Pitiríase rósea: sintomas, causas e tratamento


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Revisado e atualizado em novembro 25, 2025
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Introdução

A pitiríase rósea é uma erupção de pele relativamente comum, que provoca um rash cutâneo caracterizado por manchas avermelhadas ou rosadas, que provocam intensa comichão. As suas causas ainda não estão totalmente esclarecidas, mas acredita-se que a doença tenha uma origem viral.

A pitiríase rósea é uma doença benigna e autolimitada. O seu maior problema é o fato de coçar muito e demorar várias semanas para desaparecer.

Neste artigo, explicaremos o que é a pitiríase rósea, quais são as suas prováveis causas, os seus sintomas e as opções de tratamento.

Se você procura informações sobre a pitiríase versicolor, também conhecida como pano branco, acesse o seguinte link: Pitiríase versicolor (pano branco).

O que é pitiríase rósea?

A pitiríase rósea é uma erupção de pele provavelmente provocada por alguns vírus da família do herpesvírus humano, tais como o herpesvírus humano 6 (HHV-6) e o herpesvírus humano 7 (HHV-7), os mesmos que causam nas crianças uma doença chamada exantema súbito, também conhecida como roséola infantil.

O exantema súbito e a pitiríase rósea são doenças diferentes causadas pelo mesmo vírus. O exantema súbito caracteriza-se por ser um rash cutâneo com febre alta e sem comichão, enquanto a pitiríase é um rash de pele sem febre, mas com intensa coceira.

Apesar de ser provocada por alguns membros do vírus da família do herpesvírus humano, a pitiríase rósea nada tem a ver com o herpes labial ou o herpes genital, que são doenças provocadas por outros tipos de vírus desta família, nomeadamente os herpesvírus humano 1 (HHV-1) e o herpesvírus humano 2 (HHV-2).

Esse rash pode surgir em qualquer época da vida, mas é mais comum entre os 10 e 35 anos de idade, sendo raro nos bebês e nos idosos. A pitiríase rósea é mais comum nas mulheres do que nos homens, e os meses de outono e primavera são as épocas em que a doença surge com maior frequência.

Pitiríase rósea é contagiosa? Como se pega?

A forma exata de transmissão da pitiríase rósea ainda não é totalmente compreendida, mas o que se sabe hoje é o seguinte:

  • A doença não é considerada altamente contagiosa.
  • Ela não se comporta como as viroses comuns, como gripe, catapora ou sarampo.
  • A maioria dos pacientes não relata casos semelhantes entre contatos próximos, mesmo dentro da mesma casa.

Os estudos sugerem que a pitiríase rósea esteja relacionada, em muitos casos, à reativação de vírus já presentes no organismo, principalmente o herpesvírus humano tipo 6 (HHV-6) e o herpesvírus humano tipo 7 (HHV-7), que são vírus muito comuns na infância. Ou seja, em vez de ser uma “infecção nova” adquirida de outra pessoa, pode ser uma reação do próprio sistema imune a esses vírus que já estavam latentes no corpo.

Na prática, isso significa que:

  • Não há evidência sólida de que a pitiríase rósea passe facilmente de uma pessoa para outra.
  • Não é classificada como doença sexualmente transmissível (DST/IST).
  • Não há relação com animais domésticos, roupas, toalhas ou roupas de cama de forma relevante.
  • Não é necessário afastamento escolar ou do trabalho, desde que o paciente esteja se sentindo bem.

Casos de pequenos surtos em ambientes fechados (como quartéis ou internatos) já foram descritos, mas são pouco comuns. Mesmo nesses cenários, a taxa de transmissão é baixa se comparada a outras doenças infecciosas típicas.

Como não há uma forma claramente definida de contágio, não existe uma medida específica e eficaz de prevenção (como vacina ou remédio preventivo). As recomendações gerais são manter uma boa higiene, evitar o uso desnecessário de medicamentos que possam desencadear erupções cutâneas e procurar avaliação médica sempre que surgirem manchas suspeitas na pele, especialmente em gestantes.

Pitiríase rósea induzida por fármacos

Além da forma “clássica” da pitiríase rósea, existe também uma erupção cutânea chamada pitiríase rósea induzida por fármacos, que é um quadro muito parecido clinicamente, mas desencadeado por medicamentos.

Vários fármacos já foram implicados em casos desse tipo, incluindo alguns anti-hipertensivos, anti-inflamatórios, antibióticos, drogas antineoplásicas, inibidores da bomba de prótons e até vacinas.

Nesses casos, as manchas no tronco e a distribuição em “árvore de Natal” podem lembrar muito a pitiríase rósea idiopática, mas com maior tendência a coceira intensa, lesões mais exuberantes, presença de comprometimento de áreas atípicas (como rosto ou mucosas) e, às vezes, alterações discretamente diferentes nas bordas das placas.

O ponto fundamental é que, quando há suspeita de relação temporal entre o início das lesões e o uso de determinado remédio, o médico deve sempre considerar a possibilidade de uma erupção medicamentosa tipo pitiríase rósea, pois a conduta principal é identificar e, se possível, suspender o fármaco suspeito, o que leva, em geral, à resolução gradual do quadro ao longo de algumas semanas.

