Cannabis (maconha): efeitos agudos e crônicos, riscos e dependência


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Revisado e atualizado em outubro 18, 2025
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O que é a cannabis?

A Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha ou marijuana, é a substância psicoativa ilícita mais consumida no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 147 milhões de pessoas, ou aproximadamente 2,5% da população global, fazem uso regular da planta em alguma de suas formas. No Brasil, embora o uso recreativo da cannabis permaneça proibido, seu consumo — especialmente entre jovens — tem aumentado nas últimas décadas.

A planta cannabis contém mais de 500 compostos químicos, sendo os canabinoides os principais responsáveis por seus efeitos no organismo humano. O mais conhecido e estudado é o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), responsável pelos efeitos psicoativos típicos da maconha. Outro componente relevante é o canabidiol (CBD), que não causa intoxicação e vem sendo investigado por seus possíveis efeitos terapêuticos, como ação ansiolítica, anticonvulsivante e anti-inflamatória.

A cannabis pode ser consumida de diversas maneiras: por inalação (fumo, vaporização, dab), ingestão (alimentos ou óleos), uso sublingual, tópico ou até mesmo por via retal (supositórios). A forma de consumo influencia diretamente o início, a intensidade e a duração dos efeitos da substância. Por exemplo, o uso inalado promove efeito quase imediato, enquanto o uso por via oral tem início mais lento, mas duração mais prolongada.

Nas últimas décadas, houve um aumento significativo da potência dos produtos derivados da cannabis, especialmente com o surgimento de extratos altamente concentrados de THC. Isso tem contribuído para uma maior incidência de intoxicações, transtornos psiquiátricos induzidos por cannabis e sintomas graves em crianças que acidentalmente ingerem produtos com altos teores de THC.

Ao mesmo tempo, cresce o interesse médico e científico pelos potenciais usos terapêuticos da cannabis e de seus derivados. Em vários países, inclusive em alguns estados dos Estados Unidos, produtos com canabinoides têm sido utilizados no manejo de dor crônica, espasticidade associada à esclerose múltipla, náuseas induzidas por quimioterapia e formas raras de epilepsia infantil. No entanto, o uso medicinal da cannabis ainda é cercado de controvérsias e carece de estudos robustos em muitas das suas indicações.

Ilustração botânica da folha de cannabis, com suas características serrilhadas e formato típico em leque, símbolo amplamente reconhecido da planta.
Folha de maconha: ilustração botânica da folha de cannabis, com suas características serrilhadas e formato típico em leque, símbolo amplamente reconhecido da planta.

Além disso, o consumo frequente ou precoce da substância pode levar ao desenvolvimento do chamado transtorno por uso de cannabis, uma condição caracterizada por perda de controle, compulsão, tolerância e prejuízo funcional. A dependência de cannabis, embora menos prevalente que a de outras drogas, pode afetar a saúde mental, o desempenho escolar ou profissional e as relações sociais do indivíduo.

Este artigo visa apresentar uma visão abrangente e atualizada sobre os malefícios da cannabis, incluindo seus efeitos agudos e crônicos, riscos à saúde e critérios diagnósticos relacionados ao uso problemático. Todas as informações são baseadas em evidências científicas recentes e nas principais diretrizes clínicas internacionais.

O uso medicinal da cannabis será abordado em artigo à parte.

Farmacologia, formas de uso e vias de administração da cannabis

A planta Cannabis sativa contém uma variedade de compostos biologicamente ativos, entre os quais os canabinoides são os mais relevantes do ponto de vista farmacológico.

Os dois canabinoides mais estudados são:

  • Delta-9-tetrahidrocanabinol (THC): é o principal responsável pelos efeitos psicoativos da maconha. Atua no sistema nervoso central produzindo sensação de euforia, relaxamento, alteração da percepção sensorial e do tempo, entre outros efeitos. Também possui propriedades analgésicas (contra dor), antieméticas (contra enjoos) e orexígenas (estimula o apetite).
  • Canabidiol (CBD): embora seja um componente importante da planta, o CBD não é psicoativo. Estudos sugerem que ele pode ter propriedades ansiolíticas, anticonvulsivantes, antipsicóticas, anti-inflamatórias e neuroprotetoras. Além disso, o CBD pode atenuar alguns dos efeitos adversos do THC, como a ansiedade e a psicose.

Receptores canabinoides

Os efeitos da cannabis são mediados principalmente por dois receptores do sistema endocanabinoide:

  • CB1: encontrado predominantemente no cérebro e sistema nervoso central, especialmente nas regiões responsáveis por funções cognitivas, memória, coordenação motora e percepção do prazer. A ativação desses receptores pelo THC está relacionada aos efeitos psicoativos da droga.
  • CB2: localizado principalmente no sistema imunológico e em tecidos periféricos. Sua ativação está associada a efeitos anti-inflamatórios e imunomoduladores.

Além dos receptores canabinoides, a planta também contém terpenos (substâncias que conferem aroma e sabor) e flavonoides, que também podem ter propriedades farmacológicas.

