Remédios para pressão alta (hipertensão arterial)


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Revisado e atualizado em outubro 26, 2025
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Por que tratar a pressão alta?

A hipertensão arterial, popularmente conhecida como pressão alta, é uma condição crônica que afeta cerca de 1 em cada 3 pessoas no mundo. Trata-se de uma das doenças mais comuns na prática médica e uma das principais causas evitáveis de morte e complicações cardiovasculares.

Embora não tenha cura na maioria dos casos, a hipertensão pode ser controlada de forma eficaz com mudanças no estilo de vida e uso regular de medicamentos. Atualmente, há um amplo arsenal de remédios disponíveis, com diferentes mecanismos de ação e boa eficácia na redução da pressão arterial.

Quando não tratada adequadamente, a pressão alta pode provocar lesões progressivas em órgãos vitais, como coração, cérebro, rins e olhos. Entre as principais complicações estão o acidente vascular cerebral (AVC), o infarto do miocárdio, a insuficiência cardíaca, a doença renal crônica e a retinopatia hipertensiva.

Sabemos que reduções da pressão arterial para valores abaixo de 140/90 mmHg estão associadas a menor risco de complicações e maior expectativa de vida. Por isso, esse continua sendo o alvo recomendado na maioria dos casos.

No entanto, diretrizes mais recentes — como as da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC/ESH) e da American Heart Association (AHA) — sugerem alvos ainda mais baixos (<130/80 mmHg) para pacientes com alto risco cardiovascular, diabetes, doença renal crônica ou que já sofreram eventos cardiovasculares, desde que o tratamento seja bem tolerado. Essa abordagem mais intensiva pode oferecer proteção adicional contra AVC, infarto e progressão da doença renal.

O tratamento da hipertensão é baseado em duas abordagens principais:

Neste artigo, vamos focar no tratamento medicamentoso da hipertensão arterial, explicando como atuam os principais remédios, quando são indicados e quais são seus possíveis efeitos colaterais.

Para obter mais informações sobre a pressão alta, acesse nosso arquivo de artigos sobre Hipertensão arterial.

Vídeo sobre hipertensão arterial

Antes de seguirmos, assista a esse curto vídeo que explica o que é a hipertensão arterial:

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Remédios para hipertensão arterial

Atualmente, existem dezenas de medicamentos aprovados para o controle da pressão arterial. A boa notícia é que, mais importante do que o tipo específico de remédio utilizado, é a eficácia na redução da pressão. Ou seja, o objetivo principal do tratamento é atingir e manter os valores ideais da pressão arterial, reduzindo o risco de complicações cardiovasculares a longo prazo.

As diretrizes médicas mais recentes consideram três classes de medicamentos como tratamento de primeira linha da hipertensão arterial:

  • Diuréticos tiazídicos, como hidroclorotiazida e clortalidona.
  • Inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) (ex.: enalapril, ramipril ou lisinopril) ou antagonistas do receptor da angiotensina II (ARA II) (ex.: losartana, telmisartana, candesartana).
  • Bloqueadores dos canais de cálcio, como anlodipino e nifedipina.

Esses medicamentos podem ser utilizados isoladamente ou em combinação. De fato, muitos pacientes com pressão elevada necessitam de duas ou mais medicações associadas para alcançar o controle ideal, especialmente nos casos de hipertensão mais grave ou resistente. Não há nenhum problema em utilizar múltiplas drogas anti-hipertensivas — isso é inclusive a abordagem mais comum na prática médica atual.

A monoterapia (uso de apenas um medicamento) costuma ser reservada para os casos mais leves, especialmente em pacientes com valores pressóricos abaixo de 150/90 mmHg. Já em situações com níveis mais altos, como pressões acima de 170/100 mmHg, dificilmente o controle será obtido com uma única medicação.

Nota: em alguns casos específicos, outros medicamentos mais recentes, como os inibidores de SGLT2 (gliflozinas) ou o sacubitril/valsartana, podem ser úteis no controle da pressão arterial, especialmente em pacientes com insuficiência cardíaca ou doença renal crônica. Embora não sejam indicadas exclusivamente para hipertensão, essas drogas podem contribuir para o controle pressórico e a proteção dos órgãos-alvo.

Efeitos colaterais comuns dos anti-hipertensivos

A maioria dos anti-hipertensivos tem perfil de segurança bem estabelecido e é bem tolerada pela maioria dos pacientes. No entanto, como todo medicamento, também podem causar efeitos adversos.

