O que é síndrome nefrótica?
A síndrome nefrótica é um conjunto de sinais e sintomas causados pela eliminação anormal e excessiva de proteínas pela urina, geralmente em quantidades superiores a 3,5 gramas por dia.
Essa perda exagerada de proteínas é chamada de proteinúria e pode ser provocada por várias doenças, como diabetes mellitus, lúpus eritematoso sistêmico, glomerulopatias (doenças que afetam os filtros dos rins), além de infecções como sífilis, hepatite B, hepatite C e HIV.
Os principais sinais da síndrome nefrótica incluem:
- Proteinúria intensa (acima de 3,5 g por dia).
- Inchaços (edemas), especialmente nas pernas e pés.
- Níveis baixos de proteínas no sangue, principalmente da albumina, que é a principal proteína do plasma.
- Colesterol alto e outras alterações nos lipídios do sangue (dislipidemia).
A síndrome nefrótica não é uma doença em si, mas sim uma manifestação clínica que surge como consequência de alguma doença que danifica os glomérulos, as estruturas microscópicas dos rins responsáveis por filtrar o sangue. Quando essas estruturas estão comprometidas, passam a deixar escapar proteínas que normalmente deveriam ser mantidas no organismo.
Nem todo paciente que apresenta proteinúria intensa desenvolve a síndrome nefrótica. Para que o diagnóstico seja feito, além da perda elevada de proteínas, é necessário que haja os sintomas característicos, como edema e alterações nos exames de sangue.
Definição de proteinúria
Os rins funcionam como filtros do nosso corpo. Sua principal função é filtrar o sangue, removendo substâncias tóxicas, excesso de sais, água e resíduos, que são eliminados pela urina. Já as proteínas são substâncias essenciais para o funcionamento do organismo — por isso, não deveriam ser eliminadas pela urina em quantidades relevantes (se você não entende bem o que é uma proteína, leia: O que são as proteínas e aminoácidos?).
Em pessoas com rins saudáveis, a quantidade de proteínas na urina é mínima. Considera-se normal a perda de até 150 miligramas (mg) de proteínas em 24 horas. Quando essa quantidade é ultrapassada, chamamos de proteinúria.
Em geral, graduamos a perda de proteína na urina da seguinte forma:
- Até 150 mg por dia: perdas irrelevantes, consideradas normais.
- Entre 150 mg e 1.000 mg por dia: proteinúria leve.
- Entre 1.000 mg e 3.500 mg por dia: proteinúria moderada (também chamada de proteinúria subnefrótica).
- Acima de 3.500 mg (ou 3,5 g) por dia: proteinúria nefrótica, que indica uma perda grave e anormal de proteínas.
A síndrome nefrótica costuma ocorrer justamente quando a proteinúria atinge esse último grau — ou seja, quando a pessoa perde mais de 3,5 gramas de proteínas por dia na urina.
Essa perda exagerada de proteínas é quase sempre um sinal de que os glomérulos — estruturas do rim que atuam como filtros — estão danificados. Quando funcionam normalmente, os glomérulos impedem que as proteínas saiam do sangue. Mas, se estiverem com lesões, podem deixar essas moléculas escaparem, provocando proteinúria.
É importante destacar que nem toda pessoa com proteinúria nefrótica apresenta os sintomas da síndrome nefrótica. O diagnóstico da síndrome exige a presença dos sintomas clínicos e laboratoriais associados, como inchaços (edema), queda da albumina no sangue e colesterol elevado.
Falamos mais sobre a proteinúria no artigo: Urina com espuma (proteinúria): causas e tratamento.
O que é uma doença glomerular?
O glomérulo é uma estrutura microscópica dentro dos rins, que é responsável pela filtração do sangue. Cada rim possui cerca de um milhão desses filtros naturais, cuja principal função é filtrar o sangue para formar a urina.
Quando os glomérulos estão saudáveis, eles não deixam as proteínas escaparem. O sangue entra nos rins com proteínas e sai com a mesma quantidade. Ou seja, não deveria haver proteína na urina em pessoas com rins normais.
Porém, algumas doenças podem danificar a membrana dos glomérulos, fazendo com que ela perca sua capacidade seletiva. É como se um coador tivesse furos maiores do que deveria. Com esses “furos”, as proteínas, que são moléculas grandes, conseguem passar indevidamente para a urina, resultando na chamada proteinúria.
Esse tipo de problema é chamado de doença glomerular ou glomerulopatia — termo médico usado para se referir a qualquer doença que afete os glomérulos.
