O que é o metilfenidato?
O cloridrato de metilfenidato, também conhecido pelos nomes comerciais Ritalina e Concerta, é um fármaco que possui ação estimulante do sistema nervoso central e é habitualmente usado no tratamento medicamentoso do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
Esse texto não tem como objetivo reproduzir a bula do metilfenidato fornecida pelos fabricantes. O que faremos aqui é uma revisão crítica do fármaco em linguagem mais acessível ao público leigo, eliminando as partes da bula que contém linguagem mais técnica e ressaltando as informações que são realmente relevantes para os pacientes que precisam tomar o medicamento, tais como posologia, contraindicações e efeitos adversos.
Se você procura informações sobre transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, acesse o seguinte link: O que é TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção.
Como o metilfenidato age no cérebro?
A dopamina e a noradrenalina são neurotransmissores que possuem ação estimuladora no sistema nervoso central, desempenhando um papel fundamental no pensamento e na capacidade de concentração.
O metilfenidato atua inibindo a recaptação da dopamina e da noradrenalina na fenda sináptica, fazendo com que esses neurotransmissores permaneçam ativos por mais tempo. Quando há mais neurotransmissores estimulantes disponíveis para os neurônios, ocorre aumento do estado de vigília, da concentração e da capacidade de controle do comportamento.
Ele estimula o sistema nervoso central de forma semelhante às anfetaminas, porém de maneira mais branda. Além disso, seus efeitos são mais perceptíveis nas atividades mentais do que nas motoras.
Para que serve a Ritalina?
O metilfenidato possui basicamente duas indicações apenas:
- Tratamento farmacológico do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade.
- Narcolepsia.
Fora essas duas condições citadas acima, não há mais nenhuma outra indicação formal para o uso da Ritalina.
Ritalina ajuda nos estudos?
Devido à sua comprovada eficácia no aumento do estado de vigília e na capacidade de concentração, a Ritalina passou a ser chamada na mídia e entre os estudantes universitários de “droga do estudo” ou “pílula da inteligência”.
Apesar de estudos demonstrarem que o metilfenidato pode melhorar aspectos como memória de trabalho e velocidade de processamento, não há evidências científicas robustas de que ele melhore o desempenho acadêmico em indivíduos saudáveis, sem TDAH.
Organizações como a American Psychiatric Association (APA) e a Food and Drug Administration (FDA) não recomendam o uso do medicamento para esse fim. Além disso, seu uso indiscriminado aumenta o risco de efeitos adversos e dependência, sem benefícios comprovados a longo prazo.
Como tomar
O cloridrato de metilfenidato é comercializado nas seguintes formas:
- Concerta®: comprimidos de 18 mg, 27 mg, 36 mg e 54 mg.
- Ritalina®: comprimidos de 10 mg.
- Ritalina LA®: comprimidos de 10 mg, 20 mg, 30 mg e 40 mg.
A dose inicial da Ritalina nas crianças costuma ser de 5 mg a 10 mg, e nos adultos de 10 mg a 20 mg. A dose pode ser aumentada ao longo das semanas conforme a resposta clínica.
A dose diária do Concerta pode variar de 18 a 72 mg.
O medicamento deve ser tomado uma ou duas vezes por dia, sendo indicado não administrar a segunda dose depois das 18 horas, para diminuir o risco do paciente ter insônia.
Nas crianças, a dose diária máxima é de 60 mg, enquanto nos adultos é de 80 mg.
Quanto tempo leva para a Ritalina fazer efeito?
O tempo para o início dos efeitos varia de 20 a 60 minutos, com pico de ação por volta de 2 horas. A duração da ação é de três a cinco horas.
Nos comprimidos de liberação prolongada, o tempo de ação pode durar por até 12 horas.
Efeitos colaterais
Assim como qualquer medicamento, o metilfenidato possui a sua própria lista de efeitos adversos possíveis. Alguns são comuns, outros são raros; alguns são leves, outros são potencialmente graves. A seguir, vamos listar os efeitos colaterais mais importantes, usando como critério a sua frequência e gravidade.
Efeitos adversos comuns da Ritalina
- Perda do apetite (até 26% dos pacientes).