O mais comum é a queda excessiva da pressão arterial (hipotensão), especialmente no início do tratamento ou quando há ajustes de dose. Por isso, é essencial fazer o acompanhamento médico e monitorar os sintomas.

Outro efeito que pode ocorrer, especialmente em pacientes mais velhos, é a disfunção erétil. Apesar disso, esse risco costuma ser baixo e pode ser controlado com ajustes na medicação ou troca de classe terapêutica.

Em geral, com uma prescrição adequada, os anti-hipertensivos são eficazes, seguros e bem tolerados. O segredo está em encontrar a combinação ideal para cada paciente, levando em conta fatores como idade, presença de outras doenças (como diabetes ou insuficiência cardíaca), histórico familiar e resposta clínica ao tratamento.

A seguir, resumimos os principais grupos de anti-hipertensivos e seus principais fármacos.

Diuréticos

Os diuréticos são uma das classes de medicamentos mais antigas e eficazes no tratamento da hipertensão arterial. Eles atuam promovendo a eliminação de sódio e água pelos rins, o que ajuda a reduzir o volume de sangue circulante e, consequentemente, a pressão arterial.

Podem ser usados isoladamente (monoterapia) em casos leves ou em associação com outras classes de medicamentos, o que é mais comum na prática clínica. Aliás, na maioria dos esquemas de tratamento, os diuréticos devem estar presentes como primeira ou segunda escolha, salvo contraindicações.

O paciente hipertenso tratado com 2 ou 3 fármacos anti-hipertensivos, não sendo nenhum deles um diurético, está provavelmente com um esquema anti-hipertensivo não otimizado. Isso é importante de ser reconhecido, porque muitos pacientes não alcançam o controle adequado da pressão simplesmente porque o diurético foi deixado de fora do esquema terapêutico.

Existem três principais tipos de diuréticos utilizados na hipertensão:

Diuréticos tiazídicos

Os tiazídicos são os diuréticos mais utilizados e recomendados para o tratamento da hipertensão arterial. Além de sua eficácia, apresentam bom custo-benefício e são especialmente eficazes em pacientes negros, idosos e diabéticos.

Os diuréticos tiazídicos mais utilizados na prática médica são:

  • Hidroclorotiazida (dose recomendada entre 12,5 e 25 mg por dia em dose única diária).
  • Clortalidona (dose recomendada entre 12,5 e 25 mg por dia em dose única diária).
  • Indapamida (dose recomendada entre 1,25 e 2,5 mg por dia em dose única diária).
  • Metolazona (dose recomendada entre 2,5 e 5 mg por dia em dose única diária).

Estudos mais recentes indicam que a clortalidona pode ter melhor desempenho na redução de eventos cardiovasculares, principalmente por seu efeito mais prolongado (meia-vida de até 60 horas, contra cerca de 12 horas da hidroclorotiazida). No entanto, conforme já referido, contanto que a pressão arterial consiga ser controlada, qualquer um desses 4 diuréticos é uma boa escolha.

Com exceção da metolazona, os tiazídicos perdem eficácia em pacientes com insuficiência renal avançada (clearance de creatinina < 30 mL/min), devendo ser evitados nesses casos (leitura sugerida: Calculadoras do clearance de creatinina – taxa de filtração glomerular).

Entre os efeitos colaterais mais comuns dos diuréticos tiazídicos estão:

  • Hipocalemia (potássio baixo).
  • Hiponatremia (sódio baixo).
  • Aumento do ácido úrico (pode desencadear crises de gota).
  • Alterações da glicose em diabéticos (mais comum quando usado em doses altas).
  • Desidratação.

Diuréticos de alça

São diuréticos mais potentes, mas com ação mais curta e menos efetivos na redução sustentada da pressão arterial. Por isso, não são a primeira escolha para hipertensão, exceto em casos especiais.

Os diuréticos de alça são particularmente úteis em duas situações:

  • Pacientes com insuficiência renal avançada.
  • Casos de insuficiência cardíaca com retenção de líquidos (edema).

O principal representante dessa classe de diuréticos é a furosemida (Lasix®), geralmente utilizada nas doses de 20 a 80 mg por dia, divididas em 1 ou 2 tomadas com intervalo de 6 horas (doses mais elevadas podem ser utilizadas em pacientes com quadros de edemas graves ou insuficiência renal avançada).