Essas lesões nos glomérulos podem ocorrer por várias causas, como doenças autoimunes, infecções, diabetes ou até mesmo sem causa conhecida. Independentemente da origem, o efeito é o mesmo: os glomérulos deixam de filtrar o sangue de forma adequada, permitindo a perda de substâncias importantes, como proteínas.
Explicamos as glomerulonefrites no artigo: Glomerulonefrite: o que é, sintomas e tratamento.
Portanto, resumindo os conceitos discutidos até aqui, podemos dizer que:
- A síndrome nefrótica é um conjunto de sinais e sintomas que surge quando perdemos grandes quantidades de proteínas na urina (mais de 3500 mg por dia).
- A síndrome nefrótica é quase sempre provocada por uma glomerulopatia, ou seja, um problema que se origina devido a glomérulos doentes.
- Todos os pacientes com síndrome nefrótica têm proteinúria acima de 3,5 g por dia, mas nem todos os pacientes com proteinúria acima de 3,5 gramas por dia desenvolvem síndrome nefrótica.
Sintomas da síndrome nefrótica
A síndrome nefrótica é caracterizada por um conjunto de sinais, sintomas e alterações nos exames laboratoriais causados pela perda excessiva de proteínas na urina. Para que alguém receba esse diagnóstico, não basta perder mais de 3,5 gramas de proteína por dia — é preciso também apresentar manifestações clínicas típicas da síndrome.
Primeiros sinais: urina espumosa
Um dos primeiros sinais da presença de proteína na urina é o surgimento de espuma em excesso ao urinar. Embora uma pequena quantidade de espuma na urina possa ser normal, na proteinúria a espumação se torna:
- Mais intensa, com bolhas abundantes.
- Mais persistente, demorando para desaparecer do vaso sanitário. Se o paciente não der descarga e voltar 5 a 10 minutos depois para ver a aparência da urina, ela pode estar praticamente igual, cheia de espuma.
Uma urina espumosa pode aparecer ainda nas fases iniciais, quando a perda de proteína está entre 500 e 1.000 mg por dia. Quando a perda ultrapassa os 3,5 g/dia (faixa da proteinúria nefrótica), a espuma se torna mais evidente e praticamente constante.
Importante: urina espumosa não significa necessariamente síndrome nefrótica, apenas indica a presença de proteína na urina. Para confirmar a síndrome, é necessário que o paciente também apresente outras alterações.

Também cabe destacar que, se o vaso sanitário estiver com algum produto de limpeza à base de detergente ou sabão, é normal que haja espumação no momento em que urinamos. A diferença é que essa espuma começa a diminuir rapidamente, depois de um 1 ou 2 minutos.
Os três pilares da síndrome nefrótica
Além da proteinúria intensa, o diagnóstico da síndrome nefrótica requer a presença dos seguintes achados:
- Edemas (inchaços): costumam começar nas pernas e tornozelos, mas podem se espalhar para outras partes do corpo. Em casos graves, o inchaço atinge todo o corpo — condição chamada de anasarca (leia: Inchaço nas pernas – edema e retenção de líquidos).
- Níveis baixos de proteínas no sangue: principalmente da albumina, uma proteína essencial para manter a água dentro dos vasos sanguíneos. Quando a albumina está baixa (condição chamada de hipoalbuminemia), a água escapa para os tecidos, favorecendo o inchaço.
- Colesterol alto (dislipidemia): o fígado tenta compensar a perda de proteínas aumentando a produção de várias substâncias, incluindo lipoproteínas, o que leva ao aumento dos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue (leia: Colesterol alto: o que são HDL, LDL, VLDL, ApoB e Lp(a)?).
Essas três alterações — edema, hipoalbuminemia e colesterol elevado, junto com a proteinúria nefrótica — são os principais critérios para o diagnóstico da síndrome nefrótica.
Outras complicações da perda excessiva de proteínas na urina
Além desses sintomas principais, a falta de proteínas no sangue pode causar vários outros problemas, como:
- Infecções frequentes: os anticorpos, que são proteínas de defesa, também são perdidos na urina, deixando o organismo mais vulnerável.
- Maior risco de trombose: proteínas que impedem a formação de coágulos também são eliminadas pela urina, o que aumenta o risco de formação de coágulos em veias e artérias, inclusive em locais graves como veia renal ou pulmões.
- Desnutrição: com a perda contínua de proteínas essenciais, o paciente pode apresentar sinais de fraqueza, perda de peso e massa muscular.
- Redução do volume de sangue circulante (hipovolemia): a falta de albumina faz com que parte da água do sangue migre para os tecidos, reduzindo a quantidade de líquido dentro dos vasos e podendo causar queda de pressão, tontura e insuficiência renal aguda.
