Pólipos intestinais: sintomas, risco de câncer e tratamento


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Revisado e atualizado em março 12, 2025
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O que é o pólipo intestinal?

O pólipo é uma pequena protuberância que cresce em cavidades revestidas por mucosas. Podem surgir pólipos em várias regiões do nosso organismo, tais como estômago, vesícula biliar, útero, cavidade nasal, intestinos e outros. No caso dos pólipos intestinais, o local onde eles são mais comuns é no intestino grosso (cólon).

O pólipo intestinal é um tumor benigno que surge por um crescimento anormal das próprias células da mucosa do intestino. Mal comparando, podemos dizer que são uma espécie de verruga do cólon.

Essas lesões são muito comuns, estando presentes em mais de 30% da população adulta.

Apesar de serem habitualmente benignos, uma pequena parte deles tem potencial para se transformar em câncer de cólon ao longo dos anos.

Felizmente, através da colonoscopia é possível não só diagnosticar, como também remover os pólipos intestinais de forma completa e segura, impedindo-os de se transformarem em um câncer do cólon.

Fatores de risco

Não sabemos exatamente por que os pólipos surgem, mas alguns fatores de risco já são bem conhecidos:

Tipo de pólipos intestinais

Existem vários tipos de pólipos, todavia, dois deles correspondem a imensa maioria:

Pólipos hiperplásicos

São pólipos de tamanho pequeno, normalmente localizados na porção terminal do cólon (reto e sigmoide). Os pólipos hiperplásicos apresentam baixíssimo risco de transformação maligna e não requerem tratamento na imensa maioria dos casos.

Adenomas

Os pólipos adenomatosos são aqueles que apresentam risco de se transformar em câncer. Felizmente, menos de 5% dos adenomas acabam por se transformar em um tumor maligno. E, mesmo assim, um adenoma costuma demorar pelo menos 7 a 10 anos até se transformar em câncer.

Nem sempre é possível distinguir um pólipo hiperplásico de um pólipo adenomatoso com base na aparência durante a colonoscopia, o que significa que muitos pólipos hiperplásicas precisam ser removidos para que possam ser devidamente identificados através da histopatologia. Na dúvida, é melhor retirar o pólipo e enviá-lo para identificação pelo patologista. Em geral, qualquer pólipo com mais de 0,5 cm acaba sendo retirado para avaliação.

Sintomas

A maioria dos pólipos intestinais é de pequeno tamanho e acaba por não causar nenhum sintoma. Normalmente, só são detectados quando se realizam exames de triagem para o câncer de cólon, como a colonoscopia.

Pólipo
Pólipo

Pólipos de tamanho maior podem causar obstrução intestinal por impedir a progressão das fezes ou apresentar escoriações pela passagem de fezes endurecidas, podendo, assim, sangrar. (leia: 14 causas de sangue nas fezes – hemorragia digestiva).

Diagnóstico

O rastreio para o câncer de cólon está indicado para todas as pessoas acima de 50 anos. Pessoas que tiveram um parente de primeiro grau com câncer de cólon antes dos 60 anos devem começar a fazer o rastreio a partir dos 40 anos.

Atualmente, o exame de escolha para o diagnóstico dos pólipos e para o rastreio do câncer de cólon é a colonoscopia, um exame realizado através de um endoscópio por via anal. A colonoscopia é o exame ideal, pois permite não só a visualização dos pólipos, como também a sua retirada, caso necessária (leia: Colonoscopia: o que é, preparo, sedação e riscos).

Apenas a olho nu, não é possível distinguir um pólipo hiperplásico de um adenoma. Por isso, indica-se a retirada de qualquer pólipo diagnosticado para avaliação histológica (microscópica).

Os adenomas são divididos em três grupos segundo as características das suas células:

1. Adenoma tubular.
2. Adenoma viloso.
3. Adenoma túbulo-viloso.

Pólipos intestinais podem virar câncer?

Todos os pólipos adenomatosos são displásicos, ou seja, são lesões pré-malignas. Porém, como já explicado, somente uma minoria dos adenomas evoluem para câncer.

Os pólipos vilosos e túbulo-vilosos são os que têm mais risco de malignização. Mas há outros fatores que também nos ajudam a estimar o risco de câncer:

  • Pólipos maiores que 1 cm são mais perigosos. Já pólipos com menos de 0,5 cm possuem baixo potencial de transformação maligna.
  • Presença de mais de 4 pólipos adenomatosos.
  • Existência de displasia de alto grau nos pólipos.

Portanto, um paciente com 1 ou 2 pólipos adenomatosos tubular com menos de 0,5 cm tem risco muito baixo de desenvolver câncer. Por outro lado, um paciente com mais de 4 pólipos vilosos ou túbulo-vilosos, com mais de 1 cm de tamanho e com sinais de displasia de alto grau, é aquele com maior risco de desenvolver um tumor maligno.