- Dor de cabeça (22%).
- Boca seca (14%).
- Insônia (13%).
- Náuseas e vômitos (13%).
- Irritabilidade (11%).
- Dor de garganta (10%).
- Coriza (10%).
- Labilidade emocional (9%).
- Perda de peso (9%).
- Ansiedade (8%).
- Dor abdominal (7%).
- Tonturas (7%).
- Palpitações (5%).
- Transpiração (5%).
- Depressão (4%).
- Tremores (3%).
- Perda da libido (2%).
- Urticária (2%).
- Tosse (2%).
Reações adversas que requerem avaliação médica
Se você apresentar qualquer um dos sintomas abaixo, entre em contato com o seu médico, pois isso pode ser sinal de uma reação mais grave ao medicamento:
- Sinais de anafilaxia (inchaço nos lábios, boca, língua ou dificuldade para respirar).
- Rash (manchas vermelhas por todo o corpo).
- Bolhas na pele.
- Febre alta.
- Pico hipertensivo.
- Crise convulsiva.
- Paralisia de algum dos membros.
- Dificuldade para falar.
- Taquicardia (batimento cardíaco muito acelerado).
- Equimoses (manchas roxas na pele)
- Espasmos musculares.
- Desmaio.
- Alucinações.
- Priapismo (ereção involuntária, prolongada e dolorosa).
Exceto pela taquicardia, que ocorre em até 5% dos pacientes, todas as outras reações acima são incomuns, com frequência de menos de 1%.
Monitoramento durante o uso
Pacientes em tratamento com metilfenidato devem realizar monitoramento periódico da pressão arterial, frequência cardíaca e peso corporal, conforme recomendado por diretrizes internacionais como o NICE (National Institute for Health and Care Excellence).
Crescimento em crianças
O uso prolongado de metilfenidato em crianças pode estar associado a uma redução discreta na velocidade de crescimento (altura e peso). Por isso, recomenda-se que crianças em tratamento tenham seu peso e altura monitorados regularmente. Caso seja observada desaceleração significativa, o médico pode ajustar a dose ou considerar pausas no uso do medicamento.
Vitiligo e alterações cutâneas
Há relatos raros na literatura médica de que o metilfenidato pode causar perda de pigmentação na pele. Por isso, o uso deve ser feito com cautela em pacientes com histórico de doenças como vitiligo, sempre com acompanhamento médico.
Contraindicações
As seguintes condições contraindicam o uso da Ritalina:
- Hipertensão não controlada.
- Insuficiência cardíaca.
- História de arritmia cardíaca.
- Hipertireoidismo.
- Doença coronariana.
- Feocromocitoma.
- Síndrome de Tourette.
- Glaucoma.
- Transtorno de ansiedade.
Quais cuidados devo ter antes de tomar a Ritalina?
O metilfenidato pode causar tonturas, sonolência, visão embaçada, alucinações ou afetar a capacidade de concentração. Se você sentir qualquer um destes sintomas enquanto faz uso do medicamento, não deverá dirigir veículos ou operar máquinas.
O metilfenidato não é contraindicado, mas deve ser evitado na gravidez e durante a amamentação, pois estudos em animais demonstraram efeitos indesejados no feto. Sendo assim, a Ritalina só deve ser administrada durante a gravidez se o seu médico achar que os benefícios justificam o risco potencial para o feto.
A Ritalina pode provocar perda de pigmentação pele. Portanto, o seu uso deve ser feito com cuidado nos pacientes que apresentam vitiligo.
Em caso de cirurgia, o anestesista deve ser avisado com relação ao uso da Ritalina, pois esse fármaco pode interagir com alguns tipos de anestésicos.
A Ritalina pode dar resultado falso positivo em testes para o uso de drogas em eventos esportivos, sendo assim, considerada dopping.
O que acontece se eu tomar Ritalina e beber?
O consumo de bebidas alcoólicas, mesmo em doses baixas, deve ser evitado, pois há um maior risco de toxicidade e aumento do risco de surgimento dos efeitos colaterais descritos no tópico anterior.
A combinação do metilfenidato com álcool eleva os níveis de metilfenidato no sangue em até 40%, o que aumenta drasticamente os efeitos normais do medicamento e do álcool.
