Ancilostomose: transmissão, sintomas e tratamento


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Revisado e atualizado em abril 8, 2026
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O que é ancilostomose?

A ancilostomose, também chamada de ancilostomíase, necatoríase, amarelão ou doença do Jeca Tatu, é uma parasitose intestinal muito comum, provocada pelos nematódeos da família Ancylostomidae: Ancylostoma duodenale ou Necator americanus.

Outras espécies de ancilostomídeos, como o Ancylostoma braziliense ou Ancylostoma caninum, só costumam provocar infecção intestinal em gatos e cães, mas podem provocar larva migrans no homem.

Apesar de ser pouco conhecida pelo público, estima-se que cerca de 740 milhões de pessoas em todo o mundo estejam infectadas com um dos ancilostomídeos.

O Ancylostoma duodenale é uma espécie de ancilostomídeo que habita países do Mediterrâneo, Norte da África, Irã, Índia, Paquistão, China e Japão. Já o Necator americanus é muito encontrado em todo continente americano, principalmente nas áreas tropicais, África Central, Sudeste Asiático, ilhas do Pacífico Sul e partes da Austrália.

Recentemente, um ancilóstomo de cães e gatos, o Ancylostoma ceylanicum, reconhecido como uma causa prevalente de infecções zoonóticas humanas na Índia, no sudeste da Ásia, na Austrália tropical e em algumas ilhas melanésias do Pacífico, foi identificado em pacientes no continente americano.

O Ancylostoma duodenale e o Necator americanus são pequenos vermes cilíndricos, que medem entre 0,5 e 1,5 cm de diâmetro e apresentam a cabeça em forma semelhante a um gancho, especialmente o N. americanus. Ambos apresentam uma boca bem definida, com 2 pares de dentes pontiagudos (A. duodenale) ou duas placas afiadas (N. americanus), que servem para aderir à parede do intestino e sugar o sangue do seu hospedeiro.

Ciclo de vida do Ancylostoma duodenale e do Necator americanus

Indivíduos com ancilostomíase eliminam diariamente milhares de ovos do parasito em suas fezes. Em locais com saneamento básico precário, essas fezes acabam contaminando o solo. Se os ovos do ancilostomídeo forem depositando em um local úmido, quente e sem exposição direta à luz solar, eles conseguem dar origem a larvas que, após cerca de 7 dias no ambiente, amadurecem e tornam-se capazes de infectar o ser humano.

As larvas dos ancilostomídeos conseguem sobreviver no meio ambiente, à espera de um hospedeiro, por até 6 semanas, caso encontrem condições adequadas de umidade e temperatura.

Ancilostomose
Ancylostoma

A contaminação com o Ancylostoma duodenale ou Necator americanus se dá por contato direto da pele com o solo contaminado (geralmente pelos pés) ou por ingestão acidental da larva presente no ambiente (geralmente por mãos contaminadas pelo solo que vão à boca sem terem sido lavadas). Apenas 5 minutos de contato direto da pele com o solo contaminado é suficiente para a larva conseguir penetrar o nosso organismo.

Após penetrar a pele, a larva alcança os vasos sanguíneos e viaja até os pulmões, onde permanecerá por alguns dias. Quando o paciente tosse, o parasito pode ser lançado em direção à cavidade oral, sendo, então, inadvertidamente deglutido. Se a contaminação inicial não tiver sido pela pele, mas sim por ingestão acidental da larva, essa primeira parte do ciclo não existe, indo o parasito diretamente para o trato gastrointestinal.

Ao ser deglutida, a larva passa pelo estômago e se aloja no intestino delgado, onde irá amadurecer até a forma adulta do verme. Lá, cada ancilostomídeo ingerido se adere à mucosa e passa a ingerir cerca de 0,3 a 0,5 ml de sangue por dia. Para surgir anemia, é necessária uma contaminação com, pelo menos, 40 vermes.

Cinco a oito semanas após o paciente ter sido contaminado pela primeira vez, a fêmea do Ancylostoma duodenale ou Necator americanus passa a produzir milhares de ovos, que serão lançados ao ambiente pelas fezes, reiniciando o ciclo de vida do parasito.

Tanto o Ancylostoma duodenale ou Necator americanus não se multiplicam dentro do nosso organismo. Para gerar novos vermes, os ovos precisam se depositados no ambiente. Portanto, se o individuo não se recontaminar, ele acaba se curando sozinho da ancilostomíase com o tempo.

O problema é que o Ancylostoma duodenale costuma ter um tempo de vida de 1 ano e o Necator americanus pode chegar até a 5 anos de vida. Se o paciente vive em uma área com más condições de saneamento, ele acaba se infectando novamente antes de a primeira geração de vermes ter morrido.

Sintomas

A ancilostomose é uma parasitose com quadro clínico predominantemente gastrointestinal. Antes do verme chagar ao intestino, os sintomas são discretos.  No local de penetração do verme na pele forma-se uma pequena reação inflamatória, que provoca coceira. Durante a passagem pelos pulmões, o paciente costuma apresentar tosse seca.