Farmacocinética: absorção, metabolismo e excreção

  • Inalação (fumada ou vaporizada): é a forma mais comum de uso recreativo. Os efeitos psicoativos aparecem em minutos, atingem o pico entre 15 e 30 minutos e duram de 2 a 4 horas. A biodisponibilidade (quantidade absorvida pelo organismo) varia entre 10% e 35%, dependendo da profundidade da inalação e da duração da retenção do ar nos pulmões.
  • Ingestão (comestíveis, cápsulas, óleos): tem início de ação mais lento (30 minutos a 3 horas), mas os efeitos são mais duradouros (podem ultrapassar 12 horas). A biodisponibilidade é menor (5% a 20%) devido à metabolização hepática de primeira passagem*. O metabolismo do THC no fígado gera um metabólito ativo, o 11-hidroxi-THC, que tem efeito ainda mais potente e prolongado.
  • Uso sublingual ou oral mucoso: por meio de sprays ou tinturas aplicadas sob a língua. Promove absorção rápida pela mucosa oral, evitando parte da metabolização hepática e oferecendo efeitos mais rápidos e previsíveis que os comestíveis.
  • Uso tópico: cremes e pomadas com CBD ou THC para aplicação local em condições dermatológicas ou musculoesqueléticas. Apresenta efeitos locais, sem causar efeitos psicoativos sistêmicos.
  • Supositórios: pouco utilizados, mas com potencial de absorção sistêmica, especialmente em pacientes que não podem usar a via oral.

* A metabolização hepática de primeira passagem é um processo no qual uma substância ingerida por via oral é metabolizada no fígado antes de chegar à circulação sistêmica. Quando o THC é ingerido, ele é absorvido pelo trato gastrointestinal e transportado pela veia porta até o fígado. Ali, parte do composto é quimicamente transformada por enzimas hepáticas (principalmente do sistema citocromo P450), o que pode reduzir sua concentração ativa antes que ele alcance o restante do corpo. Esse fenômeno explica por que substâncias ingeridas por via oral geralmente têm menor biodisponibilidade (menor quantidade de fármaco ativo disponível no sangue) em comparação com aquelas administradas por vias que evitam o fígado inicialmente, como a inalatória ou sublingual.

Formas de uso e produtos derivados da cannabis

A cannabis pode ser consumida por diversas vias e em diferentes formas farmacológicas, naturais ou processadas. A forma de apresentação e o método de consumo influenciam diretamente na biodisponibilidade dos canabinoides, na intensidade dos efeitos e no perfil de risco de intoxicação aguda e crônica. A seguir, descrevem-se os principais produtos e formas de uso:

1. Flores secas da planta

É a forma mais tradicional de uso da cannabis, especialmente para fins recreativos. Trata-se das flores da planta (geralmente da espécie Cannabis sativa ou indica), secas e fumadas em cigarros artesanais (os chamados “baseados”), em cachimbos ou em dispositivos vaporizadores.

Ganja é um dos muitos nomes populares dados à cannabis, especialmente utilizados em contextos culturais e religiosos específicos. A palavra tem origem no termo sânscrito “gañjā” (गञ्जा), que significa maconha. É amplamente usada na Índia, Jamaica e em outras regiões influenciadas pela cultura hindu e rastafári.

O conteúdo médio de THC nas flores secas aumentou significativamente nas últimas décadas, podendo ultrapassar 20% em algumas variedades. É comum a mistura com tabaco, o que pode potencializar efeitos adversos respiratórios e aumentar o risco de dependência nicotínica.

Flor da planta Cannabis sativa, principal fonte dos canabinoides THC e CBD.
Flor da planta Cannabis sativa, principal fonte dos canabinoides THC e CBD.

2. Óleos, extratos e concentrados

Os extratos de cannabis são produzidos por métodos de extração com solventes orgânicos (como butano, etanol ou CO₂), que isolam os canabinoides em alta concentração. Esses produtos incluem:

  • Óleos de cannabis: utilizados por via sublingual ou oral, frequentemente com proporções definidas de THC e CBD.
  • Wax, shatter, budder e dabs: formas extremamente concentradas, com teor de THC que pode ultrapassar 80% a 90%. São consumidas por vaporização em temperaturas elevadas (“dabbing”) e apresentam risco elevado de efeitos adversos agudos, como:
    • Psicose transitória.
    • Crises de ansiedade ou pânico.
    • Confusão mental.
    • Hiperêmese canabinoide (condição caracterizada por episódios recorrentes de náuseas intensas e vômitos incoercíveis em usuários crônicos de cannabis).
    • Intoxicação grave, especialmente em usuários inexperientes.

3. Haxixe (hashish)

O haxixe é um derivado resinoso da planta, obtido por coleta e compressão dos tricomas, estruturas microscópicas ricas em THC. Apresenta-se em forma sólida ou pastosa, com teor de THC entre 20% e 60%, sendo fumado ou vaporizado. É particularmente popular em países do Oriente Médio, Norte da África e Europa.

O haxixe está associado a maior risco de efeitos neuropsiquiátricos, especialmente em adolescentes ou indivíduos predispostos a transtornos psicóticos. Em crianças, intoxicações acidentais por ingestão de haxixe são potencialmente graves, com risco de depressão do nível de consciência, convulsões e insuficiência respiratória.

4. Comestíveis

Incluem preparações como biscoitos, chocolates, balas e outras formas alimentícias contendo THC e/ou CBD. Seu uso vem crescendo, especialmente em mercados regulados.