- Insuficiência renal aguda: pode surgir tanto pela redução do volume de sangue que chega aos rins quanto por lesão direta causada pela doença de base (leia: Insuficiência renal aguda: o que é, sintomas e tratamento).
Além dos sintomas da síndrome, o paciente também pode apresentar sinais e sintomas relacionados à doença de base que está provocando a lesão renal e a síndrome nefrótica, como lúpus, diabetes, infecções, entre outras.
Também podem surgir outros sinais de doença glomerular, mas que não fazem parte da síndrome nefrótica e não estão diretamente ligados à proteinúria, como hematúria (perda de sangue na urina) e hipertensão arterial.
Causas da síndrome nefrótica
A síndrome nefrótica não é uma doença por si só, mas sim uma consequência de alguma condição que afeta os rins, especialmente os glomérulos — os filtros microscópicos responsáveis pela filtração do sangue.
As causas da síndrome nefrótica são geralmente divididas em dois grupos:
- Causas secundárias, quando o problema nos rins é consequência de uma doença que atinge o corpo todo (doença sistêmica).
- Causas primárias, quando a doença atinge apenas os rins, sem envolver outros órgãos.
Vamos entender melhor essas duas situações:
Síndrome nefrótica secundária
Neste caso, a síndrome nefrótica surge como consequência de outra doença, que não começa nos rins, mas que acaba afetando-os. Um dos melhores exemplos é o diabetes mellitus.
O diabetes, especialmente quando mal controlado ao longo dos anos, pode provocar danos progressivos nos glomérulos, tornando a membrana de filtração mais permeável às proteínas. Inicialmente, o paciente começa com pequenas perdas de proteína na urina, que vão aumentando com o tempo até atingir o nível da síndrome nefrótica.
Leitura sugerida: Lesão renal pelo diabetes (nefropatia diabética).
Outras doenças e condições que podem causar síndrome nefrótica secundária incluem:
- Lúpus eritematoso sistêmico: doença autoimune que ataca vários órgãos, inclusive os rins.
- Hepatite B e Hepatite C: infecções virais que também podem afetar os glomérulos.
- Sífilis: infecção sexualmente transmissível que pode causar inflamação nos rins.
- HIV: o vírus pode causar um tipo específico de lesão renal, especialmente em pacientes com baixa imunidade.
- Amiloidose: condição em que proteínas anormais se depositam nos órgãos, incluindo os rins, interferindo em seu funcionamento.
- Cânceres: como alguns linfomas e leucemias, que também podem desencadear síndrome nefrótica em certos casos.
- Medicamentos: algumas drogas, como anti-inflamatórios, interferon e lítio, podem causar lesões glomerulares.
Síndrome nefrótica primária
Quando não há nenhuma doença sistêmica associada, e o problema ocorre exclusivamente nos rins, chamamos de síndrome nefrótica primária. Nesses casos, a causa é uma glomerulopatia primária, ou seja, uma doença que afeta diretamente os glomérulos, sem envolver outros órgãos.
As principais doenças renais primárias que podem causar síndrome nefrótica são:
- Doença de lesão mínima: é a causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças, e, apesar do nome, pode provocar perda importante de proteínas. Costuma responder bem ao tratamento com corticoides.
- Glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF): comum em adultos, especialmente homens, e pode ter evolução lenta ou rápida. Em alguns casos, pode levar à insuficiência renal crônica.
- Nefropatia membranosa: doença frequente em adultos e que pode estar relacionada à autoimunidade ou ser provocada por infecções e medicamentos.
- Glomerulonefrite membranoproliferativa: menos comum, mas frequentemente associada a infecções crônicas, como hepatite C.
- Nefropatia por IgA: doença imunológica comum que costuma causar sangue na urina (hematúria), mas em alguns casos pode cursar com proteinúria significativa.
- Glomerulonefrite pós-estreptocócica: ocorre após infecção por bactérias do grupo estreptococo, como em faringites ou infecções de pele. Em crianças, é comum, mas geralmente leve e autolimitada.
É importante destacar que nem toda doença glomerular causa síndrome nefrótica. Em muitos casos, a proteinúria é leve ou moderada, sem os outros sinais da síndrome. Quando a proteinúria ultrapassa os 3,5 g por dia, isso geralmente indica uma lesão glomerular mais grave.
Diagnóstico
O diagnóstico da síndrome nefrótica envolve duas etapas principais:
- Confirmar que há uma perda excessiva de proteínas pela urina (proteinúria nefrótica);
- Identificar a causa dessa perda.
