O que é o Implanon?
O Implanon é um implante hormonal subdérmico utilizado como método contraceptivo de longa duração. Popularmente conhecido como chip anticoncepcional, ele é uma opção moderna, segura e altamente eficaz para prevenir a gravidez. Trata-se de uma pequena haste flexível, com cerca de 4 centímetros de comprimento, que é inserida sob a pele do braço da mulher, geralmente na região interna do braço não dominante.
Este implante contraceptivo contém etonogestrel, um hormônio sintético da classe dos progestágenos, que é liberado gradualmente na corrente sanguínea. Progestágenos são substâncias, naturais ou sintéticas, que atuam nos receptores de progesterona no corpo humano, mimetizando os efeitos da progesterona natural.
O medicamento age de forma combinada: impede a ovulação, dificulta a passagem dos espermatozoides ao espessar o muco cervical e altera o endométrio (camada interna do útero), tornando-o menos receptivo à implantação de um óvulo fecundado.
O Implanon oferece proteção contínua contra a gravidez por até três anos, com uma taxa de falha inferior a 0,1%, comparável à laqueadura tubária, mas com a vantagem de ser totalmente reversível. Sua principal vantagem em relação a outros métodos contraceptivos está no fato de não depender do uso diário, reduzindo significativamente o risco de falhas por esquecimento.
Leitura sugerida: 20 opções de métodos anticoncepcionais e suas taxas de êxito.
Nos últimos anos, o Implanon ganhou destaque entre os métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARC), especialmente entre mulheres que buscam uma alternativa prática, discreta e confiável à pílula anticoncepcional. Além disso, seu uso vem sendo cada vez mais incorporado em políticas públicas de saúde ao redor do mundo.
Implanon NXT e Nexplanon: qual a diferença?
Embora o nome Implanon seja o mais conhecido no Brasil e em Portugal, a versão atualmente comercializada nesses países é chamada de Implanon NXT — que corresponde tecnicamente ao Nexplanon, nome utilizado nos Estados Unidos e em outros países. Todas essas versões têm a mesma composição hormonal (etonogestrel 68 mg) e funcionam da mesma forma.
A principal diferença está na formulação do bastonete: o Implanon NXT e o Nexplanon contêm óxido de bário, o que os torna visíveis em exames de imagem como raio-X — uma vantagem importante para confirmar a posição correta do implante ou facilitar sua remoção. Além disso, essas versões utilizam um aplicador aprimorado, que reduz o risco de inserção inadequada.
Nota sobre a nomenclatura: ao longo deste artigo, utilizaremos o nome Implanon, por ser o termo mais conhecido entre pacientes e profissionais de saúde no Brasil. Embora a versão comercializada atualmente se chame Implanon NXT, o uso do nome Implanon será mantido por motivos de clareza, familiaridade e consistência com a linguagem adotada nos materiais informativos do SUS e em boa parte da literatura médica nacional.
Vantagens do Implanon
O Implanon é considerado um dos métodos contraceptivos mais eficazes e práticos disponíveis atualmente. Sua popularidade tem crescido entre mulheres que buscam maior autonomia e tranquilidade no controle da fertilidade, especialmente por ser um método de longa duração, reversível e de baixa manutenção.
Entre os principais benefícios do implante hormonal subdérmico, destacam-se:
1. Alta eficácia contraceptiva
Com uma taxa de falha inferior a 0,1%, o Implanon oferece uma proteção comparável à laqueadura tubária, mas sem necessidade de cirurgia e com efeito totalmente reversível. Ele atua continuamente, sem depender da adesão da usuária, o que elimina o risco de falha por esquecimento — comum com anticoncepcionais orais.
2. Longa duração e praticidade
Após a inserção, o Implanon oferece até três anos de proteção contra a gravidez, sem a necessidade de nenhuma ação da usuária nesse período. Essa característica o torna ideal para quem busca uma solução contraceptiva de longo prazo, mas que possa ser revertida a qualquer momento.
3. Rápido retorno da fertilidade
A fertilidade costuma retornar de forma rápida após a retirada do implante — geralmente dentro de poucas semanas. Isso permite flexibilidade caso a mulher deseje engravidar no futuro.
4. Método discreto
O implante é quase invisível sob a pele e muitas vezes imperceptível ao toque, oferecendo um alto nível de privacidade. Essa discrição é um diferencial importante para muitas usuárias.
