Calcule a sua taxa de etanol no sangue (BAC)
A determinação exata da quantidade de álcool circulando no sangue pode ser obtida diretamente através da dosagem sanguínea por exame de sangue ou indiretamente, através da respiração, com o chamado teste do bafômetro.
Porém, é possível estimar a quantidade de álcool no seu sangue se você souber o volume de bebida alcoólica ingerido e o teor de álcool dela.
Estimativa de Álcool no Sangue
Eliminação média 0,015 g/dL·h (pode variar 0,010 – 0,020). O resultado é uma estimativa. Não utilize a calculadora como base para poder dirigir.
Quando bebemos de estômago vazio, os níveis máximos de etanol no sangue são atingidos entre 30 e 90 minutos após a ingestão.
Existe uma grande variação com relação à velocidade com que cada organismo consegue metabolizar o etanol ingerido. A maioria das pessoas elimina o etanol da corrente sanguínea a uma taxa aproximada de 15 a 20 mg/dL (0,015 a 0,020 g/dL) por hora. Já os indivíduos que fazem uso crônico de álcool podem eliminar o etanol a uma taxa de 25 a 35 mg/dL (0,025 a 0,035 g/dL) por hora.
Por exemplo, se uma pessoa de 70 kg bebeu 7 latas de cerveja de 350 ml com teor alcoólico de 5%, ela terá alcançado uma concentração sanguínea de álcool ao redor de 230 mg/dl. 10 horas depois, ao acordar, ela terá ainda no sangue entre 30 e 80 mg/dl de etanol (0,030 a 0,080 g/dL). No Brasil, essa taxa ainda é considerada embriaguez legal e o indivíduo pode ser pego no teste do bafômetro se for conduzir um automóvel.
Bafômetro: limites legais no Brasil
No Brasil, o teste do bafômetro (também chamado de etilômetro) mede a concentração de álcool no ar alveolar exalado, sendo os resultados expressos em miligramas por litro (mg/L). A legislação de trânsito brasileira adota a política de tolerância zero para a condução de veículos sob efeito de álcool. No entanto, há uma margem técnica de segurança de até 0,04 mg/L, atribuída à possibilidade de variação nos resultados do equipamento.
O resultado fornecido pela calculadora representa a concentração estimada de álcool no sangue (BAC), expressa em g/dL ou mg/dL, conforme usado em exames laboratoriais ou perícias médicas.
No entanto, os testes de bafômetro utilizados pelas autoridades de trânsito no Brasil medem o álcool no ar exalado (ar alveolar), e os valores são expressos em mg/L. Apesar de existir uma correlação entre o álcool no sangue e no ar exalado, os valores não são diretamente comparáveis, pois envolvem meios biológicos diferentes.
Limites legais e penalidades
- Até 0,04 mg/L (equivale aproximadamente a um BAC de até 0,008 g/dL): valor dentro da margem de erro do equipamento. Não configura infração e, portanto, não gera penalidades legais.
- De 0,05 mg/L a 0,33 mg/L (equivale aproximadamente a um BAC de até 0,01 a 0,07 g/dL): considerado infração gravíssima. As penalidades incluem: multa, suspensão da carteira de habilitação por 12 meses; 7 pontos na CNH.
Em caso de reincidência no período de um ano, o valor da multa é dobrado. - Igual ou superior a 0,34 mg/L (equivale aproximadamente a um BAC acima de 0,07 g/dL): neste caso, o condutor é enquadrado em crime de trânsito, conforme o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). As punições previstas incluem: detenção de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição do direito de dirigir.
Sintomas de embriaguez conforme a taxa sanguínea de etanol
Os sinais e sintomas da intoxicação por etanol variam muito dependendo da genética do paciente, do tipo, quantidade e taxa de ingestão de etanol e da frequência e padrão de uso de álcool.
Em indivíduos que usam álcool somente em eventos sociais, os efeitos clínicos da intoxicação por etanol são mais previsíveis. Por outro lado, os efeitos da embriaguez em pessoas com histórico de uso frequente de álcool são mais imprevisíveis e estes podem apresentar pouca evidência clínica de intoxicação mesmo com concentração sanguínea acima de 400 mg/dL.
Os sinais e sintomas descritos abaixo são os esperados em pessoas não alcoólatras:
Intoxicação leve: concentração sanguínea de etanol entre 10 e 100 mg/dl (0,010 a 0,10 g/dL):
- Sentimentos de bem-estar e confiança.
- Desinibição.
- Verborreia: tendência a falar muito.
- Sentimentos de tranquilidade e relaxamento.
- Déficits leves de coordenação motora.
- Marcha instável.
- Dificuldade em ficar de pé.
- Atenção, memória e julgamento ligeiramente diminuídos.
- Vermelhidão da pele ou rubor do rosto.
- Batimentos cardíacos ligeiramente acelerados.
Intoxicação moderada: concentração sanguínea de etanol entre 150 e 300 mg/dl (0,15 a 0,30 g/dL):
- Variabilidade de humor.
