacinação contra o vírus Influenza tornou-se uma importante medida de saúde pública nos últimos anos.

Neste artigo, explicaremos a vacina da gripe, abordando as dúvidas mais frequentes sobre o assunto.

Se você procura informações específicas sobre a gripe, incluindo sintomas, transmissão, tratamento e prevenção, acesse os seguintes artigos:

O que é a vacina da gripe?

No Brasil e em Portugal, a vacina contra a gripe é feita com vírus morto. Ela contém somente algumas proteínas específicas do vírus Influenza, chamadas de antígenos, que são capazes de estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos.

O vírus Influenza é famoso pela sua elevada frequência de mutação, o que compromete a capacidade do sistema imunológico de criar anticorpos que sejam eficazes a longo prazo. Você pode ter uma gripe hoje e criar anticorpos altamente efetivos contra o vírus Influenza. O problema é que, nos próximos anos, há uma grande chance de o vírus circulante já ser diferente daquele que lhe contaminou. Os anticorpos que você criou já não serão efetivos, ou serão apenas parcialmente efetivos, contra a nova cepa mutante.

As grandes epidemias de gripe que surgem de tempos em tempos, como a pandemia do H1N1 (gripe suína) de 2009, ocorrem toda vez que o vírus Influenza sofre mutações tão relevantes, que o tornam praticamente um vírus novo aos olhos do sistema imunológico da maioria da população. O vírus é tão diferente daqueles Influenzas que as pessoas tiveram ao longo das suas vidas, que praticamente ninguém tem imunidade contra o mesmo. Milhões de pessoas adoecem em todo o mundo, e a gripe torna-se manchete de jornais durante semanas.

Contudo, passado o período de crise, a população cria os anticorpos necessários, e a cepa do Influenza que tanto assustou torna-se um micróbio pouco temido e incapaz de infectar grandes multidões (até uma nova mutação aparecer e iniciar o ciclo todo de novo).

Como consequência desta característica do Influenza, existem várias cepas diferentes do vírus circulando ao redor do mundo. Portanto, para uma vacina ser efetiva, ela precisa ser eficaz contra mais de um tipo de Influenza e precisa ser frequentemente atualizada, de forma a estar sempre ativa contra as mutações mais recentes.

Por isso, novas vacinas são produzidas anualmente visando cobrir as cepas do vírus Influenza que circularam mais recentemente. No mundo inteiro, há pesquisas para podermos saber exatamente quais são as cepas que estão circulando com mais intensidade, tanto no hemisfério norte quanto no hemisfério sul. São essas pesquisas que orientam a composição da vacina a cada ano.

Atualmente, a produção das vacinas leva, em média, seis meses a partir da seleção das cepas circulantes até o produto final disponível para distribuição. Como as campanhas de vacinação são feitas no outono, a vacina costuma ser elaborada nos meses anteriores, geralmente na primavera. Desta forma, excetuando-se casos de súbitas mutações de grande intensidade, raramente existem desemparelhamentos entre as cepas cobertas pela vacina e as cepas que circulam entre a população.

A escolha pelo outono deve-se ao fato de o sistema imunológico precisar de cerca de um mês para desenvolver plenamente uma imunidade contra as cepas presentes na vacina. Como o pico de incidência da gripe ocorre no inverno, a população vacinada terá tempo suficiente para estar preparada contra o vírus. Porém, mesmo que você não consiga se vacinar no outono, não há problema nenhum em se vacinar no inverno.

É bom destacar que a vacina contra a gripe não contém todas as cepas conhecidas do Influenza, apenas aquelas que provavelmente estarão mais ativas no próximo inverno.

Tipos de vírus Influenza

O Influenza é um vírus RNA da família do orthomyxovirus. Existem quatro tipos de vírus da gripe: A, B, C e D.

Somente os vírus Influenza A e B causam epidemias sazonais e, por isso, são os tipos incluídos nas vacinas contra a gripe. Os vírus Influenza C causam doença respiratória branda e não estão incluídos nas vacinas contra gripe. Os vírus da Influenza D afetam principalmente o gado e não são conhecidos por infectar ou causar doenças nas pessoas.