Os sintomas típicos da ancilostomose surgem mesmo quando o parasita migra para o intestino delgado. Nesse momento, o paciente pode apresentar náuseas, vômitos, diarreia, cansaço, aumento dos gases e dor abdominal. A primeira infecção é, habitualmente, a mais sintomática. Conforme o indivíduo se reinfecta repetidamente, a tendência é ele apresentar cada vez menos sintomas.

O principal problema da ancilostomose é a anemia e a desnutrição, pois o parasito consome sangue e proteínas. Em crianças, pode haver desaceleração do crescimento e alterações no desenvolvimento neurológico. Nas grávidas, a desnutrição e a anemia são ainda mais comuns, e o bebê costuma nascer com baixo peso.

Diagnóstico

O diagnóstico da ancilostomose é feito através da detecção de ovos do parasita nas fezes. Após a invasão da pele pelo parasito, os primeiros ovos podem só aparecer 2 meses depois. Quando a infecção é provocada pelo A. duodenale, os primeiros ovos podem demorar até 1 ano para surgirem nas fezes.

Portanto, quando há suspeita clínica de ancilostomose, vários exames de fezes podem ser necessários até que um ovo possa ser identificado.

No hemograma, a presença de anemia e eosinofilia (aumento do número de eosinófilos), associado a um quadro gastrointestinal suspeito, é uma dica importante para o diagnóstico.

Tratamento

O tratamento para ancilostomose é igual, seja ela provocada por Ancylostoma duodenale ou Necator americanus.

Dois esquemas com anti-helmínticos são os mais utilizados:

  • Albendazol 400 mg, dose única.
  • Mebendazol 100 mg 2 vezes por dia por 3 dias.

Se o paciente tiver anemia, indica-se também reposição de ferro por via oral.

Um exame parasitológico de fezes pode ser solicitado após 3 semanas para confirmação da cura.

Prevenção

A prevenção da ancilostomose envolve medidas de higiene pessoal, saneamento e controle ambiental. Algumas estratégias eficazes para prevenir essa infecção são:

Melhorar o saneamento básico

  • Instalação de esgotos adequados: implementar sistemas de esgoto eficientes para evitar a contaminação do solo com fezes humanas.
  • Tratamento de águas residuais: garantir que as águas residuais sejam tratadas adequadamente antes de serem liberadas no meio ambiente.

Práticas de higiene pessoal

  • Lavar as mãos: lavar as mãos com água e sabão regularmente, especialmente após usar o banheiro, antes de comer e antes de preparar alimentos (leitura sugerida: Por que lavar as mãos é importante para saúde?).
  • Proteção dos pés: evitar andar descalço em áreas onde o solo possa estar contaminado com fezes. Usar calçados apropriados em ambientes externos.

Controle ambiental

  • Manutenção de áreas recreativas: garantir que parques, praias e áreas de recreação estejam livres de contaminação fecal.
  • Tratamento de animais de estimação: desparasitar regularmente cães e gatos, pois eles também podem ser hospedeiros de ancilostomídeos.

Tratamento de áreas contaminadas

  • Descontaminação de solos: em áreas endêmicas, é importante tratar o solo contaminado com fezes humanas através de medidas como a construção de sanitários e o uso de técnicas de compostagem para eliminar os ovos dos parasitas.

Desparasitação e tratamento de casos

  • Diagnóstico precoce e tratamento: identificar e tratar rapidamente os casos de ancilostomose para prevenir a disseminação. Medicamentos anti-helmínticos, como albendazol e mebendazol, são eficazes no tratamento da infecção.
  • Exames de Fezes: realizar exames de fezes periódicos em populações de risco para detectar e tratar precocemente a infecção (leitura sugerida: Parasitoses e exame parasitológico de fezes).
  • Desparasitação regular: nas áreas endêmicas, a desparasitação regular de grupos de risco com albendazol, incluindo crianças, gestantes e mulheres em idade fértil, pode prevenir e reverter a desnutrição, a anemia por deficiência de ferro, o crescimento prejudicado e o baixo desempenho escolar.

Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Marcilia. Hubrich

    Estou com verme a um ano e meio fiz varios exames e não constou nada mas sinto os vermes se locomovendo pela minhas costas e abdômen já tomei varios vermífugos sem resultado , fico tonta ,enjoada e fraca quando se alojam no meu pescoço , preciso empurrar para que desça e me alivie a tontura fora os barulhos horríveis que faz na minha barriga depois disso estou com varios problemas de saúde gordura no fígado no pâncreas endometriose e H pilore se poder ajudar Dr Pedro eu agradeço.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Marcilia, é pouco provável que uma verminose cause esses sintomas que você descreveu. Parasitoses intestinais não provocam sensação de vermes se locomovendo pelo corpo. Tontura também não é esperado. Dada a natureza persistente e angustiante dos seus sintomas, considerar apoio psicológico pode ser benéfico. Condições como ansiedade podem amplificar a percepção dos sintomas físicos.

  2. Tariane de jesus santos

    Gostaria de saber do agente etiologico

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    São dois: Ancylostoma duodenale ou Necator americanus.

  3. Molina Kakuti

    Tenho um trabalho de escola com esse tema. Essa matéria vai ser um grande apoio para elaboração do mesmo.

    Muito obrigada! Bjs apartir de Angola! 🫂😘

  4. marco palheta

    Qual dos dois ancylostomas são mais prejudiciais ao homem?

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    São semelhantes.

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