Características principais:

  • Efeito mais tardio (30 minutos a 2 horas), devido à metabolização hepática de primeira passagem.
  • Duração prolongada dos efeitos (até 12 horas).
  • Maior risco de superdosagem, especialmente em usuários iniciantes ou crianças, que podem ingerir grandes quantidades por desconhecimento do conteúdo psicoativo.

Casos de intoxicação infantil por comestíveis têm aumentado nos países onde o uso recreativo é legalizado, frequentemente exigindo atendimento hospitalar.

5. Produtos vaporizados

Cartuchos contendo óleos de THC ou CBD podem ser utilizados em cigarros eletrônicos e vaporizadores portáteis. Embora produzam menos produtos da combustão do que o fumo, esses dispositivos podem conter solventes tóxicos, diluentes (como acetato de vitamina E) e outras substâncias contaminantes.

O uso de produtos vaporizados, especialmente os não regulamentados, tem sido associado a surtos de lesões pulmonares graves, como o quadro conhecido por EVALI (e-cigarette or vaping product use-associated lung injury).

Leitura sugerida: Cigarro eletrônico faz mal (vape e pod)?

6. Outros derivados: delta-8-THC, delta-10-THC e HHC

  • Delta-8-THC e delta-10-THC: canabinoides com estrutura química semelhante ao delta-9-THC, mas com potência ligeiramente inferior. São frequentemente obtidos por síntese a partir do CBD do cânhamo, podendo conter impurezas ou subprodutos tóxicos. Estão disponíveis em mercados paralelos e pouco regulados.
  • HHC (hexahidrocanabinol): outro derivado sintético do CBD com propriedades psicoativas semelhantes ao THC. É vendido como substituto legal da cannabis em alguns países, mas seus efeitos a longo prazo são desconhecidos.

Nota: a potência dos produtos atualmente disponíveis, especialmente nos contextos regulados, é muito superior à das formas tradicionais da maconha consumidas nas décadas anteriores. Essa mudança tem implicações diretas na segurança do uso recreativo e medicinal, aumentando o risco de efeitos adversos graves.

Efeitos fisiológicos e psicológicos da cannabis

Os efeitos da cannabis sobre o organismo são amplos e variam conforme a dose, a concentração de tetrahidrocanabinol (THC), a via de administração, a experiência prévia do usuário e a suscetibilidade individual.

Eles podem ser classificados em efeitos agudos e crônicos, com manifestações tanto fisiológicas quanto neuropsiquiátricas.

Efeitos agudos da cannabis

Imediatamente após o uso, especialmente por inalação, os efeitos mais comuns incluem:

  • Euforia, sensação de bem-estar e relaxamento;
  • Aumento do apetite (“larica”);
  • Boca seca, conjuntivite não infecciosa (“olhos vermelhos”) e taquicardia leve;
  • Comprometimento da coordenação motora e dos reflexos, com prejuízo da capacidade de dirigir ou operar máquinas;
  • Alterações da percepção do tempo e do espaço, além de distorções sensoriais (cores e sons mais intensos);
  • Ansiedade, pânico, paranoia e, em casos mais graves ou com altas doses, sintomas psicóticos transitórios, como delírios e alucinações.

Esses efeitos geralmente duram de 2 a 4 horas quando inalados, podendo se prolongar por até 12 horas após ingestão oral. O uso simultâneo com outras substâncias, como álcool ou benzodiazepínicos, pode potencializar os efeitos depressores do sistema nervoso central.

Efeitos crônicos da cannabis

O termo uso crônico de cannabis refere-se ao uso frequente e prolongado da substância ao longo do tempo. Embora não haja uma definição única e universalmente aceita, na prática clínica e nos estudos científicos, considera-se uso crônico aquele que:

  • Ocorre regularmente por semanas, meses ou anos;
  • Envolve o uso semanal ou diário, especialmente em padrões sustentados por mais de três a seis meses;
  • Costuma estar associado à tolerância aos efeitos, necessidade de doses maiores para obter o mesmo efeito e, muitas vezes, sintomas de abstinência quando o uso é interrompido.

Esse padrão de uso é particularmente relevante porque está fortemente relacionado a efeitos adversos cumulativos sobre o sistema nervoso central, o sistema respiratório (quando fumada), e a saúde mental. O uso crônico é também o principal fator de risco para o desenvolvimento do transtorno por uso de cannabis (ou dependência).

A literatura aponta que os efeitos neuropsicológicos, como prejuízo da memória de trabalho, redução da capacidade de aprendizado e alterações na motivação, tendem a se acentuar quanto mais precoce for o início do uso e quanto mais frequente e duradouro ele for. Esses efeitos são geralmente reversíveis com a abstinência, mas podem ser mais persistentes quando o uso se inicia na adolescência, período de maior vulnerabilidade cerebral.