Em geral, evita-se prescrever furosemida com intervalos de 12 horas porque a duração do seu efeito diurético é relativamente curta (aproximadamente 4–6 horas). Com esse espaçamento, é comum haver “janelas sem diurese” e a retenção de líquido pode voltar.

Além disso, recomenda-se evitar tomadas noturnas do medicamento para reduzir a fragmentação do sono pelo fato de o paciente precisar se levantar várias vezes para urinar de madrugada. Assim, quando houver necessidade de duas doses ao dia, prefere-se administrá-las pela manhã e no meio da tarde, com intervalo de 6 horas entre elas, sendo a última dose suficientemente cedo para não interferir no período de descanso (por exemplo: 1 comprimido às 9 horas e 1 comprimido às 15 horas).

Os efeitos adversos dos diuréticos de alça são semelhantes aos tiazídicos, incluindo desequilíbrios eletrolíticos e desidratação.

Para mais informações sobre a furosemida, leia: Furosemida – Para Que Serve, Como Tomar e Efeitos Adversos

Diuréticos poupadores de potássio

São os diuréticos menos potentes no controle da pressão arterial, mas podem ser muito úteis como medicação complementar, especialmente em pacientes com hipertensão resistente (pressão alta que não melhora mesmo com 3 ou mais drogas).

Na prática médica, o diurético poupador de potássio mais utilizado é a espironolactona, também conhecida pelo seu nome comercial Aldactone®. A dose habitual da espironolactona para hipertensão arterial é de 25 mg a 50 mg por dia em dose única diária.

A espironolactona habitualmente está indicada em paciente hipertenso que também tenham:

  • Insuficiência cardíaca*.
  • Níveis baixos de potássio (para evitar hipocalemia).
  • Mulheres com hiperaldosteronismo ou síndrome dos ovários policísticos (por sua ação antiandrogênica).

* A espironolactona não se destaca apenas no tratamento da hipertensão resistente. Ela é um dos pilares no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Estudos demonstraram que o uso da espironolactona, em associação com outras terapias da insuficiência cardíaca, reduz significativamente a mortalidade e a necessidade de hospitalizações por descompensação cardíaca.

Outros diuréticos poupadores de potássio também são utilizados em situações específicas, como:

  • Eplerenona: tem mecanismo semelhante ao da espironolactona, mas com menor ação antiandrogênica, o que reduz efeitos colaterais como ginecomastia. Também é aprovada para uso na insuficiência cardíaca, especialmente após infarto do miocárdio.
  • Amilorida: atua diretamente nos túbulos renais, bloqueando canais de sódio. É pouco eficaz como anti-hipertensivo isolado, mas pode ser combinada com tiazídicos para minimizar a perda de potássio. Está presente em combinações comerciais, como com hidroclorotiazida.
  • Triamtereno: mecanismo semelhante ao da amilorida, mas menos utilizado atualmente devido ao risco de nefrotoxicidade, especialmente em pacientes com insuficiência renal.

Entre os seus efeitos colaterais dos diuréticos poupadores de potássio, o mais perigoso é a hipercalemia (excesso de potássio no sangue), que pode levar a graves arritmias cardíacas.

Para mais informações sobre a espironolactona, leia: Espironolactona: para que serve, doses e efeitos colaterais.

Para saber mais sobre os diuréticos em geral, acesse o link: Diuréticos – Furosemida, Hidroclorotiazida, Indapamida

Inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA)

Os inibidores da enzima conversora da angiotensina, conhecidos pela sigla IECA, são medicamentos amplamente utilizados no tratamento da hipertensão arterial. Com mais de 30 anos de uso clínico, os IECA têm eficácia comprovada não apenas na redução da pressão arterial, mas também na proteção cardiovascular e renal, especialmente em pacientes com doenças associadas.

Além de reduzirem a pressão, os IECA atuam inibindo o sistema renina-angiotensina-aldosterona, diminuindo a produção da angiotensina II — um potente vasoconstritor — e da aldosterona, o que resulta em vasodilatação e redução da retenção de sódio e água.

São frequentemente indicados como monoterapia em casos de hipertensão leve ou como parte de esquemas combinados com outras classes, como diuréticos e bloqueadores dos canais de cálcio.

Em quais pacientes os IECA são preferidos?

Além de serem úteis em qualquer paciente hipertenso, os IECA são particularmente recomendados em indivíduos com:

Os IECA têm papel central não só no controle pressórico, mas também na prevenção da progressão da doença renal e na redução de mortalidade cardiovascular.