Os vírus influenza B infectam exclusivamente os seres humanos. Os vírus influenza C infectam humanos e suínos. Já os vírus Influenza A circulam principalmente em aves, mas também podem infectar humanos e várias outras espécies de animais, como porcos, cavalos e mamíferos marinhos.

Os vírus da Influenza A são divididos em subtipos baseados em dois antígenos de superfície: hemaglutinina (HA) e neuraminidase (NA). Existem 18 subtipos diferentes de HA e 11 subtipos diferentes de NA. Os subtipos atuais de vírus da gripe A encontrados em pessoas são os Influenza A (H1N1) e Influenza A (H3N2).

Os vírus da Influenza B não estão divididos em subtipos, mas podem ser classificados em linhagens. Atualmente circulam na comunidade os vírus Influenza B da linhagem B/Yamagata ou B/Victoria.

Composição da vacina da gripe 2026: cepas recomendadas pela OMS

As vacinas contra a gripe são atualizadas todos os anos para acompanhar as variantes do vírus influenza que mais circulam. Uma forma comum de classificá-las é pelo número de cepas incluídas: trivalentes (3 cepas) ou quadrivalentes/tetravalentes (4 cepas).

As vacinas trivalentes incluem duas cepas de Influenza A (uma H1N1pdm09 e uma H3N2) e uma cepa de Influenza B (linhagem Victoria). Já as vacinas quadrivalentes incluem, além dessas três, um segundo vírus Influenza B, historicamente da linhagem Yamagata.

Por que muitos países vêm migrando para vacinas trivalentes?

A linhagem Influenza B/Yamagata não tem sido confirmada em circulação há vários anos. Por isso, o comitê consultivo da Organização Mundial da Saúde (OMS) para composição das vacinas afirma que a inclusão de um componente B/Yamagata não é mais justificável e que não haverá novas atualizações para esse componente.

Apesar disso, vacinas quadrivalentes ainda podem existir em alguns mercados, por questões regulatórias e de transição. Quando um componente B/Yamagata é mantido em vacinas quadrivalentes, uma cepa de referência usada como 4º componente é a B/Phuket/3073/2013-like.

Brasil e Hemisfério Sul (temporada 2026)

Segundo a recomendação da OMS e a padronização publicada para a temporada no Brasil, as vacinas contra influenza a serem usadas no Hemisfério Sul em 2026, na formulação trivalente, devem conter as seguintes cepas.

Vacinas trivalentes à base de ovo (Hemisfério Sul 2026)

  • Influenza A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09-like virus
  • Influenza A/Singapore/GP20238/2024 (H3N2)-like virus
  • Influenza B/Austria/1359417/2021 (B/Victoria lineage)-like virus

Vacinas trivalentes baseadas em cultura de células, recombinantes ou de ácido nucleico (Hemisfério Sul 2026)

  • Influenza A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09-like virus
  • Influenza A/Sydney/1359/2024 (H3N2)-like virus
  • Influenza B/Austria/1359417/2021 (B/Victoria lineage)-like virus

(Quando ainda se utilizam vacinas quadrivalentes no Hemisfério Sul, o 4º componente costuma ser um vírus B/Phuket/3073/2013 (B/Yamagata lineage)-like.)

Portugal e Hemisfério Norte (época 2025–2026)

Segundo a recomendação da OMS (alinhada às recomendações regulatórias europeias), as vacinas contra influenza para a época 2025–2026 no Hemisfério Norte, na formulação trivalente, devem incluir as cepas abaixo.