5. Pode ser usado durante a amamentação
O etonogestrel é compatível com a lactação. Diversos estudos demonstraram que o Implanon não interfere na produção de leite nem prejudica o desenvolvimento do bebê, podendo ser utilizado com segurança por mulheres que estão amamentando, a partir da quarta semana pós-parto.
6. Alternativa para quem não pode usar estrogênio
Por ser um método exclusivamente progestagênico, o Implanon é uma boa opção para mulheres que apresentam contraindicação ao uso de estrogênios, como ocorre em casos de enxaqueca com aura, hipertensão não controlada ou risco aumentado de trombose.
7. Redução do fluxo menstrual em muitas usuárias
Embora o padrão de sangramento varie de mulher para mulher (o que será abordado na seção de efeitos colaterais), muitas usuárias relatam redução do fluxo menstrual ou até ausência de menstruação durante o uso, o que pode ser um benefício adicional para quem sofre com cólicas ou menstruações intensas.
Efeitos colaterais e possíveis desvantagens do Implanon
Embora o Implanon seja considerado um método contraceptivo altamente seguro e bem tolerado pela maioria das usuárias, como qualquer medicação, ele não está isento de efeitos colaterais e possíveis desvantagens. A resposta ao implante pode variar bastante entre as mulheres, tanto em relação aos sintomas quanto à regularidade menstrual.
1. Alterações menstruais
A irregularidade menstrual é o efeito colateral mais comum e, frequentemente, o principal motivo para interrupção do método.
As alterações incluem:
- Sangramentos frequentes ou prolongados.
- Spotting (pequenos sangramentos entre os ciclos).
- Amenorreia (ausência total de menstruação) — que pode até ser um efeito desejável para algumas mulheres.
- Menstruações imprevisíveis, sem padrão cíclico claro.
Estudos mostram que cerca de 20% a 30% das usuárias ficam completamente sem menstruar, enquanto outras apresentam sangramentos irregulares ou persistentes nos primeiros meses de uso. Na maioria dos casos, esses sintomas tendem a melhorar com o tempo, mas não há como prever como cada organismo irá reagir.
É importante ressaltar que essas alterações menstruais não indicam que o método está falhando e não comprometem sua eficácia contraceptiva.
2. Efeitos hormonais sistêmicos
Como ocorre com outros métodos hormonais, o Implanon pode causar alguns sintomas associados à ação do etonogestrel. Os mais relatados incluem:
- Cefaleia (dor de cabeça) — até 25% das usuárias relatam.
- Acne ou piora da pele oleosa.
- Sensibilidade ou dor nas mamas.
- Alterações de humor, incluindo labilidade emocional e, menos frequentemente, depressão.
- Redução da libido (desejo sexual).
- Ganho de peso leve — relatado por uma parcela das usuárias, embora a maioria mantenha peso estável. Em estudos clínicos, apenas cerca de 2% removeram o implante por esse motivo (leitura sugerida: Tomar pílula anticoncepcional engorda?).
Vale destacar que a maioria desses sintomas são transitórios e de intensidade leve a moderada. Em casos persistentes ou incômodos, o implante pode ser retirado a qualquer momento.
3. Efeitos locais
No local da aplicação, podem ocorrer:
- Dor, inchaço ou hematoma logo após a inserção.
- Irritação ou sensibilidade local.
- Cicatriz discreta após a retirada.
- Raramente, migração do implante para uma posição mais profunda ou deslocamento — o que pode dificultar a remoção, mas é uma condição rara.
4. Outros riscos menos comuns
- Cistos ovarianos funcionais: geralmente assintomáticos e transitórios.
- Risco de trombose: baixo, mas presente, especialmente em mulheres com histórico de eventos tromboembólicos.
- Efeito sobre o humor: mulheres com histórico de depressão devem ser acompanhadas de perto.
- Não protege contra ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) — é necessário o uso de preservativo para essa finalidade.
Apesar dessas possíveis desvantagens, o Implanon continua sendo um dos métodos contraceptivos mais seguros e eficazes disponíveis. O mais importante é que a mulher seja informada de forma clara sobre os potenciais efeitos colaterais, especialmente os relacionados ao padrão menstrual, antes de iniciar o uso. Uma boa orientação prévia reduz as taxas de insatisfação e aumenta a adesão ao método.