A associação frequente entre álcool e metilfenidato pode provocar dependência de ambos.
Gravidez e amamentação
O metilfenidato é classificado como categoria C na gravidez (FDA), devendo ser utilizado apenas se os benefícios superarem os riscos potenciais para o feto. Durante a amamentação, é contraindicado, pois é excretado no leite materno e pode causar efeitos adversos no bebê.
Interações medicamentosas
A associação do metilfenidato com as seguintes drogas é contraindicada:
- Acebrofilina.
- Inibidores da monoamina oxidase (IMAO).
- Anestésicos inalatórios.
- Cocaína.
A associação do metilfenidato com as seguintes drogas deve ser feita somente com acompanhamento médico:
- Anti-hipertensivos: redução da eficácia do fármaco e risco de pico hipertensivo.
- Varfarina: aumento da concentração sanguínea e maior risco de sangramento.
- Antidepressivos: aumento do risco de toxicidade do fármaco.
- Fenitoína: aumento do risco de toxicidade do fármaco.
- Anti-histamínicos: aumenta a concentração sanguínea do metilfenidato.
- Clonidina: aumento do risco de toxicidade do fármaco.
- Cannabis: aumenta o risco de taquicardia.
- Bupropiona: aumenta o risco de epilepsia.
- Antipsicóticos: aumento do risco de toxicidade do fármaco.
- Antiparkinsonianos: aumento do risco de toxicidade do fármaco.
- Antiácidos: aumenta a concentração sanguínea do metilfenidato.
Os sinais de toxicidade do metilfenidato podem incluir taquicardia, agitação, aumento da pressão arterial e insônia intensa. Caso esses sintomas surjam em associação com outros fármacos, procure atendimento médico imediatamente.
Referências
- Methylphenidate: Drug information – Uptodate.
- Pharmacology of drugs used to treat attention deficit hyperactivity disorder in children and adolescents – Uptodate.
- RITALINA® (cloridrato de metilfenidato) Novartis Biociências SA – Bula do fabricante.
- CONCERTA® (cloridrato de metilfenidato) Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda – Bula do fabricante.
- Ritalin® hydrochloride methylphenidate – FDA.
- The Effects of Mixing Methylphenidate and Alcohol – American Addiction Centers.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Se meu filho tomar Ritalina por muitos anos, isso pode afetar o crescimento definitivo dele?
Dr. posso parar de tomar Ritalina de uma vez ou preciso reduzir a dose aos poucos?
Olá estou fazendo tratamento para depressão (usando antidepressivo Desve) e agora estou com diagnóstico de síndrome de burnout. O psiquiatra me receitou Ritalina. Confesso q depois de ler as bulas e fazer uma breve pesquisa na net estou com medo de misturar os 2.
Como conseguir o medicamento para TDAH na rede pública?
Eu preciso tomar esta afetando minha vida em todos os ramos.
Sou adulto de 43 anos e no meu caso é gravíssimo
Boa tarde gostaria de saber estou achando que tenho TDH mais tava pesquisando sobre ,e esse remédio metilfenidato não pode ser tomado por pessoas que tem transtorno de ansiedade que eu tbm tenho ,então tem outro remédio que possa tomar tendo os dois TDH e ansiedade?
Boa noite! Meu filho tomou ritalina aos seis anos de idade de imediato teve reações pavorosas tremores irritabilidade excessiva e eu fui obrigada a suspender de imediato, logo após levei a médica dele e a mesma concordou comigo, hoje ele tem um ano a mais ou seja sete anos devo tentar novamente???Muito grata!
Qual deles tem efeito prolongado ?
Boa tarde tenho um menino de 9 anos que pesa 40kg e foi lhe receitado o concertar 36mg, a minha dúvida é se não deveriam ter começado pela dosagem mais pequena para iniciar o tratamento, obrigado.
Fiquei bastante preoculpada com tantas informações. Descobri a um ano q minha filha de 18 anos tem TDA sem H
Ela está usando o Venvanse.
Gostaria de saber qual medicação é a melhor com menos efeitos colaterais…mais atual ? Por favor me ajude estou muito confusa. Obrigada