Icterícia: causas, sintomas e tratamento


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Revisado e atualizado em novembro 2, 2024
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O que é icterícia?

A icterícia é um sinal clínico que se caracteriza pela cor amarelada da pele, mucosas e olhos. Ela surge quando há excesso de uma substância chamada bilirrubina.

A icterícia é um sintoma típico das doenças do fígado e das vias biliares, sendo as hepatites, a cirrose e a obstrução das vias biliares suas principais causas.

Neste artigo vamos explicar o que é a icterícia, por que ela surge e quais são os seus sintomas.

Antes de falar da icterícia propriamente dita, é importante gastar algumas linhas explicando o que é a bilirrubina e em quais situações ela pode se acumular no sangue.

O que é bilirrubina?

Antes de falar da icterícia propriamente dita, é importante gastar algumas linhas explicando o que é a bilirrubina e em quais situações ela pode se acumular no sangue.

Nossas hemácias (glóbulos vermelhos) têm uma vida média de 120 dias. Quando elas ficam velhas, são levadas para o baço para serem destruídas. Um dos produtos liberados neste processo de destruição é a bilirrubina, um pigmento amarelo-esverdeado.

Todos os dias, milhões de hemácias são destruídas e uma grande quantidade de bilirrubina acaba por ser liberada. O grande órgão responsável pelas metabolizações das substâncias do nosso organismo é o fígado; é para lá que é encaminhada toda a bilirrubina produzida.

Icterícia

O único meio de transportar qualquer substância pelo corpo é através da circulação sanguínea. A bilirrubina produzida no baço não se dilui na água. Deste modo, para ser transportada pelo sangue ela precisa se ligar a uma proteína chamada albumina.

Essa bilirrubina insolúvel produzida no baço é chamada de bilirrubina indireta (ou bilirrubina não conjugada). Sua concentração sanguínea normal varia entre 0,1 e 0,7 mg/dL.

Ao chegar ao fígado, a bilirrubina indireta é metabolizada e se transforma em uma substância solúvel em água, chamada agora de bilirrubina direta (ou bilirrubina conjugada). A bilirrubina direta é eliminada através das vias biliares em direção ao trato gastrointestinal, onde será eliminada nas fezes.

Ao chegar aos intestinos a bilirrubina é mais uma vez metabolizada, agora pelas bactérias intestinais, tornando-se um pigmento de coloração marrom responsável pela cor característica das nossas fezes.

Uma pequena parte da bilirrubina produzida no fígado extravasa para a corrente sanguínea. A concentração normal de bilirrubina direta no sangue varia entre 0,1 e 0,4 mg/dL. Essa bilirrubina direta diluída no sangue é filtrada pelos rins e eliminada na urina. Parte da coloração amarelada da urina se dá pela presença de pequenas quantidades de bilirrubina na mesma.

Portanto, os valores normais de bilirrubina no sangue nos adultos são os seguintes:

  • Bilirrubina total: 0,2 a 1,1 mg/dL.
  • Bilirrubina indireta: 0,1 e 0,7 mg/dL.
  • Bilirrubina direta: 0,1 a 0,4 mg/dL.

Nota: esses valores podem variar um pouco dependendo do laboratório e do método usado para medição. Se quiser saber mais sobre marcadores de doença do fígado, leia: O que são AST (TGO), ALT (TGP) e Gama GT?

A icterícia surge quando, por algum motivo, ocorre um acúmulo de bilirrubina direta e/ou indireta, no sangue. Quando as concentrações de bilirrubina ultrapassam 1,5 a 2,0 mg/dL, esse excesso de pigmento extravasa para pele, mucosas e para a membrana que recobre a esclera (parte branca dos olhos), levando a característica aparência amarelada da icterícia.

Causas de icterícia

A icterícia surge, basicamente, quando há uma produção excessiva de bilirrubina e/ou quando há uma eliminação deficiente da mesma.

Icterícia por aumento de bilirrubina indireta

A bilirrubina indireta pode se acumular quando há uma grande destruição das hemácias – além daquela considerada normal -, jogando na circulação sanguínea uma quantidade de bilirrubina maior do que a capacidade do fígado de excretá-la.

