Plasmaférese: o que é, indicações e complicações


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Revisado e atualizado em abril 1, 2026
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O que é plasmaférese?

A plasmaférese (ou plasmaferese) é um tratamento médico no qual usamos uma máquina para remover elementos do plasma sanguíneo que possam ser responsáveis por algumas doenças.

Doenças como mieloma múltiplo, miastenia gravis e a síndrome de Guillain-Barré são provocadas por anticorpos nocivos que estão presentes no plasma, sendo, portanto, passíveis de serem tratadas com sessões de plasmaférese.

Neste artigo explicamos o que é o plasma sanguíneo, quais são os seus elementos que podem provocar doenças e o que é a plasmaférese.

O que é o plasma?

O sangue é o fluido responsável por transportar nutrientes e oxigênio para todos os tecidos do corpo. No sangue também estão presentes enzimas, proteínas, anticorpos, células, sais minerais, glicose, hormônios e uma gama de outras moléculas necessárias para o funcionamento normal do nosso organismo.

O sangue é composto por uma parte líquida, chamada de plasma, e outra sólida, composta por células circulantes, que são as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas.

Componentes do plasma sanguíneo
Componentes do sangue

Quando pegamos uma amostra de sangue e colocamos em uma máquina centrifugadora, conseguimos separar esses elementos do sangue, como demonstrado na ilustração ao lado.

O plasma sanguíneo, que é a parte líquida (sem células), corresponde a 55% do volume de sangue. Ele é composto por 90% de água e 10% de proteínas, anticorpos, enzimas, glicose, sais minerais, fatores da coagulação, hormônios e outras substâncias diluídas do sangue.

Como muitas doenças são causadas por elementos anormais presentes no plasma, tais como autoanticorpos*, toxinas e proteínas anômalas, um método no qual estas substâncias possam ser removidas do plasma torna-se um tratamento muito útil.

* Um autoanticorpo é um anticorpo produzido contra uma estrutura do nosso próprio organismo. Em outras palavras, é um anticorpo produzido de forma inapropriada contra nós mesmos. O nosso próprio sistema imunológico passa a nos atacar em vez de atacar apenas germes invasores. Se você quiser entender melhor o conceito de autoanticorpo, leia o seguinte artigo: Doenças autoimunes.

A plasmaférese é, portanto, um procedimento realizado para a “limpeza” do plasma, que age removendo substâncias que sejam responsáveis por causar danos ao nosso organismo.

Como é feita

A plasmaférese é um método que tem muitas semelhanças com a hemodiálise, sendo realizado, inclusive, com uma máquina muito parecida.

Enquanto na hemodiálise o filtro remove as toxinas acumuladas pela insuficiência renal, o filtro da plasmaférese é capaz de remover o plasma do sangue, levando consigo as substâncias indesejáveis que estão causando doenças.

Na foto abaixo, podemos ver uma sessão de plasmaférese em andamento. O sangue do paciente é filtrado pelo plasmafiltro, que remove as proteínas e anticorpos danosos, retornando ao paciente o sangue sem estes elementos.

Plasmaferese
Plasmaferese

O problema é que a plasmaférese filtra todas as substâncias do plasma, tanto as maléficas quanto as benéficas, inclusive a água presente. Para que o paciente não entre em choque circulatório por falta de plasma, o mesmo volume que é eliminado na plasmaférese precisa ser reposto com bolsas de plasma fresco ou albumina, que são fornecidos pelo banco de sangue do hospital. No paciente da foto, optamos por fazer reposição com albumina, por apresentar menor risco de efeitos colaterais.

Assim como na hemodiálise, na plasmaférese é preciso um acesso venoso para podermos levar o sangue até a máquina e depois trazê-lo de volta ao paciente. Habitualmente, utilizamos cateteres de hemodiálise na veia jugular interna ou na veia femoral para realização da plasmaférese. Estes cateteres ficam localizados dentro da veia cava, bem próximo à entrada do coração (veja a imagem abaixo).

Cateter venoso central
Cateter venoso na veia jugular interna

As sessões de plasmaférese duram, em média, duas horas e podem ser realizadas diariamente ou em dias alternados, dependendo da doença em questão. O tempo total de tratamento também depende da substância plasmática que se pretende filtrar e da resposta clínica do paciente. Em geral, cada tratamento consiste em 5 a 7 sessões de plasmaférese, distribuídas em um intervalo de uma a duas semanas.

É importante entender que a plasmaférese remove as proteínas indesejáveis, mas não influencia na sua produção. Essa informação é importante em duas situações:

1. Se o caso em questão for uma doença autoimune, junto com a plasmaférese, para remover os autoanticorpos, é necessário também o tratamento com drogas imunossupressoras para impedir que novos anticorpos maléficos sejam produzidos enquanto se retira os que já circulam na corrente sanguínea. Caso contrário, em poucos dias, tudo o que foi retirado do plasma pela plasmaférese estará de volta.

2. Alguns anticorpos e proteínas maléficas sobrevivem por mais de 20 a 30 dias. Mesmo que o tratamento com drogas imunossupressoras consiga cessar a produção de novos autoanticorpos, se não for realizada a plasmaférese, aqueles anticorpos ou proteínas já produzidas continuarão circulando e atacando o organismo ainda por vários dias. Dependendo da gravidade da doença, isso é inaceitável, podendo ser tempo suficiente para levar o paciente ao óbito ou à lesão irreversível de algum órgão.

Qual é a diferença entre plasmaférese e diálise?