Com o uso regular ou de longo prazo da cannabis, diversos efeitos adversos podem se manifestar:

  • Déficits cognitivos, como prejuízo de atenção, memória de curto prazo, aprendizado e tomada de decisões — especialmente em usuários jovens, cujo cérebro ainda está em desenvolvimento;
  • Síndrome amotivacional, caracterizada por apatia, perda de interesse por atividades habituais e queda no desempenho acadêmico ou profissional;
  • Risco aumentado de desenvolver transtornos psiquiátricos, incluindo transtornos de ansiedade, depressão e, em indivíduos vulneráveis, esquizofrenia ou transtorno psicótico persistente;
  • Desorganização do ciclo sono-vigília. O uso recreativo de cannabis, especialmente com alto teor de THC, pode inicialmente promover o sono, reduzindo a latência do sono. No entanto, o uso crônico de THC pode alterar a arquitetura do sono, reduzindo a duração do sono de ondas lentas (N3) e do sono REM, o que pode levar a uma piora na qualidade do sono a longo prazo. Além disso, a interrupção do uso de cannabis pode resultar em insônia e outros distúrbios do sono, aumentando o risco de recaída.
  • Dependência química (transtorno por uso de cannabis), com prevalência estimada em até 10% dos usuários ocasionais e até 50% entre os usuários diários;
  • Alterações respiratórias (em usuários que fumam), como bronquite crônica, tosse e produção de escarro, embora a associação com câncer de pulmão permaneça controversa;
  • Distúrbios gastrointestinais, como a síndrome da hiperêmese canabinoide, caracterizada por náuseas cíclicas e vômitos intensos, que paradoxalmente são aliviados com banhos quentes e resolvem-se com a suspensão do uso.

Em populações específicas, como gestantes, crianças e pacientes com comorbidades cardiovasculares ou psiquiátricas, os riscos são ainda maiores, exigindo uma avaliação individualizada.

Cannabis causa dependência?

Sim, a cannabis pode causar dependência, condição atualmente denominada transtorno por uso de cannabis segundo o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 5ª edição (DSM-5).

Embora muitas vezes percebida como uma substância “leve” ou de baixo potencial aditivo, a evidência científica demonstra de forma consistente que a exposição crônica e frequente à cannabis pode levar à perda de controle sobre o uso, com impactos significativos na vida pessoal, social, acadêmica ou profissional do indivíduo.

Estima-se que cerca de 9% dos usuários ocasionais desenvolvem dependência. Esse número aumenta para 17% entre aqueles que iniciam o uso na adolescência e pode chegar a 25 a 50% nos usuários diários.

Critérios diagnósticos

O transtorno por uso de cannabis é caracterizado por um padrão problemático de uso que resulta em prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por ao menos dois dos critérios abaixo no período de 12 meses:

  • Uso em quantidades maiores ou por mais tempo do que o pretendido;
  • Tentativas mal-sucedidas de reduzir ou controlar o uso;
  • Tempo excessivo gasto para obter, usar ou se recuperar dos efeitos da substância;
  • Desejo intenso (craving) de usar cannabis;
  • Comprometimento de responsabilidades sociais, acadêmicas ou ocupacionais;
  • Abandono de atividades sociais ou recreativas em função do uso;
  • Uso persistente mesmo diante de problemas físicos ou psicológicos agravados pela cannabis;
  • Tolerância (necessidade de doses maiores para atingir o mesmo efeito);
  • Sintomas de abstinência quando o uso é interrompido.

A gravidade do transtorno é classificada como leve (2-3 critérios), moderada (4-5) ou grave (6 ou mais).

Mecanismos neurobiológicos

A dependência à cannabis envolve alterações em sistemas cerebrais de recompensa e motivação, particularmente o sistema endocanabinoide, com participação de estruturas como o núcleo accumbens, amígdala e córtex pré-frontal. O principal agente envolvido nesse processo é o THC, que atua como agonista parcial dos receptores CB1, modulando a liberação de neurotransmissores como dopamina, GABA e glutamato.

Com o uso crônico, ocorre dessensibilização e regulação negativa dos receptores canabinoides, o que favorece o desenvolvimento de tolerância e sintomas de abstinência, como irritabilidade, insônia, perda de apetite, ansiedade e desejo intenso de consumir novamente a substância.

Fatores de risco

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolvimento de dependência:

  • Início precoce do uso (especialmente antes dos 18 anos);
  • Uso frequente e em altas doses;
  • Histórico familiar de dependência química ou transtornos psiquiátricos;
  • Condições como TDAH, transtornos de ansiedade e depressão;
  • Uso concomitante de outras substâncias (álcool, tabaco, estimulantes).

Cannabis é uma porta de entrada para outras drogas?

A ideia de que a cannabis funciona como uma “porta de entrada” para o uso de outras substâncias psicoativas mais potentes — como cocaína, alucinógenos e opioides — é um tema antigo e controverso na literatura científica. Essa hipótese, conhecida como gateway hypothesis, sugere que o uso precoce de cannabis aumentaria a probabilidade de exposição e consumo de outras drogas ilícitas no futuro.

Evidências epidemiológicas

Estudos observacionais demonstram que a maioria dos usuários de drogas ilícitas mais pesadas usou cannabis antes, o que sugere uma associação temporal. No entanto, associação não implica causalidade. Muitos fatores podem explicar essa correlação sem que haja uma relação direta de causa e efeito:

  • Fatores de vulnerabilidade compartilhados, como impulsividade, transtornos psiquiátricos, ambiente familiar disfuncional ou histórico de abuso;
  • Acessibilidade e contexto social: indivíduos inseridos em ambientes onde a cannabis é usada frequentemente podem ter maior contato com outras drogas;
  • Curiosidade ou traços de personalidade de busca por novidade, que predispõem ao uso de múltiplas substâncias, independentemente da ordem.