Qual é o perfil do paciente que responde melhor aos IECA?

Os IECA costumam ser mais eficazes em pessoas jovens, brancas e não obesas. Em negros e idosos, sua eficácia isolada pode ser menor, mas isso não contraindica o uso, especialmente quando há alguma das condições clínicas citadas acima.

Tipos de IECA

Os IECA são um grupo bastante explorado pela indústria farmacêutica, existindo atualmente no mercado diversas drogas diferentes dentro desta família. Em geral, nenhum IECA apresenta nítida superioridade em relação ao outro.

Os IECA mais utilizados na prática médica são:

  • Benazepril (dose recomendada entre 10 a 40 mg por dia, em dose única diária).
  • Captopril (dose recomendada entre 25 a 150 mg por dia, divididos em 2 ou 3 tomadas por dia).
  • Cilazapril (dose recomendada entre 0,5 a 2,5 mg por dia, em dose única diária).
  • Enalapril (dose recomendada entre 5 a 40 mg por dia, em dose única diária ou 2 vezes por dia).
  • Lisinopril (dose recomendada entre 5 a 40 mg por dia, em dose única diária).
  • Perindopril (dose recomendada entre 2 a 16 mg por dia, em dose única diária).
  • Ramipril (dose recomendada entre 2,5 a 20 mg por dia, em dose única diária ou 2 vezes por dia).

O captopril é a droga mais antiga desta lista. Por ter um tempo de ação mais curto, sua posologia é menos confortável, sendo preciso tomá-lo até 3 vezes por dia. Por isso, seu uso tem atualmente sido restrito ao tratamento pontual dos picos de pressão arterial em pacientes que já estão medicados com outros anti-hipertensivos.

Efeitos colaterais dos IECA

  • Tosse seca persistente (afeta até 20% dos usuários) — costuma surgir após semanas de uso e melhora somente com a suspensão da medicação.
  • Hipercalemia (potássio alto no sangue) — risco aumentado quando associado a diuréticos poupadores de potássio (ex: espironolactona).
  • Aumento da creatinina — discreto aumento é esperado no início do tratamento, mas deve ser monitorado.
  • Angioedema — raro, porém grave. Exige suspensão imediata.

Atenção: IECA são contraindicados na gestação devido ao risco de malformações fetais. Também não devem ser prescritos para pacientes com diagnóstico de estenose bilateral das artérias renais.

Caso o paciente desenvolva tosse com o uso de IECA, o médico pode substituí-lo por um medicamento da classe dos ARA II, que têm ação semelhante, mas menor chance de provocar tosse — veremos a seguir.

Antagonistas do receptor da angiotensina II (ARA II):

Os antagonistas do receptor da angiotensina II (ARA II), também conhecidos como bloqueadores dos receptores de angiotensina ou simplesmente BRA, são uma classe de medicamentos amplamente utilizada no tratamento da hipertensão arterial.

Os ARA II atuam bloqueando diretamente os receptores da angiotensina II nos vasos sanguíneos, impedindo sua ação vasoconstritora. O resultado é uma diminuição da resistência vascular periférica, com consequente redução da pressão arterial.

Seu mecanismo de ação é semelhante ao dos IECA, mas com um perfil de efeitos colaterais mais favorável, o que os torna uma excelente alternativa para pacientes que não toleram IECA, especialmente por conta da tosse seca.

Como os efeitos, a eficácia e as indicações são os mesmos dos IECA, a escolha entre um IECA ou ARA II fica por conta da preferência individual do médico ou do paciente. Preço, posologia e perfil de efeitos colaterais são geralmente os fatores considerados na hora de escolher entre um IECA ou ARA II.

Indicações dos ARA II

As indicações clínicas dos ARA II são praticamente as mesmas dos IECA. São especialmente úteis em pacientes com:

  • Hipertensão arterial de qualquer grau.
  • Diabetes mellitus com ou sem proteinúria.
  • Doença renal crônica.
  • Proteinúria.
  • Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.
  • Histórico de infarto agudo do miocárdio.
  • Intolerância a IECA (especialmente tosse).