Quem pode e quem não pode usar o Implanon
O Implanon é indicado para a maioria das mulheres em idade fértil que desejam evitar a gravidez por um período prolongado, de forma segura, eficaz e reversível. No entanto, como todo método hormonal, sua indicação deve ser avaliada individualmente por um profissional de saúde, considerando o histórico clínico e as características de cada paciente.
Indicações: quem pode usar
O Implanon é especialmente recomendado para:
- Mulheres que desejam contracepção de longa duração (até 3 anos).
- Mulheres que não podem usar estrogênios, como em casos de enxaqueca com aura, hipertensão não controlada, ou risco aumentado de trombose.
- Adolescentes e jovens que desejam evitar gravidez com um método discreto e de baixa manutenção.
- Mulheres no pós-parto, inclusive durante a amamentação (a partir de 4 semanas após o parto).
- Pacientes que têm dificuldade de manter adesão a métodos que exigem uso frequente, como a pílula ou anticoncepcionais injetáveis.
Contraindicações: quem não deve usar
O uso do Implanon é contraindicado nas seguintes situações:
- Gravidez confirmada ou suspeita.
- Trombose venosa ou arterial ativa, ou histórico de eventos tromboembólicos graves (ex.: AVC, embolia pulmonar, infarto do miocárdio).
- Doença hepática grave ou tumores hepáticos (benignos ou malignos).
- Câncer de mama atual ou história de câncer de mama sensível a hormônios.
- Sangramento vaginal sem causa diagnosticada.
- Alergia conhecida ao etonogestrel ou a qualquer componente do implante.
Além disso, é necessário cautela em pacientes com:
- Diabetes mellitus mal controlado.
- Hipertensão grave.
- Depressão significativa atual ou prévia.
- Lúpus eritematoso sistêmico (LES) com envolvimento vascular.
Nesses casos, o uso do Implanon pode ser considerado, mas exige acompanhamento médico mais rigoroso e avaliação risco-benefício individualizada.
Como é feita a inserção e remoção do Implanon
A inserção do Implanon é um procedimento simples, realizado em consultório por um(a) médico(a) ou enfermeiro(a) treinado(a). Não é necessária cirurgia ou internação, e o tempo total do procedimento costuma ser inferior a 10 minutos.
Inserção do Implanon
O implante é colocado na face interna do braço não dominante, cerca de 6 a 8 centímetros acima do cotovelo. A pele é limpa e anestesiada localmente. Em seguida, o dispositivo é introduzido com um aplicador estéril e pré-carregado, que posiciona o bastonete logo abaixo da pele (no tecido subcutâneo), de forma praticamente imperceptível.
Após a inserção, a profissional verificará se o implante está corretamente posicionado e visível ao toque. Um curativo compressivo é aplicado por 24 horas para reduzir hematomas.
A usuária deve conseguir sentir o implante com os dedos, mas ele não deve ser visível a olho nu. Em caso de dúvida sobre a localização, exames como ultrassonografia ou raio-X (quando se trata do Implanon NXT) podem confirmar a posição do dispositivo.
Quando inserir?
O momento ideal para inserção depende do histórico menstrual e do uso prévio de outros métodos contraceptivos. Alguns exemplos:
- Sem uso de outro método hormonal: entre o 1º e o 5º dia do ciclo menstrual (contando o primeiro dia da menstruação como dia 1).
- Troca de outro método hormonal (pílula, injetável, DIU hormonal): pode ser feito em transição direta, conforme orientação médica;
- Após um aborto no primeiro trimestre, o Implanon pode ser inserido imediatamente.
- No pós-parto, recomenda-se a inserção entre 21 e 28 dias após o nascimento, especialmente se a mulher não estiver amamentando exclusivamente.
- Para mulheres que estão amamentando exclusivamente, a colocação deve ocorrer a partir de quatro semanas após o parto, conforme avaliação médica.
Se o implante for inserido fora do período recomendado, recomenda-se usar um método de apoio (como camisinha) por 7 dias.
Remoção do Implanon
A remoção do Implanon também é feita em consultório, com anestesia local. Um pequeno corte (cerca de 2-3 mm) é feito sobre a área onde o implante pode ser sentido e o bastonete é retirado com uma pinça especial.
A retirada costuma ser rápida e indolor, embora casos raros de implantes profundos ou migrados possam exigir mais tempo ou exames de imagem para localização. Após a remoção, o local é fechado com um curativo simples.
Posso colocar outro implante logo após a retirada?