1. Identificação da proteinúria
A primeira parte do diagnóstico é verificar se há proteinúria em quantidade anormal, especialmente se ultrapassa os 3,5 gramas por dia — o valor que caracteriza a faixa nefrótica.
Para isso, o médico solicita exames de urina, sendo os mais comuns:
- EAS (exame de urina tipo 1): é um teste simples de urina que pode detectar a presença de proteínas, além de outros achados como sangue ou leucócitos.
- Urina de 24 horas: o paciente coleta toda a urina produzida ao longo de 24 horas, permitindo quantificar exatamente a quantidade de proteína eliminada.
- Relação proteína/creatinina na urina isolada: exame alternativo mais prático, que usa apenas uma amostra de urina e fornece uma estimativa confiável da proteinúria.
Se for confirmada uma proteinúria acima de 3,5 g por dia, o paciente pode estar com síndrome nefrótica, mas é necessário avaliar os outros critérios clínicos e laboratoriais (como edema, albumina baixa e colesterol alto) para fechar o diagnóstico completo.
2. Investigação da causa
Uma vez definido que o paciente tem proteinúria nefrótica, o próximo passo é descobrir o que está provocando essa lesão nos rins.
- Em pacientes que já têm doenças conhecidas, como diabetes mellitus ou lúpus, a causa geralmente é óbvia e não exige investigação complexa.
- Em pessoas sem diagnóstico prévio, que estavam saudáveis até então, é preciso investigar com mais profundidade.
Essa investigação costuma incluir:
- Exames de sangue, como:
- Sorologias para hepatite B, hepatite C, HIV e sífilis;
- Testes imunológicos, como o FAN (fator antinuclear), usados para rastrear doenças autoimunes, como o lúpus.
- Exames de imagem, como ultrassonografia dos rins, que ajudam a avaliar a anatomia renal e excluir outras causas de problemas urinários.
- Biópsia renal, que geralmente é necessária quando:
- A causa da síndrome nefrótica não está clara.
- Suspeita-se de uma doença glomerular primária.
- O paciente tem insuficiência renal associada.
- Há sinais de gravidade (por exemplo, sangue na urina ou queda rápida da função renal).
Na biópsia, o médico retira um pequeno fragmento do rim com uma agulha fina (procedimento feito com anestesia local), que é analisado ao microscópio. Esse exame permite identificar exatamente o tipo de lesão glomerular presente, o que é essencial para definir o tratamento adequado.
Explicamos a biópsia renal com mais detalhes no artigo: Biópsia renal: indicações, precauções e riscos.
Tratamento
O tratamento da síndrome nefrótica depende diretamente da causa que está provocando a perda de proteínas na urina. Como explicado, a síndrome é apenas uma manifestação de um problema renal mais profundo, que precisa ser identificado e tratado.
Tratamento das causas secundárias
Nos casos em que a síndrome nefrótica é causada por uma doença sistêmica ou infecção, o foco principal é tratar essa condição de base. Nesses casos, a cura ou o controle da doença pode levar à regressão da proteinúria e dos outros sintomas.
Exemplos:
- Diabetes mellitus: como é uma doença crônica e sem cura, o tratamento visa controlar rigorosamente os níveis de glicose no sangue e manter a pressão arterial sob controle. Isso ajuda a evitar a progressão da lesão renal e pode reduzir a perda de proteínas.
- Hepatites B ou C, sífilis e HIV: nesses casos, o tratamento adequado da infecção costuma melhorar também o quadro renal. Em alguns pacientes, pode até haver regressão completa da síndrome nefrótica.
- Lúpus eritematoso sistêmico: o tratamento costuma envolver o uso de medicamentos imunossupressores para controlar a atividade da doença autoimune e proteger os rins.
Controle da proteinúria e dos sintomas
Além de tratar a causa da síndrome nefrótica, é fundamental controlar a proteinúria para evitar a progressão da doença renal. Existem medicamentos específicos que atuam diretamente nessa redução:
1. Inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou Bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRA)
São medicamentos com ação anti-hipertensiva e antiproteinúrica. Exemplos:
- IECA: enalapril, captopril, ramipril, lisinopril.
- BRA: losartana, valsartana, olmesartana, telmisartana, irbesartana.
Esses fármacos ajudam a proteger os rins e diminuem a pressão dentro dos glomérulos, o que reduz a perda de proteínas. Apesar de serem eficazes anti-hipertensivos, eles também estão indicados em pacientes sem pressão alta, justamente pelo seu efeito protetor renal.