Os ARA II mais utilizados na prática clínica são:

  • Candesartana (dose recomendada entre 16 a 32 mg por dia, em dose única diária).
  • Irbesartana (dose recomendada entre 75 a 300 mg por dia, em dose única diária).
  • Losartana (dose recomendada entre 50 a 100 mg por dia, em dose única diária).
  • Olmesartana (dose recomendada entre 20 a 40 mg por dia, em dose única diária).
  • Telmisartana (dose recomendada entre 20 a 80 mg por dia, em dose única diária).
  • Valsartana (dose recomendada entre 80 a 320 mg por dia, em dose única diária).

Não há estudos que comprovem superioridade de um ARA II sobre o outro. Novamente, a escolha do medicamento deve levar em conta custos e tolerância individual.

Efeitos colaterais dos ARA II

Assim como os IECA, os ARA II também podem provocar aumento do potássio sanguíneo. A grande vantagem dos ARA II sobre o IECA é a baixa ocorrência de tosse e a menor incidência de angioedema.

Assim como os IECA, os ARA II são contraindicados na gravidez e devem ser evitados em pacientes com estenose bilateral das artérias renais.

Associação entre IECA e ARA II

Durante algum tempo, acreditou-se que a combinação de um IECA com um ARA II poderia trazer benefícios adicionais em pacientes com insuficiência cardíaca ou doença renal com proteinúria. No entanto, estudos como o ONTARGET trial mostraram aumento do risco de efeitos adversos (hipercalemia, hipotensão, insuficiência renal aguda), sem benefício clínico significativo.

Por isso, a combinação IECA + ARA II não é mais recomendada, salvo em situações muito específicas e sob rigoroso acompanhamento médico.

Para saber mais detalhes sobre os IECA e ARA II, leia: Inibidores da ECA e ARA II – Captopril, Enalapril, Losartan…

Inibidores do canal de cálcio

Os inibidores dos canais de cálcio (ou bloqueadores dos canais de cálcio) são uma classe de medicamentos amplamente utilizada no tratamento da hipertensão arterial. Eles atuam promovendo o relaxamento dos vasos sanguíneos (vasodilatação), por meio da inibição da entrada de cálcio nas células musculares das paredes arteriais. Com isso, reduzem a resistência vascular e ajudam a controlar a pressão arterial.

Esses medicamentos podem ser utilizados como monoterapia, especialmente em casos leves a moderados, ou em associação com outras classes, como diuréticos ou IECA/ARA II — combinação que costuma ser bastante eficaz, sobretudo em grupos específicos de pacientes.

Para quem os inibidores dos canais de cálcio são mais indicados?

Os bloqueadores dos canais de cálcio têm mostrado excelente resposta em:

  • Idosos.
  • Pacientes negros.
  • Pessoas com hipertensão isolada sistólica (pressão sistólica alta, com diastólica normal ou baixa).
  • Pacientes com angina ou doença arterial coronariana concomitante.

Além disso, os bloqueadores dos canais de cálcio não interferem no metabolismo da glicose, potássio ou ácido úrico, sendo bem tolerados em diabéticos e idosos.

Os inibidores do canal de cálcio mais utilizados na prática clínica são:

  • Nifedipina retard (mais conhecido como Adalat retard): dose recomendada entre 30 a 120 mg por dia, em dose única diária.
  • Amlodipina (anlodipino): dose recomendada entre 2,5 a 10 mg por dia, em dose única diária.
  • Lercanidipina: dose recomendada entre 10 a 20 mg por dia, em dose única diária.
  • Felodipina: dose recomendada entre 2,5 a 20 mg por dia, em dose única diária.

Efeitos colaterais mais comuns

O efeito adverso mais frequente é o edema periférico, especialmente em torno dos tornozelos e pés. Ele ocorre por dilatação dos vasos sanguíneos e aumento da pressão capilar. É mais comum em pacientes com insuficiência venosa ou varizes.

Outros possíveis efeitos adversos:

  • Dor de cabeça.
  • Rubor facial.
  • Tontura leve.

Em pacientes idosos ou sensíveis, o tratamento deve ser iniciado com a menor dose disponível, aumentando-se progressivamente conforme a resposta clínica.

Para saber mais detalhes sobre os inibidores do canal de cálcio, leia: Bloqueadores dos Canais de Cálcio| Nifedipina, Adalat, Amlodipina…).

Betabloqueadores

Os betabloqueadores (ou bloqueadores beta-adrenérgicos) são medicamentos tradicionalmente utilizados no tratamento da hipertensão arterial e de várias doenças cardiovasculares. Embora tenham sido por muito tempo considerados fármacos de primeira escolha, seu uso como monoterapia para hipertensão deixou de ser recomendado nas principais diretrizes desde meados da década de 2010.