Sim. Se a mulher desejar continuar com o método, um novo Implanon pode ser inserido imediatamente após a remoção do anterior, no mesmo procedimento. Isso garante continuidade da proteção contraceptiva, sem necessidade de método adicional.
Implanon no SUS: como conseguir gratuitamente
Em 2025, o Implanon foi oficialmente incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) como parte da estratégia nacional de ampliação do acesso a métodos contraceptivos modernos, seguros e de longa duração. A inclusão do implante hormonal subdérmico representa um avanço nas políticas públicas de planejamento reprodutivo e na promoção da saúde da mulher no Brasil.
Quem tem direito?
Toda mulher em idade fértil, atendida na rede pública, pode ter acesso ao Implanon de forma gratuita, desde que exista indicação médica e consentimento informado. A priorização inicial pode variar de acordo com diretrizes locais, mas o método deve estar disponível para qualquer mulher que deseje evitar uma gravidez por longo prazo e não tenha contraindicações clínicas.
Onde conseguir?
O implante será disponibilizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), por meio das equipes de atenção primária. O procedimento de inserção e remoção deve ser realizado por profissionais capacitados — médicas(os) ou enfermeiras(os) habilitadas(os) — seguindo os protocolos definidos pelo Ministério da Saúde.
Distribuição e expansão
Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo é distribuir cerca de 1,8 milhão de implantes até 2026, com 500 mil unidades previstas só no primeiro ano de implementação. A ampliação da oferta será acompanhada por programas de capacitação de profissionais, aquisição e logística de distribuição dos dispositivos em todo o território nacional.
Dúvidas frequentes sobre o Implanon (FAQ)
Implanon engorda?
O ganho de peso é relatado por algumas usuárias, mas não é uma consequência universal do uso do Implanon. Estudos mostram que a maioria das mulheres mantém o peso estável ou apresenta aumento discreto. Apenas uma pequena parcela descontinua o uso por esse motivo. Fatores como alimentação, metabolismo e estilo de vida também influenciam.
O Implanon causa infertilidade?
Não. O Implanon é um método totalmente reversível. A fertilidade costuma retornar rapidamente após a remoção, geralmente dentro de poucas semanas. Diversas mulheres engravidam no primeiro trimestre após a retirada do implante.
É normal não menstruar com o Implanon?
Sim. A amenorreia (ausência de menstruação) ocorre em cerca de 20% a 30% das usuárias e não indica nenhum problema de saúde. Por outro lado, algumas mulheres podem apresentar sangramentos frequentes ou irregulares. Essas alterações são comuns e esperadas, especialmente nos primeiros meses.
Quanto custa o Implanon?
No setor privado, o Implanon pode custar entre R$ 2.000 e R$ 4.000, incluindo o implante e o procedimento de inserção. No entanto, ele já está disponível gratuitamente pelo SUS, conforme diretrizes do Ministério da Saúde.
O Implanon é seguro para adolescentes?
Sim. O Implanon é uma opção segura para adolescentes sexualmente ativas e é recomendado por diversas organizações internacionais de saúde como método de escolha para prevenção de gravidez não planejada, devido à sua alta eficácia e baixa necessidade de adesão.
O chip anticoncepcional é a mesma coisa que o Implanon?
Na maioria das vezes, sim. O termo “chip anticoncepcional” é uma denominação popular para o Implanon, embora nem todo implante subdérmico hormonal vendido sob esse nome informal tenha as mesmas características ou aprovação regulatória. O Implanon é um produto oficialmente aprovado pela Anvisa e com eficácia comprovada.
Posso retirar o Implanon antes de 3 anos?
Sim. O implante pode ser retirado a qualquer momento, por decisão da usuária ou por recomendação médica. A remoção é rápida, feita com anestesia local, e a fertilidade retorna logo após.
- Contraception: Etonogestrel implant – UpToDate.
- Organon/MSD. Bula do Implanon NXT (Etonogestrel 68 mg).
- Etonogestrel (Implanon), Another Treatment Option for Contraception – PubMed Central (PMC).
- Nexplanon (etonogestrel) – Uses, Side Effects, and More – WebMD.
- Ministério da Saúde (Brasil). Implante contraceptivo mais moderno será oferecido no SUS.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Dr. O que acontece se eu não conseguir mais sentir o Implanon no braço ou achar que ele se mexeu de lugar?
Posso tomar antibiótico ou outros remédios usando o Implanon ou ele perde o efeito anticoncepcional?