Sintomas

Em até 90% dos casos, a pitiríase rósea inicia-se com uma lesão única, chamada placa-mãe ou medalhão, que apresenta forma arredondada ou ovalada, com 2 a 5 cm de diâmetro, bordas bem delimitadas e coloração rosada. Nos indivíduos de pele mais escura, a lesão pode ser arroxeada ou cinzenta.

Lesão inicial da pitiríase rósea
Lesão inicial da pitiríase rósea

Com o passar dos dias, a placa-mãe cresce, começa a apresentar uma fina descamação e o seu centro torna-se mais claro. Abdômen, tórax e costas são as localizações mais comuns desta lesão inicial.

Alguns pacientes referem o aparecimento de alguns sintomas inespecíficos de virose dias antes do surgimento da placa-mãe. Os mais comuns são dor de garganta, mal-estar, dor de cabeça, diarreia ou dores pelo corpo.

Com o passar dos dias, inicia-se o chamado período eruptivo, também conhecido como rash secundário. Essa fase consiste no aparecimento de múltiplas lesões semelhantes à placa-mãe, porém menores. Em geral, essas lesões filhas se restringem ao tronco e à raiz das pernas, sendo muito comum o acometimento da região das virilhas. O acometimento do pescoço, face, pés e mãos pode ocorrer, mas é incomum, pois as lesões tendem a ficar centralizadas no centro do corpo, poupando as extremidades.

Pitiríase rósea - rash
Surgimento do rash secundário após alguns dias

O número de lesões filhas pode variar de dezenas a centenas, dependendo da intensidade do rash. Essas múltiplas lesões também são avermelhadas, apresentam fina descamação e podem ser muito pruriginosas.

Em alguns casos, a lesão mãe é muito maior que as lesões filhas, mas em outros, ela pode ser apenas levemente maior. Após o início do período eruptivo, o paciente pode ficar tendo novas lesões do rash ainda por vários dias, às vezes, semanas.

Conforme as lesões vão ficando antigas, passam a ter um centro mais claro e um halo ao redor com descamação. Após 4 a 6 semanas, as primeiras lesões começam a sumir, mas podem deixar uma área despigmentada (mais branca que a pele), que pode durar meses para voltar à cor normal. Quanto mais escura é a pele, mais evidente é essa despigmentação.

Para além das lesões de pele, a coceira é o único sintoma que a pitiríase rósea costuma provocar. A intensidade da comichão varia de pessoa para pessoa. Na maioria dos casos, a coceira é leve a moderada, mas pelo menos 1 em cada 4 pacientes classifica o seu prurido como intenso.

Pitiríase rósea após 1 mês
Pitiríase rósea após 1 mês

A pitiríase rósea cura-se espontaneamente, mas pode demorar. Contando desde o surgimento da placa-mãe até o desaparecimento das últimas lesões do rash secundário, a doença pode ter de 4 a 12 semanas de duração.

Caso o rash dure mais de 3 meses para desaparecer, a hipótese diagnóstica de pitiríase rósea deve ser repensada. Em geral, indica-se uma biópsia da pele para confirmar o diagnóstico.

Diagnóstico

Uma vez que o período eruptivo tenha surgido, o diagnóstico da pitiríase rósea costuma ser relativamente simples. Uma história de uma lesão mãe, com fina descamação e centro pálido, precedendo em alguns dias o surgimento de um rash pruriginoso e sem outros sintomas, é uma apresentação muito típica da pitiríase rósea.

O diagnóstico pode ser mais complexo nos casos atípicos ou quando a lesão mãe ainda se encontra numa fase muito inicial. Em cerca de 10% dos casos, não há a placa-mãe antecedendo o período eruptivo, o que torna o diagnóstico um pouco mais difícil.

Algumas doenças podem ser confundidas com a pitiríase rósea, sendo as dermatofitoses (lesões fúngicas da pele), a sífilis secundária e psoríase gutata as mais parecidas. Algumas alergias medicamentosas também podem causar lesões semelhantes às da pitiríase rósea. HIV é outro diagnóstico diferencial a ser pensado em casos atípicos.

Geralmente, não é necessária a realização de exames complementares.

Se o médico, porém, julgar que o quadro clínico não está muito típico, alguns exames para descartar os diagnósticos diferenciais podem ser solicitados, tais como pesquisa de VDRL ou FTA-ABS para sífilis, sorologia para HIV e exame micológico da pele para descartar fungos.

Tratamento

Não há um tratamento específico para a pitiríase rósea. A doença cura-se espontaneamente e sem deixar sequelas após 2 ou 3 meses, independentemente do que se faça.

O tratamento é geralmente indicado para aqueles pacientes que se queixam de muita coceira.

Pomadas ou cremes à base de corticoides de média potência, tais como hidrocortisona, mometasona ou triancinolona, ajudam a aliviar a comichão. Essas pomadas podem ser aplicadas 2 a 3 vezes por dia por no máximo 3 semanas, para minimizar os riscos de efeitos adversos.

Loções tópicas com mentol ou calamina também ajudam e têm menos risco de provocar efeitos colaterais que os corticoides.