Portanto, embora exista uma associação estatística entre uso de cannabis e posterior uso de outras drogas, ela é melhor explicada por fatores predisponentes comuns, e não necessariamente por um efeito biológico direto da cannabis que “abre caminho” para outras drogas.

A legalização da cannabis em alguns países e estados tem permitido observar tendências populacionais com mais precisão. Dados recentes não mostram aumento consistente no uso de drogas mais pesadas após a legalização da cannabis para uso recreativo, o que enfraquece a teoria de causalidade direta.

Efeitos da cannabis sobre a saúde mental

O uso de cannabis pode ter impactos variados na saúde mental, dependendo da frequência de uso, da potência do produto (nível de THC), da idade de início e da predisposição individual. Os efeitos mais frequentemente relatados incluem:

  • Ansiedade e pânico: episódios de ansiedade, inclusive com crises agudas de pânico, são comuns, especialmente em usuários inexperientes ou após uso de doses elevadas.
  • Depressão: embora algumas pessoas relatem alívio de sintomas depressivos, o uso crônico está associado, em estudos observacionais, a maior risco de sintomas depressivos persistentes.
  • Psicoses: há sólida associação entre o uso de cannabis e aumento do risco de quadros psicóticos, como delírios e alucinações, sobretudo em indivíduos com predisposição genética (história familiar de esquizofrenia ou transtornos esquizoafetivos).
  • Transtornos bipolares: o uso regular pode precipitar episódios de mania ou hipomania em pacientes vulneráveis (leia: Transtorno afetivo bipolar).

O risco de problemas psiquiátricos é maior em usuários crônicos, em jovens que iniciam o uso precocemente e com produtos de alta potência (altas concentrações de THC).

Efeitos da cannabis na pressão arterial e no coração

O THC tem ação simpaticomimética, ou seja, estimula o sistema nervoso simpático, podendo provocar:

  • Taquicardia (aumento da frequência cardíaca): especialmente nos primeiros 30 minutos após o uso.
  • Elevação transitória da pressão arterial, seguida por hipotensão ortostática (queda da pressão ao se levantar), que pode causar tontura ou desmaios.
  • Maior risco cardiovascular: estudos populacionais sugerem associação entre uso recente de cannabis e maior risco de infarto agudo do miocárdio, especialmente em jovens, além de arritmias, como fibrilação atrial, e acidentes vasculares cerebrais (AVC), embora ainda se discuta a causalidade desses eventos.

O risco cardiovascular é maior em indivíduos com doença arterial coronariana pré-existente ou outros fatores de risco (como tabagismo, hipertensão arterial, colesterol elevado).

Efeitos da cannabis no sistema respiratório

O fumo da cannabis compromete a saúde pulmonar, com efeitos semelhantes ao tabaco:

  • Bronquite crônica: tosse persistente, produção de escarro e irritação das vias aéreas são comuns.
  • Maior incidência de infecções respiratórias: devido à alteração da resposta imune local e à inalação de material particulado.
  • Possíveis danos estruturais: estudos indicam que fumantes de cannabis apresentam uma maior incidência de doenças pulmonares bolhosas e pneumotórax em comparação com não fumantes e fumantes de tabaco. Além disso, a combinação de fumar cannabis e tabaco aumenta significativamente o risco de pneumotórax espontâneo em homens jovens.

Como já referido anteriormente, o uso de cannabis em vaporizadores também pode causar lesões pulmonares graves, especialmente com óleos adulterados (como nos casos de EVALI – e-cigarette or vaping-associated lung injury).

Efeitos em outros sistemas

Sistema gastrointestinal

  • Apetite aumentado (“larica”): efeito bem conhecido do THC, pode ser benéfico em pacientes com perda de peso, mas pode levar ao consumo excessivo de alimentos calóricos.
  • Síndrome da hiperêmese canabinoide: caracterizada por episódios recorrentes de náusea intensa e vômitos em usuários crônicos, aliviados temporariamente por banhos quentes.
  • Complicações hepáticas em pacientes com hepatite C: o uso de cannabis em indivíduos com hepatite C pode acelerar a progressão para cirrose hepática e aumentar o risco de carcinoma hepatocelular.

Sistema endócrino e reprodutivo

  • A relação entre cannabis e risco de diabetes tipo 2 ou obesidade ainda é incerta. Alguns estudos mostram menor IMC em usuários, outros apontam aumento do risco de resistência insulínica.
  • Redução da testosterona e da libido: observada principalmente em usuários do sexo masculino.
  • Diminuição da motilidade dos espermatozoides e infertilidade masculina: há impacto negativo sobre a qualidade do sêmen.
  • Disfunção erétil: há relatos de impotência associada ao uso frequente de cannabis.
  • Ginecomastia e galactorreia: em alguns casos, o uso prolongado pode causar crescimento mamário e secreção de leite em homens, provavelmente por interferência hormonal.
  • Alterações menstruais: o ciclo menstrual pode ser afetado em mulheres usuárias crônicas.

Sistema imunológico

  • O THC tem efeitos imunossupressores in vitro e em modelos animais, mas a relevância clínica dessa ação em humanos ainda não é bem estabelecida.

Sistema bucal e dentário

  • Aumento da incidência de periodontites: usuários crônicos têm maior risco de doenças periodontais, possivelmente por alterações imunológicas locais e má higiene associada.

Cannabis causa câncer?