Essa destruição é chamada de hemólise e pode ocorrer por vários motivos:

  • Uso de fármacos, como ribavirina, benzocaína, dapsona, fenazopiridina, paraquat, gás arsênico e chumbo.
  • Infecções, como malária ou leptospirose.
  • Defeitos na própria hemácia, como na esferocitose hereditária, hemoglobinúria paroxística noturna, anemia falciforme, talassemia, etc.
  • Doenças autoimunes.

O acúmulo de bilirrubina indireta também pode ocorrer por incapacidade do fígado em conjugar a mesma em bilirrubina direta. A síndrome de Gilbert e a síndrome de Crigler-Najjar são duas doenças genéticas que podem causar icterícia por deficiência da enzima do fígado responsável pela conjugação da bilirrubina (leia: Síndrome de Gilbert, Crigler-Najjar e Dubin-Johnson).

Icterícia por aumento de bilirrubina direta

A icterícia por bilirrubina direta ocorre quando o fígado consegue conjugar a bilirrubina, mas por algum motivo não consegue excretá-la em direção aos intestinos. Entre as principais causas podemos citar:

  • Hepatites virais.
  • Esteatose hepática grave.
  • Cirrose hepática.
  • Cirrose biliar primária.
  • Obstrução das vias biliares por cálculos.
  • Câncer do fígado ou das vias biliares.
  • Câncer do pâncreas com obstrução das vias biliares.

Sinais e sintomas associados à icterícia

Além da pele e dos olhos amarelados, a icterícia costuma acometer também as mucosas. O freio da língua é outro ponto onde pode-se notar o pigmento amarelado da bilirrubina.

icterícia
Icterícia – pele amarelada

A deposição do pigmento na pele, além de ser responsável pela coloração amarelada, também causa uma coceira intensa. Muitas vezes, o paciente se queixa mais da coceira do que da própria alteração de cor da pele.

Quando a icterícia é de origem direta, ou seja, devido à bilirrubina solúvel em água, podemos ter mais dois achados típicos:

Colúria

Quando há muita bilirrubina direta no sangue, há consequentemente muita bilirrubina sendo filtrada pelos rins. O resultado é uma urina cor escura (tipo Coca-Cola) ou com um alaranjado forte, causado pelo excesso de pigmento na mesma.

Como a bilirrubina indireta não é solúvel na água, ela não é filtrada pelos rins. Portanto, a colúria é um sinal típico de icterícia por bilirrubina direta.

Acolia fecal

Como é a bilirrubina a responsável pela coloração habitual das fezes, quando ocorre algum impedimento na excreção da bilirrubina conjugada para os intestinos, o paciente pode apresentar fezes muito claras, por vezes, quase brancas, devido à ausência de pigmento na mesma.

Tratamento da icterícia

A icterícia não é uma doença, mas sim um sinal de doença. Portanto, na imensa maioria dos casos, o seu tratamento passa primeiro pelo tratamento da doença que está provocando a icterícia. Se for uma hepatite, trata-se a hepatite; se for uma obstrução das vias biliares, trata-se a obstrução; se for uma reação a algum medicamento, suspende-se o medicamento.

Uma das poucas situações que o tratamento visa diretamente a redução da icterícia é no caso da icterícia neonatal, pois o excesso de bilirrubina pode ser tóxico para o cérebro do recém-nascido. Explicamos essa situação em detalhes no artigo: Icterícia neonatal – Causas e tratamento.

Não existe um remédio específico que possa ser tomado para baixar a hiperbilirrubinemia em todos os casos. Cada situação deve ser tratada individualmente.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Felipe

    Como alguém que não é da área, estou impressionado com a importância da bilirrubina, muito interessante artigo.

  2. Maria Cecília Evangelista Fernandes nonato

    Além da Icterícia, pode um organismo apresentar cobre no exame de sangue?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Existe uma doença que causa o acúmulo excessivo de cobre no organismo, chamada doença de Wilson. Nesta doença, o fígado não excreta o excesso de cobre na bile, resultando em acúmulo de cobre e danos hepáticos.

  3. Theresa

    Bom dia Dr. Meu pai tem 62 anos e apresentou a pele amarelada, coceira e ele também é diabético. Gostaria de saber qual especialista para tratar desse problema de ictericia?

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Hepatologista ou gastroenterologista.

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