Antihistamínicos por via oral também são úteis. Se o paciente tem dificuldade para dormir devido ao prurido, anti-histamínicos de primeira geração, que provocam sono, como a hidroxizina, podem ser utilizados.

Uma vez que o rash e a coceira tenham desaparecido, é rara a recorrência da doença.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Francisco

    Olá tenho manchas parecida com essas tive no tronco axilas e agora ela se concentram nas coxas da cintura até o joelho e coça um pouco já faz seis meses que tem esses sintomas tem semana que diminui e tem semanas que aumenta as marchas

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A descrição até parece com pitiríase rósea, mas tem um detalhe importante: seis meses é tempo demais para essa doença, que geralmente dura de 6 a 12 semanas e depois desaparece sozinha.

    Manchas no tronco, axilas, cintura e coxas, que coçam pouco e pioram/melhoram, também podem ser:

    1. Alergia/dermatite de contato.
    2. Micoses de pele.
    3. Psoríase
    4. Eczema.
    5. Outras infecções de pele.

    Ou seja: só pelas manchas e pelo tempo de duração, não dá para cravar que seja pitiríase rósea. O ideal é você passar com um dermatologista para ele olhar as lesões ao vivo, talvez fazer exame de pele (raspado para micose, por exemplo) e definir o diagnóstico correto.

  2. Oriane Hansen

    Bom dia, Estou assim tem quase um mês, coça mto e para dormir é um caos. Esta no abdômen, costas e pernas. Eu tenho psoriase palmo plantar nos pés. Li aki nesse artigo que é viral. Como se contrai?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Na pitiríase rósea, a causa exata ainda não é totalmente esclarecida, mas tudo indica que seja uma infecção viral benigna, provavelmente por vírus comuns da família do herpes humano (tipo 6 ou 7), os mesmos ligados à “roséola” das crianças.

    A ideia é que seja algo parecido com um resfriado: você entra em contato com o vírus em algum momento da vida, geralmente por via respiratória (gotículas de saliva, ambiente fechado, etc.) e, mais tarde, pode ser anos, o vírus volta a se reativar causando as lesões. Mas isso é uma hipótese. Sabemos apenas que não tem relação com higiene, comida, animais, piscina, nem é uma doença sexualmente transmissível. Também não é muito contagiosa: é raro vários membros da mesma família ficarem com pitiríase rósea ao mesmo tempo.

  3. Juliana

    Dr tudo que foi relatado eu tenho no momento, exceto coceira. Nenhuma coceira. É normal ou não seria esse diagnóstico? Obrigada 🙏🏼

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se as lesões forem compatíveis, a ausência de coceira não exclui o diagnóstico de pitiríase rósea.

  4. Suelen Martins Otake

    Olá, tudo bem? Eu estou impressionada com a qualidade do seu texto!
    Sou enfermeira e suspeito que meu pai está com essa doença, o texto foi extremamente esclarecedor, objetivo, possuindo tudo que o doente precisa saber e o melhor de tudo com referência bibliográfica!

    Estou encantada! Parabéns! E muuuuuuito obrigada por dividir seu conhecimento com embasamento científico de forma clara !

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Obrigado, Suelen. Fico feliz de saber que o texto foi útil.

  5. PAULO Veiga

    Bom dia doutor.. fui diagnósticado com a pitiríase rósea, estou com isso a uns 20 dias e algumas manchas estão secando ficando mais claras , enquanto outras surgem e coçam muito , é normal ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim.

  6. Aldeice

    Eu fui diagnosticada com pitiríase rósea em junho deste ano e até hoje não consegui me livrar desta doença.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Quando as lesões duram mais de 3 meses para desaparecer, a hipótese diagnóstica de pitiríase rósea deve ser repensada. Em geral, indica-se uma biópsia da pele para tentar definir a causa.

  7. Ana Paula Evangelista dos Santos

    Tive pitiríase rósea a 3 anos após tratamento de uma crise de ansiedade.

    Agora novamente se manifestou,tenho percebido que quando passo por algum tipo de stress muito grande isso acontece.

    Isso é provável?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    É possível. Mas tem que ver se não é urticária o que você tem.

  8. Jennyffer

    Eu tive um surto de pitiríase em outubro do ano passado, e agora esse ano de novo está começando tudo de novo, e estamos quase em outubro, é comum isso? Todo ano nessa mesa época eu vou ter essas manchas? Acabam com minha auto estima..sem falar que demorou mais de 3 meses para sair da última vez e ainda sim não saiu tudooooo..ficou meio manchado a pele. Pegar sol tem a ver ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Tem certeza de que é pitiríase rósea? A doença não costuma se manifestar assim.

  9. Fabiana fidelis

    Qtas vezes ao ano é normal elas voltarem.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    O mais comum é não voltar nunca.

  10. Neia

    Boa noite estou desesperada, descobri q meu filho,tem isso,em uma faze crítica.

    Não tenho uma definição isso tem cura?

    Ele também está com siflis.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A pitiríase rósea melhora sozinha depois de algumas semanas. Já a sífilis precisa ser tratada com antibiótico.

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