Apesar disso, os betabloqueadores continuam sendo extremamente úteis e necessários em contextos específicos, principalmente quando há outras condições clínicas associadas.

Quando os betabloqueadores são indicados na hipertensão?

Atualmente, os betabloqueadores não são recomendados como primeira linha isolada para o tratamento da hipertensão essencial, exceto se o paciente apresentar uma das condições abaixo:

Nessas situações, os betabloqueadores não apenas ajudam no controle da pressão arterial, mas também tratam diretamente a doença de base.

Se o paciente não apresentar nenhuma das condições clínicas descritas acima, o beta-bloqueador deve ser encarado apenas como 3ª ou 4ª opção de droga para o controle da hipertensão.

Os beta-bloqueadores mais utilizados na prática clínica são:

  • Atenolol (dose recomendada entre 25 a 100 mg por dia, em dose única diária).
  • Bisoprolol (dose recomendada entre 2,5 a 20 mg por dia, em dose única diária).
  • Carvedilol (dose recomendada entre 12,5 a 50 mg por dia, divididos em 2 tomadas por dia).
  • Metoprolol (dose recomendada entre 50 a 450 mg por dia, divididos em 2 ou 3 tomadas por dia).
  • Nebivolol (dose recomendada entre 5 a 40 mg por dia, em dose única diária).
  • Propranolol (dose recomendada entre 40 a 160 mg por dia, divididos em 2 tomadas por dia).

Características úteis:

  • O bisoprolol, o carvedilol e o metoprolol são os mais utilizados em pacientes com insuficiência cardíaca e pós-infarto.
  • O nebivolol tem ação vasodilatadora adicional, sendo melhor tolerado em idosos.
  • O propranolol é eficaz para ansiedade, tremores e profilaxia de enxaqueca, mas menos usado para hipertensão isolada.

Quando evitar o uso de betabloqueadores

  • Em pacientes com asma brônquica moderada a grave, por risco de broncoespasmo.
  • Em pessoas com bradicardia significativa (frequência cardíaca basal abaixo de 60 bpm).
  • Em monoterapia em idosos ou pacientes com hipertensão isolada sistólica — nesses casos, costumam ser menos eficazes.

Efeitos colaterais mais comuns

  • Fadiga e cansaço.
  • Bradicardia (frequência cardíaca lenta).
  • Frio nas extremidades.
  • Disfunção sexual.
  • Pesadelos ou insônia (principalmente com propranolol).

Em geral, os efeitos são dose-dependentes e costumam desaparecer ou melhorar com ajustes de dose ou troca de medicação.

Vasodilatadores diretos

Os vasodilatadores diretos são uma classe de medicamentos anti-hipertensivos que atuam promovendo relaxamento direto da musculatura dos vasos sanguíneos, especialmente das artérias. Isso resulta em uma redução rápida da resistência vascular periférica e da pressão arterial.

Apesar de serem eficazes, esses fármacos têm alto potencial de efeitos adversos e, por isso, são reservados para casos de hipertensão grave ou resistente, geralmente quando o paciente já está usando 3 ou mais medicamentos anti-hipertensivos sem controle adequado da pressão.

Principais vasodilatadores diretos

Hidralazina

  • É o vasodilatador direto mais utilizado na prática clínica.
  • Indicado em:
    • Hipertensão arterial resistente (como quarta ou quinta opção).
    • Gestantes com hipertensão grave, especialmente no terceiro trimestre, já que é uma das poucas opções seguras durante a gravidez.
  • Dose habitual: 25 a 100 mg por dia, divididos em 2 a 3 tomadas.

Efeitos colaterais comuns da hidralazina:

  • Taquicardia (aceleração do ritmo cardíaco).
  • Retenção de líquidos (edema).
  • Dor de cabeça.
  • Sudorese.
  • Em raros casos, pode causar lúpus induzido por drogas (reversível com a suspensão da medicação).

Para minimizar os efeitos adversos, a hidralazina costuma ser prescrita em conjunto com um diurético (para prevenir retenção de líquidos) e um betabloqueador (para controlar a taquicardia).

Minoxidil oral

  • É um vasodilatador extremamente potente, reservado para casos excepcionais de hipertensão refratária (pressão arterial persistentemente elevada, mesmo com múltiplas drogas).
  • Usado quando outras opções falharam — por exemplo, em pacientes com PA > 200/120 mmHg apesar de 4-5 medicamentos.
  • Dose habitual: individualizada, geralmente iniciando com 2,5 a 5 mg ao dia, podendo chegar até 40 mg/dia.