A plasmaférese e a diálise são realizadas em máquinas semelhantes, com diferenças no filtro utilizado. Na hemodiálise, o filtro remove partículas pequenas, que são eletrólitos e toxinas acumuladas no sangue pela insuficiência renal. Na plasmaférese, o filtro remove as proteínas do plasma, levando consigo as substâncias deletérias que estão causando doenças, como anticorpos indesejáveis.

Indicações

Duas doenças neurológicas de origem autoimune são as maiores indicações para plasmaférese. São elas a Miastenia Gravis e a Síndrome de Guillain-Barré.

Outras doenças nas quais a plasmaférese também pode estar indicada são:

Complicações

Como qualquer procedimento médico invasivo, a plasmaférese apresenta risco de complicações. Resumiremos os problemas mais comuns da plasmaférese.

1. A punção de um vaso profundo para implantação do cateter necessário para a realização da plasmaférese pode causar a formação de hematomas ou infecção do local.

2. Como é no plasma que se encontram os fatores responsáveis pela coagulação do sangue, quando a reposição do volume retirado é feita somente com albumina, e não com plasma fresco, o paciente passa a apresentar um maior risco de sangramentos.

3. Quando a reposição é feita com bolsas de plasma fresco, há um menor risco de sangramento, porém, outras complicações podem surgir. O plasma fresco é obtido através de doações de sangue, das quais o plasma é retirado e colocado em bolsas separadas. Portanto, a infusão de plasma fresco pode apresentar complicações semelhantes àquelas que ocorrem nas transfusões de sangue.

Uma delas é a transmissão de infecções, tais como hepatite e HIV. Outra complicação possível da transfusão de plasma é a reação alérgica a proteínas presentes no plasma transfundido.

4. Os derivados de sangue utilizados para transfusão possuem citrato, que é uma substância que previne a coagulação do sangue dentro da bolsa. Se o paciente recebe grandes quantidades de citrato, parte dele liga-se ao cálcio circulante no sangue, impedindo que este exerça suas funções normais no organismo. A queda da concentração de cálcio no sangue pode causar sintomas como câimbras, desorientação, dormências nos membros, etc.

Em geral, quando a reposição do plasma removido pela plasmaférese é feita apenas com albumina, as taxas de complicações são menores que com a reposição de plasma de doadores. Algumas doenças, porém, apresentam melhor resposta quando a reposição é feita com plasma, especialmente a púrpura trombocitopênica trombótica. Portanto, a indicação do tipo de reposição é feita individualmente.

A taxa de letalidade da plasmaférese é de 3 a 5 a cada 10.000 procedimentos (0,03 a 0,05%). As principais causas de morte são arritmias cardíacas, síndrome da dificuldade respiratória aguda e edema pulmonar não cardiogênico.




Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Danilo

    A minha Doença está classificada com:
    CIDP Polineuropatia Inflamatória Crônica Desmielinizante.
    Quero saber qual o tratamento mais eficaz?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A Polineuropatia Inflamatória Desmielinizante Crônica (CIDP) é uma doença neurológica autoimune caracterizada pela inflamação dos nervos periféricos, resultando em fraqueza muscular e alterações sensoriais. O tratamento mais eficaz pode variar de acordo com a gravidade do quadro. Os principais incluem:

    – Corticosteroides: Usados para reduzir a inflamação e a resposta autoimune.
    – Imunoglobulina intravenosa (IVIg): Terapia de primeira linha com boa resposta em muitos pacientes.
    – Plasmaférese: Indicada em casos mais graves ou quando há falha de outros tratamentos.
    – Imunossupressores (Azatioprina, Ciclosporina, Rituximabe, entre outros): Utilizados quando há necessidade de reduzir a atividade do sistema imunológico.
    – Fisioterapia: importante para manter a função muscular e evitar complicações.

    A escolha do tratamento depende da resposta individual do paciente. É fundamental um acompanhamento neurológico especializado para definir a melhor abordagem.

  2. Maria lima

    Quantos dias para agir a plasmaferese no organismo e obter resultados?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Depende da doença e da gravidade do quadro. Pode ser desde algumas horas ou poucos dias, como nos casos de púrpura trombocitopênica trombótica ou certas anemias hemolíticas, até vários dias e várias sessões, como em algumas doenças autoimunes.

  3. Tussamba Sivi

    Artigo bastante interessante, bem sucinta a descrição, muito útil e resumido, sem dar muitas voltas para tratar o assunto.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Obrigado. Fico feliz de saber que o artigo agradou.

  4. genesio agostinho lopes

    Bom dia! Eu tenho duas perguntas:

    Alguma pessoa já foi curada da Esclerose múltipla primaria progressiva utilizando este procedimento?

    Qual o preço deste procedimento?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não, a plasmaferese não cura a esclerose múltipla.

  5. Anna

    Olá para ser doadora do plasma o doador corre algum risco a saúde Ou não tem problema ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não há risco algum.

  6. Leda maria muniz

    E possivel ficar sem imunossupressor com sessões periódicas de plasmaferese?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A plasmaferese não impede a produção dos autoanticorpos, ela só remove os já produzidos. E não dá para fazer plasmaferese por muito tempo porque ela remove também proteínas e células importantes. Além do fato do cateter não poder ser utilizado por longos períodos. É impraticável manter o paciente sob plasmaferese por muito tempo.

  7. Oreni Alves Ribeiro

    Pode fazer o plasmaferese em dois dias seguidos?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Sim, pode.

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