Tratamento

A maneira mais eficaz de se evitar o câncer de cólon é identificando precocemente pólipos adenomatosos e removendo-os antes que eles se transformem em uma lesão maligna.

Como já referido, os pólipos devem ser retirados pela colonoscopia imediatamente após a sua identificação. O pólipo deve ser removido completamente.

A remoção dos pólipos, que recebe o nome de polipectomia, é um procedimento que não dói e não costuma causar sangramentos. A polipectomia é segura, havendo uma taxa de complicações menor que 1 a cada 1000 procedimentos. Os maiores riscos são a perfuração do cólon e o sangramento, porém, ambos são incomuns.

Raramente, o pólipo é grande o suficiente para a remoção não poder ser feita pelo colonoscópio. Nestes casos, é normalmente necessária cirurgia para extração da lesão.

Para minimizar o risco de complicações, o paciente não deve tomar, nem dias antes, nem dias depois, medicamentos que facilitem hemorragias, como aspirina, anti-inflamatórios ou anticoagulantes.

Seguimento pós-colonoscopia

O sucesso da prevenção do câncer do cólon depende da detecção precoce dos pólipos pré-malignos. A retirada completa do pólipo elimina qualquer risco daquela lesão vir a se tornar um câncer. Porém, nada impede que o paciente ao longo do tempo forme novos pólipos. Quem já teve pólipos tem um maior risco de desenvolvê-los novamente.

Por isso, o gastroenterologista costuma agendar com o paciente novas colonoscopias consoante o resultado da primeira. Se na primeira polipectomia os resultados apontavam para um maior risco de desenvolvimento de câncer, o paciente precisará ser vigiado de forma mais frequente. Em geral, as recomendações são as seguintes:

  • Pacientes sem pólipos ou que apresentavam apenas pólipos hiperplásicos menores que 1 cm só precisam repetir a colonoscopia em 10 anos.
  • Pacientes que apresentavam 1 ou 2 adenomas tubulares menores que 1 cm precisam repetir a colonoscopia em 5 a 10 anos.
  • Pacientes com 3 a 10 adenomas tubulares precisam repetir a colonoscopia em 3 anos.
  • Pacientes com mais de 10 adenomas precisam repetir a colonoscopia com 1 ou 2 anos.
  • Pacientes com 1 ou mais adenomas tubulares maiores que 1 cm precisam repetir a colonoscopia em 3 anos.
  • Pacientes com 1 ou mais adenomas vilosos ou túbulo-vilosos precisam repetir a colonoscopia em 3 anos.
  • Pacientes com pelo menos 1 adenoma com sinais de displasia de alto grau precisam repetir a colonoscopia em 3 anos.

Síndromes de poliposes

Existem algumas doenças raras, de origem genética, que se manifestam com dezenas de pólipos no trato digestivo ainda na juventude, associados a outros sintomas em diversas partes do corpo. Entre essas síndromes podemos citar:

  • Gardner.
  • Turcot.
  • Cronkhite-Canada.
  • Peutz-Jeghers.
  • Cowden.

Esses pacientes apresentam elevado risco de desenvolver câncer de cólon.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Valdir F Souza

    Boa tarde Doutor Pedro,
    Sua matéria é incrível, muito bem elaborado, de fácil entendimento para mim que sou leigo. Graças a sua matéria, fiquei mais tranquilo, recentemente passei por uma colonoscopia, com polipectomia devido a pólipo séssil Yamada II, 3mm. Aguardando resultado. Mas sua aula me tranquilizou. Sua matéria foi uma grande prestação de serviço à comunidade.
    Parabéns e muito obrigado o Sr. É um grande profissional.

  2. LUIZ ANTONIO ALVES TELES

    Boa Noite! O resultado da minha colonoscopia deu: LAUDO ANATOMAPATOLÓGICO
    Resumo Clinico: Diarréia crônica
    1 – Pólipo do descendente: Adenoma tubular com displasia epitelial de baixo grau(2 fragmentos
    2 – Pólipo do tranverso: Adenoma tubular com displasia epitelial de baixo grau ( 1 formação)
    3 – Biópsia de íleo terminal: Mucosa ileal(1 fragmento ) com hiperplasia linfóide

    4 – Pólipo do reto: Adenoma tubular com displasia epitelial de baixo grau (1 formação)
    ————————————————————————————————————
    ILEOCOLONOSCOPIA COMPATIVEL COM:
    1. Um pólipo séssil em cólon transverso, descendente e no terço médio do reto. Procedidas as polipectomias(Aguarda AP)
    2. Realizadas biópsias do íleo terminal (Aguarda AP).
    Desde já agradeço a sua atenção dispensada a mim,
    Luiz Antonio Alves Teles