Efeitos colaterais mais importantes do minoxidil:

  • Hirsutismo (crescimento de pelos no rosto e corpo).
  • Retenção de líquidos intensa.
  • Efusão pericárdica (acúmulo de líquido ao redor do coração, em casos graves).
  • Taquicardia.
  • Hipotensão abrupta, especialmente em monoterapia.

Devido ao seu perfil de efeitos adversos, o minoxidil é sempre usado com diurético e betabloqueador, e com acompanhamento rigoroso.

Observação importante: O minoxidil oral utilizado como anti-hipertensivo não é o mesmo minoxidil tópico prescrito para queda de cabelo. Porém, o crescimento de pelos como efeito adverso é o mesmo — e pode ser incômodo para muitos pacientes.

Muitos médicos reservam o minoxidil como última alternativa do tratamento medicamentoso da hipertensão. Sua grande vantagem é o fato de ser extremamente eficiente, conseguindo controlar a pressão arterial como nenhum outro anti-hipertensivo.

Bloqueadores alfa-1

Os bloqueadores alfa-1 adrenérgicos são uma classe de medicamentos que promovem relaxamento da musculatura lisa dos vasos sanguíneos, causando vasodilatação e consequente redução da pressão arterial. Apesar dessa ação, eles não são mais recomendados como tratamento de primeira linha da hipertensão arterial, devido à sua eficácia inferior e maior risco de efeitos adversos em comparação com outras classes.

Atualmente, seu uso é restrito a situações específicas, especialmente em homens com hipertensão e hiperplasia prostática benigna (HPB) — condição comum após os 50 anos, caracterizada por aumento da próstata com sintomas urinários.

Indicações mais comuns

  • Hipertensão arterial associada à hiperplasia prostática benigna.
  • Hipertensão resistente, como 3ª ou 4ª opção terapêutica.
  • Pacientes com sintomas urinários obstrutivos (jato urinário fraco, hesitação, necessidade de urinar à noite).

Nesses casos, os bloqueadores alfa-1 têm dupla ação:

  • Reduzem a pressão arterial.
  • Melhoram o fluxo urinário, ao relaxar a musculatura do colo vesical e da próstata.

Os bloqueadores alfa-1 mais utilizados na prática clínica são:

  • Doxazosina (dose recomendada entre 1 a 16 mg por dia, em dose única diária).
  • Prazosina (dose recomendada entre 2 a 20 mg por dia, divididos em 2 ou 3 tomadas por dia).
  • Terazosina (dose recomendada entre 1 a 20 mg por dia, divididos em 1 ou 2 tomadas por dia).

A doxazosina é a mais utilizada atualmente, por ter efeito mais prolongado e posologia mais cômoda (1x/dia).

A prazosina, embora eficaz, tem ação mais curta e maior risco de hipotensão postural, especialmente nos idosos.

Efeitos colaterais mais comuns

  • Hipotensão postural (queda de pressão ao ficar em pé).
  • Tontura.
  • Palpitações.
  • Cefaleia.
  • Retenção de líquidos.
  • Congestão nasal.

O efeito colateral mais preocupante é a hipotensão intensa na primeira dose (“efeito da primeira dose”), que pode causar desmaios. Por isso, o tratamento deve ser iniciado com doses baixas, preferencialmente à noite, e com acompanhamento médico.

Estudos como o ALLHAT trial mostraram que os bloqueadores alfa-1, quando usados isoladamente para tratar a hipertensão, foram menos eficazes na prevenção de eventos cardiovasculares e apresentaram maior risco de insuficiência cardíaca. Por isso, não devem ser utilizados como monoterapia anti-hipertensiva.

Agonistas alfa-2 adrenérgicos

Os agonistas alfa-2 adrenérgicos, também chamados de agonistas centrais, são medicamentos anti-hipertensivos que atuam diretamente no sistema nervoso central, reduzindo a atividade simpática. Isso leva a uma diminuição da frequência cardíaca e da resistência vascular, o que ajuda a controlar a pressão arterial.

Apesar de serem eficazes, essa classe apresenta uma alta taxa de efeitos colaterais, o que limita seu uso. Por isso, os agonistas centrais são geralmente reservados para casos de hipertensão de difícil controle ou situações clínicas específicas.