A relação entre o uso de cannabis e o desenvolvimento de câncer ainda é objeto de debate na literatura científica. Apesar das semelhanças com o tabaco — que é sabidamente carcinogênico —, os dados sobre os efeitos cancerígenos da cannabis isoladamente são mais limitados e menos conclusivos. Abaixo, discutimos os principais pontos de atenção.

Fumaça de cannabis e substâncias tóxicas

Quando a cannabis é fumada, a combustão do material vegetal libera alcatrão e outras substâncias potencialmente carcinogênicas, como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, semelhantes aos encontrados no tabaco. No entanto, muitos usuários de cannabis fumam com menor frequência e em menor quantidade do que fumantes de tabaco, o que pode atenuar o risco cumulativo.

Câncer de pulmão

Estudos sobre a associação entre o uso de cannabis fumada e câncer de pulmão apresentam resultados mistos. Alguns estudos populacionais não encontraram aumento significativo no risco de câncer de pulmão em usuários isolados de cannabis, enquanto outros sugerem um possível aumento de risco com o uso crônico e em altas quantidades, especialmente quando associado ao tabaco.

Um fator complicador é que muitos usuários de cannabis também consomem tabaco, dificultando a separação dos efeitos isolados (leitura sugerida: Fatores de risco para o câncer de pulmão).

Câncer de vias aéreas superiores

Há relatos de maior risco de câncer de orofaringe, laringe e cavidade oral em usuários crônicos de cannabis, especialmente em quem a fuma regularmente. A inalação profunda e a retenção prolongada da fumaça nos pulmões, comum entre usuários, podem aumentar a exposição a agentes nocivos.

Câncer de testículo

Alguns estudos observacionais encontraram uma possível associação entre uso frequente de cannabis e o risco aumentado de câncer de testículo do tipo não seminoma, especialmente em homens jovens. Embora ainda não haja consenso definitivo, esse achado tem gerado atenção na literatura médica.

Canabinoides e efeitos celulares

In vitro e em modelos animais, alguns canabinoides demonstraram propriedades antiproliferativas, pró-apoptóticas e antiangiogênicas — efeitos potencialmente benéficos contra células tumorais. Isso levou ao interesse na investigação de compostos derivados da cannabis como adjuvantes no tratamento oncológico, embora ainda sem evidência clínica robusta.

Em resumo: embora existam mecanismos plausíveis e dados preliminares sugerindo que o uso fumado da cannabis possa estar associado a certos tipos de câncer, principalmente nas vias aéreas, as evidências epidemiológicas são limitadas e muitas vezes confusas por fatores como o uso concomitante de tabaco. A forma de consumo (fumada, vaporizada, ingerida), a frequência, e a duração do uso são fatores que influenciam o risco.

Riscos do uso de cannabis na gravidez

O uso de cannabis durante a gestação está associado a diversos riscos para a saúde fetal e neonatal. A principal substância ativa da planta, o delta-9-tetraidrocanabinol (THC), atravessa livremente a placenta, atingindo concentrações fetais que podem variar entre 10% a 30% das maternas.

Estudos observacionais sugerem que o uso de cannabis durante a gestação está associado a:

  • Parto prematuro. Mulheres que utilizam cannabis durante a gravidez apresentam maior risco de parto antes das 37 semanas de gestação.
  • Restrição de crescimento intrauterino. Há evidências consistentes de que o uso materno de cannabis está relacionado a menor peso ao nascer, menor comprimento e menor circunferência cefálica em recém-nascidos.
  • Comprometimento do desenvolvimento neurológico. A exposição intrauterina ao THC pode afetar o desenvolvimento do cérebro fetal, com possíveis repercussões em funções cognitivas, motoras e comportamentais durante a infância e adolescência. Estudos sugerem maior risco de déficit de atenção, hiperatividade e dificuldades na aprendizagem.
  • Possível aumento do risco de morte fetal. Embora menos frequente, algumas evidências indicam uma associação entre o uso de cannabis e aumento do risco de natimortalidade, especialmente quando combinado com outras substâncias, como tabaco.
  • Síndrome de abstinência neonatal (mais raro). Embora mais comum com opioides, recém-nascidos expostos ao uso intenso de cannabis durante a gestação podem apresentar sintomas de irritabilidade, tremores, distúrbios do sono e sucção ineficaz nas primeiras semanas de vida.

Diante desses riscos, todas as principais entidades médicas e de saúde pública (como a American College of Obstetricians and Gynecologists – ACOG e a Organização Mundial da Saúde – OMS) recomendam que mulheres grávidas e lactantes evitem o uso de cannabis em qualquer forma, seja recreativa ou medicinal.

Mesmo que algumas gestantes relatem melhora de náuseas, ansiedade ou dor com o uso de cannabis, os possíveis benefícios devem ser rigorosamente avaliados à luz dos potenciais riscos fetais. Quando necessário, é preferível buscar alternativas terapêuticas mais seguras, com respaldo clínico adequado.

Uso de cannabis durante a amamentação

O uso de cannabis durante o aleitamento materno também representa risco para o lactente, uma vez que seus principais componentes, especialmente o THC (delta-9-tetraidrocanabinol), são lipofílicos e se acumulam no tecido adiposo — o que inclui o leite materno. Estudos demonstram que o THC pode ser detectado no leite por até seis dias após o uso.