Vacinas trivalentes à base de ovo (Hemisfério Norte 2025–2026)

  • Influenza A/Victoria/4897/2022 (H1N1)pdm09-like virus
  • Influenza A/Croatia/10136RV/2023 (H3N2)-like virus
  • Influenza B/Austria/1359417/2021 (B/Victoria lineage)-like virus

Vacinas trivalentes baseadas em cultura de células, recombinantes ou de ácido nucleico (Hemisfério Norte 2025–2026)

  • Influenza A/Wisconsin/67/2022 (H1N1)pdm09-like virus
  • Influenza A/District of Columbia/27/2023 (H3N2)-like virus
  • Influenza B/Austria/1359417/2021 (B/Victoria lineage)-like virus

(Quando ainda se utiliza vacina quadrivalente no Hemisfério Norte em 2025–2026, o 4º componente B/Yamagata, quando mantido, costuma ser B/Phuket/3073/2013 (B/Yamagata lineage)-like virus).

Quem deve tomar a vacina contra a gripe?

Qualquer pessoa com mais de 6 meses de idade pode receber a vacina contra a gripe. Porém, há certos grupos que devem receber prioridade nas campanhas de vacinação, pois são eles que apresentam maior risco de desenvolver complicações.

No caso da gripe, o objetivo das campanhas de vacinação não é eliminar a circulação do vírus, mas sim reduzir a incidência de complicações e, consequentemente, o número de óbitos.

Por isso, o público-alvo destas campanhas são profissionais de saúde, indivíduos com mais de 60 anos, crianças entre seis meses e cinco anos, gestantes durante o período de surto de gripe, indígenas, presos, portadores de doenças crônicas e transplantados.

Se você não faz parte do grupo alvo das campanhas e ainda assim deseja se imunizar contra a gripe, não há problema nenhum. A vacina praticamente não apresenta contraindicações. Procure o seu médico ou centro de saúde e informe-se.

Contraindicações

Praticamente todas as pessoas com mais de 6 meses de vida podem ser vacinadas contra a gripe. Em alguns países, existe a vacina contra gripe feita com vírus vivo atenuado. Esta vacina possui contraindicações próprias que não serão abordadas neste texto. Vamos nos ater apenas à vacina elaborada com vírus morto, que é a vacina habitualmente utilizada nas campanhas de vacinação.

A principal contraindicação à vacinação contra a gripe é a alergia ao ovo. Como o preparo da vacina utiliza ovos de galinha, as pessoas alérgicas podem desenvolver reações. Se você for alérgico a ovo, não tome a vacina da gripe sem orientação médica.

Também deve haver alguma precaução em relação às pessoas que já tiveram síndrome de Guillain-Barré (SGB). Na verdade, o risco de desenvolvimento desta doença após a vacina da gripe é extremamente baixo, cerca de 1 caso a cada 1 milhão de doses. Isso significa que o risco de se ter uma complicação da gripe é bem mais alto que o risco de desenvolver Guillain-Barré após a vacinação. Se você já teve SGB e faz parte do grupo de risco da gripe, converse com o seu médico sobre os riscos e benefícios da vacina.

Indivíduos com doenças febris agudas não devem tomar a vacina até estarem completamente recuperados.

Efeitos colaterais

As vacinas contra a gripe compostas por vírus mortos são geralmente bem toleradas, sendo o efeito colateral mais comum a dor e a inflamação no local da injeção. Nos estudos clínicos, os eventos adversos graves foram muito raros.

Outros efeitos adversos que podem ocorrer, mas são incomuns e geralmente de curta duração, incluem: dor de cabeça, febre, náuseas, tosse, irritação nos olhos e dor muscular.

Existem casos descritos de desmaios entre adolescentes, mas estes parecem estar mais ligados ao medo de agulha do que à vacina em si.

Perguntas mais comuns sobre a vacina da gripe (FAQ)

É possível pegar gripe através da vacina?

Não. A vacina é feita com fragmentos do vírus. Não há nenhuma possibilidade de alguém ficar gripado devido à vacinação.

A vacina da gripe também previne resfriados?

Não, apesar de terem sintomas parecidos, a gripe e o resfriado são infecções diferentes, causadas por vírus diferentes (leia: Diferenças entre gripe e resfriado).

Mesmo vacinado, é possível ficar gripado?

Sim, a vacina cobre as principais cepas, mas não cobre todas. A taxa de sucesso é de cerca de 70 a 90%. Porém, a maioria das pessoas que refere ter ficado gripada mesmo tendo se vacinado, na verdade apresenta quadros de resfriado. Como a maioria da população não sabe distinguir uma gripe de um resfriado, essa confusão é frequente.