Quando os agonistas centrais são indicados?

  • Hipertensão arterial resistente (como 4ª ou 5ª opção terapêutica).
  • Gestantes com hipertensão (no caso da metildopa).
  • Pacientes com hipertensão associada a doenças neurológicas ou tremores (com o uso da clonidina).

Os agonistas centrais mais utilizados na prática clínica são:

  • Clonidina (dose recomendada entre 0,1 a 0,8 mg por dia, divididos em 2 tomadas por dia).
  • Metildopa (dose recomendada entre 250 a 1000 mg por dia, divididos em 2 tomadas por dia).
  • Rilmenidina (dose recomendada entre 1 a 2 mg por dia, em dose única diária).

A metildopa é a mais conhecida dessa classe e continua sendo a droga de primeira escolha para hipertensão na gravidez, devido ao seu perfil de segurança fetal.

A clonidina é muito usada em ambiente hospitalar para controle rápido da pressão ou abstinência de drogas.

A rilmenidina, menos conhecida no Brasil, mas bastante utilizada em Portugal, tem perfil semelhante à clonidina, mas com menos sedação.

Efeitos colaterais mais comuns

  • Sonolência e sedação.
  • Boca seca.
  • Tontura.
  • Depressão.
  • Disfunção sexual.
  • Cefaleia.
  • Fadiga e bradicardia.

Um dos principais riscos dos agonistas centrais é o efeito rebote: quando a medicação é suspensa abruptamente, pode ocorrer elevação súbita da pressão arterial, com risco de crise hipertensiva. Por isso, a retirada deve ser feita de forma gradual e supervisionada.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Simone

    Boa tarde Remédio de pressão da muito somo na pessoa.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Alguns podem dar, mas os mais comuns não costumam.

  2. Ângela Bretas de Salles

    Estava tomando Clortalidona 25mg (genérico do Higroton)há muitos anos. Agora não estou conseguindo comprá-lo. Qual seria o melhor substituto? Obrigada!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Indapamida e hidroclorotiazida são medicamentos parecidos, mas não faça nenhuma troca sem antes falar com o seu médico.

  3. Marli Ferreira de Santana

    Quero saber se o captopril é diurético.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não, captopril não é diurético.

  4. Minely Pereira

    Bom dia!

    Você poderia me dizer se o Novanlo é um diurético?

    Agradeço!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não, não é um diurético.

  5. Ron

    Primeiro parabéns pelo site sou fã desde o começo, minha dúvida:
    Tópico Beta- bloqueadores, no parágrafo:
    ” Entretanto, em algumas situações clínicas, o uso de beta-bloqueadores para controlar a pressão arterial pode apresentar efeitos benéficos, como: ” me parece que houve um erro de digitação, no lugar de benéficos não seria maléficos?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim, o correto é maléfico. Já está corrigido, obrigado.

  6. Luzideth

    Ótimo Este site,gostaria de saber qual hiportensivo é indicado para homens ,e quais não são

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não há um tipo de hipertensivo especial para homens. A escolha deve levar mais em conta questões individuais, como outras doenças e medicamentos que ele toma, do que o sexo do paciente.

  7. Frank

    Muito bom o site, parabéns!

    Qual é o melhor SALGANTE, indicado para hipertensos?
    Flôr de sal
    Sal do Himalaia
    Sal Marinho
    E, o SAL bio salgante Zero sódio, seria o ideal?
    Obrigado

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Nenhum sal que tenha sódio é bom. Dê uma lida nesse artigo: https://staging.mdsaude.com/hipertensao/sal/

  8. Zelia

    Olá… Parabéns a quem fez o artigo.
    Tenho pressão alta desde que tive meu filho. E foi a melhor matéria que já li. :)

  9. suzana

    boa tarde na falta do losartana potassica 50mg , posso tomar a noite atenolol 25mg ,sendo que pela manhã eu eles juntos
    tenho 70 anos

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    São medicamentos diferentes, um não substitui o outro.

  10. alex

    boa tarde minha pressao minima, digamos assim fica sempre entre 9 e 10… e a maxima sempre 14 ou 15 estou tomando losartana 2x por dia e não melhora

    Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde Autor

    Primeira coisa é ver se não dá pra reduzir o consumo de sal da dieta. Outra dica é fazer ou aumentar a carga de exercícios. Por último, a opção é associar um outro fármaco.

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