Efeitos potenciais para o bebê

Embora os dados disponíveis ainda sejam limitados, os seguintes efeitos já foram associados à exposição ao THC pelo leite materno:

  • Redução da capacidade de sucção: pode prejudicar a nutrição do bebê, levando a dificuldades no ganho de peso.
  • Alterações no desenvolvimento neurológico: evidências iniciais sugerem que a exposição precoce ao THC pode afetar negativamente a maturação cerebral, impactando habilidades cognitivas e motoras.
  • Sedação e hipotonia: em casos de exposição significativa, o lactente pode apresentar sonolência excessiva e diminuição do tônus muscular.
  • Irritabilidade, tremores e distúrbios do sono: semelhantes a uma síndrome de abstinência leve.

Além disso, os efeitos a longo prazo da exposição repetida a canabinoides durante os primeiros meses de vida ainda não são plenamente conhecidos, o que exige cautela redobrada.

Tanto a American Academy of Pediatrics (AAP) quanto o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) desencorajam fortemente o uso de cannabis durante a amamentação, principalmente pela falta de dados seguros e pelos possíveis riscos já observados.

Interações medicamentosas da cannabis

A cannabis, especialmente seus principais compostos ativos — delta-9-tetraidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD) —, pode interagir com diversos medicamentos por meio de mecanismos farmacocinéticos e farmacodinâmicos. As interações mais relevantes ocorrem principalmente pela modulação do metabolismo hepático e pela ação aditiva com outras substâncias que deprimem o sistema nervoso central.

Medicamentos com risco aumentado de interação:

  • Anticoagulantes orais (ex: varfarina). O CBD pode aumentar significativamente os níveis de varfarina, elevando o INR e o risco de sangramentos. Requer monitoramento rigoroso e possível ajuste de dose.
  • Anticonvulsivantes (ex: clobazam, fenitoína, valproato). O CBD pode aumentar os níveis de clobazam e seu metabólito ativo, potencializando efeitos sedativos. Pode também alterar os níveis de valproato, aumentando risco de elevação de transaminases.
  • Benzodiazepínicos e outros sedativos. O uso concomitante pode levar à sedação exacerbada, bradicardia e hipotensão. Exige cautela em idosos e em pacientes com risco de depressão respiratória.
  • Antidepressivos e antipsicóticos. O CBD pode interferir no metabolismo de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), tricíclicos e antipsicóticos, como risperidona e olanzapina, aumentando os níveis séricos. Pode haver risco de síndrome serotoninérgica quando associado a antidepressivos.
  • Imunossupressores (ex: tacrolimo, ciclosporina). Interações mediadas por CYP3A4 podem aumentar os níveis desses medicamentos, exigindo monitoramento terapêutico frequente.
  • Antibióticos e antifúngicos (ex: claritromicina, fluconazol). Medicamentos que inibem ou induzem o CYP3A4 podem, por sua vez, alterar os níveis de THC/CBD, aumentando ou reduzindo seus efeitos.

Sempre que possível, prefira formulações padronizadas de cannabis medicinal, com doses conhecidas de THC/CBD, para maior previsibilidade. O início ou a suspensão do uso de cannabis pode exigir ajuste de dose dos medicamentos citados acima.

O monitoramento laboratorial (INR, função hepática, níveis séricos) é recomendado ao iniciar cannabis em pacientes polimedicados.

Detecção da cannabis em exames laboratoriais

Uma das perguntas mais comuns entre os usuários é quanto tempo após o uso a maconha ainda pode ser identificada em exames toxicológicos.

A detecção da maconha em exames laboratoriais depende principalmente da frequência de uso, da via de administração, da sensibilidade do teste e do tipo de amostra biológica analisada.

Os exames mais comumente utilizados são os testes imunológicos de urina, que detectam o principal metabólito inativo do THC: o ácido tetrahidrocanabinólico carboxílico (THC-COOH).

1. Urina

  • Usuários ocasionais (uso único ou esporádico): geralmente, o THC-COOH pode ser detectado por até 3 a 7 dias após o uso.
  • Usuários frequentes (uso várias vezes por semana): o tempo de detecção pode se estender por 10 a 21 dias.
  • Usuários crônicos (uso diário ou quase diário): o THC pode ser detectado por 30 dias ou mais, e em casos extremos, por até 60 dias, devido ao acúmulo do composto nos tecidos adiposos.

2. Sangue

  • O THC é detectável no sangue por um período relativamente curto. Em usuários ocasionais, pode ser encontrado por até 12 a 24 horas. Em usuários crônicos, pode ser detectado por até 7 dias.

3. Saliva

  • A detecção na saliva costuma durar entre 24 a 72 horas, podendo ser um pouco maior em usuários crônicos.

4. Cabelos

  • O THC pode ser identificado em amostras de cabelo por até 90 dias ou mais. No entanto, esse método é mais caro, menos disponível e menos utilizado na prática clínica.

Nota: um teste positivo indica a presença de metabólitos do THC, mas não necessariamente implica em intoxicação atual ou prejuízo funcional no momento do teste. Além disso, os testes convencionais não conseguem estimar a quantidade consumida nem o tempo exato desde o último uso.