Nota: não é mais indicada a associação de IECA com BRA. O ideal é escolher uma das duas classes apenas. Ambas são igualmente eficazes.
Leitura sugerida: IECA e ARA II – Remédios Para Hipertensão.
2. Inibidores do SGLT2 (dapaglifozina ou empaglifozina)
A dapagliflozina e a empaglifozina são fármacos da classe dos inibidores do cotransportador de sódio-glicose tipo 2 (iSGLT2). Inicialmente desenvolvidas para o tratamento do diabetes tipo 2, elas mostraram ter efeitos benéficos também nos rins, inclusive em pessoas sem diabetes.
Seus efeitos incluem:
- Redução da proteinúria.
- Proteção da função renal a longo prazo.
- Redução do risco de progressão para insuficiência renal terminal.
Ela pode ser usada em pacientes com doença renal crônica com proteinúria, especialmente se tiverem diabetes ou risco cardiovascular elevado. Já é recomendada por diretrizes internacionais (como a KDIGO e ADA).
Leitura sugerida: Dapaglifozina, empaglifozina e outros inibidores da SGLT2.
3. Finerenona
A finerenona é uma nova geração de antagonistas do receptor de mineralocorticoide, com ação anti-inflamatória e antifibrótica nos rins. Diferentemente da espironolactona, ela tem menos efeitos colaterais hormonais (como ginecomastia ou alterações menstruais) e menor risco de aumento do potássio no sangue.
Indicações da finerenona:
- Reduz a proteinúria.
- Reduz a progressão da doença renal crônica.
- É especialmente útil em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal com proteinúria persistente, mesmo com o uso de IECA ou BRA.
Outros tratamentos sintomáticos importantes
- Diuréticos (como furosemida): usados para reduzir os edemas (inchaços), facilitando a eliminação de líquido acumulado.
- Medicamentos para colesterol alto (como estatinas): ajudam a controlar a dislipidemia, que é comum na síndrome nefrótica.
- Reposição de albumina: pode ser usada em alguns casos graves, com queda acentuada da albumina e sintomas de hipovolemia (pressão baixa, tontura).
- Anticoagulantes: podem ser necessários se o paciente tiver risco aumentado ou histórico de trombose.
- Vacinas e antibióticos profiláticos: podem ser recomendados para reduzir o risco de infecções graves, especialmente em pacientes com baixa imunidade.
Tratamento das glomerulopatias primárias
Quando a causa da síndrome nefrótica é uma doença que atinge diretamente os rins (glomerulopatia primária), o tratamento costuma ser feito com fármacos que modulam ou suprimem o sistema imunológico, já que muitas dessas doenças têm origem autoimune ou inflamatória.
Os principais medicamentos usados são:
- Corticoides (como prednisona): geralmente são a primeira linha de tratamento, especialmente em crianças com doença de lesão mínima, que costuma responder bem.
- Imunossupressores, como ciclofosfamida, micofenolato mofetil, azatioprina, ciclosporina e tacrolimo, indicados conforme o tipo e a gravidade da doença glomerular diagnosticada na biópsia renal.
- Medicamentos biológicos, como o rituximabe, uma opção cada vez mais usada em casos resistentes ou com recaídas frequentes, com bons resultados e menos efeitos colaterais a longo prazo.
O tratamento da síndrome nefrótica deve ser sempre individualizado, baseado no tipo de doença glomerular, gravidade do quadro e resposta aos medicamentos.
Em alguns casos, o paciente pode ter uma melhora completa e duradoura. Em outros, mesmo com tratamento, pode haver progressão gradual para insuficiência renal crônica, exigindo hemodiálise no futuro.
Referências
- Nephrotic Syndrome in Adults – National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK).
- Idiopathic nephrotic syndrome in children – The Lancet.
- Overview of heavy proteinuria and the nephrotic syndrome – UpToDate.
- Pathophysiology and treatment of edema in adults with the nephrotic syndrome – UpToDate.
- Etiology, clinical manifestations, and diagnosis of nephrotic syndrome in children – UpToDate.
- Alan S.L. Yu MB, BChir, in Brenner and Rector’s The Kidney, 2020.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Meu exame de urina EAS deu proteína 100mg/dl. Corro o risco de estar com problema renal? Qual?
Minha mae tem sindrome nefrotica, e esta tomando corticoide esta correto o uso? ela realmente tem que tomar para o resto da vida ?
Essa doença pode levar a morte? Ou algo ruim?
Eu tenho síndrome nefrótica e eu posso tomar melatonina?
Tenho síndrome nefrótica posso engravidar?