Grávidas podem receber a vacina da gripe?

Sim, não só podem como devem.

Pessoas imunossuprimidas, como portadores de HIV ou transplantados, podem ser vacinados?

Sim, não só podem como devem.

Posso tomar a vacina em qualquer altura do ano?

Até pode, mas como o pico de eficácia da vacina ocorre nos primeiros 3 meses, o ideal é tomá-la logo antes do inverno, que é a época em que os surtos de gripe costumam surgir. Tomar a vacina muito antes da época de surto pode fazer com que a sua eficácia não seja a pretendida.

Se eu for viajar para o hemisfério norte, a vacina brasileira é eficaz?

Apenas parcialmente, pois as cepas selecionadas não são as mesmas. No ano de 2019, por exemplo, das 4 cepas escolhidas na vacina brasileira, somente 3 estavam presentes na vacina americana e europeia. Por outro lado, se a viagem for para outro país do hemisfério sul, a cobertura é total, pois a composição da vacina costuma ser a mesma.

A vacina da gripe interfere com alguma outra vacina?

Não, a vacina da gripe pode ser administrada no mesmo dia ou próxima de outras vacinas.

Quanto tempo demora para a vacina da gripe ter efeito?

Pelo menos 2 semanas são necessárias para que os anticorpos induzidos pela vacina possam ser produzidos.

É mesmo preciso se vacinar todos os anos?

Sim, a vacinação precisa ser reforçada todos os anos. A vacina que você tomou em 2022 não vai lhe proteger tão bem durante o surto de gripe do inverno de 2023.

Não faço parte do grupo de risco. Ainda assim, preciso me vacinar?

Precisar não precisa, pois o risco de complicações da gripe no seu caso é muito baixo. Porém, como a taxa de efeitos adversos da vacina é muito baixa, você estará mais seguro se for vacinado. Na avaliação entre prós e contras, os prós saem vencedores com larga vantagem.

Você conhece alguém que já tenha sido vacinado?

Sim, eu mesmo. Por ser profissional de saúde, eu tomo a vacina contra gripe anualmente desde 2010, sem nunca ter tido qualquer problema. Eu não sou só eu, milhares de profissionais de saúde e pacientes em todo o mundo são vacinados todos os anos contra a gripe no outono.

Como aliviar a dor e o inchaço no braço após a vacina?

Para reduzir o edema e a inflamação, compressas frias nas primeiras 24 a 48 horas são úteis. Após 48 horas, se ainda houver dor no local da vacina, as compressas quentes funcionam melhor. Se não houver contraindicações, o paciente pode tomar analgésicos comuns, como paracetamol ou dipirona (metamizol).

Se houver intensa vermelhidão, dor e edema no local após 48 horas, entre em contato com o seu médico.

É possível fazer a vacina da gripe junto com a da covid-19?

Sim, não há problema algum em administrar as duas vacinas ao mesmo tempo.

Quem já teve Covid-19 pode se vacinar contra a gripe?

Sim, uma coisa não influencia a outra.

A vacina contra a gripe protege contra Covid-19 e vice-versa?

Não, a vacina contra gripe protege somente contra gripe; já a vacina contra Covid-19 protege apenas contra Covid-19.


book Referências bibliográficas


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Wesley Zarnott

    Se a vacina demora em média 2 semanas para fazer efeito, eu posso pegar a gripe nesse tempo, mesmo ja com a vacina no organismo?

    Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde Autor

    Sim. Por isso a vacinação costuma ser feita no Outono, antes da época de surto, que costuma ser no inverno.

  2. Tamyres Martins

    gostaria de saber se a vacina tem algum efeito grave ja confirmado tipo como morte de alguem que tomou?

    Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde Autor

    Todos os medicamentos, incluindo todas as vacinas, podem, raramente, causar problemas graves. Até alimentos podem causar reações graves. Aliás, existem mais casos de reações fatais causadas por alimentos do que por vacinas.

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