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Olá, Luiz, não qual é exatamente a sua dúvida. Acredito que sejam os termos médicos do laudo. Em resumo:
    1. Adenoma tubular: é o tipo mais comum de pólipo do cólon. Adenomas são considerados lesões pré-cancerosas, ou seja, têm o potencial de evoluir para câncer de cólon ao longo do tempo, embora o risco seja baixo, especialmente em pólipos pequenos e com displasia de baixo grau.
    2. Displasia epitelial de baixo grau: refere-se a alterações nas células que revestem o pólipo, indicando uma proliferação celular anormal, mas sem características agressivas ou de alto risco imediato. O “baixo grau” significa que, no momento, as alterações celulares não são severas e o risco de evolução para câncer é menor, embora ainda exista.
    3. Hiperplasia linfóide: refere-se ao aumento benigno do número de células linfóides (um tipo de célula imune) no tecido da mucosa do íleo, que é a parte final do intestino delgado. Isso pode ocorrer como resposta a processos inflamatórios ou infecciosos. Na maioria dos casos, não é indicativo de malignidade.

    A hiperplasia linfóide no íleo terminal pode, em alguns casos, estar associada a condições inflamatórias intestinais ou infecções, que poderiam explicar a diarreia crônica. Contudo, para avaliar corretamente essa correlação, é importante aguardar o laudo completo do exame anatomopatológico (AP) da biópsia do íleo.

  3. Joana Rosa Fernandes Martins

    Boa noite fiz hoje e deu 2 pólipos foi p verificação. Os dois deu 07 mm.devo me preocupar.?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não. Mesmo que o resultado da biópsia venha com alguma indicação de lesão pré-maligna, como os pólipos eram pequenos e foram removidos, não há motivo para se preocupar.

  4. ERALDO DOS SANTOS FORTES

    Incrível seu artigo!!!!
    Gostei demais da leitura.
    Parabéns!
    Com toda certeza gostaria de ser atendido por alguém com tanta desenvoltura em descrever facilmente sobre um problema tão preocupante…

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Obrigado.

  5. Joaquim Ganhão

    Gostei do Artigo que, me deixou aliviado, após os pólipos que já retirei.
    Obrigado !

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Fico feliz de saber que o artigo ajudou.

  6. Maria Helena

    Minha colonoscopia deu um polipóide pediculada de sigmóide de 5,0 mm.
    Devo me preocupar fiz a biópsia só vai ficar pronto dia 28 junho.
    Gostaria da sua opinião.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se o aspecto da lesão era só polipoide, o mais provável é ser só um pólipo mesmo. Na pior das hipóteses, pode ser uma lesão pré-maligna, mas que a simples remoção do pólipo já resolveu. Não vejo motivo para ficar estressada até o dia 28. É pouco provável ser algo grave.

  7. Eliane Lopes moreira

    Boa tarde ,fiz um exame colonoscopia no dia 08/05/2023 e deu resultado identificado em cólon descendente , pólipo subpediculado de cerca de 15mm de superfície lisa e coloração rubra,ressecado com alça descartável, sem diatermia,sem intercorrencias.nao foram visualizados outros diverticulares.conclusao pólipo subpediculado em cólon descendente-paris lsp.pode me falar qual foi o resultado desse exame por favor

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A colonoscopia só identificou um pólipo. Ele foi removido e provavelmente mandado para avaliação histopatológica. Falta saber qual é o resultado, que tipo de pólipo era.

  8. Maria Helena

    Excelente matéria.

  9. lidia

    achei incrível a explicação parabéns doutor tirou minhas duvidas

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Obrigado, Lidia. Que bom que ajudou.

  10. Lucilia

    Boa noite doutor.
    Essa matéria alivia o nosso coração.
    Meu marido tirou, em novembro 2022, um tumor viloso retal gigante, cujo anatomopatologico :adenoma vilo tubular com atípicas intensas( baixo grau), grupo 4 do Consenso de Vienna medindo em conjunto 5,0×3,0 ×1,5.
    Em março 2023, cerca de 3 meses após tirou mais 3 polipos,2 fragmentos irregulares de 0,3 cada( adenoma vilões tubular, 4 fragmentos( polipo de colon ceco)q medem entre 0,3 e 0,5 e 2 fragmentos polipoides q medem 0,5 e 0,6.
    Esse aparecimento de novos pólipos em tão pouco tempo é preocupante?
    Se puder responder, agradeço muito.
    Estou angustiada

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A questão é saber se são mesmos novos pólipos ou se passaram despercebidos na primeira colonoscopia por serem muito pequenos.

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