- Desinibição pronunciada.
- Fala arrastada.
- Maiores déficits na coordenação e habilidades psicomotoras.
- Aumento da instabilidade da marcha.
- Falta de jeito, a pessoa torna-se desastrada.
- Atenção, memória e julgamento cada vez mais prejudicados.
- Redução na capacidade de resposta, de alerta e no tempo de reação.
- Confusão mental.
- Movimentos oculares descontrolados.
- Sonolência.
- Tontura.
- Náuseas e vômitos.
- Visão e localização sonora prejudicadas.
- Amnésia.
Intoxicação grave: concentração sanguínea de etanol entre 300 e 400 mg/dl (0,30 a 0,40 g/dL):
- Delírios e alucinações.
- Dificuldade severa para falar.
- Tontura severa.
- Déficits graves na coordenação e habilidades psicomotoras.
- Hipotermia.
Intoxicação potencialmente fatal: concentração sanguínea de etanol a partir de 400 mg/dl (0,40 g/dL):
- Coma potencial.
- Perda de consciência.
- Perda dos reflexos defensivos, como a tosse.
- Insuficiência respiratória.
- Convulsão.
Referências
- Calculator: Blood ethanol concentration estimation – UpToDate.
- Ethanol intoxication in adults – UpToDate.
- Alcohol Intoxication – ADA.
- Blood Alcohol Concentration – University of Notre Dame.
- Resolução CONTRAN nº 432/2013.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Caro Dr Pedro Pinheiro, ficaria agradecido se pudesse me ajudar.
Alguém dirigindo, supostamente “bebado”, colidiu em meu carro que encontrava estacionado.
Conduzido à Delegacia de Polícia, o Delegado Plantonista percebendo a ingestão de bebida alcóolica, resolveu submetê-lo à Exame Toxicológico e, como o motorista apresentava ferimentos, também foi encaminhado ao Pronto Socorro.
Na Fixa de Atendimento de Urgência, foi registrado pelo Médico Atendente, que o Paciente apresentava hálito etilíco e, ainda informava ao médico, que havia ingerido bebida alcóolica; vindo a colidir o carro e ser agredido por populares.
As Câmeras de Vigilância e Celulares de Populares, registraram o motorista “cambaleante”, chegando até mesmo a cair sozinho, tipo “tropeçando na própria sombra”.
O acidente ocorreu por volta das 17h30min e seu sangue para Exame Toxicológico foi colhido por volta das 21h00, após ter sido socorrido e medicado ou seja, depois de 03h30min.
Além disso, o sangue foi colhido no dia 08/04 e o Exame Técnico só foi realizado no dia 29/04; ou seja, após 21 dias da coleta.
Em 13/06, o Laudo de Exame Toxicológico apresentou resultado NEGATIVO , tanto para Álcool como para Drogas de Abuso.
A Metodologia utilizada para detectar a DOSAGEM DE ÁLCOOL ETÍLICO EM SANGUE, foi CROMATOGRAFIA GASOSA ACOPLADA A DETECTOR DO TIPO IONIZAÇÃO DE CHAMA.
A Metodologia utilizada para pesquisar DROGAS DE ABUSO, foi CROMATOGRAFIA LÍQUIDA DE ALTA EFICIÊNCIA ACOPLADA A ESPECTROMETRIA DE MASSAS COM FILTRO DE MASSAS DO TIPO TRIPLO QUADRUPOLO SEQUENCIAL.
A pergunta que faço é:
1) Devido o espaço de tempo de três horas e meia, entre o acidente e a coleta do material para exame, poderia se esperar um resultado NEGATIVO ou, essa janela de tempo não seria capaz de interferir no exame, tratando-se de uma pessoa masculina, de 60 anos de idade, com peso de aproximadamente 90 a 100 Kg, para uma estatura de aproximadamente 1,80 m?
2) A medicação Hospitalar poderia interferir de forma a tornar o exame NEGATIVO?
3) O fato do Material Sanguineo ter colhido em um dia e, ter sido submetido a exame tão somente após 21 dias, poderia inviabilizar o exame, tornando-o NEGATIVO?
NOTA: Não se sabe qual a medicação ministrada no ambiente hospitalar, como também não se sabe como o Material Sanguíneo foi armazenado durante esses 21 dias precedentes ao Exame de Dosagem Alcóolica.
Agora que o Exame deu NEGATIVO, fui surpreendido com uma Ação Judicial na qual o suposto “bêbado” pleitea uma indenização de 50 Mil Reais.
Se puder me responder essas três perguntas ficarei grato.
Obrigado e que o DEUS de Tua FÉ lhe Abençoe e Proteja sempre!
Como saber quanto representa 24,2 dg/L no sangue para fins de apuração de embriaguez?
Boatarde gostaria de saber significado do 0,8 e do 0,6 da equação, de onde foram tirados, qual significado dele?
(o volume ingerido * percentual de etanol da bebida * 0,8) / (peso * 0,6).)