Convém destacar que testes laboratoriais convencionais de sangue e urina não avaliam, de forma automática, a presença de THC. A investigação só será feita mediante solicitação expressa do médico no pedido do exame.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Erick

    Dr., bom dia!

    Consumo cannabis há cerca de 15 anos. Sendo que, desse tempo, ao menos por 9 anos consumo diariamente uma quantia de 1g. É relevante ressaltar que nunca tive nenhum problema relacionado ao uso, assim como já interrompi o consumo algumas vezes, por cerca de uma semana, como forma de auto análise, e apenas senti insônia nos primeiros dias, e baixo apetite. De resto, sem quaisquer complicações adicionais. Contudo, realizarei, provavelmente, exames laboratoriais de sangue no próximo mês. Exames que correspondem a tipagem sanguínea, fator rh, tgo, tgp, triglicérides, creatinina, etc.

    Portanto, gostaria de saber, encarecidamente, se há possibilidade desses exames constatarem o uso da cannabis, por gentileza.

    Desde já, agradeço pela atenção!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não, só se tivesse algum exame específico para detectar algum componente da cannabis, tipo THC. Exames de sangue comuns mão fazem pesquisa toxicológica.

  2. William Batista

    Por favor, continuem a atualizar com base em novos estudos

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim, estou fazendo uma revisão da bibliografia. Há muito estudos novos. Pretendo reescrever esse artigo ainda esse ano.

  3. Brenda

    Eu fumei ontem só que minha boca tá coçando muito formigando e parece que eu não sinto a língua e sinto a boca muito seca é normal?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não, principalmente tanto tempo depois.

  4. Ana Cristina Deschapelles

    Olá, desculpe invadir essa conversa. Minha intenção é somar. A indicação de procurar um psiquiatra muito positiva, entretanto será completa com a entrada de psicoterapia, por um psicólogo.

  5. Ramon

    Fumei maconha durante 10 anos, fumava cerca de 10 baseados por dia minha memória e capacidade de concentração nunca mais voltarão ao normal?

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Depende do quanto eles foram acometidos, se é que foram realmente acometidos. Se você está notando uma diferença grande, procure um neurologista para ele fazer uma avaliação.

  6. fernando

    Meu irmão fuma maconha descaradamente e as vezes a fumaça chega a entrar em contato com terceiros (eu muitas vezes) caso eu faça o exame toxicológico (tipo o de cabelo), posso apresentar o uso da substância no exame?

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se o fumo passivo for muito frequente, sim.

  7. Prof. Elias

    Já li tanto sobre o assunto, já fiz pesquisas no campus onde dou aula, me desculpe mas tem bastante informação ai que não condiz, a maioria delas e sobre malefícios que eu nunca tinha visto em artigo nem um, sem embasamento e nem uma explicação mais técnicas… Toma cuidado com sua credibilidade.

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    As fontes estão todas listadas ao final do texto. Se você nunca viu artigos científicos sobre os malefícios da maconha, acho que você está procurando no lugar errado, pois existem centenas deles.

  8. Acalien

    Nunca tive problemas suando maconha, o.que ocorreu durante uns sete anos de.minha vida. Me ajudou a finalizar o Colégio, passar.pema.faculdades, concluindo o curso com notas excelentes.
    Os problemas de cognição e ansiedade que existiam antes do início da utilização da maconha voltaram com o.fim do.uso. Fui orientado por um psiquiatra a fazer uso de.antidepressivos e ansiolíticos que nunca me ajudaram. Se passaram mais de 20 anos e hoje percebo que os males destes medicamentos são infinitamente maiores que os ocasionados pelo uso da.maconha e, pior, sequer cumprem o.seu papel de antidepressivo.
    Seria interessante que tivessemos pesquisas que fossem não encomendadas pela indústria farmacêutica para dizer o que.estes medicamentos realmente fazem com seus usuários, visto que drogas o são, porém lícitas. Causam dependência, problemas metabólicos, problemas sexuais, imunológicos, psicológicos, hormonais, tão ou.mais prejudiciais que a erva amaldiçoada.
    Bom texto, mas como bem explicitado pelo.próprio autor:pelo fato de ser uma droga ilícita não temos como.obter dados científicos comprovando seus reais efeitos.
    Não sou a favor da erva, não sou a favor de antidepressivo e demais drogas lícitas que destroem o ser humano (como uma simples sinvastatina), mas sim.a favor da verdade e do esduto.sério e com a devida neutralidade axiológica descontaminante.
    Complicado fazer meras conjecturas.

  9. raul

    boa noite, fumo maconha todos os dias , tem uns 15 anos. não sinto quase nenhum desses efeitos , acabei de ter uma filha, uso pra relaxar, não seria igual a uma pessoa que bebe pra relaxar?? o libido eu perdi com as mulheres da rua, pq com a minha mulher é so chegar perto que a ferramenta ja arma. Tem lago a mais que pode acontecer com quem usa com frequencia durante anos??, uma medica me falou que pode causar alzheimer!!
    abc
    legalize jah

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    O problema é que o seu consumo é elevado. Beber todos os dias “pra relaxar” também não é nada saudável. O uso ocasional e recreativo provavelmente faz pouco mal, mas uso diário por décadas com certeza traz consequências. Infelizmente, como a maconha é proibida, nós não temos a mesma facilidade para estudar os seus efeitos a longo prazo tal como conseguimos fazer com cigarro e o álcool.

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